Jerusalém – Ezra Yitzhak e seu parceiro
têm um pedido a fazer. Gostariam de ser deixados em paz para levar
suas vidas como ''dois cavalheiros que simplesmente se amam – sem culpa''.
E particularmente gostariam de ficar livres do temor diário de serem
forçados a se separar devido à política. Yitzhak,
de 49 anos, é israelense, judeu e secular. Seu parceiro de 26 anos,
Mustafa – trocamos o nome, porque a revelação poria em perigo
sua vida – é palestino, muçulmano e religioso. Os dois nasceram
no mesmo Oriente Médio, a poucos quilômetros um do outro.
Falam as mesmas línguas, hebraico e árabe. E trabalham como
bombeiros. Em qualquer sociedade pacífica e esclarecida, nada haveria
de extraordinário com seu relacionamento. Mas a guerra entre israelenses
e árabes tem afastado ainda mais os dois povos hostis.
Relações
homossexuais entre palestinos e judeus israelenses são perigosas
e raras; é mais raro ainda o casal não só falar sobre
isso, mas fazer campanha pelo direito de viver junto. O problema dos dois
é simples. Toda vez que Mustafa põe o pé fora do seu
apartamento em Jerusalém Ocidental, arrisca-se a ser detido e preso.
Vive em Israel ilegalmente, um risco para o qual se diz preparado, para
ficar com Yitzhak. Este tem feito campanha, já escreveu várias
cartas à polícia e ao Ministério do Interior, pedindo
que as autoridades permitam a permanência de Mustafa em Israel.
Nesta semana, Ariel
Sharon tornou-se o primeiro premier israelense a ter um encontro formal
com os líderes de organizações gays e lésbicas
de Israel. Depois de outros assuntos, veio à tona a questão
de Esra Yitzhak e Mustafa. A resposta não foi promissora. O premier
israelense disse que avaliava questões individuais de acordo com
seu mérito. Mas fez outra observação, manifestando
o receio de que este caso fosse mais uma tentativa dos palestinos de se
infiltrar em Israel. Foi um revés, mas não o fim, segundo
Yitzhak: ''Não vamos desistir.''
Consciência.Net