O escritor português
José Saramago insistiu em suas críticas a Israel por causa
de sua política com os palestinos e declarou hoje por telefone da
cidade palestina de Ramallah, na Cisjordânia, que não retira
"nada do que disse".
Saramago, que visita os
territórios palestinos dentro de uma delegação do
Parlamento Internacional de Escritores e que hoje estará em Jerusalém,
disse à agência "Lusa" que "a repressão israelense
é a forma mais perversa de apartheid".
Saramago falou sobre a
desigualdade que significa ter 100 mil palestinos obrigados a se espremer
em três quilômetros quadrados em Gaza, enquanto nas colônias
israelenses ao redor "tudo é iluminação, amplitude
e conforto, ao lado de extensões relativamente grandes de aldeias
arrasadas pela estratégia de expansão e domínio israelense".
"Todo o território
que se supõe ser palestino está ocupado por dezenas de colônias
infiltradas", declarou o escritor, que criticou o tratamento recebido no
posto de controle israelense, apesar da comitiva na qual viajava estar
em veículos das Nações Unidas.
"Ninguém tem a
idéia do que acontece aqui, por muito mais informado que esteja.
Tudo está arrasado pelas escavadeiras, as aldeias palestinas foram
destruídas e não se cultiva nada", acrescentou Saramago,
antes de lembrar das voltas que os soldados israelenses obrigam a dar as
ambulâncias nas quais viajam palestinas para dar à luz.
"Tudo isso tem um ar de
campo de concentração que me lembra Auschwitz", declarou
Saramago em alusão ao campo de concentração nazista
no qual estiveram internados e morreram em condições subumanas
muitos milhares de judeus, durante a Segunda Guerra Mundial.
Segundo o escritor, "os
israelenses tornaram-se judeus-nazistas", e também lembrou que durante
a primeira Intifada os soldados do Exército de Israel quebravam
as mãos dos palestinos que lhes jogavam pedras.
Consciência.Net