Expulsão de EUA e Israel
O que
faz da guerra por vir – quiçá já instalada – diferente
está nas entrelinhas de seu discurso. Como bem
aponta David Plotz, na "Slate", o que bin Laden espera não é
o que esperam terroristas palestinos, irlandeses ou bascos. "[Ele] e seus
seguidores são motivo de alarme porque não querem nada de
nós. Não querem nossa simpatia. Não querem nada de
material que possamos oferecer. Eles não querem participar da comunidade
de nações. (Eles nem acreditam no estado-nação.)
São motivados por religião, não política. Respondem
a ninguém além de Deus, portanto não vão nos
responder."
Em sua
entrevista à ABC, ele até diz o que quer. Considera que vários
estados muçulmanos estão sucumbindo em fraqueza e precisam
ser recuperados. Tal só acontecerá com a expulsão
de Israel e da presença ocidental, principalmente americana, de
todos os países muçulmanos – não apenas os árabes.
É
impossível compreendê-lo sem entender sua
relação com sua nativa Arábia Saudita. É
lá onde ele vê a maior decadência, na elite, uma gente
corrompida por vícios ocidentais como o álcool e seriados
de tevê. A fortuna de seu pai, estimada em 5 bilhões de dólares,
veio justamente da boa relação com a família real
saudita que bem vale – em qualquer governo – a um empreiteiro.
A Guerra
do Afeganistão também ensinou-lhe uma lição
que não cansa de repetir – a de que as ditas "superpotências"
de super têm muito pouco. Elas caem, caem pela falta de disciplina
e cuidados, pela arrogância, por uma incapacidade de imaginar o inimaginável.
São frágeis, e assim foi com a debandada da União
Soviética em 1989. Não é difícil vê-lo
sorrindo, portanto, com o desmoronamento das torres gêmeas do World
Trade Center. (Diga-se de passagem, na segunda tentativa.) Quanto mais
a do Pentágono.
O esquema do terror
Os homens
de bin Laden se referem a ele por sheik, e é em seu rigor e dedicação
ao Corão que encontram um modelo. Em sua maioria, são sauditas,
egípcios ou iemenitas, mas são aceitos independente da raça,
a fundamentação religiosa é o principal.
Al-Qaeda,
ou "o pedestal", é o nome de sua organização. Estima-se
que opere em 60
países, com 20 células ativas neste exato momento. No
caso do primeiro ataque ao World Trade Center, em 1993, os terroristas
estudaram os prédios diversas vezes, observando não apenas
sua segurança mas também analisando onde, nos porões,
a explosão seria mais eficaz. Custou não mais que 18.000
dólares.
Cada
operação parece levar de quatro a seis meses de plano. A
organização é desenvolvida por uma célula independente
da responsável por sua execução. Em cada uma, reúnem-se
não mais que 10 pessoas – e o pessoal é jovem, em geral por
volta de 25 anos. No caso de 93, o plano foi desenvolvido em solo
americano.
E são
pacientes. Embora um chefe de célula não tenha autoridade
para disparar um ataque, nada lhe é cobrado se decidir suspender
a ação a qualquer momento. Em primeiro lugar, sua segurança
– a morte é válida, desde que eficaz. Na eficácia,
o segredo.
Trajetória
Osama bin Laden é
um dos mais de 50 filhos do magnata saudita Muhammad Awad bin Laden. Graduado
em economia, é considerado um exímio homem de negócios,
cujo produto
principal é o terror. No Afeganistão, durante a guerra, comandou
uma das sete principais facções guerrilheiras islâmicas
– mujahedin – na luta travada com o apoio dos Estados Unidos. A CIA investiu
500 milhões de dólares por ano numa campanha de armamento
e infra-estrutura das guerrilhas.
Em 1989,
após a vitória sobre a União Soviética, Osama
mudou-se de volta para Arábia Saudita, de onde foi exilado em 1994,
perdendo os direitos de cidadania. Levou então seus negócios
para o Sudão e, posteriormente, voltou ao Afeganistão, onde
mantém seus campos de treinamento. Entre seus negócios e
interesses comerciais no Sudão, estão uma fábrica
de couro de cabra, companhias de construção, um banco, operadoras
de importação e exportação e plantações
de girassol.
Sua companhia
de construção el-Hijrah Construção e Desenvolvimento
tem parceira com a Frente Nacional Islâmica e com as Forças
Armadas do país. A empresa foi responsável, por exemplo,
pela construção do novo aeroporto e uma estrada de 1.200
quilômetros unindo Khartoum ao Porto. Bin Laden é suspeito
ainda de ser um dos principais investidores na farmacêutica al-Shifa,
considerada uma das maiores fabricantes de armas químicas.
Os tentáculos
de Laden pelo mundo árabe e saudita estão sobretudo no campo
religioso. O homem de negócios que recruta e financia jovens muçulmanos
para treinamento no Afeganistão já publicou três fatwahs
ou regras religiosas, convocando os seguidores a apontar suas armas contra
os Estados Unidos e infiéis judeus.
Sua morte
dificilmente deterá quem o segue.
Com Thais
Aguiar
Fonte: No.com.br
Consciência.Net