Mulheres
afegãs afirmam que intervenção dos EUA não
muda situação do país
As afegãs Mariam Rawi
e Danish Hemid testemunharam no início da noite deste domingo, no
Salão de Atos da UFRGS, sobre a situação do Afeganistão,
país devastado por guerras há mais de 20 anos. Cerca de 350
pessoas, participantes do Fórum Social Mundial 2002, ouviram os
relatos sobre a opressão praticada especialmente contra as mulheres,
impedidas de estudar e obrigadas a cobrir o corpo com a burka. Mariam e
Danish – cujos nomes não são os verdadeiros por razões
de segurança, alegam elas – pertencem à Associação
Revolucionária das Mulheres Afegãs (RAWA), que luta pelo
estabelecimento da democracia no país. A entidade também
combate o fundamentalismo, que, segundo elas, está diretamente associado
ao terrorismo.
A derrubada do regime
Taleban, comandada pelos Estados Unidos, segundo elas, em nada muda a situação
do país. “Queremos pedir ao mundo que não reconheça
os atuais líderes do Afeganistão como legítimos representantes
do país”, disse Danish. “É importante que entendam a crueldade
desses falsos líderes.”
A participação
dos EUA na derrubada do Taleban, de acordo com elas, está associada
a interesses econômicos, já que o Afeganistão está
localizado numa região estratégica e possui reservas de petróleo
e gás natural. Os EUA são o verdadeiro pai do Taleban, da
Aliança do Norte e de Osama Bin Laden, afirmou Mariam. “Nosso povo
precisa e quer a democracia, assim como quer educação, liberdade,
paz e um futuro melhor para os filhos”, declarou a afegã.
Embora existam no Afeganistão
grupos com orientação de esquerda e também de direita,
a atividade política é exercida clandestinamente. A RAWA
atua desde 1977 em campos de refugiados, desenvolvendo atividades sociais
voltadas especialmente às mulheres e crianças. Maiores informações
sobre a organização podem ser acessadas na internet (http://www.rawa.org).
http://wwww.fsm.rs.gov.br/
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