Em defesa da opressão, por Paul Foot
The Guardian

    O ciclo de morte segue sem parar. Quase 50 palestinos mortos e o exército israelense ataca acampamentos de refugiados já faz 10 dias. E um israelense morto em um posto de fiscalização do exército perto de Ramallah. No Ocidente todos tem um pensamento: ‘lá vão eles novamente’. Dois povos inimigos em uma terra longe e sombria, parece um conflito da idade média, trocando de atrocidades a atrocidades, e eternamente ferindo um ao outro. Não há nada de civilizado. A única coisa que os observadores humanitários podem fazer sobre isto é esperar, pois em breve o lado mais forte aniquilará o lado mais fraco.
    O mais interessante dessa reflexão é que não requer nenhum esforço intelectual, nenhuma análise, nenhuma conhecimento em história para que se distinga entre a violência do oprimido e a violência do opressor. Nada poderia estar mais claro no conflito da palestina de que os israelenses são os opressores e os Palestinos os oprimidos. Os acampamentos de refugiados invadidos por tropas israelenses esta semana eram habitados por pessoas de que seus avós tinham tido suas terras cruelmente tomadas. Há mais de meio século seus avós tiveram que assistir suas terras sendo ocupadas e confiscada por israelenses.
    A razão para que as tropas israelenses tenham a audácia de invadir esses acampamentos hoje é que os seus antecessores israelenses, por meio de invasões militares ilegais, conquistaram o Oeste e impuseram a ferro e sangue seus privilégios na região. A violência do exército e policia israelenses nessas regiões são a violência do opressor, e a violência conseqüente dos Palestinos é a  resistência do oprimido. Qualquer um que seja a favor da ocupação de áreas, ou as determinações, ou que negue o direito de resistência dos palestinos está apoiando inequivocamente o opressor contra o oprimido.
    Se a razão para a violência é a ilegal ocupação do território palestino, então a solução é óbvia para os israelenses para terminarem com a violência. Saiam dos territórios ocupados. E se o governo israelense não se retirar dos territórios ocupados, então a resposta óbvia é para que o ocidente imponha sanções – cortemos os volumosos  subsídios econômicos e remessas de dinheiro que construíram a economia israelense e sua máquina militar. Lembrem-se da indignação quando uma remessa de dinheiro para os palestinos foi descoberta. Quem se queixa quando remessas de dinheiro cem vezes maiores saem regularmente de nossas fábricas e dos EUA para Israel? Qualquer um nos Estados Unidos ou Inglaterra que se opõe a tal sanções estará assumindo um posto inequívoco ao lado da ocupação ilegal, conquista militar e opressão econômica.
    É extremamente patético por parte de nossos apologistas da opressão israelense quando gritam e nos acusam falsamente de anti-semitas. O tipo de opressão que eles são favoráveis é a semente de todo o racismo, incluindo o anti-semitismo, que cresce. Só existe uma solução para o conflito da Palestina. E depende da retirada israelense dos territórios palestinos. Essa solução será facilmente alcançada com o aperto da diplomacia ocidental e a adoção de sanções.


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