Nas últimas semanas, o mundo assistiu a manifestações, atos e protestos em favor da paz. Em diversos países da Europa, no Brasil e inclusive nos EUA, milhares de pessoas foram as ruas dizer não á ação militar estadunidense contra o povo iraquiano. Mas a vontade da maioria da população mundial, a falta de apoio da Organização das Nações Unidas e um pedido do Vaticano não foram suficientes para barrar George Bush e suas tropas.
Na noite de segunda-feira, 17 de março, Bush mandou que os inspetores da ONU se retirassem do Iraque, bem como jornalistas e funcionários de embaixadas. Em declaração à imprensa mundial, Bush afirmou que Saddam teria 48 horas para deixar o Iraque, junto com seus filhos, e que seus soldados não deveriam utilizar armas de destruição em massa contra o exército americano, sob alegação de que os que contrariassem e fossem capturados seriam considerado presos de guerra.
Mais uma vez, os EUA estão impondo ao mundo sua força e sua vontade numa guerra que, pela teoria de seu próprio presidente, não faz nenhum sentido. Se o mundo se sentisse ameaçado por Saddam Hussein uma coalizão entre vários países teria sido formada para combate-lo e o “defensor mundial da paz” teria mais aliados nessa batalha. E como se pode falar em paz praticando a guerra, atacando massivamente um povo que, questionavelmente, faça parte do “eixo do mal”. Como condenar uma suposta produção de armas de destruição em massa afirmando que, se for necessário, serão utilizadas armas nucleares contra o povo iraquiano!
George W. Bush invoca o nome de Deus e é conhecido por ler a Bíblia todos os dias na Casa Branca, antes de suas reuniões e acompanhado de seus súditos, mas não é capaz de praticar os ensinamentos básicos de qualquer religião. Não tem compaixão e misericórdia e não pratica a paz, porque sua ganância e sua sede de ampliar seu império são maiores que todas as coisas. A única doutrina que pratica é a do poder e da guerra.
Assim como os EUA estão boicotando os produtos franceses pela falta de apoio à guerra, o MST e os demais movimentos contra a guerra no mundo sugerem que continuemos nosso boicote a produtos e serviços de empresas norte-americanas. Vamos fazer parte das manifestações que continuam a acontecer em todo o mundo. Além de participar de atos e passeatas, vamos mandar mensagens ao governo brasileiro para que este pressione os EUA a parar a guerra; ao secretário geral da ONU, Kofi Annan, para que esta exerça sua função de manter a paz mundial; e para a embaixada americana no Brasil, para que eles tenham a real dimensão de nosso desagrado.
Itamarati – Ministério
das Relações Internacionais – Divisão de Atos Internacionais
dai@mre.gov.br
Kofi Annan (Porta Voz)
inquiries@un.org
Embaixada Americana no
Brasil
ircbsb@pd.state.gov
Fabiana Gigli é
jornalista
Consciência.Net