Tribunal do Irã condena jornalista à morte por declaração contra os poderes religiosos
A Folha de São Paulo divulgou notícia de que um tribunal do Irã condenou à morte jornalista e acadêmico Hashen Aghajari aliado do presidente Mohammad Khatami que declarou em palestra que os poderes dos religiosos que governam o Irã são comparáveis aos dos Papas da Idade Média.

Aghajari foi condenado por um tribunal iraniano sem júri, na cidade de Hamedan , a 74 chibatadas, 8 anos de prisão seguida de execução. Ele é acusado de blasfêmia, por criticar o poder do clero islâmico, informou seu advogado, Saleh Nikbaht. Aghajari foi preso em agosto, um mês após realizar um discurso sobre "protestantismo islâmico", no qual comparou o poder do clero iraniano ao dos Papas católicos medievais. Os clérigos controlam as principais instituições do Irã, como a Justiça e as Forças Armadas e, nos últimos 3 anos, ordenaram a prisão de dezenas de intelectuais e jornalistas. Segundo o jornal O Globo, antes da sentença, Aghari teria falado ao sítio de notícias Emroz que "eles poderão me pôr na prisão ou me assassinar, mas não vão conseguir nada com isso. Quem ficará ferido será o sistema clerical que dizem apoiar".

A decisão judicial ocorre num momento em que o programa de reformas do presidente iraniano, Mohammad Khatami, está bloqueado pelos clérigos. "Esta sentença tem o objetivo de intimidar os reformistas. É inaceitável e incompatível com a lei e a lógica", disse o parlamentar reformista, Ali Shakourirad. Na semana passada, após a prisão de outro jornalista, Abbas Abdi, aliados de Khatami teriam advertido que conservadores poderiam estar planejando deter centenas de reformistas. Alguns disseram que ele podem estar esperando um pretexto, como um ataque dos EUA ao vizinho Iraque, para declarar estado de emergência e realizar prisões em massa, informou O Globo.

Fonte: Oficina de Informações


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