Palestina em luta (Resoluções da ONU)
    À medida em que os tanques de Israel avançam através das terras palestinas, e dezenas de milhares de soldados israelenses destroçam centenas de lugarejos palestinos, o presidente dos Estados Unidos comenta numa rara conferência de imprensa ao vivo sobre o assalto militar do aliado: "Penso que é inútil".

    Num dos momentos mais sombrios do povo palestino, quando Ramallah e seus campos de refugiados estão sendo devastados por cerca de 20 mil soldados israelenses, centenas de tanques e a implacável repressão aérea dos F-16, a resposta do governo norte-americano tem sido insípida, sem inspiração e reveladora da dissimulada opressão que condiciona a postura dos Estados Unidos no conflito do Oriente Médio.
    Embora os diplomatas e políticos americanos chamem repetidamente à paz, os Estados Unidos dificilmente podem ser considerados como um árbitro neutro. Considerando, por exemplo, o papel dos Estados Unidos na ONU, cada vez que a questão Palestina tem sido debatida:

1) Resolução 33/110, sobre as condições de vida do povo palestino (18/12/1978). Resultado da votação: 110-2 (Estados Unidos e Israel).

2) Resolução 34/113, sobre uma petição de informe das condições de vida dos palestinos nos campos ocupados árabes (14/12/1975). Resultado da votação: 120-2. (Estados Unidos e Israel).

3) Resolução 34/133, sobre assistência ao povo palestino (14/12/1979). Resultado da votação: 120-3 (Estados Unidos, Israel, Canadá).

4) Resolução 35/169C, sobre direitos dos palestinos (15/12/1980). Resultado da votação: 120-3 (Estados Unidos, Israel, Austrália).

    Esta lista poderia ser ampliada, mas a questão está suficientemente clara. Existe algum modo de que os palestinos em particular, e os árabes em geral, confiem em que os Estados Unidos serão imparciais para arbitrar entre ambas partes?
    Cada vez que um palestino agride um israelense, os Estados Unidos se apressam em castigar Arafat por "não fazer o suficiente" em favor da paz. Quando os soldados ou os colonos israelenses empregam a violência contra os árabes, se produz um enorme e ensurdecedor silêncio por parte dos Estados Unidos, bem o mesmo tipo de comentários duvidosos sobre a "inutilidade" que o presidente Bush tem utilizado em resposta para as recentes e massivas incursões militares em Ramallah e os campos de refugiados.
    O Conselho de Segurança da ONU votou recentemente, com o apoio dos Estados Unidos, uma resolução aprovando a criação de um Estado Palestino. Isto significa que os Estados Unidos tenham descoberto repentinamente, como Saúl no caminho de Damasco, a luz? Parece difícil de acreditar. Nesta nova era de guerra global, inclusive os Estados Unidos tem que atuar com cautela para aplacar aos aliados árabes como Egito e Arábia Saudita.
    A questão é: que classe de Estado? Um território independente e soberano, ou um território submetido aos interesses americanos e israelenses? Uma nação é muito mais que uma bandeira, um congresso e um aeroporto, especialmente nesta era de ambição imperial global e poder desenfreado. A menos que os acontecimentos mudem drasticamente, um estado palestino será o que os Estados Unidos e Israel permitam que seja, e nada mais.

Mumia Abu-Jamal,
13 de março de 2002.
Tradução do inglês: Casapueblos
Tradução do espanhol: Alfredo dos Santos
Fonte: Rebelión


Consciência.Net