O jornalismo desonesto e o mito do “crime organizado”
Atualizado em 25/11/2010 – 14h29
O “Jornal da Globo” fechou com chave de ouro o dia de uma emissora empenhada em assustar e desinformar o público, enquanto outras emissoras e rádios acompanharam a tática do pânico. A velha técnica do “Mantenham a calma” seguido de imagens impactantes da violência no Rio de Janeiro é a melhor forma, do ponto de vista da cultura do medo que tenta se impor, de pôr em ação esse objetivo. É como você dizer “Fique à vontade” quando recebe alguém pouco conhecido em sua casa, provocando o efeito contrário. Neste caso é bem pior: trata-se do imaginário social de um conjunto de milhões de brasileiros que está em jogo. E neste caso há consequências políticas.
Não há dúvidas de que (1) o índice de criminalidade no Rio é muito alto, inaceitável, e que (2) a lógica que rege o projeto da polícia comunitária, que esse governo chama da “UPP” e que outros governos já tentaram com outros nomes, é um bom caminho, desde que proponha de fato a participação da comunidade no processo decisório e que seja mais amplo. Atualmente é um conjunto de projetos-piloto.
No entanto, estratégias diversas estão em jogo. A saber:
A. O Governo do Estado, principalmente por meio do governador Sergio Cabral, tenta capitalizar a crise politicamente. Aparece como o “líder destemido” que as pessoas assustadas das classes A e B exigem nessa hora. Ao mesmo tempo, desvia a atenção da plena incompetência do governo nas áreas de educação e saúde – incluindo a recente busca e apreensão na casa de Cesar Romero, o ex-subsecretário-executivo de Saúde, primo da mulher do secretário Sérgio Côrtes e braço direito dele na secretaria. A acusação: fraude em licitação ao contratar manutenção de ambulâncias superfaturada em mais de 1.000%;
B. Setores mais violentos da Polícia Militar – a banda podre que não quer saber de papo de UPP – ganham carta branca, por conta do clima de medo, para fazer suas velhas e conhecidas “incursões” nas favelas, a política burra do confronto com o “crime organizado”, vitimando cidadãos inocentes e realizando execuções sumárias de suspeitos. O Secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, chama isso de “efeito colateral”, enquanto jornalistas passam uma coletiva de imprensa inteira perguntando apenas por “números” e trajetos da PM e do BOPE;
C. Os principais chefes da Polícia Militar do Rio de Janeiro e a Secretaria de Segurança Pública vendem a tese deplorável de que os atentados são uma “reação às políticas das UPPs”, e a velha mídia simplesmente engole. O curioso é que as UPPs estão presentes em 13 favelas, de um universo de 1.000 existentes no Rio e região metropolitana. Imagina quando chegarem a 20, 30! Melhor mudar para Miami de uma vez;
D. A mídia cria uma dinâmica do medo a partir de absurdos sociológicos, como afirmar que o “crime organizado” atual surgiu do encontro entre presos comuns e presos políticos nos anos 70 (tentando vincular militantes de esquerda a traficantes de drogas); separar a cidade em esquemas tipos “eles-nós”, como fez Arnaldo Jabor, ao afirmar que “é preciso apoio da população, principalmente da Zona Sul, pois a periferia já mora dentro da violência” (JG, 24/11/2010) e até mesmo mentir descaradamente, afirmando por exemplo que os “índices de criminalidade estão estagnados no Rio” (editorial de William Waack), o que é mentira, conforme atesta até mesmo um dos maiores críticos do Governo do Estado, o sociólogo Ignácio Cano. Pouco importa para o jornalismo desonesto: o que está em questão é reafirmar o discurso vazio do “A que ponto chegamos!” e o elogio ao “endurecimento” das leis e das ações vingativas, como forma de alívio do medo criado. Não adianta nada, conforme apontou este seminário (em especial a fala do Coordenador do Núcleo de Presos da Polinter no Estado do Rio de Janeiro, o delegado da Polícia Civil, Orlando Zaccone).

A "polícia comunitária" do Rio de Janeiro, conhecida como UPP, tem coincidentemente um caminho parecido com o das rotas dos grandes eventos internacionais que se aproximam.
Os interesses, portanto, são complexos tal como os nossos problemas. A Zona Sul (parte dela, aquela à qual o Jabor se refere e da qual faz parte) está tão assustada que não consegue raciocinar. Milhares de pessoas são executadas todo ano no Rio de Janeiro, dados absolutamente grotescos. A cobertura é a mesma? Não. “As pessoas lidam com insegurança no Rio de forma cíclica e dramática. Para conviver com o alto nível de violência na cidade, tratam como se ela não existisse. Mas, então, surge um evento de grande repercussão e vira uma pauta central na cidade, todos discutem, é uma grande catarse”, aponta Ignácio Cano. “Sensação de segurança pública é muito diferente da efetiva segurança”, completa o deputado Marcelo Freixo.
Se fosse de fato uma preocupação, pararia para ler o relatório da CPI das Milícias, concluído no dia 10 de dezembro de 2008. Contém o mapa das milícias, seu funcionamento, seus braços econômicos, a relação do braço político com o braço econômico e o domínio de território. Enquanto as Nações Unidas calculam que o narcotráfico rende 200 mil dólares por minuto, só no domínio das vans no Rio de Janeiro, uma das milícias faturava 170 mil reais por dia. Este é apenas um exemplo.
Crime organizado, portanto, é isso: um negócio bem organizado. O que torna o crime “organizado” é sua capacidade de se organizar, e não de reagir violentamente. “Em qualquer lugar do mundo, o crime organizado está sempre dentro do Estado, e não fora”, aponta o deputado Marcelo Freixo, que relata sua dificuldade quando tentou instituir a referida CPI neste depoimento.
O pior é que o número de milícias é, hoje, maior do que em 2008. “O número de territórios dominados por milícias hoje é maior do que o número de territórios dominados pelo varejo da droga”, comenta Freixo. “Eu estranho o silêncio desse governo em relação às milícias, dizendo que o Rio está pacificado, diante do crescimento das milícias”.
E o poder público tampouco ajuda. O relatório foi entregue pelos membros da CPI nas mãos do prefeito Eduardo Paes. Solicitaram, por exemplo, que a licitação das vans fosse feita individualmente e não por cooperativas. “O prefeito acaba de fazer licitação por cooperativas e não individualmente”, denunciou Freixo.
Outro fator que aponta o descaso do poder público é o descaso com os serviços sociais que deveriam acompanhar o processo de “pacificação”. “Eu estive no Chapéu Mangueira e na Babilônia. Além da polícia, não há lá qualquer braço do Estado. A creche mal funciona, com o salário atrasado das professoras, o que a Prefeitura não assume. O posto de saúde não tem nenhum médico, nenhum dentista da rede pública do Estado. É mais uma vez a lógica exclusiva da polícia nas favelas – e somente a polícia”, afirmou. O projeto das UPPs está traçando um caminho bem delimitado: setor hoteleiro da Zona Sul, entorno do Maracanã, Zona Portuária e a Cidade de Deus, “única área dominada pelo tráfico em toda Jacarepaguá, que tem o domínio hegemônico das milícias”.
Danem-se as demais regiões que, como ressaltou Jabor, “já moram dentro da violência”.
Uma questão social, de classe
Para quem ainda acha que as questões de classe acabaram, basta comparar a forma como os diversos crimes em nossa sociedade são enfrentados. Para combater crimes financeiros (quando se combate), ninguém entra em agências bancárias rendendo as pessoas e atirando. Nas favelas, áreas com assentamentos humanos extremamente degradados, é diferente.
Um dos “efeitos colaterais”, na expressão de Beltrame, é a estudante Rosângela Alves, de 14 anos. Seu pai Roberto Alves, ironizou a presença dos policiais militares na unidade de saúde com aplausos: “Parabéns a vocês. Parabéns, Beltrame, parabéns, Cabral. Olha o que vocês conseguiram com isso! Matar uma menina que estava em casa! Sabe o que vocês conseguem com essas operações: matar pobres”. Sem conseguir sair de casa por causa do intenso tiroteio, a mãe da menina, Thereza Cristina Barbosa, acusou em relato ao jornal O Dia a polícia de ter disparado o tiro que matou sua filha. “O tiro que atingiu minha casa partiu de baixo para cima. Minha filha está morta, e eu sequer consigo velar o corpo dela”, lamentou ela, por telefone. (Leia aqui e aqui)
Como já apontei, o narcotráfico é um negócio como qualquer outro. E rende bastante: dados conservadores das Nações Unidas estimam que o rendimento líquido é de US$ 400 bilhões ano. Um “freela” para se queimar um carro custa entre R$ 200 e R$ 400. “Falo em ‘varejo de drogas’ na favela, e não de traficantes”, reafirma Freixo, apontando que a ponta do sistema – o 1% que está na favela – não tem projeto de poder e qualquer noção de organização criminal, como apontei. “Nunca participaram de juventude católica, de grêmio estudantil, nunca tiveram qualquer noção de coletividade. Sabe quantas escolas públicas existem no Complexo do Alemão? Duas”.
Conforme afirmou até mesmo um capitão e um dos fundadores do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) – um grupo de policiais fascistas que acreditam que executar sumariamente é uma prática normal, conforme não escondem mesmo em declarações públicas – em uma entrevista hoje (25/11) pela manhã na TV Record: “Os Batalhões da PM não possuem estrutura mínima de inteligência para operar”.

Marcelo Freixo, deputado que trata da segurança há muito tempo, amplia a crítica e denuncia: "Sabe quantas escolas públicas existem no Complexo do Alemão? Duas"
O deputado Marcelo Freixo deu uma entrevista nesta quinta-feira (25/11) na GloboNews afirmando o óbvio: o número de pessoas portando fuzis não chega a 1% dos moradores. Ele costuma ironizar: “Eu gostaria que no parlamento fosse a mesma coisa: menos de 1% envolvido com o crime. Infelizmente não é assim, mas na favela é”. A polícia tem que agir com responsabilidade diante destes cidadãos. Enquanto isso telespectadores igualmente fascistas comentam pela internet: “Tem que entrar mesmo e enfrentá-los”. De quem estamos falando?
Freixo, focado na solução do problema, lembra: “Armas não são produzidas nas favelas. Eles vieram de algum lugar. Quantas ações policiais foram feitas na Baía de Guanabara? Quantas foram realizadas no Porto? Eu não me lembro de nenhuma”. É uma constatação que deixa todos os “notáveis” comentadores políticos envergonhados, pois só sabem falar abobrinhas sobre a “coragem” dos policiais em “enfrentar” o crime organizado. Estão focados na política burra do confronto.
Freixo lembrou ainda, na entrevista de hoje, que essas áreas pertencem ao tráfico de drogas. A área das milícias, conforme descrito anteriormente neste artigo, não foram tocadas – e tão somente por isso não estão reagindo. “Vamos lembrar que esses eventos já aconteceram próximo ao réveillon de 2006. O problema não é esse. A questão é que o setor de inteligência no Rio de Janeiro é muito falho. Para constatar isso basta visitar a DRACO [Delegacia de Repressão ao Crime Organizado da Polícia Civil do Rio de Janeiro]”, concluiu Freixo.
Agora, muito pertinentemente alguém poderia se perguntar: e os movimentos sociais nisso tudo? Eles não possuem meios para se comunicar, portanto não fazem parte do cenário político. É tão simples quanto é trágico.
En español
El periodismo deshonesto y el mito del crimen organizado
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(*) Gustavo Barreto, jornalista. Contato pelo @gustavobarreto_. Atualizado em 25/11/2010 – 14h29
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Na pior das hipóteses, fica reafirmada a capacidade de União, Estado e Município agirem em prol do bem comum (coisa que se chega a pensar que seja impossível em alguns momentos).
A autoridade existe para servir, não para ser servida.
Falta fazer isto em tempo integral.
Esquecer a cor político-partidária e, efetivamente, ocupar os territórios, com educação, saúde, segurança, saneamento…
Quem disser que é utópico, já desistiu!
Apesar de eu conhecer quem não tenha tido oportunidade, mas que se contente com salario de gari, que se sinta feliz acordando as 3 da manhã pra trabalhar, eu entendo esse tipo de posição.
A questão é que, por a situação ter chegado a esse ponto, pela negligência de antes, ela pode se perpetuar assim? As crianças de hoje podem ser alvejadas por se recusarem a atender ao recrutamento daqueles que há 10 anos atrás, por nao terem oportunidade, optaram pela vida do crime? Em algum momento a virada tem que que acontecer. Se a idéia é depois dos tanques, tomarem esses territórios e trazerem a eles civilidade, nós deveríamos apoiar.
Vale lembrar que quem iniciou ataques contra civis foi o tráfico. Que quem agora está atirando, é o tráfico. Vale lembrar que a polícia deu um dia inteiro para eles se entregarem, com suas armas, para cumprirem penas ridículas e em breve estarem de volta a ilegalidade.
quem conhece o mundo do tráfico sabe que a opção que muitos deles fazem é quase definitiva. Que optam por isso, não apenas por falta de oportunidade, mas pela facilidade de se ganhar dinheiro, pelo status que carregar um fuzil pelas ruas da favela traz, porque as meninas adoram o poder deles. Eu não estou generalizando, mas falando de uma boa parcela dessas pessoas, que não abandonariam a vida que traz a eles o Nike que eu, com o meu trabalho legal, 8 horas por dia, 7 dias por semana, não posso ter.
Quantos deles tiveram segundas oportunidades e voltaram ao mundo do crime, a queimar pessoas vivas, a atirar em crianças, mulheres, idosos?
Mas a questão, pra mim, é que antes de se pensar em construir uma sociedade mais igualitária, era sim preciso destruir a imagem de força e de heróis que esses assassinos sádicos tinham. As crianças daquele lugar têm que ter o policial, o militar como herói, não o traficante. A ação desse fim de semana fez isso. Até porque foi legítima, foi limpa. Não houve violência desmedida, não houve chacina ou extermínio.
A população do complexo do alemão cooperou, denunciou e mais importante que isso, agradeceu as 15 picapes, 1 caminhao, 1 caveirao, no minimo 90 soldados, alguns com as caras pintadas de preto por aquilo que eles mesmo chamam de libertação. A chance de agora serem integrados a sociedade, sem ter que conviver com aquele medo constante. Porque tiroteio não é só entre polícia e bandido. É também entre diferentes facções do crime organizado.
Tudo, pra ser feito em uma favela dominada pelo tráfico, requer a autorização deles. Enquanto o tráfico dominar uma comunidade, ela nunca será integrada de verdade. A chance deles é essa. E eu torço muito, espero de verdade, que esse seja o pontapé inicial pra mudança na vida dessas pessoas.
[...] Por Gustavo Barreto, no Consciência.net [...]
Apesar de a maioria das coisas mencionadas serem verdadeiras, como a falta de politica publica nesses lugares em q a policia conseguiu se instalar, isso nao pode desmerecer o trabalho da policia q estamos presenciando agora. Falta td isso sim, mas como esse serviços poderiam chegar se tinham q se submeter oas arbitrios do trafico? vc acha q um médico iria simplesmente trabalhar num posto de saude no morro correndo o risco de morrer ou de ter q atender um traficante ferido? com ameaças de morte? Ninguem em sã consciencia se colocaria em perigo, em qq situação! entao agora com td esses acontecimentos não devemos criticar o modo de como a policia está agindo, mesmo pq em outros conflitos tivemos mto mais mortes e feridos com um resultado sem qq relevancia. Vamos agora tomar consciencia e aproveitar essa oportunidade e levar td isso q sabemos q falta nessass comunidades… inclusive nós da sociedade, e aõ ficarmos esperando somente o poder publico. e vamos com um passo de cada vez… se a policia continuar fazendo um bom trabalho, ela com certeza podera se avaliar e combater a corrução dentro dela, pq a maioria tb nao é de maus policiais.
Vamos aproveitar a oportunidade e não simplesmente ficar palpitando!
Fabiane
Uma moradora q tb viu uma UPP fazer diferença
Interessante é que enquanto o tráfico domina a favela, não vemos manifestações dos moradores da comunidade, ditos “de bem”. Interessante é que esses moradores preferem a pretensa PAZ dos traficantes enquanto eles estão lá, negociando drogas e armas. Mas quando a polícia entra para abafar o que esses marginais fazem, a reação é imediata: a polícia é que veio atirando, a polícia é que matou… Moradores “de bem” que esperam a oportunidade de dizer para as câmeras que vivem um inferno e chorar copiosamente pelo filho “que era trabalhador”. Moradores “de bem” norteados pela inveja entre eles mesmos, pois um não pode ter nada a mais do que o outro. Moradores “de bem” que exigem tudo de todos, que querem seus direitos, mas se recusam abertamente a cumprir (ou mesmo ter conhecimento de) seus deveres. Moradores “de bem” que não pagam IPTU nem luz ou TV a cabo, mas têm tudo de que precisam. Quem paga é a classe média, que trabalha meses só para arcar com seus impostos e ainda tem que sofrer a violência nas ruas em silêncio, porque os Direitos Humanos só aparecem para defender bandidos e os movimentos sociais não se interessam por classes “mais abastadas”. Esse é o rumo: nivelar por baixo. Não interessa o quanto a pessoa batalhou na vida para conseguir o mínimo de conforto, pois ela é considerada inimiga pelas classes mais baixas. Existe um número pequeno de bandidos nas favelas? Sim. Existe um grande número de pessoas de bem? Sim. Mas existe também uma maioria que só está interessada em saber o que os outros podem fazer por ela. Essa é a verdade. Direitos, não deveres. Sempre. Politicagem safada, milícia violenta, corrupção… a gente sabe que existe e critica à vontade. Quero ver quando alguém terá coragem de apontar o dedo para um favelado (dane-se o politicamente correto) e dizer que ele deve aprender a ser cidadão também, que só porque não carrega uma arma não significa que ele seja “de bem”. Há outras maneiras de se contribuir para a destruição do Estado. Mas quando uma UPP tenta dar aulas de comportamento aos moradores, recebe respostas como “não somos selvagens”. Isso de pessoas que jogam lixo na rua, urinam em qualquer esquina, berram palavrões onde bem entendem e xingam quem tenta lhes passar alguma orientação de cidadania. Enquanto eu cumprir com meus deveres, pagar meus impostos, lutar pela educação, ajudar DIRETAMENTE a quem realmente precisa, tendo que ver atitudes arrogantes e desprezíveis de moradores de favela que querem respeito pela sua condição de pobreza, enquanto eu vir inocentes morrendo no asfalto vítimas da bandidagem sem que ninguém se manifeste com o mesmo fervor de quando morre um jovem durante um tiroteio na favela, vou apoiar qualquer ação do Estado que ME pareça louvável, mesmo que seja uma maquiagem, algo temporário, com interesses políticos. Estou cansada de fazer tudo certo e ainda ser vista como inimiga.
Excelente texto, Gustavo. Parabéns! O que está em curso neste momento, longe de ser uma batalha do bem contra o mal, é um rearranjo do crime organizado no Rio de Janeiro, e tão somente isso. Se fosse algo além disso, seria necessário combater as milícias, por exemplo, coisa que não tem sido feita. Por que será?
Ah, mais uma coisa: dizer que as crianças da favela têm que ter os policiais como heróis é desconhecer a seguinte realidade: a polícia entra nas favelas de caveirão, atirando – e em dias comuns, quando muitas vezes não há mega-operações policiais em jogo. Abusa da autoridade que tem e desrespeita os direitos mais básicos. Todos nós já vimos esse filme e é importante que não nos esqueçamos dele… Também é importante lembrar que os “heróis” aclamados pela mídia e pela opinião pública são sócios de todas as ações criminosas importantes em nosso estado. A polícia é sócia do tráfico, das milícias e de toda contravenção importante existente hoje no Rio de Janeiro.
[...] Gustavo Barreto, periodista de Consciencia.net [...]
[...] hogy a támadások az UPP-kre adott válaszként szolgálnak, ilyen például Gustavo Barreto a Consciênciatól (Lelkiismeret) [pt]: Os principais chefes da Polícia Militar do Rio de Janeiro e a Secretaria [...]
EU ACREDITO QUE A IMPRENSA HONESTA FAÇA O PAPEL QUE LHE DEVE, INFORMAR E DENUNCIAR… POUCO VEMOS AS AUTORIDADES INDO ATRÁS DOS PORTOS / PISTAS DE POUSO CLANDESTINAS / RODOVIAS, E OUTROS MEIOS DE ENTRADA DE CONTRABANDO, ARMAS E DROGAS. SUGIRO QUE A IMPRENSA HONESTA, POR MENOR QUE SEJA, PASSE A MOSTRAR LITERALMENTE COMO ESSE MATERIAL ILÍCITO CHEGA AO BRASIL (RJ) E ASSIM AJUDAR A POPULAÇÃO A PRESSIONAR AS AUTORIDADES A COIBIREM ESSE MAL.
u espero que essa situaçao nao seja apenas por causa da aproximação das OLIMPIADAS ou da COPA no Rio de Janeiro. Porque essa seria a causa mais provável de se fazer algo ‘contra o tráfico’ e estampar na TV que algo está acontecendo no país para a segurança carioca e colocar o Brasil nas Tvs do mundo como fachada para jogar debaixo do tapete o caos que se instalou no Rio de Janeiro como mostram os filmes que fazem tanto sucesso nas telas de cinema brasileiro.
De uma riqueza ímpar a contribuição do jornalista Gustavo Barreto de Campos às críticas de como a imprensa noticia os acontecimentos recentes no Rio, que tem um fervor pra lá de duvidoso e irreal. Do prisma técnico jornalístico, área que estou certo que domina, ou deveria dominar, pelo tempo que gastou estudando-o, Gustavo Barreto mostra-nos o que tem de pior na imprensa brasileira. Involuntariamente, o dos dois lados. Um coloca o governo como o verdadeiro Rambo, agradador das classes dominantes, que coloca o morro contra o asfalto, bebe da glória que não lhe cabe e finge-se de cego e endossa ações assassinas clandestinas de seu agentes e todo o discurso que já é sabido. O outro, do qual Gustavo Barreto faz parte, chama-o de fascista (lê-se faxista, livrando-se da denotação do termo) e vê em cada morador das comunidades um analfabeto desprovido de qualquer consciência e vontade própria, urrando aos quatro ventos que não é necessário ação tal e que todos os bandidos, por não participarem de uma instituição organizada doutrora, não merece atenção, acha que somente o Estado matou moradores e que tem de construir escola mesmo com o tráfico lá (não sei se o Sr. Barreto sabe a dificuldade que se cria erguer obras num campo assim, eu sei, e é muita) . Mas, dentre essas duas visões, o que poderia estar estranho? Bem, defender um ponto de vista somente, sem abertura para o debate da outra, já é estranho, devido à complexidade do assunto e nem me atrevo, especialmente valendo-me da visão restritamente acadêmica de alguns medalhões das duas frentes. Mas, pensei, quem seria a maior vitima ou beneficiado desta ação? Assim, munido de minha curiosidade canina, passei o texto para que quatro residentes do Complexo do Alemão (dois da Fazendinha, um da Baiana e outro do Alemão) , que trabalham aqui no escritório e compõem a equipe de campo, lessem e expusessem suas opiniões. Creio que isso é que importa. Um já tinha me contado que teve o irmão morto por causa de pipa (sim, pipa), já saberia dizer qual sua postura ao ler o texto. Os outros três, nem tanto. Dentre alguns incitáveis xingamentos, as falas (trechos, obviamente) “Então ele não sabe mesmo a que ponto chegamos nas comunidades” , “Esse daí nunca passou mais de uma hora num morro” (foi engraçada) e, dentre outras opiniões “Só porque lá não tem milícia lá não pode ter polícia?”. “Esculacho de bandido e esculacho de polícia tanto faz, foda-se. Só que a polícia eu sei tratar”, “Um cara que cresceu comigo tá na casa da minha tia” (referindo-se a um fogueteiro que queria sair fora, não podia, e esperou a ação da polícia pra sair do movimento) Esses quatro cidadãos se mostraram favoráveis à ação na casa deles. Não sei se isso agrada ao Governador. Não sei se isso agrada ao Gustavo. Eles pareciam satisfeitos. O que me foi passado hoje à tarde é que eles não querem mais viver do jeito que viviam. Esses quatro cidadãos passaram noites terríveis. Estavam lá, enquanto eu, quentinho, assistia a tudo na TV, parafraseando esse ou aquele legislador ou acadêmico. Agora, o que urge fazer para que esses quatro não passem pela mesma merda ano que vem, aí já são outros quinhentos e pede uma discussão com muito menos paixão ideológica.
[...] O jornalismo desonesto e o mito do “crime organizado”, artigo de Gustavo Barreto bastante ponderado tanto sobre a questão, quanto sobre a cobertura da mídia; [...]
Hey Rodrigo, eu daria muito mais valor se os moradores que trabalham no seu escritório tivessem tido a mesma oportunidade que o dono do escritório.
Talvez se o governo tivesse investido seriamente em educação no início da formação da favela eles poderiam hoje estar no quentinho vendo TV.
Ao invés disso o governo combate violência com mais violência.
Adorei a matéria porque ela concentra resumidamente as colocações de diversas pessoas competentes que visam refazer a imagem que a grande mídia nos vendeu nesses últimos dias.
O que fico perplexa e sem entender é como ainda estamos fadados a discutir um falso problema, pois nos propomos a indagar sobre a violência no Rio de Janeiro, que nesse caso, estaria sendo orquestrada por traficantes do varejo de droga na cidade quando na verdade, o verdadeiro crime organizado, se organiza dentro do Estado. Neste caso, apesar de extremamente violento e vendedor da imagem de herói, o filme tropa de elite, nos mostra um pouco como isso acontece e, apesar da platéia absurda, as pessoas parecem não se atentar para a mensagem da corrupção estatal.
As imagens vendidas pela grande mídia era a de homens fugindo acuados da polícia, que enfrenta e sempre enfrentou a pobreza com tiros e sangue. Essa polícia fracassada e nazista que impõe seu poderio através de armas e mortes. Neste caso, a televisão nos mostrava essa fuga como uma maneira de impor a intimidação e produzir a covardia desses homens que fugiam para não serem mortos pelo poder público. Poder esse que jamais realizou qualquer incursão a favor da saúde nos hospitais; nas escolas, promovendo uma educação básica de qualidade e construindo mais escolas estruturadas ao invés do investimento em presídios; o que já mostra com o que estão preocupados, ou seja, com a produção de marginalidade e não da educação; incursão da saúde da família nas favelas do Rio de Janeiro; prevenção de doenças, etc.
Nas imagens do Complexo do Alemão, mostrou-se um imenso lixão por onde a polícia e os fugitivos passaram e em nenhum momento se comentou sobre isso, sobre a insalubridade local. De forma parecida, para mostrar o esvaziamento das ruas, mostraram porcos andando por elas e em nenhum momento se cogitou como aqueles animais estariam no cenário urbano local.
O que se mostrou foi mais um show, devidamente previsto pelo poder público, visto que este não está “do outro lado do crime” e que corroborou com a morte de muitos inocentes e de outras pessoas produzidas pelo sistema recista e dicotômico que precisa fazer morrer os ditos inimigos do Estado para que os ditos “de bem” sobrevivam, leia-se os de bem como a classe mais abastada.
Estamos diante de uma situação grave e triste visto que a maior parte da sociedade parece não querer ver o tamanho do buraco que estamos, acreditando que tudo é uma questão de facção, de crime perpetrado pelos pobres e de ação policial como solução. A população em geral desconhece nosso sitesma produtor de lixo humano, de criminalização da pobreza e incobre essas ações, sempre bélicas, com palmas e discursos moralizantes, tecendo uma dicotomia entre bem e mau, como nos desenhos animados, diga-se de passagem, produtores ferrenhos das imagens de bandidos e mocinhos, que quando adultos, passamos a apontar.
Porém, devemos lembrar que diferente dos desenhos que não morrem, ou quando morrem, tudo fica bem ou é esquecido no próximo capítulo, os episódios de violência que estamos assistindo, têm consequências na vida de todos nós e, por isso, não podemos nos separar em classes ou cores, pois a munição não escolhe sua tragetória.
Finalizo parabenizando seu esforço e escrever e tentar mostrar que toda história tem vários lados e que não existe verdade absoluta,além disso, pela coragem e perseverança em acreditar em dias melhores através da informação.
[...] como carioca e frequentador de diversas favelas com problemas sociais. As minhas análises estão aqui e aqui e não há porquê voltar a [...]
Affffffff…como este tesxto e muitos destes que acabam de escrever comentarios a respeito do mesmo são hipócritas! Contra estas imagens nao existem argumentos! Quanta droga apreendida, quantas armas que nem o exercito brasileiro tem em mãos, que estão sendo apreendidas! E vcs, hipócritas, atras de seus teclados, em seus escritorios com ar condicionado, escrevem estes comentários absurdos e patéticos. Mesmo que seja ainda pouco o que as autoridades tem feito no Rio, já é bom. Ainda mais que de agora em diante nao tem volta, vão sempre pra cima do crime organizado do Rio. Todas as favelas terão ainda UPPs. O que nao se pode exigir é que todas sejam feitas no mesmo dia. Isso será um processo longo e completo. Porém, demanda tempo pra serem concluidos. Mal começaram a agir contra o crime no Rio e já aparecem este monte de bocas malditas e cidadãos insensatos pra falar contra o que está sendo feito. O que voces hipócritas tem feito pra ajudar? Nada! O que fizeram em toda suas vidas pelo povo desssas favelas? Nada! Então, coloquem o rabinho entre suas pernas e deixem as autoridades fazerem por eles, mesmo que ainda seja pouco, quem sabe um dia, poderão completar o que começaram? Apoio a policia Carioca, o Bope, Apoio Sergio Cabral, Apoio o Exercito e todos aqueles que fizeram os bandidos fugirem como ratos pelos esgotos deixando pra tras toda aquela droga e armamento. E vcs, hipócritas, procurem algo verdadeiramente util para dizerem ou mesmo para fazerem por este povo carioca que tanto carecem de ajuda e de uma mão amiga neste momento.
Não se trata de hipocrisia, caro amigo! Observo que todos anseiam por uma Cultura de Paz e, poucos já tem consciência de que a visão “queres paz, prepara-te para a guerra” não resolve. Como cidadãos, temos direito à Educação, Saúde e Segurança. Considero todas as críticas pertinentes, não precisamos excluir uma perspectiva em detrimento da outra, muito pelo contrário, precisamos de união para enfrentar esse problema que é de todos nós com o máximo de competência possível. Agressões mútuas e gratuitas apenas dispersam energia nesse momento, busquemos foco de maneira crítica e prática. Há ações urgentes que precisam ser realizadas em nosso país a curto e longo prazo, negligenciar qualquer uma delas é irresponsabilidade. Que cada um com o seu talento, possa fazer a sua parte. Acredito que o Gustavo está tentando fazer a dele, qual será a sua? E a minha? Sigamos pensando e agindo!
[...] Here’s another useful analysis of the media and what has been happening in Rio (in Portuguese) [...]
“…por este povo carioca que tanto careceM de ajuda e de uma mão amiga neste momento.” carece, e não careceM
Só uma pergunta, Arilson: e vc? O que tem feito pra melhorar alguam coisa? Porra nenhuma, aposto…
Adriana, disseste tudo! Concordo com vc em gênero, número e grau!
Concordo que a solução pra essa barbárie que o tráfico promoveu (arrastões, assaltos, incêndios, etc) exigia mesmo uma solução imediata, e não uma discussão numa mesa redonda. Em certos casos, situações extremas requerem medidas extremas. Concordo com o Rodrigo: não é pq menos de 1% das favelas é composta por criminosos que não se pode entrar lá pra prender essa galera (afinal, os próprios 99% dos habitantes de lá sofrem nas mãos desses 1% – eeeeem alguuuuns casos). Tambpem sabemos que vários traficantes ajudam várias comunidades, pois não é de hoje que as mesmas praticamente inexistem pro governo. E quem acha que matar e prender a bandidagem do Complexo do Alemão vai resolver a violência no Rio de Janeiro, é melhor pensar melhor. É fácil combater o marginal e a sociedade apoiar. Mas e a milícia? E o bandido fardado? E o bandido engravatado, que certamente lucra com o mercado negro das drogas (e não só das drogas)?? O que fazer pra denunciar um fardado que está coagindo uma comunidade? Denunciar a polícia à polícia? E outra: por que será que a legalização da maconha (por exemplo) é tão comentada em revistas, sites, jornais, mas não há uma efetiva discussão sobre o assunto pelos governantes? E digo mais: quando há, o povo sequer toma conhecimento. Sérgio Cabral, FHC e muitos outros, abrem essa questão da descriminalização de certas drogas… e pq? “Ahh, pq são um bando de maconheiro, xinxeiro, etc”. Quem pensa assim, no mínimo, é retardado. Será q é tão difícil enxergar que tapar o problema é mto pior do que expô-lo? 10 anos pra cá: o consumo de drogas diminuiu com a repressão? Não, aumentou!! Adiantou então?? Porra nenhuma. “Ahh, então liberar geral vai melhorar!”. Também não! “Então, o que fazer?”. Eu não sei, eu não sou o dono da verdade (e ninguém é). Por isso, o assunto deve ser tratado às claras, e não simplesmente “Não, é proibido e pronto”. Raciocinemos: Pq é tão engraçado (até motivo de pôr no youtube) quando o carinha lá bebe igual um gambá, fica torto e faz um monte de merda? É engraçado também qdo esse mesmo carinha se irrita (sob efeito do álcool, uma droga lícita e mto mais perigosa do que a maconha, em TODOS os sentidos) e dá um soco em alguém, ou bate com o carro? É legal? Não, é só um número a mais nas estatísticas. Mas se alguém sente um cheiro de erva na rua, por exemplo, já olha pra todos os lados e sente medo, acha um abuso, um absurdo, uma afronta à sociedade… que país é esse? Até quando as pessoas vão tampar o sol com a peneira? “Eu acho que tem que proibir e prender maconheiro siiiiiimmmm”. Então tá: vamos proibir o álcool tb. Será que todos vão apoiar? Quem mata mais: o álcool ou a maconha? Abomino a existência do tráfico de drogas SIM, abomino e repudio qualquer tipo de violência armada e abuso de poder. Mas se há proibição de certas substâncias menos prejudiciais (deixemos cocaína, crack, heroína & cia longe deste debate), por que então não proibir tudo que causa entorpecimento? Proíbam o álcool também… pronto. Quem aqui vai concordar? Eu não bebo mesmo, então por mim… (não é assim que a mente egoísta das pessoas funciona?).
P.s.: eu realmente não bebo, mas pra quem não tiver percebido, estava sendo sarcástico na minha consideração final.
O Senhor realment considera “O Dia” como um jornal verdadeiro? Só esta afirmação já nos permite formar um quadro de suas “fontes”… O senhor acredita que a população não deva ser informada sobre o que ocorre nas periferias? Hoje em dia já não existem mais “periferias”, meu caro. Vivemos todos dentro do mesmo caldeirão, alimentado pela corrupção policial, pela falta de assistência educacional, pela falta de bons exemplos, pela carência de moral e ética que sirvam como embazamento à esta pobre sociedade…
E, para não me alongar mais, sugiro que o senhor aprenda a escrever. O mínimo que esperamos de um jornalista é que conheça a gramática da própria lingua. E as suas concordâncias verbal e nominal deixam muito a desejar. Ou o senhor não é brasileiro?
Concordo com Gustavo. Parte da sociedade, em especial as classes média e alta, paralisada pelo medo alimentado pela mídia sensacionalista, aplaude a invasão bélica das favelas na “guerra” contra o “mal”. Essa dicotomia propagada pela mídia de bem x mal, polícia x traficante é, na verdade, falsa. O mesmo argumento é utilizado na “guerra ao terror” liderada pelos Estados Unidos. Boa parte do tráfico ocorre com a conivência da polícia, e muitos policiais (bem como outros agentes do Estado) estão envolvidos no tráfico e lucram com ele. Assim sendo, o problema está relacionado a uma gama de fatores, dentre eles a corrupção da polícia, que também é motivada pelos baixos salários que os policiais recebem. Há, sim, muitos policiais honestos e que trabalham arduamente, mas, infelizmente, boa parte da polícia está envolvida com corrupção. Além disso, os traficantes pobres e semi-analfabetos que moram na favela são apenas uma ponta do tráfico. Quem está por trás desse negócio milionário não aparece na mídia (pelo menos com relação a este assunto) e não mora na favela. Desta forma, a ocupação do Complexo do Alemão não vai acabar com o tráfico e com a violência. Os traficantes presos ou mortos serão substituídos por outros. Como bem lembra o deputado Marcelo Freixo, em 2007 já realizaram operação semelhante no Alemão, matando 19 pessoas, e o tráfico e a violência continuam os mesmos. Ademais, não há interesse real em eliminar o narcotráfico, pois muita gente deixaria de lucrar com esta indústria bilionária (é o segundo item do comércio mundial, ficando atrás, apenas, do tráfico de armamento). Freixo argumenta que, se quisessem mesmo acabar com o narcotráfico, fiscalizariam a Baía de Guanabara, os portos e aeroportos clandestinos, por onde as armas que alimentam o tráfico e a violência entram: “O lucrativo negócio das armas e drogas é máfia internacional. Ingenuidade acreditar que confrontos armados nas favelas podem acabar com o crime organizado. Ter a polícia que mais mata e que mais morre no mundo não resolve”. Violência por parte do Estado não é a resposta para o tráfico, não só porque não vai funcionar, mas, principalmente, por causa das inúmeras violações aos direitos humanos dos moradores das comunidades que ela vem causando – ao terem seus lares arrombados e ao serem agredidos ou mortos por policiais. 37 pessoas (oficialmente) foram mortas nas ocupações dos últimos dias, incluindo adolescentes e a menina de 14 anos mencionada acima por Gustavo. Todas estas constatações, somadas ao fato de que as favelas ocupadas localizam-se na zona sul, antiga área do porto, Jacarepaguá e área do Maracanã – a “rota” da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, como nota Paulo Sérgio Pinheiro -, evidenciam que as operações atuais não visam lidar com a raiz do problema da violência, que é a desigualdade social, mas “higienizar” o Rio de Janeiro para a vinda dos visitantes estrangeiros durante tais eventos. É positiva a idéia de o Estado retomar o controle dos territórios das comunidades, o qual há muitos anos está ausente nestes locais. No entanto, deve haver mais presença estatal na favela do que apenas a força da polícia. Devem também existir escolas, bibliotecas e hospitais. Para se pensar em acabar com o problema do tráfico, da criminalidade e da violência, deve-se primeiro pensar em possibilitar os moradores das comunidades de exercer seus direitos a saúde, educação, lazer, exercício da cidadania, etc, pois a realidade destas pessoas tem sido, desde sempre, de completa exclusão e falta de oportunidade.
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Muito bom o texto do Gustavo. Para nós que apoiamos a revolução socialista no Brasil, deparamo-nos com as máscaras da grande mídia manipuladora dos fatos. Inúmeros policiais são vítimas quanto os chamados bandidos dos morros e favelas de uma ordem econômica excludente e injusta como o capitalismo. Creio que a agonia do capitalismo nesta crise pela qual está passando, os donos do capital estão cometendo desatinos monstruosos contra o povo trabalhador. Felizmente o monopólio da mídia de massa é o principal instrumento para maquear a realidade. No momento, os políticos comprometidos com a revolução não devem e não podem se esquivar de questionar as raízes do problema que está, sem dúvida na ordem econômica capitalista.
[...] with the argument that the attacks have been a response to the UPPs, such as Gustavo Barreto of Consciência (Conscience) [pt]: Os principais chefes da Polícia Militar do Rio de Janeiro e a Secretaria de [...]