“Síndrome
iraquiana” demorada dos EUA, por Valentin Kunine
Pelos vistos, o Presidente
George W. Bush, bem como os seus antecessores – os presidentes George Bush
sénior e Bill Clinton, respectivamente –, não quer dizer
adeus ao “sonho norte-americano” de derrubar o líder iraquiano,
Saddam Hussein, o desejo revelado pelo Presidente atual e seus assessores,
em particular, pelo Secretários de Estado, Collin Powell, ainda
no decorrer das eleições passadas.
As declarações
foram seguidas pelos passos concretos. Proclamado o dono da Casa Branca,
George W. Bush sancionou os bombardeamentos não justificados do
Iraque em resultado de que duas pessoas foram mortas e vinte feridas. Segundo
a informação da imprensa iraquiana, a recente incursão
dos caças norte-americanos e britânicos no céu do distrito
de Talafar, perto da cidade de Mosul, em resultado de que foram vitimadas
30 pessoas e várias dezenas feridas.
No entanto,
os EUA vão além da pressão de força. Dois dias
antes dos bombardeamentos de Talafar, os altos funcionários do Departamento
de Estado informaram o Congresso dos EUA sobre a intenção
da administração de George Bush júnior de destinar
ao Congresso Nacional do Iraque (CNI), a principal força oposicionista
do país, 6 milhões de dólares. A idéia de Washington
de lutar contra o regime de Bagdade pelas mãos da oposição
não é nada nova. Ainda no fim do ano de 1998, o Congresso
dos EUA aprovou a assim chamada “Lei da Libertação do Iraque”
que destinou mais de 97 milhões de dólares para o financiamento
de diversos grupos anti-saddamistas, espalhados pelo mundo.
No ano
passado, a administração de Clinton decretou a transferência
ao CNI de outros 4 milhões de dólares para as “ações
limitadas” ao longo das fronteiras do Iraque. Chamando as coisas pelos
seus nomes, todas essas ações podem ser justamente qualificadas
como o desrespeito e a violação das normas do Direito Internacional,
orientadas para derrubar o Governo de um Estado soberano.
Além
disso, Washigton analisou as propostas dos grupos de oposição
iraquianas de estabelecer o controlo do Ocidente sobre as regiões
petrolíferas do Iraque e a proclamação do “governo
provisório”, formado pelas “forças democráticas” do
país.
No entanto,
Washington não atreveu a realizar este plano que poderia envolver
os EUA numa nova confrontação com Bagdá, desta vez
sem nenhum motivo justificado, em comparações com os acontecimentos
do ano de 1991. Claro que a reação da comunidade internacional
a uma agressão não provocada contra o Iraque seria extremamente
negativa, sem falar que tal agressão acarretaria as perdas enormes
da força viva do Exército norte-americano. Foi esta a razão
que invalidou a “variante dura” de derrubar Saddam Hussein, mas não
alterou os planos dos EUA de apoio à oposição iraquiana.
Os EUA,
na união com a Grã-Bretanha, fazem tudo para manter em vigor
as sanções atuais contra Bagdá. Só deste modo
pode ser caracterizado o projeto da resolução das assim chamadas
“sanções sensatas”, concebido com a participação
de uma delegação norte-americana e apresentado pela delegação
inglesa ao Conselho de Segurança da ONU.
O Projeto
deve ser discutido no Conselho de Segurança da ONU a 3 de Julho.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Igor Ivanov,
já declarou que a delegação russa apresentará
o seu próprio projeto da resolução.
Claro
está, que a “síndrome iraquiana” demorada dos EUA tornou-se
obsoleta e não toma em consideração as mudanças
operadas no mundo, em geral, e na região do Golfo Pérsico,
em particular. A política norte-americana de pressão sobre
o Iraque tem sido criticada pela maioria dos países membros da comunidade
internacional porque dificulta a regularização política
da situação em torno do Iraque.
Na opinião
de Moscou, o problema iraquiano pode ser resolvido só com base no
princípio de “pacotes” que prevê suspender e depois abolir
as sanções contra Bagdá paralelamente à recuperação
do ‘monitoring’ internacional sobre os programas militares vedados do Iraque.
Quer
dizer, não apenas exigir do Iraque o cumprimento das resoluções
do Conselho da Segurança, mas também criar as condições
favoráveis para isso, deixando de apresentar este país como
espantalho internacional que entende só a linguagem de força
e de ultimatos., como o faz Washington.
Valentin Kunine é
observador político da RIA “Novosti”, agência russa de notícias.
A linguagem do texto foi alterada, pois é inicialmente destinada
a todos os países de língua portuguesa.
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