Observatório
do Jornal Nacional
www.consciencia.net/jornalnacional
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William Bonner
e Fátima Bernardes, apresentadores
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Mais demissões
ENTREVISTA
# 12/04/2007
O avanço
da censura na TV Globo
Rodrigo
Vianna: ex-repórter da TV Globo, demitido após se recusar
a assinar um abaixo-assinado defendendo a cobertura eleitoral da emissora,
fala com exclusividade ao Fazendo Media e confirma que, de fato,
existe interferência política no Jornal Nacional. No final
do ano passado, Rodrigo denunciou as distorções praticadas
pela TV Globo para prejudicar a campanha de Lula e favorecer Geraldo Alckmin.
Mas não aconteceu apenas durante as últimas eleições.
Concedida
a Marcelo Salles.
CAÇA
ÀS BRUXAS # 23/03/2007
Globo demite editor
de economia do Jornal Nacional
Marco
Aurélio Mello, editor há quatro anos do principal jornal
da emissora, foi demitido por seu trabalho “não ser mais compatível”
com a empresa. Em outubro, ele foi um dos jornalistas que se recusou a
subscrever o abaixo-assinado em defesa da cobertura da Globo das eleições
presidenciais. Matéria de Bia Barbosa na Carta
Maior; via Portal
Vermelho.
Jornalismo em questão
01/11/2006
População
critica cobertura; Globo faz abaixo-assinado pra se defender
Protestos
contra atuação da mídia nas eleições
saíram das críticas na internet e chegaram às ruas,
como nas manifestações durante a festa da reeleição
de Lula. Para defender sua cobertura, chefia da Globo colocou abaixo-assinado
"à disposição" dos jornalistas. Por Bia Barbosa, da
Carta Maior..[+]
01/11/2006
É ignorância,
militância ou crueldade?
Cabe a
nós, jornalistas, classificar a crueldade “A” como operação
e a crueldade “B” como ataques terroristas? Nenhum editor saberá
humanizar a pauta e parar de quantificar vítimas de uma lógica
perversa? Por Gustavo Barreto..[+]
Polícia Federal
Ouça
gravação do delegado Bruno sobre o Jornal Nacional
Ouça
a íntegra da gravação da conversa do delegado da Polícia
Federal Edmilson Pereira Bruno com os jornalistas na hora em que ele entregou
o CD com as fotos do dinheiro apreendido com petistas para a imprensa.
Os jornalistas que participaram dessa conversa são: Lilian Christofoletti,
da Folha de S. Paulo; Paulo Baraldi, do jornal O Estado de S.
Paulo; Tatiana Farah, do jornal O Globo e André Guilherme,
da rádio Jovem Pan. Clique
aqui para ouvir ou leia a íntegra
da reprodução em texto.
* *
*
O “interesse público”
da TV Globo
Ali
Kamel, que não gosta de mentiras, considera “interesse público”
um ato político e ilegal de um delegado da Polícia Federal,
útil para o jornalismo “imparcial”. Por Gustavo Barreto, 22/10/2006
“Eu vou confiar em vocês. Vai
parecer que alguém roubou e vazou para a imprensa. Mais ninguém
tem isso aí, só eu. Nem o superintendente (...) Quando vocês
passarem na TV, pessoal, tira o nome da Protege e tira essa data
aqui (...) vou chegar para o superintendente e falar, “doutor, fui furtado,
mas já falei com os repórteres, ninguém sabe de nada,
mas eu to desconfiado, sabe como é, não dá pra confiar
em repórter, não dá mesmo”. Agora eu conto com vocês,
porque podem abrir uma sindicância contra mim, um processo.”
“Agiram mal a TV Globo e toda a imprensa
ao divulgar as fotos? De maneira alguma, elas eram de extremo interesse
público.”
O primeiro é o Delegado da
Polícia Federal Edmilson
Bruno, pessoa de bem, pessoa da lei, que não tinha intenções
políticas.
O segundo é Ali
Kamel, chefão na TV Globo, um cara super ético e que
nada tem contra o PT ou a favor do PSDB. Super imparcial. Ele defende Edmilson
Bruno. Kamel não admite que estava fazendo o jogo sujo de Edmilson
porque “em nenhum momento dissemos que os CDs por nós obtidos eram
fruto de furto ou roubo”. Não é um rapaz que gosta de mentira.
Só não diz por quê
a TV Globo ainda não mobilizou um repórter para investigar
a Operação Sanguessuga na gestão FHC, responsável
pela liberação de 70% das ambulâncias da Planam. E
por que Abel Pereira continua tranqüilo, sem ser incomodado pela imprensa
apesar do envolvimento em suspeitas que se multiplicam, enquanto o ex-assessor
do presidente Freud Godoy, inocentado pela Polícia Federal e por
alguns destacados colunistas da imprensa, foi previamente linchado.
“Não seja tão subserviente.
O patrão não te pede tanto” é o conselho de Paulo
Henrique Amorim a Kamel. Que o Papa o ouça..(GB)
Coréia do Norte
Ameaça
nuclear causa pânico no Jardim Botânico
A
Coréia do Norte assusta tanto assim? Ou será que é
apenas parte da mídia brasileira que está fazendo um escarcéu?
Por Pedro Aguiar, 18/10/2006
.
Desde segunda-feira,
veículos de imprensa por aqui alardeiam em manchetes e títulos
garrafais que a “última ditadura stalinista do mundo” conseguiu
desenvolver uma bomba nuclear de verdade, o que “ameaça a paz na
região” e “traz de volta o fantasma da guerra atômica”. Está
no Jornal Nacional, n'O Globo, e até no
Extra
– curiosamente, todos veículos de um mesmo conglomerado. Até
o “Globinho”, suplemento infantil, traz esta semana uma matéria
supostamente educativa sobre o “perigo”, o “temor” e o “pânico” causados
pelo fato “no planeta inteiro”.
Entretanto,
não é isso que estou vendo pelos outros jornais do mundo
afora. De fato, o teste nuclear bem-sucedido da República Popular
Democrática da Coréia foi destaque em boa parte da imprensa
internacional, porém com outras proporções e seguramente
com outro tom. Em geral, publicou-se que a estratégia de Kim Jong-il
para garantir a defesa interna de seu regime se fortaleceu mas que, por
outro lado, a esperança norte-coreana de endurecer as negociações
para retomar os suprimentos de ajuda externa (principalmente comida) foi,
de certa forma, frustrada.
O tiro saiu
pela culatra porque Europa, Japão e até a vizinha/aliada
China, em vez de se assustarem e cederem, responderam na mesma altura.
Assim, o que Kim conseguiu foi, na prática, tornar pior para ele
a boa vontade da comunidade internacional em enviar comida a preço
subsidiado (quando não de graça). Ninguém está
falando em invadir a Coréia há pelo menos 50 anos. O que
a RPDC quer é alimentar o seu povo.
Mas... pânico?
Medo de que caiam novas bombas sobre o Japão? Que um míssil
intercontinental atinja o território estadunidense? Que a tão
proclamada estabilidade no Leste Asiático seja desfeita por um tirano
ensandecido munido de armas de destruição em massa? Que o
pesadelo da hecatombe nuclear ressuscitou?! Que vamos todos morrer, aarrgghhh???!!
Não,
isso não.
Ninguém
tem dúvidas de que Kim Jong-il seja um estadista pouco confiável,
um personagem complicado no cenário diplomático e, muitas
vezes, caricaturado e ridicularizado. As lendas urbanas de que ele é
um aficcionado pelo Patolino e que tem uma videoteca de mais de 15 mil
filmes são repetidas várias vezes na imprensa deste lado
do mundo – embora menos no Brasil. Mas não é por isso que
haveria o risco de um conflito nuclear.
Apelo à paranóia
A bomba atômica
da Coréia do Norte, se existe mesmo, é como aquela que o
Enéas defendeu para o Brasil, em 1998: é para ser guardada,
não para ser usada. É uma carta na manga. E nada garante
que o país tenha tecnologia e combustível para produzir mais
de uma; quem sabe eles não detonaram a única que tinham?
A questão que o William Bonner parece não ter entendido é
que a bomba é um fato diplomático, não bélico.
A não ser que saia do férreo controle da Idéia Juche,
essa bomba não vai estourar em lugar nenhum.
Até
esta semana, o único espaço em que a Coréia do Norte
representava uma real ameaça global é no (pen)último
filme do James Bond. E, a partir de agora, também na Globo. A paranóia
levantada pela mídia dos Marinho tem parecido muito mais o velho
apelo ao patético para vender jornal e ganhar audiência –
sintoma de quem não tem matéria-prima para fazer bom jornalismo.
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Pedro Aguiar
é jornalista.
Especiais
Caravana
JN já definiu como governar o Brasil
Iniciada em
31 de julho, a série “Desejos do Brasil” fez Pedro Bial visitar
cidades longe dos grandes centros. Começou por São Miguel
das Missões (RS). O repórter explica que foi lá que
“há mais de três séculos, promoveu-se uma das mais
ousadas experiências socialistas da história”. Ele refere-se
às missões jesuítas, e diz que tal como “o comunismo”,
elas “tinham caráter totalitário”.
Mas, a jornada
do ônibus global não vai fazer considerações
ideológicas explícitas. Não voltará mais a
falar de socialismo e comunismo. A emissora sabe que esse debate não
está em pauta. Não será ela que vai trazer os temas
de volta. Tem uma certeza confirmada pelas mais fortes candidaturas das
eleições em disputa. A de que não existe nada além
do pensamento único neoliberal.
É mentira
ou aventura tudo o que não reafirma “verdades” como “rigor fiscal”,
“superávit primário”, “respeito aos contratos”, “pagamento
em dia da dívida pública”, “déficit da previdência”,
“custo Brasil”, “encargos trabalhistas exagerados” etc. (...)
Leia texto
de Sérgio Domingues no Mídia
Vigiada, em outubro de 2006.
Eleições
2006
Lula, o
ego
Por
Lúcio Flávio Pinto em 29/8/2006
William Bonner
me deu uma felicidade que há muito tempo não tinha diante
de um aparelho de televisão. Invejei-o na entrevista com o presidente
Lula para o Jornal Nacional. Eu não conseguiria sustentar a justa
pressão que ele exerceu sobre o ensaboado entrevistado, perguntando
quase tudo que gostaríamos que perguntasse ao mais lídimo
representante do povo que já chegou à presidência da
República.
A entrevista
não devia ter sido feita no Palácio da Alvorada. Como os
demais que o antecederam, Lula tinha que ir ao estúdio da TV Globo.
Não é improvável que o apresentador do programa de
maior audiência da televisão brasileira tenha recebido recados
e instruções. Mas, pesados os prós e medidos os contras,
consideradas todas as circunstâncias, seu desempenho foi um dos melhores
momentos do jornalismo televisado do país.
Bonner acuou
Lula, como um jornalista deve acuar um poderoso arisco e matreiro. Sem
grosserias e inconveniências, ele foi duro na medida certa do respeito
sem subserviência. Cortou o entrevistado quando ele ameaçava
desviar o assunto, replicou respostas e colocou-o numa cadeira igual, mas
incômoda, ao tratá-lo sempre de "candidato", numa saudável
presunção de que tudo que falar é relativo, sujeito
a confirmação. Não deixou que a mulher, Fátima
Bernardes, contemporizasse ou passasse a outro tema menos candente do que
a corrupção.
Nobres predicados
Lula não
falou sobre seus planos, é verdade. Mas como podemos levar a sério
o que promete sem um entendimento preliminar sobre o princípio da
credibilidade, que é pressuposto? William Bonner deu aos telespectadores
a oportunidade de constatar que falta ao presidente uma condição
do líder: respeitar a própria liderança.
Mais uma vez
Lula transferiu a responsabilidade pelos problemas aos subordinados, como
se nenhum deles, quando comete erro grave, cumpre suas ordens, sempre norteadas
pelo primado da exação. O presidente é um chefe que
esconde a mão quando a pedra atirada quebra a vidraça. Em
seu governo não há cadeia de comando. Logo, o comandante
é um bufão, um fantoche.
Lula também
não tem qualquer compromisso com a fidelidade aos fatos. A história
jamais se consolida em sua boca. Ele a reelabora tantas vezes quantas forem
necessárias e conforme os enredos mais disparatados, desde que se
preserve sempre, como o líder perfeito, impoluto, imaculado. É
incapaz de admitir o erro pessoal. As imperfeições são
sempre abstratas; os maus feitos, de terceiros.
O grande guia
segue em frente como se tivesse diante de si apenas o espelho. Um Narciso
de origem humilde e nobres predicados, mas um Narciso. Para ele, tudo que
não é espelho vira detalhe. Nós, inclusive. (LFP)
A
estrela é o entrevistado
Por
Carlos Chagas, na Tribuna
da Imprensa, 13/8/2006
BRASÍLIA
- Uns por vaidade, outros por medo, a verdade é que as recentes
entrevistas feitas na televisão com os candidatos à presidência
revelam, acima de tudo, o despreparo dos entrevistadores. Poupemo-nos da
citação dos profissionais e das redes, mas qualquer telespectador
mediano percebe as oportunidades desperdiçadas. Os apresentadores
deveriam postar-se diante das câmeras para tirar o máximo
de opiniões e de informações dos entrevistados.
Mesmo com indagações
contundentes, ainda que educadas, sempre que existir motivo para cobrar
contradições o papel dos entrevistadores deveria ser de provocar,
jamais de agredir. Muito menos de tentar tornar-se o centro do debate,
geralmente beirando o ridículo. Nas entrevistas, a estrela é
o entrevistado. Para brilhar ou para arrebentar-se.
Estamos assistindo
a aulas de como não entrevistar pessoas. Interromper perorações
do entrevistado é válido, até necessário para
quem entrevista, mas precisa acontecer só com uma frase, uma palavra,
se possível. Jamais com discursos destinados a transmitir ao público
opiniões que não interessam, dos entrevistadores.
Precisam também,
esses personagens inflados pelo ego e pelo sonho de pequenos períodos
de glória, atentar para a densidade da informação
a ser colhida. No caso dos candidatos à presidência, importa
mais saber o que pretendem fazer, se eleitos, do que enveredar por querelas
anteriores. O eleitor prefere promessas para o futuro, mais do que realizações
do passado.
As
entrevistas do Jornal Nacional
Por
Marcelo Salles, no Fazendo
Media
Durante a semana
que passou, o Jornal Nacional entrevistou cinco dos oito candidatos
à Presidência da República.
Cristovam Buarque
(PDT), Heloísa Helena (PSOL), Lula (PT) e Alckmin (PSDB) foram agraciados
com cerca de 12 minutos ao vivo, enquanto Luciano Bivar (PSL) teve direito
a 2,36 minutos - gravados. Ana Maria Rangel (PRP), José Eymael (PSDC)
e Rui Pimenta (PCO) ficaram de fora.
Não
vale o argumento da baixa pontuação nas pesquisas, pois a
lei eleitoral determina que todos os candidatos tenham espaços iguais.
E, se valesse, por que Cristovam Buarque, que está com 1% na pesquisa
do Ibope divulgada ontem (11/8), recebeu 12 minutos, já que Rui
Pimenta aparece na mesma pesquisa com o mesmo percentual?
Dos candidatos
que participaram ao vivo, apenas a senadora Heloísa Helena mencionou
o tema da democratização dos meios de comunicação,
mesmo assim muito rapidamente. Em determinado momento ela falou que é
preciso "democratizar a informação". Vamos ver se a candidata
do PSOL invade o tema nas próximas oportunidades.
Alckmin foi
mal no conteúdo, mas se saiu bem na forma. Como na televisão
a forma conta mais que o conteúdo, acabou levando vantagem. Já
Cristovam foi bem sob os dois aspectos. Falou o quanto pôde de sua
principal proposta, a educação, e pregou uma revolução
no setor. O problema é que nem Alckmin, nem Cristovam empolgam.
Há quem
tenha destacado a postura "firme" dos entrevistadores, sobretudo com Geraldo
Alckmin. Não acho. Firmeza, pra mim, está além das
"perguntas difíceis" definidas pelo senso comum. Bonner e Fátima
atuaram do mesmo modo com todos os entrevistados, a exceção
de Lula.
Aliás,
tendo a entrevista de Lula sido realizada dentro do Palácio do Planalto,
o Jornal Nacional se sentiu em casa. Não só pela longa e
cordial convivência da Rede Globo com os sucessivos governos, incluindo
os ditatoriais. Mas também pelo significado da escolha do padrão
japonês para o Sistema Brasileiro de TV Digital. O decreto assinado
em 29 de junho - durante a Copa do Mundo - que garante o modelo defendido
pela Globo, parece mesmo ter sido a garantia de um tratamento amigável
durante o período eleitoral.
E a conclusão
do candidato Lula, para quem o Brasil vive seu melhor momento econômico:
"Crescem as exportações, crescem os empregos. Só o
que cai é o salário". Embora o presidente tenha se corrigido
imediatamente, não seria exagero lembrar J. Lacan, para quem "todo
ato falho é um discurso bem sucedido".
* *
*
Atílio
A. Boron, no periódico argentino Página/12 sobre Cuba, no
último dia 6: "A transição se deu no dia primeiro
de janeiro de 1959. E foi uma transição dupla: da ditadura
para a democracia e do capitalismo para o socialismo"..(MS)
Leia
comentários dos leitores do 'Fazendo Media' clicando aqui.
19 de junho, 2006
Gandhi já
dizia
Um “momento
histórico”, um “capítulo dramático” – é assim
que o JN considera o pedido de um promotor de pena de morte de Saddam Hussein
e outros ex-dirigentes iraquianos.
É sempre
a mesma coisa: olho por olho...
O JN acha isso
o suficiente. E que os soldados estão nas ruas, tentando trazer
“segurança”. É o que sabemos sobre o Iraque. Boa noite..(GB)
31 de maio, 2006
Sem provas,
mas vale a pena
É estranha
a publicação de matérias que possuem frases como "sem
apresentar prova nenhuma, ex-empregado(a)...", ou ainda "dirigentes petistas
(quem?) se reuniram com Arcanjo...". Por que levar ao ar? É preciso
se perguntar quantas informações parecidas estão disponíveis.
Ou seja, quantas matérias podem ser construídas com base
em fontes "sem prova nenhuma"? E por que se escolhe esta e não aquela
matéria? Será que basta aparecer no Congresso Nacional que
vale a pena?
Um "jornal importante",
agora sim é notícia
Curioso também
a ênfase que o JN decidiu dar ao iniciar uma nota sobre o massacre
que soldados ingleses e estadunidenses realizaram no Iraque contra civis
comprovadamente inocentes. Segundo o JN, "um jornal importante" (o New
York Times) aumentou a verdade sobre os fatos – e assim começa
a nota. Será que estamos, agora, à mercê de "jornais
importantes" para verificar a veracidade de uma denúncia? Neste
caso, tratam-se de abusos amplamente documentados, e que só agora
chegam à imprensa (ou não). Para ser mais sincero, trata-se
de uma seqüência de acontecimentos que demonstra claramente
uma política de Estado, orquestrada pelas forças anglo-estadunidenses
naquele país.
De forma bem
clara: a tortura e o genocídio no Iraque são conscientes
e previamente montados. Estão aí indícios, noticiados
estrategicamente de forma dispersa, de modo que pareça coisa de
"monstros", tal como se projetou a militar norte-americana julgada recentemente
por tortura em um campo estadunidense de detenção no Iraque.
De novo, o alto escalão foi poupado e suas palavras (com destaque
para Condoleezza Rice e George W.) são tidas como ponderações
em relação ao que está acontecendo. O absurdo veio
em frases da editoria de Inter do JN de 31 de maio, tais como "A Casa Branca
quer se distanciar [das denúncias] (...)" e "(...) os soldados vão
pagar um preço alto". A matéria foi uma das principais da
editoria, deslocando um correspondente internacional.
Padrão de
qualidade?
Enquanto isso,
1850 mortos no terremoto na Indonésia recebem 10 segundos de atenção.
Para se ter uma idéia, declarações vazias de Rice
e Bush tomaram 20 segundos do tempo do telespectador. Isso sem contar o
tempo das reportagens do futebol, que agora conta com uma mega-ultra-infraestrutura
montada para a Copa do Mundo, ou o tempo mensal que o papa recebe – praticamente
uma assessoria de imprensa do Vaticano.
Essa disparidade
de tratamentos costuma atender pelo nome de "padrão qualidade",
seguido pelas outras emissoras. Vá entender..(GB)
23 de maio, 2006
Crise em
SP
"Mortos em
supostos confrontos" é o vocabulário do JN para o
massacre de pobres inocentes que a PM de SP não quis identificar.
"Mortos" são os assassinados. "Supostos" significa "a sangue frio".
"Confrontos", genocídio. Assassinados a sangue frio em um genocídio.
Custa dizer
a verdade?
Ok, ok, a "verdade"
é uma perspectiva. Que, diga-se, não interessa aos fascistas
que dizem que estão respondendo à crise de segurança
pública matando criminosos.
Pense bem:
é a pena de morte oficializada. "Eram trabalhadores (...)". E se
não fosse? E daí? Tem que matar? A Constituição
Federal e a maior parte da população inviabilizam a pena
de morte. É proibido. Quem liga? Não os editores JN (e da
maior parte dos telejornais). O discurso está lá, volta e
meia, construindo sentido. Quer dizer, falta de sentido.
* *
*
Senti falta
das histórias destas pessoas humildes, assassinadas. Não
tinham famílias? São números? As histórias
de policiais mortos foram mostradas (que bom). Ficou pela metade...
20 de maio, 2006
Jornal Nacional
e a ignorância
E está
lá. Pensei que tivesse sido apenas um delírio, deficiência
auditiva ou distração. Mas foi uma gafe enorme da apresentadora
Sandra Annenberg (e da equipe de redatores) no Jornal Nacional de ontem,
sábado, 20 de maio de 2005. Que não bastasse ser veiculada
para a audiência gigantesca do telejornal, está perenizada
no site
oficial do programa.
"Outra bandeira
tremulou na Terra da Copa. Depois de Togo e Costa Rica, chegou a
vez de outro país africano desembarcar na Alemanha. Disputando
o mundial pela primeira vez, os angolanos foram recebidos com muita animação."
O que mais
me impressiona não é errar. Erros acontecem, principalmente
na rotina enlouquecedora que temos nas redações (e já
pude falar melhor sobre isso neste
artigo). O que deixa estarrecido é não corrigir. É
fazer um ar blasé e seguir adiante. É ter a arrogância
de não pedir desculpas e ignorar que a desinformação
de um povo é o pior pecado que um jornalista pode cometer. (PA)
Maio de 2006
Porta-vozes
das ameaças de Rice
Na semana
passada o 'Jornal Nacional' mostrou a secretária Condoleeza Rice
vociferando ameaças de intervenção militar em paises
da América Latina, de cujos recursos naturais não renováveis
os EUA dependem profundamente, mas não querem pagar o justo valor.
Por que?
“Os EUA não
querem que lideranças latino-americanas se tornem paradigmas de
nacionalismo e de defesa dos interesses do seu povo. John Perkins mostra
bem isto em seu livro quando explica o assassinato de Omar Torrijos, que
retomou o canal do Panamá, Jayme Roldós, que nacionalizou
o petróleo do Equador, Salvador Allende do Chile, Jacob Arbens,
presidente da Guatemala, que tentava impedir que a Unite Fruit, do Bush
pai, destruísse a Guatemala e outros.”
A opinião
é da Associação dos Engenheiros da Petrobrás
(AEPET), clique
aqui para ler.
Abril de 2006
O maior
e mais bem protegido partido político do Brasil
Intrigante
a cobertura do Jornal Nacional (TV Globo) desta quarta (12/4/2006) sobre
as conclusões procurador-geral da República, Antonio Fernando
de Souza, acerca do caso mensalão. Souza utilizou expressões
como “quadrilha” e “organização criminosa” para se referir
à iniciativa de dezenas de pessoas de utilizarem seus cargos com
o objetivo de dar “continuidade do projeto de poder do Partido dos Trabalhadores,
mediante a compra de suporte político de outros partidos”.
O JN fez um
quadro explicativo, bastante claro e objetivo, para fazer com que todos
os Homers, Lineus, Marias e Joãos “entendessem” que os principais
operadores do mensalão eram ex-dirigentes do PT e um importante
ex-chefe de Estado petista (José Dirceu).
Eis um “detalhe”
que o JN não vai dar: na denúncia, de 136 páginas,
Antonio Fernando afirma que o esquema foi inaugurado em 1998, na campanha
de reeleição do senador Eduardo Azeredo (PSDB) ao governo
de Minas Gerais1. Por algum motivo, mesmo o tucano tendo
sido até o momento da primeira denúncia o presidente do PSDB
– aquele partido do candidato que pretende dar um “banho de ética”
no PT –, Azeredo não consta da lista de denunciados. Bem como o
banqueiro cheio de bons amigos Daniel Dantas2, um dos
maiores abastecedores do Valerioduto. E ninguém no JN teve a brilhante
idéia de pelo menos questionar se o procurador-geral não
estaria partidarizando a disputa.
Aliás,
por falar em PSDB, por algum motivo o JN também decidiu não
dar destaque ao roubo, noticiado pela Folha Online, de documentos que poderiam
incriminar... Geraldo Alckmin.
Segundo o registro3,
o escritório político do corregedor da Assembléia
Legislativa de São Paulo, deputado Romeu Tuma Júnior (PMDB),
foi arrombado na segunda-feira (lembrando que hoje é quarta). Vários
documentos que eram guardados no escritório foram furtados, entre
eles os que fazem parte do processo que apura possíveis irregularidades
no direcionamento das verbas publicitárias do banco estatal Nossa
Caixa. Também foram levados, em uma incrível coincidência,
os documentos do processo que apura possíveis irregularidades na
doação de peças do estilista Rogério Figueiredo
para a ex-primeira-dama Lu Alckmin.
Segundo
o delegado titular da 36º DP (Paraíso), Mário Carvalho,
as características do furto diferem de outros arrombamentos a escritórios
registrados na região: “Os ladrões não levaram objetos
de valor, como computadores, mas apenas documentos”. Entre as entrevistas
do deputado Tuma Júnior está o ex-gerente de marketing da
Nossa Caixa, Jaime de Castro, responsável pelas denúncias
sobre a existência de um suposto direcionamento político de
verbas de publicidade da Nossa Caixa para deputados estaduais.
Em outras palavras,
a denúncia é sobre a utilização de cargos
de confiança para a compra de deputados com fins políticos.
O objetivo: melhorar a imagem do Governo do Estado utilizando meios de
comunicação beneficiados pelo esquema... Alckmin, governador
de São Paulo, é candidato à presidência da República
e promete dar um “banho de ética” se chegar ao cargo.
Por algum motivo,
o JN decidiu não dar destaque e acompanhar mais atentamente
ao assunto.
Isso nos mostra
um pouco sobre a ‘imparcialidade’ e ‘seriedade’ do JN, ora em campanha,
na defesa dos interesses privados e políticos das Organizações
Globo, o maior e mais bem protegido partido político do Brasil..(GB)
NOTAS
___________________________
1 “Para procurador,
‘organização criminosa’ operou mensalão”, jornal Folha
de S. Paulo, 12/4/2006
2 Thiago Domenici,
“Daniel Dantas, ainda!”, Fazendo
Media, 22/12/2005
3 “Documentos
do caso Nossa Caixa somem depois de arrombamento”, Folha
online, 12/4/2006
29 de março,
2006
Para variar
“O que eles
dizem não importa muito. O que assusta os americanos é que
eles não falam inglês”. Assim começou a matéria
do JN desta quarta (29/3) sobre o protesto de imigrantes nos Estados Unidos,
contra algumas medidas do governo.
E foi isso
mesmo: os manifestantes ficaram sem voz. Não podemos comentar, porque
não sabemos o posicionamento do povo. A cada vez, a cada edição,
este nível de insensibilidade continua a me impressionar..(GB)
21 de março,
2006
Migração
de estigmas
“Seis colombianos
foram presos” e tem droga no meio. A nota do JORNAL NACIONAL desta terça
(21/3) tem duas ou três frases, sendo que a última é
“um brasileiro também foi preso”. Ao refletir, o leitor poderá
questionar porque o brasileiro é destacado (“também”). Além
disso, é incomum o número de vezes que os imigrantes aparecem
de forma negativa na imprensa. Quando aparecem, é no noticiário
policial. Bolivianos? Em São Paulo, no trabalho servil. Colombianos?
Traficantes, de passagem. Angolanos? No Rio, à margem da lei. Podemos
facilmente chegar à conclusão que, sendo imigrante, lá
vem problema. Não é a realidade (veja em www.consciencia.net/etni-cidade),
mas é como se fosse. Afinal, deu na TV..(GB)
* *
*
Manda quem tem juízo.
E dinheiro
Segundo o
Dicionário Aurélio Buarque de Holanda, ética é
“o estudo dos juízos de apreciação que se referem
à conduta humana susceptível de qualificação
do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade,
seja de modo absoluto”. O JORNAL NACIONAL, como qualquer outro programa
jornalístico, entende por ética o que bem entender, e cabe
ao público julgar, de forma crítica, este entendimento. De
maneira correta, o JN fiscalizou o poder nesta terça (21/3) ao denunciar
abuso de poder de um general que quis (e conseguiu) entrar em um avião
só porque era general, no começo de março.
O JN, no entanto,
não achou necessário, iniciando 2003, registrar que a Comissão
de Ética Pública da Presidência isentou o atual presidente
do Banco Central e maior representante do mercado financeiro no governo,
Henrique Meirelles. Ele esteve presente nas análises da Comissão
por ser ex-empregado do Banco de Boston e possuir uma aposentadoria de
750 mil dólares ao ano, algo em torno de R$ 250 mil por mês.
A lembrança não é gratuita: detentor de uma respeitável
ficha de suspeitas por crimes no sistema financeiro, Meirelles não
tem a atenção que recebem alguns de seus colegas de Brasília.
Ah, só para registrar, Meirelles é do PSDB..(GB)
* *
*
Rapidinha (de verdade)
O senador
Eduardo Azeredo, do PSDB mineiro, é suspeito de alguma coisa que
não deu para enteder, de tão rápido que foi uma nota
sobre sua campanha, ou gestão, no governo do Estado de Minas, ou
no Senado. Menos de dez segundos, não consegui entender.
Já para
a história do caseiro que teve seu sigilo quebrado pela Caixa Econômica
Federal, mais de um minuto e, para variar, a “oposição” do
PSDB/PFL exigindo ética....(GB)
8 de março
JN e os
crimes contra o bom jornalismo no campo
Falassem o
que for, não importa. O JN desta quarta (8/3/2006) tinha obrigação
moral de citar as razões para que os milhares de trabalhadores e
trabalhadoras rurais fizessem o que fizeram na ação no Rio
Grande do Sul contra a Araracruz Celulose. Nenhuma palavra sobre a expansão
da monocultura de eucalipto. Esta atividade vem crescendo vertiginosamente
e, segundo as agricultoras presentes na ação, tem transformado
a região em um deserto
verde improdutivo do ponto de vista da soberania alimentar..(GB)
* *
*
Roberto Brant
(PFL, ex-ministro de FHC), R$ 102 mil no Valerioduto, absolvido pelo plenário
da Câmara em 8/3/2006, apesar de ter sua cassação recomendada
pelo Conselho de Ética. Luizinho, 20 mil reais, está para
ser julgado..(GB)
Fora-da-lei
Mais um
crime contra a Constituição Federal
Uma concessionária
de serviço público usou outorga na última terça
(31/1) para defender seus interesses privados. E ex-empregado não
deixa dúvidas sobre quais interesses representa. Você sabe
de quem estamos falando? Leia sobre a TV Digital em
nossa revista e veja este
vídeo. Fica a pergunta: quem fiscaliza mais este crime contra
a Constituição Federal de 1988?.(GB,
1/3/2006)
15 de fevereiro, 2006
Submarinos
amarelos
A Rede Globo,
capitaneada pelo conhecido posicionamento de seu executivo Ali Kamel, não
podia deixar passar essa pérola sobre o sistema de cotas em universidades
federais públicas. O Jornal Nacional desta quarta (15/2) fechou
a matéria sobre o tema com o depoimento de um “especialista” da
UFRGS, que depois de gritar (bem alto) a palavra “demagógico”, soltou:
“O sistema de cotas [para negros e indígenas] criará um problema
que não existe, que é obrigar as pessoas a se diferenciar
pela cor”. O nobre ouvinte do telejornal global – seja Lineu, seja Simpson
– ficou a ver navios quanto ao posicionamento pró-políticas
afirmativas, excluído do vídeo. Se bem que eu considero mais
vantajoso ficar a ver navios do que submarinos amarelos..(GB)
* *
*
Didatismo
As oligarquias
do PFL e do PSDB continuam, como mostramos por diversas vezes neste observatório,
influenciando – digamos - excessivamente a pauta do Jornal Nacional. Nesta
quarta (15/2), eis como o repórter decidiu abrir a matéria
sobre o agente financiador das campanhas de alguns tucanos e pefelistas:
“A convocação de Dimas é uma estratégia governista.
Ele quer constranger a oposição”. Perceba o didatismo da
pontuação, seguido da expressão “ele quer”, bem explicadinho.
Ao contrário
das matérias sobre o Duda Mendonça, mais recentemente, e
o Delúbio Soares et cetera, no começo da crise, que abriam
o telejornal em tom de desastre, Dimas apareceu lá para o final,
bem discreto, sem chamadas. Nada a favor da gangue que existia (ou existe)
dentro do PT e que destruiu a História de um partido de luta. Mas,
gangue por gangue, eu prefiro uma que não tenha o apoio da imprensa,
porque certamente vai ser muito mais fiscalizada e, assim, ganha a democracia..(GB)
Telejornalismo em questão
Gêmeos
de pais diferentes
“(...) A Record
investiu pesado no seu núcleo de jornalismo. Esse é um fato
positivo que temos que levar em consideração. A nova versão
do Jornal da Record promete oferecer aos telespectadores uma opção
informativa cujas principais características são a agilidade
na apresentação das notícias, com matérias
exclusivas e investigativas, além de investir em equipes de reportagem
pelo mundo afora; nada de novidade que o principal concorrente não
conheça, ou não tenha feito. Agora é ver para crer.”
Análise
de.Carlos Alberto Martins Netto, 7/2/2006,
no Observatório
da Imprensa.
4 de fevereiro, 2006
Queda x
Oscilação
Na edição
de sábado (4/2) do Jornal Nacional, foi apresentada mais uma pesquisa
de intenção de votos para as eleições presidenciais
de 2006. A referida pesquisa, a terceira de uma série encomendada
pelo jornal Folha de São Paulo, mostrava a evolução
dos candidatos nos meses de outubro, dezembro e fevereiro.
O que me chamou
a atenção foi a maneira como o então apresentador
do Jornal Nacional, Alexandre Garcia, passou a referida pesquisa aos telespectadores.
Quando aquele se referia ao desempenho tanto de Alckmin quanto de José
Serra, de dezembro de 2005 a fevereiro de 2006, ambos “oscilavam”. Já
quando o apresentador se referia ao desempenho de Lula, de outubro a dezembro
de 2005, este sofria uma “queda”. E isto não aconteceu somente uma
vez. Foram todas as vezes em que o apresentador se referiu aos candidatos
anteriormente citados.
Ora, em meio
a uma polêmica gerada em torno dos comentários de William
Bonner sobre o perfil dos telespectadores do Jornal Nacional, de que estes
mal sabiam o significado da sigla BNDES, o que dirá saber distinguir
entre queda e oscilação. Já que são tomados
tantos cuidados com a forma como a notícia é passada ao público,
como li na carta resposta de Bonner para Laurindo Leal Filho, porque então,
no meu modo de entender, houve um deslize tão grave?
O dicionário
Michaelis apresenta o seguinte significado para a palavra oscilar: “Mover-se
alternadamente de um para outro lado” – o que definitivamente não
era o caso. Já a palavra queda significa “ação ou
efeito de cair”, o que se aplicaria aos três candidatos, em ocasião
se suas alterações de uma pesquisa para a outra, nos referidos
períodos.
(Henrique
Massard da Fonseca)
26 de janeiro, 2006
Jornal Nacional
se renova para continuar o mesmo de sempre
Artigo de
Gustavo Barreto e Pedro Aguiar, publicado inicialmente no Fazendo
Media e posteriormente no Observatório
da Imprensa.
Parece que,
na última segunda-feira (23/1), William Bonner voltou das férias
com as energias (e ideologias) renovadas. Nas últimas edições
do Jornal Nacional, o âncora-editor tem carregado na dramaticidade
da locução e na ordem da edição das matérias.
Nesta quinta-feira (26/1), ele e sua esposa-colega apresentaram, aos sorrisos,
uma parceria entre uma orquestra e a bateria de uma escola de samba. A
mesma tática de dramatização foi adotada e abandonada,
há cerca de 8 anos, depois de um episódio em que Fátima
apresentou o nome do jogador de futebol Sonny Anderson, então escalado
para a seleção brasileira e, em seguida, Bonner soltou um
sarcástico e ensaiado "Quem?!".
Mas as mudanças
no telejornal começaram ainda nas férias do Casal 20 – ou
melhor, Casal 20h15. Desde o início do ano, o noticiário
do horário nobre da Rede Globo reformatou sua estrutura, apresentando
um primeiro bloco inteiriço de 30 a 35 minutos sem intervalos. Matérias
mais "quentes" têm sido jogadas para o final, em detrimento de outros
temas menos urgentes. Na segunda-feira passada, a CPI do mensalão
foi ao ar no último bloco, enquanto uma reportagem-ensaio poético
de Neide Duarte sobre o cenário urbano de São Paulo entrou
no meio do "espelho".
Tudo indica
que as alterações foram feitas para segurar a audiência
contra a ameaça do momento, a telenovela "Prova de Amor", da Record.
No último sábado (21/1), a Folha de S.Paulo noticiou uma
estranha mudança repentina no IBOPE. Na medição prévia
feita na Grande São Paulo, na quarta 18, "Prova de Amor" chegou
a abrir quatro pontos de vantagem sobre o “JN” (25 a 21 pontos, às
20h30). No relatório com os dados consolidados, remetido pelo instituto
às redes no dia seguinte, em nenhum minuto a Record vence a Globo,
fato que provocou protestos da direção da Record. Nada foi
anunciado sobre alterações na metodologia de medição.
Valores
arraigados
O que chama
a atenção, porém, são os valores que continuam
arraigados. Talvez nenhuma assessoria de imprensa de uma entidade sionista
faria tão bem quanto o repórter Marcus Losekann, baseado
em Jerusalém, para depreciar o resultado das primeiras eleições
parlamentares nos Territórios Palestinos em 10 anos. Em vez de tratar
o Hamas, partido político vitorioso nas urnas, como tal, o JN chama
a matéria da seguinte forma: "o grupo Hamas, dos homens-bomba, surpreende
e vence as eleições...".
Na matéria
sobre a Palestina, apesar das chamadas conservadoras, o JN efetivamente
deu voz aos principais conceitos levantados pelo Hamas. Que são
mais ou menos os seguintes: a resistência armada deve ser feita caso
Israel continue nos atacando; e o processo de paz é uma falácia.
Tudo evidentemente descontextualizado. Faltou relacionar o "mapa da paz"
unilateral israelense com os bantustões sul-africanos do século
passado, imagem usada pelo Hamas em seus discursos. Ou bastaria mostrar
o mapa da paz, incluindo aí a tentativa de Oslo (1993), como forma
de demonstrar que ele simplesmente elimina qualquer avanço no processo
de paz.
É interessante
notar que a mesma notícia vai ao ar de maneiras distintas no Jornal
Hoje (no ar durante o almoço), no Jornal Nacional (horário
nobre) e no Jornal da Globo (último jornal da noite). O correspondente
é o mesmo, mas o tom muda entre os três telejornais: enquanto
JH e JN pintam o Hamas como "grupo terrorista" e não um partido
político, o JG tem lembrado que o radicalismo palestino foi fortalecido
pelas políticas opressivas e violentas de Israel.
Questões
em aberto
Diante deste
quadro, algumas questões poderiam ser desenvolvidas. A primeira
é que o direito à resistência em caso de ataques cruéis
já obteve várias aprovações da ONU, no Conselho
de Segurança e em outros âmbitos da organização
multilateral. A segunda: se os ataques de Israel cessarem e nossas terras
– aquelas roubadas unilateralmente em 1967, contra resoluções
da ONU – forem devolvidas, pararemos com nossa resistência armada,
avisam os radicais. A reportagem do JN chega a identificar levemente que
a Autoridade Palestina é corrupta, algo que é de grande valor
e com forte conteúdo de realidade. Uma outra questão é
tentar entender porque o Hamas diz que o processo de paz é uma falácia.
Em um primeiro
momento, poderia o telespectador supor que o grupo fosse contra o processo
de paz e estivesse se retirando das negociações. Isso seria,
digamos, pedagógico, porque em um segundo momento, com pouca pesquisa,
ele veria que o Hamas sempre esteve aberto a negociações,
incluindo aí os grupos mais radicais, e passaria a entender quem
efetivamente vitima o processo de paz. A surpresa seria o aparecimento
de pessoas detentoras de prêmios Nobel da paz como empecilhos fundamentais
para as negociações.
Mas será
que Homer Simpson (tal como Willian Bonner identifica carinhosamente parte
de "seus" telespectadores) irá entender o que são "ataques
de Israel"? Ele terá que fazer um esforço "homérico"
(ou simpsoniano), porque sempre que o tema Israel/Palestina (re)aparece,
vêm à mente imagens de israelenses chorando por conta de um
atentado suicida, algo efetivamente terrível e cruel. E Bonner inteligentemente
identifica essa imagem na expressão "Hamas, dos homens-bomba (...)"
(26/1/2006, expressão repetida duas vezes, nas chamadas antes dos
intervalos). Mas não há imagens de helicópteros americanos
guiados por pilotos israelenses destruindo aldeias palestinas desprotegidas.
Quando há – e já houve, em diversos e isolados momentos,
de maneira segmentada – o mundo cai na real, se mobiliza e Israel fica
sob forte pressão, avançando assim o processo de paz efetivo.
Aliás,
os telespectadores que quiserem ampliar suas referências sobre o
passado do conflito podem assistir a "Munique", o polêmico último
filme de Steven Spielberg, que estréia nesta sexta-feira, 27 de
janeiro. A produção conta a história de como agentes
israelenses gastaram milhões de dólares numa operação
para assassinar dirigentes palestinos, nem todos ligados a atentados. Como
Spielberg é uma fonte nada insuspeita, por ser judeu e hollywoodiano,
fica difícil entender por que o adjetivo "terrorista" é usado
pelo JN para o Hamas, mas não para o Mossad. Talvez seja porque
Homer Simpson não compreenderia esta associação.
Mazel tov,
William!
Diferenças
nada sutis
No mesmo dia,
também foram perceptíveis as diferenças gritantes
na cobertura entre os dois fóruns mundiais paralelos: o Econômico
e o Social. Enquanto o VT de Marcos Uchôa em Davos ressalta o prestígio
do evento, que contou com a participação de celebridades
como Pelé e Brad Pitt, a matéria do enviado a Caracas, Alberto
Gaspar, comenta que o FSM valoriza "mais discussão em si" do que
"resoluções e decisões" – o que, obviamente, é
de se esperar de um fórum. Aliás, o repórter optou
por abrir seu texto citando a "polêmica" sobre o custo de realização
do evento, sem que o mesmo seja mencionado para a outra reunião,
sediada em hotéis alpinos com teleféricos para estações
de esqui.
Dicas de Lao Tse
Como assistir
o Jornal Nacional
‘Quem conhece
a sua ignorância
revela a mais
alta sapiência.
Quem ignora
sua própria ignorância
Vive na mais
profunda solidão.
Não
sucumbe à ilusão
Quem conhece
a ilusão como ilusão.
O sábio
conhece o seu não-saber,
E essa consciência
do não-saber
O preserva
de toda ilusão.’
Lao Tse, poema
71 do Tao Te Ching
(RK)
Noblat comenta
Com medo
da novela
Espantoso!
Sem interrupção, durante quase 35 minutos, o Jornal Nacional
ofereceu há pouco notícias policiais, em seguida esportivas
e depois econômicas. Só foi para o primeiro intervalo quando
acabou na Record mais um capítulo da novela Prova de Amor. O jornal
popularizou sua pauta de assuntos e mais do que duplicou o tamanho do seu
primeiro bloco desde que a novela começou a lhe tomar pontos no
IBOPE. Comentário de Ricardo
Noblat em seu blog, 24/1/2006.
William “Simpson” Bonner
Jornalista
não pode ser cassado por quebra de decoro =)
No mínimo
curioso um dos trechos da carta
de William Bonner, se justificando por ter comparado o telespectador
padrão do Jornal Nacional com o Homer
Simpson. Bonner disse ao Observatório da Imprensa o seguinte:
“Meu discurso e minha atitude em defesa de nossa responsabilidade social
viraram armas contra mim. Ou contra o que represento. Ou contra a empresa
que dispõe de minha força de trabalho.”
E não
é que nós já ouvimos isso antes... O ex-deputado José
Dirceu, em artigo
publicado pouco antes de ser cassado na Câmara dos Deputados,
dizia que estava sendo julgado “pelo que represento na história
da esquerda, do PT e do governo Lula”. É bom lembrar que o JN,
desculpe a expressão, ‘desceu o sarrafo’ em Dirceu um dia após
sua cassação, como registrado
aqui. E se jornalista pudesse ser cassado por quebra de decoro jornalístico,
será que Bonner iria para a rua pelo que representa? Olha, esse
mundo é redondo, mas está ficando cada dia mais chato!
(GB, dez/2005)
* *
*
A Globo cria os
Homer's, sim, mas nos ensina a falar para milhões
"Bonner diz
que a linguagem que ele procura usar deve ser uma linguagem que atinja
e não afaste nem o intelectual e nem a pessoa sem escolaridade.
A Globo dele se preocupa em atingir os dois. Esta afirmação
traz à memória um outro texto da Globo que está transcrito
no livro “A História Real”, de Josias de Souza e Gilberto Dimenstein.
Estávamos em 1994, durante a campanha do FHC contra Lula. O comitê
de propaganda da campanha do tucano passou uma cartilha para FHC aprender
a falar 'para a maioria'. (...)"
Texto deVito
Giannotti,
janeiro de 2006, para o Núcleo
Piratininga de Comunicação.
Erro de avaliação
ou critério político?
Por que
Bonner ignorou Chávez?
Eliakim Araújo,
ex-âncora dos Jornais da Globo, da Manchete e do SBT e noticiarista
da Rádio JB, publicou no Direto
da Redação (DR) em 8/12/2005:
"O professor
Laurindo
cita em seu artigo o comportamento do editor-chefe ao recusar matéria
da sucursal da Globo em NY sobre a oferta do governo venezuelano para venda
de petróleo a preços mais baratos para atender comunidades
carentes dos EUA. Assunto da maior relevância naquele dia de novembro,
e neste momento quando o gás venezuelano já está atendendo
a 8 mil famílias pobres do Bronx, em Nova Iorque, como se pode ler
na coluna de
hoje do Eduardo Graça, aqui mesmo, no DR.
Não
sei qual o critério usado por Bonner para recusar a matéria.
Se foi político, é preocupante. Se não, foi um grave
erro de avaliação. Gostando-se ou não de Hugo Chávez,
temos que reconhecer sua importância no cenário político
internacional. Ele hoje é notícia em qualquer lugar do mundo.
Não só porque preside um país que é um dos
maiores produtores de petróleo, como também porque é
um dos raros líderes a enfrentar a prepotência de Bush e seu
desprezo pelas regras internacionais de convivência."
1o
de dezembro, 2005
Conta outra
No
Jornal
Nacional, principal telejornal da Rede Globo, é assim: eles
editam de acordo com o script da estorinha que querem contar. Refazer
História é com eles mesmo. A voz da oposição
de direita (“A cassação política do comandante de
toda a operação que foi montada pelo governo federal”) tem
espaço amplo. Os integrantes do PSOL que subiram no palanque eleitoral,
já de olho em 2006, acham que estão com a bola toda, ao atacar
José Dirceu (PT/SP), se unindo a gente como Jair Bolsonaro e Alberto
Goldman com igual entusiasmo. Ontem (30/11), estavam unidos pela mesma
“causa”.
O parlamentar
petista, cassado nesta quarta (30/11) à noite em decisão
polêmica, foi apresentado como um canastrão, autoritário,
mentiroso, contraditório, politiqueiro. Mas o “veredicto” (sic)
veio por um motivo: ele é arrogante. Foi, digamos, um “crime de
personalidade”.
A edição
do JN desta quinta (1/12) teve a seguinte pérola. Pegaram
um trecho descontextualizado de José Dirceu em uma audiência
pública na Comissão de Ética da Câmara. Em outros
momentos, Dirceu se saiu bem e desconstruiu argumentos confusos da oposição.
No trecho em questão, Dirceu diz que não é arrogante
e arranca risadas sinceras da “platéia”. Ou seja: ele provavelmente
foi arrogante durante sua passagem pelo Congresso. Como esse, digamos,
desvio moral foi apresentado pelo Jornal Nacional? Citando: “(...)
E a risada veio como veredicto. O ex-homem forte do planalto estava irremediavelmente
isolado”.
Os extremamente
éticos editores do JN esqueceram – puxa! – de falar sobre o que
disse Dirceu em sua defesa. Esqueceram, mais uma vez, de dar conteúdo
à edição de hoje. Ou seja: esqueceram de dizer que
não há provas concretas contra ele. Um exemplo: você
sabia que a CPMI dos Correios examinou as ligações telefônicas
de Dirceu e não encontrou nenhuma chamada feita ou recebida de telefones
de Marcos Valério? (...) Continua
5 de novembro, 2005
Cúpula
da cúpula versus cúpula dos povos
O presidente
Vicente Fox está perdidinho. Defendeu na sexta (4/11), durante a
4ª Cúpula das Américas em Mar del Plata, a Área
de “Livre Comércio” (ALCA) sem a presença do MERCOSUL, que
se opõe parcialmente ao projeto, e da Venezuela. No dia seguinte,
deu coletiva de imprensa elogiando o Mercosul. "O Mercosul é um
bom exemplo de comércio. Se não fosse um sucesso, não
estaríamos batendo na porta para entrar". Uma vez no bloco, entraria
em profunda contradição com a barbeiragem econômica
que seu país realizou ao se tornar quintal dos Estados Unidos, com
a entrada na “NAFTA”
em 1994.
O caso, segunda
a Agência
Brasil, é meio freudiano. Vicente Fox afirmou que tem um “caso
de amor” tanto com o Mercosul como com a Alca. "Meu amor é amplo
e total pelos dois acordos de livre comércio. Se não existir
o ‘sim’ (do Mercosul) à minha proposta de casamento, continuarei
fazendo amor com o Mercosul e com a Alca".
Verissimo escreveu
certa vez, citando Groucho
Marx: "Groucho como general, cercado por generais, diante de um mapa
de campanha: 'Uma criança de 3 anos entenderia isto.' E depois de
uma pausa: 'Chamem uma criança de 3 anos, rápido'." Ele argumenta
que uma criança de 3 anos teria dito ao Bush que a invasão
do Iraque daria nesse atoladouro, assim como é fácil notar
que abrir o mercado de um país com indústria fraca à
maior potência do mundo sem contrapartidas significativas que agreguem
valor resultaria em um desastre sem precedentes, não só com
aumento da pobreza mas também com aumenta da desigualdade social.
* *
*
Jornalismo sem conteúdo
O tom do JORNAL
NACIONAL, principal jornal da TV Globo, na edição do
sábado (5/11) era o de que “não havia acordo”, “não
foi divulgado documento”, “eles não se entenderam” e por aí
vai. Faltou colocar a crítica objetiva ao livre comércio,
muito presente no encontro. Como sugestões de fontes, podemos citar
muitos economistas independentes brasileiros, como Márcio Pochmann
e Paulo Nogueira Batista Jr., o presidente da Venezuela Hugo Chávez
ou até mesmo o presidente da Argentina, Nestor Kichner. Ao final
da edição, quando o documento havia saído, destacou
que havia dois parágrafos divergentes, um com o posicionamento dos
países do Mercosul e da Venezuela (que é membro associado
juntamente com Bolívia, Chile, Equador, Colômbia e Peru) e
outro com a posição de outros 26 países.
A imprensa
costuma fazer manchetes como a do Globo
Online de hoje (5/11): “Cúpula das Américas não
consegue acordo sobre a Alca”. A insistência no tema da Alca ignora
o fato de que ela está morta, é inviável tal como
foi proposta e, se houver mudanças significativas, os países
do Norte não vão aceitá-la. Sua repercussão
na mídia só é possível porque estes são
os objetivos dos países ricos, que constantemente pautam a grande
imprensa.
* *
*
Estereótipos
para ludibriar
As imagens
dos protestos, tanto na Argentina quanto em São Paulo, são
sempre com foco na violência – cujos culpados seriam os manifestantes.
A polícia, mais uma vez, apenas “reagiu” às “pedras” jogadas
pelos manifestantes. É uma forma de dizer que quem reclama nas ruas
não tem argumentos. É algo que pega: homens de ternos, mesmo
que menos capazes que crianças de 3 anos, são sérios,
enquanto pessoas nas ruas que gritam por independência sabendo do
que falam não. (GB)
3 de novembro, 2005
Falta credibilidade
O JORNAL
NACIONAL não tem nenhuma autoridade para falar de José
Dirceu. Na edição desta quinta (3/11), mostrou mais uma vez
que faz campanha contra o ex-ministro. Dirceu nunca foi santo, mas não
se pode aderir, só por causa disso, a perseguições
com interesses obscuros que só desinformam a população.
Se Dirceu é culpado, saberemos. Mas, pelo JN, ele já estaria
na forca há meses. (GB)
2 de novembro, 2005
Duas notícias
Boa noite.
Temos duas notícias na edição desta noite. Uma boa,
uma ruim. A ruim é que, mais uma vez, o JORNAL NACIONAL,
principal produto comercial da TV Globo, tentou distorcer grosseiramente
os avanços políticos da Venezuela. Fátima Bernardes
faz chamada na edição de 2/11/2005, antes do ‘comercial’:
“Você vai ver (...) porque a Venezuela de Hugo Chávez provoca
tanta
preocupação”. Depois do intervalo, distorce, distorce e distorce.
E distorce mais um pouco.
Diz que há
mais pobreza (70%, “em crescimento”), que a democracia é fraca,
que não há transparência. Distorce, distorce e distorce
mais um pouco. Por que, afinal, Fátima Bernardes acha que Chávez
“provoca tanta preocupação”? Porque o presidente da guerra,
George W. Bush, está na área e irá à Argentina,
para a IV Cúpula das Américas. Bush faz sua primeira viagem
de seu segundo mandato (na verdade, o primeiro conquistado no voto), quando
visitará, a partir desta quinta (3/11), Argentina, Brasil e Panamá.
O
"mundo" do JN é um..
tanto quanto
distorcido..
A
democracia terrivelmente em crise da Venezuela convocou a população
não para perguntar coisas inúteis, como “você quer
armas ou não”. A pergunta foi objetiva: você quer ou não
quer que esse “ditador inescrupuloso” que seria Chávez fique no
poder? Sem confusão nem retórica: o homem fica ou não
fica? O “ditador”, imagina só, venceu bonito (desculpe a expressão,
mas é isso mesmo). Todos os organizadores internacionais que acompanharam
o processo reconheceram o exemplo. Não é minha intenção
retomar dados que já se divulgou aos quatro ventos. Imagina qual
seria o resultado do mesmo referendo na democracia norte-americana, que
o JORNAL NACIONAL não questiona. Ou, imagina!, no Brasil.
O caos social
e a imprensa
E por que a
patrulha ideológica do JN acha que a Venezuela está
equivocada em suas políticas governamentais? Por que lá,
dizem, tem 70% de pobreza e isso só aumenta. Fontes? Para quê?
Bobagem, jornalismo ‘moderno’ não tem isso não. E não
tem transparência lá naquela republiqueta, sabia? Fontes?
A oposição que financiou e preparou o golpe. A mesma que
grita ‘liberdade’ contra supostos avanços do governo sobre os meios
de comunicação e que provocou guerras e incitações
ao caos antes e durante o golpe de 2002. E os governos anteriores a Chávez,
o que fizeram? Nada disso veremos no JORNAL NACIONAL.
Juntos, os
grupos Abril [veja referência abaixo] e Globo, por meio de
seus principais produtos comerciais, preparam (ou tentam) o público
brasileiro para saudar George W. Bush em sua investida pelo “livre” comércio.
Ele quer – veja só – reforçar a democracia. A notícia
boa? A consciência política é uma característica
pessoal e intransferível e, uma vez que o cidadão é
autônomo e livre dos tiros ideológicos da grande imprensa,
inimputável. Além disso, esquece o JORNAL NACIONAL,
pode ser uma consciência de classe que, mais dia menos dia, dirá
NÃO a manipulações grosseiras e propagandas ideológicas
repletas de mentiras. (GB)
___________________
Leia também:
Abril
parceira do capital especulativo (29/10/2005)
15 de outubro, 2005
Apropriação
de discurso
Para o JN,
o "grande sonho" do Betinho é "mesa farta" no país inteiro
"pelo menos no Natal". Vergonha deveriam ter os coordenadores do Natal
Sem Fome, que permitem que o sonho do sociólogo Herbert de Souza
seja transformado nessa idéia cega e medíocre de que a ação
social pode ser dissociada da ação política, mero
assistencialismo. (GB)
20 de agosto, 2005
Palocci
é "do bem"
Pelo segundo
dia seguido, o JN exibiu o vídeo de Buratti em depoimento
à PF sobre o suposto recebimento de propina para o PT, via o atual
ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Tratou de ouvir pessoas encarregadas
da investigação, que negaram o envolvimento do então
prefeito de Ribeirão Preto.
O senador Romeu
Tuma pediu um "aprofundamento" das investigações - pelo bem
do mercado, subentende-se - bem diferente do que ocorreu com José
Dirceu, quando a oposição fez de tudo para envolvê-lo.
(GB)
26 de julho, 2005
Os pesos
que cada um merece
É claro,
óbvio, evidente que Fernando Henrique Cardoso não poderia
ficar de fora do Jornal Nacional de hoje (26/7). Pela manhã,
o jornal O GLOBO estampou na
primeira página a manchete "Esquema de Valério com PT
foi usado em 1998 com PSDB-MG".
Perceba dois
"detalhes" que de detalhes não têm nada. Primeiro, a repetição
da idéia largamente repetida "Esquema de Valério com PT",
mesmo que a reportagem tenha como foco principal o PSDB. E a segunda, e
mais revelante, é o "MG", para designar que o problema seria com
o PSDB de Minas Gerais. Afinal, o senador envolvido (Eduardo Azeredo) não
é presidente nacional do PSDB?
Para os que
acham que trata-se de mais uma "neurose", caiu bem a conclusão mais
tarde do raciocínio global de que, quando é do PT, devemos
generalizar, mas quando é do PSDB, vamos avaliar caso a caso. Foi
exatamente esta a fala do ex-presidente Fernando Henrique, que "defendeu
investigação" em problemas onde quer que existam, "em Minas,
no Rio, em São Paulo", mas argumentou que hoje, "o que estamos vendo
é algo sistemático, liderado pelo partido do governo". Pareceu-me
uma resposta editorial do próprio JN, que nesse caso utilizou
como porta-voz um possível atingido e colunista do... jornal
O GLOBO.
Outro detalhe:
o Aécio Neves, tido como possível beneficiado, sumiu. E mais:
o JN também preferiu omitir outra informação
do próprio O GLOBO de hoje, que liga Marcos Valério ao ex-prefeito
de Vitória, o
tucano Luiz Paulo Velloso Lucas. E se fosse ex-prefeita de São
Paulo, ou ex-prefeito de Recife? (GB)
* *
*
Desnecessário
A edição
de hoje (26/7) poderia ter passado sem a cena em que um radical islâmico
começa a defender, em Londres, a ação dos homens-bomba
e é preso em seguida.
Digo cena porque
é, de fato, um jogo de cena. Posso imaginar inclusive que estava
ali, pertinho do homem, um outro islâmico pregando o entendimento
entre os povos e a inter-religiosidade. Daí aparece um maluco, fala
da guerra santa e os repórteres gritam: "Ei, gente, tem um
soldado de Alá falando!". E correm para cima dele com câmeras
e toda a atenção do mundo.
Dizem que é
próprio do ser humano. Mas o JN poderia ter passado sem essa. (GB)
Não importa o
conteúdo
"Desculpem-me os anti-Globo,
mas o JN tem tudo para fazer o melhor jornalismo do País. E o faz!
Para seu público-alvo, o conteúdo das notícias não
importa, mas sim a qualidade técnica, a imagem e som, e isso o JN
faz como ninguém. No caso da Guerra, a emissora montou um charmoso
estúdio virtual sob o comando de Vinícius Dônola, sem
contar as transmissões tremidas de Marcos Uchôa, no Kuwait.
É a guerra da tecnologia, vencida pelo JN. (...) Que o JN tem muitos
erros, manipulações, inserções publicitárias
e censura do patronato, isso é indiscutível. Mas, qual telejornal
não é assim? Jornalismo e entretenimento: é disso
que o povo gosta! Então pra que discutir? Afinal, a voz do povo
é a voz de... Marinho?"
Por Fernando Torres, no
Canal
da Imprensa.
Consciência.Net |
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Observatório
do diário televisivo de maior repercussão do país.
Chega a atingir 40 milhões de pessoas e tem um poder de repercussão
que pode atingir qualquer cidadão, entidade ou governo.
.
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Especiais
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William Bonner:
meio Homer, meio Lineu
Apresentador
compara telespectadores do Jornal Nacional a personagem da série
‘Os Simpsons’ e pai em ‘A Grande Família’. Leia aqui com compilação
preparada pela redação, em dezembro de 2005. (clique
na imagem)
.
“É como tomar um calmante
depois de um dia de trabalho”
Dito pelo
General Médici, ex-ditador brasileiro, nos anos 70, sobre o noticiário
da TV Globo
Recordar
é viver
Arnaldo Jabor
apareceu com uma banana no 'Jornal Nacional' saudando o golpe na Venezuela
(2002) e dizendo que agora sim, agora estavam desbananizando a América
Latina... (Dica de Renato
Rovai) |