ONGs israelenses denunciam violações de direitos humanos nos territórios palestinos
M. Na.

Eles explicam que não são menos patriotas do que qualquer outro israelense. E eles acreditam que é dever de seu país respeitar seus compromissos em termos de respeito à dignidade humana e aos direitos humanos. Três responsáveis por três organizações israelenses de defesa dos direitos humanos denunciaram na última segunda-feira em Paris o comportamento do Estado judeu nos territórios palestinos ocupados. Durante uma entrevista coletiva, a convite da Federação Internacional das Ligas de Direitos Humanos e da Anistia Internacional, Nimrod Amzalak, diretor das atividades em campo da B'Tselem, Dalia Kerstein, diretora da Hamoked, e Noam Lubell, diretor de projeto da organização Médicos pelos Direitos Humanos/Israel (PHD/Israel) fizeram um balanço da Palestina desde o início do ataque israelense em 29 de março.

O exército israelense faz todos os homens entre 14-15 anos e 45 anos, às vezes até 60, saírem de suas casas e dirigir-se para a escola da aldeia. "Eles são reunidos lá aos milhares antes de ser transferidos para centros de detenção, pequenos demais para um grande número de pessoas. São deixados [ao ar livre] durante 36 horas, sem beber nem comer, sem direito de ir aos banheiros, sem medicamentos e às vezes debaixo de chuva. Há informações sobre tortura, mas não sabemos em que escala esta é praticada", se é sistemática ou não, declarou Kerstein.

Depois alguns são libertados em grupos e conduzidos de ônibus e então abandonados no campo. "Isso pode ocorrer à noite ou de manhã", o que é especialmente perigoso por causa do toque de recolher e do estado de guerra, acrescentou a responsável pela Hamoked, cuja organização estabeleceu desde 29 de março uma linha telefônica para receber pedidos de famílias palestinas que solicitam ajuda.

"Bloqueios internos"

"Nós trabalhamos no vácuo. A opinião pública israelense não nos apóia e a mídia israelense já adotou um ponto de vista oficial”, lamenta Kerstein, segundo a qual a Suprema Corte israelense, que funciona de maneira democrática quando se trata de assuntos internos, atualmente diz que o país está em estado de guerra e não se deve criticar o exército.

A situação no plano sanitário nos territórios ocupados foi "de má a pior" desde o início dos "bloqueios" israelenses nos anos 90, indicou Noam Lubell. Esses bloqueios, que proíbem aos palestinos trabalhar em Israel, duplicaram depois de 2000 com "bloqueios internos" que transformaram os territórios palestinos "em cantões, ou bantustões, estando as zonas rurais particularmente isoladas das cidades, ou seja, de tudo. (...) Os palestinos não podem utilizar as estradas principais, reservadas aos israelenses", o que cria enormes dificuldades para as pessoas que sofrem de problemas de saúde e para o pessoal dos hospitais.

"Há duas semanas as coisas pioraram. Centenas de milhares de palestinos vivem sob o estado de sítio militar, submetidos a toque de recolher, isto é, não podem nem sair de casa. Os hospitais sofrem sérias carências. As equipes médicas estão esgotadas. As ambulâncias não podem circular. Com um pouco de sorte, o exército se limita a mandá-las de volta. Com um pouco menos de sorte, elas são retidas durante horas, com os riscos que isso representa para a pessoa transportada. No pior dos casos elas são atacadas, e não faltam exemplos. A PHR/Israel tenta encaminhar medicamentos e material médico para ajudar os palestinos. Ela se dirigiu à Suprema Corte para afirmar que Israel tem o dever de dar assistência médica aos palestinos.

A Suprema Corte está deliberando. Além disso, a organização implementou uma "clínica móvel" e suas equipes vão nos fins de semana para as zonas palestinas acessíveis para tratar as populações. É verdade, como afirmam as autoridades israelenses, que explosivos e armas foram descobertos a bordo de ambulâncias palestinas?

"Isso nunca foi provado. Em um único caso o exército israelense fingiu ter descoberto explosivos”, indicou Nimrod Amzalak, questionando as circunstâncias dessa descoberta: "A ambulância, que ia para Jerusalém, passou por duas barreiras do exército sem ser parada, enquanto todas as outras o foram. Ao se aproximar de Jerusalém, a imprensa foi alertada e na última barreira a ambulância foi detida". "Talvez realmente houvesse explosivos, mas foi um caso isolado", acrescentou Amzalak.

Isso "não justifica em nada os tiros contra as ambulâncias". "Admitamos por hipótese que seja verdade", salienta por sua vez Lubell. "O exército pode deter as ambulâncias, revistá-las e deixá-las partir. Atirar é ilegal e imoral. De toda maneira, os israelenses atacavam as ambulâncias antes mesmo desse elemento de prova. Eles o fazem regularmente há algum tempo”.

Amzalak acusa as autoridades israelenses de desinformação. Os três denunciam o fato de que o acesso à Cisjordânia está interditado, o que impede qualquer verificação das informações e rumores. É impossível saber o número exato de prisioneiros, mortos e feridos. O telefone só funciona de maneira irregular e as comunicações são interrompidas. Criada em 1989, a B'Tselem tem por missão informar sobre a situação nos territórios ocupados. A Hamoked oferece aos palestinos assistência jurídica, judiciária e administrativa gratuitas. A PHR/Israel cuida da proteção à integridade física e mental e da promoção do direito à saúde e aos cuidados médicos.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Fonte: Lista de Direitos Humanos


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