ONU e Brasil condenam Israel por crimes contra os Direitos Humanos
Órgão da ONU condena Israel por "assassinatos em massa"

da Reuters, em Genebra

O principal órgão de direitos humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) condenou Israel hoje por "assassinatos em massa" de palestinos e pediu o fim da ofensiva militar nos territórios ocupados. A sessão anual da Comissão de Direitos Humanos, com sede em Genebra [Suíça], aprovou uma resolução apresentada por países árabes e muçulmanos condenando Israel também por "graves violações" das leis de direitos humanos e garantindo o direito "legítimo do povo palestino de resistir".

A Comissão, integrada por 53 países, aprovou a moção por 40 votos contra cinco, tendo havido sete abstenções. Um membro não estava presente. Vários países da União Européia (UE) deram apoio à resolução. Apenas o Reino Unido e a Alemanha votaram contra ela. A Itália se absteve. Explicando seus votos, os delegados dos três países disseram que o texto não era equilibrado pois não falava de modo duro o suficiente contra os atos "terroristas" como os atentados suicidas realizados por ativistas palestinos contra civis israelenses.

Israel, que não contou com o apoio dos EUA em razão de os norte-americanos terem perdido sua vaga na Comissão no ano passado, é criticado freqüentemente nas sessões anuais do órgão pelo tratamento dispensado aos palestinos. Mas, neste ano, as acusações verbais viram-se fortalecidas pela incursão israelense nos territórios palestinos em busca daqueles que diz serem responsáveis pelos atentados suicidas.

A votação ocorreu no momento em que o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, tenta na região negociar um cessar-fogo para o conflito que, desde setembro de 2000, já matou ao menos 1.270 palestinos e 452 israelenses.


Brasil assina resolução da ONU que condena ocupação israelense

da Efe, em Genebra (Suíça)

O Brasil integrou a lista dos 40 países que aderiram a uma resolução da Comissão de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) votada hoje e que "condena energicamente a guerra do Exército israelense contra as cidades e campos de palestinos, na qual já causou a morte de centenas de civis, inclusive mulheres e crianças". Quarenta países votaram a favor do texto, cinco rejeitaram a proposta e sete se abstiveram. O Peru não tomou parte na votação.

Entre os que aderiram estão: Espanha, Áustria, Bélgica, França, Portugal, Suécia, Brasil, Argentina, Chile, Costa Rica, Cuba, Equador, México e Venezuela. Deste modo, China, Rússia, África do Sul, Paquistão, Indonésia e vários países do Oriente Médio, da Ásia e da África deram seu apoio ao texto. Os cinco países que rejeitaram a iniciativa foram o Canadá, a República Tcheca, Alemanha, Guatemala e Reino Unido. Os Estados Unidos, que também eram contrários ao texto, não tomaram parte na votação já que este ano não fazem parte da 58ª Comissão dos Direitos Humanos da ONU. Os sete países que se abstiveram foram o Japão, Itália, Polônia, Croácia, Burundi, Camarões e Uruguai.

Vários países expressaram durante o debate sua "profunda preocupação" com a escalada de violência na região depois da intervenção militar israelense. A Síria denunciou "as graves violações cometidas por Israel, os assassinatos e o assédio ao povo palestino" e reclamou o envio urgente de um missão observadora, encabeçada pela Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Mary Robinson. A comissão, que ainda espera a autorização do governo israelense, é integrada, além de Robinson, pelo ex-presidente do governo espanhol Felipe González e pelo político sul-africano Cyril Ramaphosa.

A resolução denuncia as "detenções em massa" do Exército israelense, as "execuções extrajudiciárias" e a "tortura aos palestinos nos interrogatórios". Também condena os "disparos do Exército israelense contra as ambulâncias e ao corpo médico e as restrições aos veículos do Comitê Internacional da Cruz Vermelha". Além disso, "afirma o legítimo direito do povo palestino a resistir à ocupação israelense para libertar seu território e poder exercer seu direito de autodeterminação".

O documento expressa a "grave preocupação pela detenção imposta a Iasser Arafat pelas autoridades israelenses em violação aos artigos 9 e 13 da Declaração Universal dos Direitos Humanos". Expõe a "profunda preocupação pelo assédio militar imposto aos territórios palestinos e o isolamento de cidades e povoados entre eles mediante bloqueios militares das rotas que são utilizadas como armadilhas para matar palestinos".

A resolução "condena energicamente o incêndio à igreja da Natividade e a mesquita Omar Ibn Al Jatab, em Belém, e o bombardeio com artilharia contra as mesquitas de Al Baik e Al Kabir, em Nablus". Da mesma forma, "condena o estabelecimento de assentamentos israelenses" e denuncia as "demolições" por parte do Exército israelense, que destruiu 1.200 casas nas últimas semanas.

A resolução pede a Israel, como potência ocupante, para se retirar "dos territórios palestinos, inclusive de Jerusalém oriental, ocupados desde 1967" e a desistir "de todas as formas de violações dos direitos humanos".


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