Nota do IMWAC sobre homilia de Bento XVI



O Papa Bento XVI quer obediência da parte dos padres austríacos. Mas, será que a obediência ainda é uma virtude?

A homilia pronunciada por Bento XVI, em 5 de Abril, por ocasião da tradicional Missa do Crisma da Quinta-Feira Santa, foi particularmente importante. Parece necessário expressar algumas reflexões críticas sobre a mesma.

O Papa falou indiretamente do texto que data de 19 de junho de 2011, subscrito até aqui por cerca de 400 padres austríacos, conhecido como “Pfarrer-Initiative”, Este foi seguido de outros importantes apelos, no Norte da Europa, com conteúdo semelhante. Estes padres dizem sentir-se obrigados a seguir, sobretudo por conta da escassez de clero, “sua consciência” e a “empreender ação independentemente”, em relação à organização do seu ministério. Incluem uma ativa participação do Laicado, e levantam questionamentos acerca de se abrir a Eucaristia a divorciados e recasados, bem como à ordenação de mulheres e de pessoas casadas. Mas, assim como o Papa Wojtyla, o Papa Bento XVI nunca irá discutir esse assunto. Desde que o Movimento Internacional Somos Igreja (“We are Church”), nascido na Áustria há dezessete anos atrás, levantou primeiro essas questões, nunca houve contato nem diálogo com o Vaticano.

O Arcebispo de Viena, Cardeal Schönborn, parece ter tentado, mas não conseguiu levar o debate a Roma. Em sua homilia, Bento XVI dirigiu esses pontos apenas em termos da obediência devida ao Magistério. Mas, será que a obediência ainda é uma virtude? O Papa referiu-se em particular à questão da ordenação de mulheres, repetindo a linha seguida pelo Papa Wojtyla. Não favorece a discussão. Mas, dentro da Igreja, muitos sustentam que não há objeções teológicas verdadeiramente válidas contra que se vá caminhando nessa direção, opinião que vem se espalhando.

Bento XVI disse, então, que, na história pós-conciliar, “uma verdadeira renovação tomou forma em movimentos inesperados cheios de vida.” As palavras indefinidas do Papa não esclareceram o que são esses movimentos. Gostaríamos de propor que, pelo menos, as comunidades cristãs de base e todas as que se desenvolveram inspiradas na Teologia da Libertação fossem contempladas. Estamos certos de que o Papa não quis se referir apenas a movimentos como Comunhão e Libertação, Carismáticos, etc…

Finalmente, Bento XVI afirmou toda a sua autoridade, ao confirmar a “Nota com as diretrizes pastorais para o ano da fé, de 6 de janeiro, assinada pelo Cardeal Levada, em que afirma que “Os textos do Concílio Vaticano II e o Catecismo da Igreja Católica de 1992 são os instrumentos essenciais que nos mostram, de modo autêntico aquilo em que a Igreja crê com relação à Palavra de Deus.” Recusamos “in toto” essa equivalência entre a autoridade do Concílio e a do Catecismo, duas fontes qualitativamente diferentes, como há muito temos dito. O Ano da Fé deve ser um tempo de retomada do espírito do Vaticano II e seus textos, para livrar a Igreja de sua estagnação e para evangelizar, no início do terceiro milênio.”

(Trad. Alder J.F.Calado)

Homepage: http://www.we-are-church.org/

http://kairosnostambemsomosigreja.blogspot.com.br/2012/04/nota-do-imwac-sobre-homilia-de-bento.html

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