Representantes de agências
humanitárias anunciaram que dezenas de milhares de afegãos
estão passando fome no país e tendo que se alimentar de grama
para sobreviver. A situação teria sido provocada por anos
de guerra civil, seca e pelo regime do Talebã no país.
Na região motanhosa
de Abdullah Gan, no norte do Afeganistão, a situação
seria desesperadora. Era nessa região onde, durante o regime do
Talebã, ficava a fronteira entre a região administrada pelo
Talebã e a área sob controle da Aliança do Norte,
a milícia de oposição. "Essa é a realidade,
há uma crise humanitária de verdade em andamento no Afeganistão",
disse à BBC Ken Burslem, um porta-voz da Organização
Não-Governamental Comitê de Resgate Internacional.
Mingau de grama
Segundo ele, a organização
e o Programa Mundial das Nações Unidas para a Alimentação
– a FAO – estão distribuindo alimentos para 10 mil pessoas que passam
fome no distrito de Bandghis, perto da cidade de Herat, no oeste do país.
Em Bonavash, o vilarejo
de mais fácil acesso na região de Abdullah Gan, os únicos
alimentos disponíveis são um pão feito de grama e
cevada, ou mingau de grama. Segundo a agência de notícias
Associated Press, praticamente todas as pessoas no vilarejo sofre de diarréia
ou de tosse persistente. "Nós estamos esperando para morrer. Se
a comida não vier, nós vamos comer isto até morrer",
disse Ghalam Raza, um homem de 42 anos que sofre com a tosse, dor no estômago
e sangramentos internos.
Os moradores de Bonavash
dizem que estão em uma situação melhor do que aqueles
que vivem em aldeias mais distantes nas montanhas. Lá, as pessoas
não teriam cevada para misturar com a grama.
Dificuldades logísticas
Segundo Ken Burslem,
do Comitê Internacional de Resgate, há dificuldade em levar
ajuda aos vilarejos no interior das montanhas por causa do mau tempo. A
organização teve que pedir um helicóptero emprestado
à Aliança do Norte.
Se o pedido for atendido,
eles devem lançar na região 2 mil metros cúbicos de
alimentos, incluindo carne, feijão, óleo de cozinha e biscoitos.
A dificuldade logísitica na distribuição está
fazendo com que mil toneladas de farinha, doadas pela FAO, permaneçam
estocadas em Zari, cidade que, com o uso de burros, fica a quatro horas
e meia de viagem de Bonavash.
Segundo a porta-voz
da FAO em Genebra, Christiane Berthiaume, a farinha ainda não foi
distribuída por causa de "um problema de comunicação".
"Nós levamos o alimento para a região, mas não havíamos
percebido que o problema era distribuí-lo."
Mas esse não
seria o único problema, segundo a porta-voz. "Também há
ladrões. Não é um lugar muito fácil para se
trabalhar."
Fonte: BBC Brasil
Consciência.Net