As opções de Bush
Emir Sader
Agência Carta Maior, 18 de março de 2003

Com suas escolhas, o presidente dos EUA almeja recuperar a sua capacidade de ação política, os dividendos econômicos e o apoio eleitoral interno. A parada parece muito alta para seu cacife.

George W. Bush fez suas opções. Em primeiro lugar, o presidente dos EUA optou pelo unilateralismo. Sem conseguir articular a aliança do bloco de potências ocidentais, o governo norte-americano escolheu agir sozinho, com seus aliados mais fiéis, porém isolado internacionalmente, sem o apoio do Conselho de Segurança, da ONU, da Otan e menos ainda da opinião pública internacional.

Em segundo lugar, Bush optou pelos lobbies que constituem seu governo - não por acaso estruturados em torno da produção petrolífera e de armamentos. Esses setores se vislumbram com três possibilidades: de utilização maciça das armas mais modernas já produzidas, de colocar as mãos nas reservas de petróleo do Iraque e de passar a afetar diretamente a política da Opep.

Em terceiro lugar, Bush optou pela sua reeleição. Ele sabe que os EUA vivem uma recessão econômica profunda e prolongada e se esse clima predominar ano que vem, o presidente e seu partido republicano seriam derrotados eleitoralmente. A reunificação “patriótica” do país pela guerra dá novo impulso aos republicanos e a Bush.

Em quarto lugar, os EUA se lançam à maior aventura desde as Cruzadas, tentando exportar para o mundo árabe os modelos e modos de vida do capitalismo liberal ocidentais. Fez a escolha mais radical, assumiu a “guerra de civilizações” e o fez na sua forma mais radical – a ocupação militar como instrumento de instalação de um enclave colonial no centro do mundo árabe.

Bush optou pela ação imperial e terá que assumir as conseqüências de sua ação - que ele espera sejam suaves. Com isso, ele almeja recuperar a capacidade de ação política, os dividendos econômicos e o apoio eleitoral interno. A parada parece muito alta para seu cacife.

Pode-se fazer tudo com um B-52, menos sentar em cima.

Emir Sader, professor da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), é coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Uerj e autor, entre outros, de “Século XX – Uma biografia não autorizada” (Editora Fundação Perseu Abramo) e “Contraversões (com Frei Betto, Editora Boitempo).


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