O mundo com a Palestina, por Inácio Arruda
A solidariedade frustrará planos de apartheid de Israel, que lembram a antiga África do Sul (...) O Brasil, certamente, reafirmará o compromisso por um Estado palestino

Inácio Arruda, Deputado Federal
[09 Abril 01h09min]

    O mundo percebeu a barbárie em curso no Oriente Médio em diversos momentos. Num deles, o escritor José Saramago revelou que o governo de Israel faz com os palestinos o que Hitler fez com os judeus. Uma guerra decretada pelo general Ariel Sharon mobilizou milhares de soldados e um imponente arsenal, confinando mais de três milhões de viventes numa fração de território, cercando cidades e acampamentos de refugiados, executando e ferindo às dezenas de milhares, com danos materiais, ambientais e econômicos incalculáveis.
    A fúria belicista de Sharon é hedionda. Milhares de civis estão presos em suas casas, centenas de tanques destroem tudo à passagem; a aviação informa a Cruz Vermelha , bombardeia inclusive hospitais; o cerco militar impede a entrada de alimentos e remédios; as ambulâncias são proibidas de socorrer feridos e até de recolher os cadáveres que apodrecem nas ruas ou nas residências; igrejas históricas, locais religiosos sagrados e sacerdotes são agredidos.
    É flagrante a violação do direito internacional, das resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Convenção de Genebra, numa política de destruição que conta com o apoio ilimitado do governo Bush para dobrar a resistência à ocupação de 34 anos, destruir a Autoridade Nacional Palestina (ANP) e aniquilar a liderança do presidente Yasser Arafat, dirigente da luta pela independência democraticamente eleito.
    Temos como dever imediato barrar essa medieval ameaça à paz e à estabilidade no mundo, exigindo uma solução duradoura que já consta do direito internacional e das resoluções do Conselho de Segurança e Assembléia Geral da ONU: retirada imediata do exército de ocupação dos territórios ocupados em 1967, fim dos assentamentos e retorno de quase cinco milhões de refugiados, imediata instalação do Estado Palestino com capital em Jerusalém.
    Buscamos um amplo movimento mundial pela convivência pacífica ao lado das forças de paz em Israel, contando inclusive com a crescente recusa de militares em servir nas áreas ocupadas. A solidariedade frustrará planos de apartheid que lembram a antiga África do Sul. O Brasil, um dos autores da resolução da ONU (presidida por Osvaldo Aranha) que autorizou a criação dos estados palestino e israelense, reafirmará certamente o compromisso moral e político com essa causa.
    Para tanto, contribuí com uma moção da Câmara dos Deputados que reafirma o apoio ativo do povo brasileiro ao povo palestino, exigindo o fim ao cerco imposto ao presidente Yasser Arafat, em Ramallah, e das afrontas às decisões adotadas pelo conjunto das nações. Somamo-nos aos brados que ecoam em todos os continentes: paz no mundo e todo respeito à ANP.

Inácio Arruda é deputado federal pelo PCdoB do Ceará e autor das leis estadual e municipal que estabelecem o Dia da Solidariedade ao Povo Palestino, no dia 29 de novembro de cada ano.


Consciência.Net