Observatório do Jornal Nacional
www.consciencia.net/jornalnacional
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William Bonner e Fátima Bernardes, apresentadores
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# 02/02/2008
Jornal Imperial

"Recriando a realidade à sua maneira e de acordo com os seus interesses político-partidários, os órgãos de comunicação aprisionam os seus leitores nesse círculo de ferro da realidade irreal, e sobre ele exercem todo o seu poder" (Perseu Abramo, em 1988, em texto publicado no livro Padrões de manipulação na grande imprensa - Editora Fundação Perseu Abramo). Era terça-feira, dia 29 de janeiro. O Jornal Nacional veiculou três reportagens consecutivas: 1) "Crise nos EUA", com o viés estritamente econômico, como isso pode se alastra no mundo e etc., sem questionar o modo de produção capitalista em nenhum momento; 2) "Como é ruim viver em Cuba". Imagens de pessoas tentando chegar de barco aos EUA e depoimento dos 'sortudos' que conseguiram dizendo coisas do tipo (sem exagero): "Cuba é um inferno, aqui (EUA) é a terra da liberdade"; 3) "Assalto a banco na Venezuela". Sim, sim. Isso mesmo. Um assalto a banco na Venezuela virou notícia no JN, que é onde o Bonner diz transmitir em 30 minutos o que de mais importante aconteceu no Brasil e no mundo. E se fosse no Nepal? (Por Marcelo Salles, do Protoblog). [+]


Mais demissões
ENTREVISTA # 12/04/2007
O avanço da censura na TV Globo

Rodrigo Vianna: ex-repórter da TV Globo, demitido após se recusar a assinar um abaixo-assinado defendendo a cobertura eleitoral da emissora, fala com exclusividade ao Fazendo Media e confirma que, de fato, existe interferência política no Jornal Nacional. No final do ano passado, Rodrigo denunciou as distorções praticadas pela TV Globo para prejudicar a campanha de Lula e favorecer Geraldo Alckmin. Mas não aconteceu apenas durante as últimas eleições. Concedida a Marcelo Salles.

CAÇA ÀS BRUXAS # 23/03/2007
Globo demite editor de economia do Jornal Nacional

Marco Aurélio Mello, editor há quatro anos do principal jornal da emissora, foi demitido por seu trabalho “não ser mais compatível” com a empresa. Em outubro, ele foi um dos jornalistas que se recusou a subscrever o abaixo-assinado em defesa da cobertura da Globo das eleições presidenciais. Matéria de Bia Barbosa na Carta Maior; via Portal Vermelho.

Jornalismo em questão
01/11/2006
População critica cobertura; Globo faz abaixo-assinado pra se defender

Protestos contra atuação da mídia nas eleições saíram das críticas na internet e chegaram às ruas, como nas manifestações durante a festa da reeleição de Lula. Para defender sua cobertura, chefia da Globo colocou abaixo-assinado "à disposição" dos jornalistas. Por Bia Barbosa, da Carta Maior..[+]

01/11/2006
É ignorância, militância ou crueldade?

Cabe a nós, jornalistas, classificar a crueldade “A” como operação e a crueldade “B” como ataques terroristas? Nenhum editor saberá humanizar a pauta e parar de quantificar vítimas de uma lógica perversa? Por Gustavo Barreto..[+]

Polícia Federal
Ouça gravação do delegado Bruno sobre o Jornal Nacional
Ouça a íntegra da gravação da conversa do delegado da Polícia Federal Edmilson Pereira Bruno com os jornalistas na hora em que ele entregou o CD com as fotos do dinheiro apreendido com petistas para a imprensa. Os jornalistas que participaram dessa conversa são: Lilian Christofoletti, da Folha de S. Paulo; Paulo Baraldi, do jornal O Estado de S. Paulo; Tatiana Farah, do jornal O Globo e André Guilherme, da rádio Jovem Pan. Clique aqui para ouvir ou leia a íntegra da reprodução em texto.

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O “interesse público” da TV Globo
Ali Kamel, que não gosta de mentiras, considera “interesse público” um ato político e ilegal de um delegado da Polícia Federal, útil para o jornalismo “imparcial”. Por Gustavo Barreto, 22/10/2006

“Eu vou confiar em vocês. Vai parecer que alguém roubou e vazou para a imprensa. Mais ninguém tem isso aí, só eu. Nem o superintendente (...) Quando vocês passarem na TV, pessoal, tira o nome da Protege e tira essa data aqui (...) vou chegar para o superintendente e falar, “doutor, fui furtado, mas já falei com os repórteres, ninguém sabe de nada, mas eu to desconfiado, sabe como é, não dá pra confiar em repórter, não dá mesmo”. Agora eu conto com vocês, porque podem abrir uma sindicância contra mim, um processo.”

“Agiram mal a TV Globo e toda a imprensa ao divulgar as fotos? De maneira alguma, elas eram de extremo interesse público.”

O primeiro é o Delegado da Polícia Federal Edmilson Bruno, pessoa de bem, pessoa da lei, que não tinha intenções políticas.

O segundo é Ali Kamel, chefão na TV Globo, um cara super ético e que nada tem contra o PT ou a favor do PSDB. Super imparcial. Ele defende Edmilson Bruno. Kamel não admite que estava fazendo o jogo sujo de Edmilson porque “em nenhum momento dissemos que os CDs por nós obtidos eram fruto de furto ou roubo”. Não é um rapaz que gosta de mentira.

Só não diz por quê a TV Globo ainda não mobilizou um repórter para investigar a Operação Sanguessuga na gestão FHC, responsável pela liberação de 70% das ambulâncias da Planam. E por que Abel Pereira continua tranqüilo, sem ser incomodado pela imprensa apesar do envolvimento em suspeitas que se multiplicam, enquanto o ex-assessor do presidente Freud Godoy, inocentado pela Polícia Federal e por alguns destacados colunistas da imprensa, foi previamente linchado.

“Não seja tão subserviente. O patrão não te pede tanto” é o conselho de Paulo Henrique Amorim a Kamel. Que o Papa o ouça..(GB)

Coréia do Norte
Ameaça nuclear causa pânico no Jardim Botânico
A Coréia do Norte assusta tanto assim? Ou será que é apenas parte da mídia brasileira que está fazendo um escarcéu? Por Pedro Aguiar, 18/10/2006
Imagem: Wikipedia; clique aqui
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Desde segunda-feira, veículos de imprensa por aqui alardeiam em manchetes e títulos garrafais que a “última ditadura stalinista do mundo” conseguiu desenvolver uma bomba nuclear de verdade, o que “ameaça a paz na região” e “traz de volta o fantasma da guerra atômica”. Está no Jornal Nacional, n'O Globo, e até no Extra – curiosamente, todos veículos de um mesmo conglomerado. Até o “Globinho”, suplemento infantil, traz esta semana uma matéria supostamente educativa sobre o “perigo”, o “temor” e o “pânico” causados pelo fato “no planeta inteiro”.

Entretanto, não é isso que estou vendo pelos outros jornais do mundo afora. De fato, o teste nuclear bem-sucedido da República Popular Democrática da Coréia foi destaque em boa parte da imprensa internacional, porém com outras proporções e seguramente com outro tom. Em geral, publicou-se que a estratégia de Kim Jong-il para garantir a defesa interna de seu regime se fortaleceu mas que, por outro lado, a esperança norte-coreana de endurecer as negociações para retomar os suprimentos de ajuda externa (principalmente comida) foi, de certa forma, frustrada.

O tiro saiu pela culatra porque Europa, Japão e até a vizinha/aliada China, em vez de se assustarem e cederem, responderam na mesma altura. Assim, o que Kim conseguiu foi, na prática, tornar pior para ele a boa vontade da comunidade internacional em enviar comida a preço subsidiado (quando não de graça). Ninguém está falando em invadir a Coréia há pelo menos 50 anos. O que a RPDC quer é alimentar o seu povo.

Mas... pânico? Medo de que caiam novas bombas sobre o Japão? Que um míssil intercontinental atinja o território estadunidense? Que a tão proclamada estabilidade no Leste Asiático seja desfeita por um tirano ensandecido munido de armas de destruição em massa? Que o pesadelo da hecatombe nuclear ressuscitou?! Que vamos todos morrer, aarrgghhh???!!

Não, isso não.

Ninguém tem dúvidas de que Kim Jong-il seja um estadista pouco confiável, um personagem complicado no cenário diplomático e, muitas vezes, caricaturado e ridicularizado. As lendas urbanas de que ele é um aficcionado pelo Patolino e que tem uma videoteca de mais de 15 mil filmes são repetidas várias vezes na imprensa deste lado do mundo – embora menos no Brasil. Mas não é por isso que haveria o risco de um conflito nuclear.

Apelo à paranóia
A bomba atômica da Coréia do Norte, se existe mesmo, é como aquela que o Enéas defendeu para o Brasil, em 1998: é para ser guardada, não para ser usada. É uma carta na manga. E nada garante que o país tenha tecnologia e combustível para produzir mais de uma; quem sabe eles não detonaram a única que tinham? A questão que o William Bonner parece não ter entendido é que a bomba é um fato diplomático, não bélico. A não ser que saia do férreo controle da Idéia Juche, essa bomba não vai estourar em lugar nenhum.

Até esta semana, o único espaço em que a Coréia do Norte representava uma real ameaça global é no (pen)último filme do James Bond. E, a partir de agora, também na Globo. A paranóia levantada pela mídia dos Marinho tem parecido muito mais o velho apelo ao patético para vender jornal e ganhar audiência – sintoma de quem não tem matéria-prima para fazer bom jornalismo.

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Pedro Aguiar é jornalista.
Especiais
Caravana JN já definiu como governar o Brasil
Iniciada em 31 de julho, a série “Desejos do Brasil” fez Pedro Bial visitar cidades longe dos grandes centros. Começou por São Miguel das Missões (RS). O repórter explica que foi lá que “há mais de três séculos, promoveu-se uma das mais ousadas experiências socialistas da história”. Ele refere-se às missões jesuítas, e diz que tal como “o comunismo”, elas “tinham caráter totalitário”.

Mas, a jornada do ônibus global não vai fazer considerações ideológicas explícitas. Não voltará mais a falar de socialismo e comunismo. A emissora sabe que esse debate não está em pauta. Não será ela que vai trazer os temas de volta. Tem uma certeza confirmada pelas mais fortes candidaturas das eleições em disputa. A de que não existe nada além do pensamento único neoliberal.

É mentira ou aventura tudo o que não reafirma “verdades” como “rigor fiscal”, “superávit primário”, “respeito aos contratos”, “pagamento em dia da dívida pública”, “déficit da previdência”, “custo Brasil”, “encargos trabalhistas exagerados” etc. (...)

Leia texto de Sérgio Domingues no Mídia Vigiada, em outubro de 2006.

Eleições 2006
Lula, o ego
Por Lúcio Flávio Pinto em 29/8/2006

William Bonner me deu uma felicidade que há muito tempo não tinha diante de um aparelho de televisão. Invejei-o na entrevista com o presidente Lula para o Jornal Nacional. Eu não conseguiria sustentar a justa pressão que ele exerceu sobre o ensaboado entrevistado, perguntando quase tudo que gostaríamos que perguntasse ao mais lídimo representante do povo que já chegou à presidência da República.

A entrevista não devia ter sido feita no Palácio da Alvorada. Como os demais que o antecederam, Lula tinha que ir ao estúdio da TV Globo. Não é improvável que o apresentador do programa de maior audiência da televisão brasileira tenha recebido recados e instruções. Mas, pesados os prós e medidos os contras, consideradas todas as circunstâncias, seu desempenho foi um dos melhores momentos do jornalismo televisado do país.

Bonner acuou Lula, como um jornalista deve acuar um poderoso arisco e matreiro. Sem grosserias e inconveniências, ele foi duro na medida certa do respeito sem subserviência. Cortou o entrevistado quando ele ameaçava desviar o assunto, replicou respostas e colocou-o numa cadeira igual, mas incômoda, ao tratá-lo sempre de "candidato", numa saudável presunção de que tudo que falar é relativo, sujeito a confirmação. Não deixou que a mulher, Fátima Bernardes, contemporizasse ou passasse a outro tema menos candente do que a corrupção.

Nobres predicados
Lula não falou sobre seus planos, é verdade. Mas como podemos levar a sério o que promete sem um entendimento preliminar sobre o princípio da credibilidade, que é pressuposto? William Bonner deu aos telespectadores a oportunidade de constatar que falta ao presidente uma condição do líder: respeitar a própria liderança.

Mais uma vez Lula transferiu a responsabilidade pelos problemas aos subordinados, como se nenhum deles, quando comete erro grave, cumpre suas ordens, sempre norteadas pelo primado da exação. O presidente é um chefe que esconde a mão quando a pedra atirada quebra a vidraça. Em seu governo não há cadeia de comando. Logo, o comandante é um bufão, um fantoche.

Lula também não tem qualquer compromisso com a fidelidade aos fatos. A história jamais se consolida em sua boca. Ele a reelabora tantas vezes quantas forem necessárias e conforme os enredos mais disparatados, desde que se preserve sempre, como o líder perfeito, impoluto, imaculado. É incapaz de admitir o erro pessoal. As imperfeições são sempre abstratas; os maus feitos, de terceiros.

O grande guia segue em frente como se tivesse diante de si apenas o espelho. Um Narciso de origem humilde e nobres predicados, mas um Narciso. Para ele, tudo que não é espelho vira detalhe. Nós, inclusive. (LFP)

A estrela é o entrevistado
Por Carlos Chagas, na Tribuna da Imprensa, 13/8/2006

BRASÍLIA - Uns por vaidade, outros por medo, a verdade é que as recentes entrevistas feitas na televisão com os candidatos à presidência revelam, acima de tudo, o despreparo dos entrevistadores. Poupemo-nos da citação dos profissionais e das redes, mas qualquer telespectador mediano percebe as oportunidades desperdiçadas. Os apresentadores deveriam postar-se diante das câmeras para tirar o máximo de opiniões e de informações dos entrevistados.

Mesmo com indagações contundentes, ainda que educadas, sempre que existir motivo para cobrar contradições o papel dos entrevistadores deveria ser de provocar, jamais de agredir. Muito menos de tentar tornar-se o centro do debate, geralmente beirando o ridículo. Nas entrevistas, a estrela é o entrevistado. Para brilhar ou para arrebentar-se.

Estamos assistindo a aulas de como não entrevistar pessoas. Interromper perorações do entrevistado é válido, até necessário para quem entrevista, mas precisa acontecer só com uma frase, uma palavra, se possível. Jamais com discursos destinados a transmitir ao público opiniões que não interessam, dos entrevistadores.

Precisam também, esses personagens inflados pelo ego e pelo sonho de pequenos períodos de glória, atentar para a densidade da informação a ser colhida. No caso dos candidatos à presidência, importa mais saber o que pretendem fazer, se eleitos, do que enveredar por querelas anteriores. O eleitor prefere promessas para o futuro, mais do que realizações do passado.

As entrevistas do Jornal Nacional
Por Marcelo Salles, no Fazendo Media

Durante a semana que passou, o Jornal Nacional entrevistou cinco dos oito candidatos à Presidência da República.

Cristovam Buarque (PDT), Heloísa Helena (PSOL), Lula (PT) e Alckmin (PSDB) foram agraciados com cerca de 12 minutos ao vivo, enquanto Luciano Bivar (PSL) teve direito a 2,36 minutos - gravados. Ana Maria Rangel (PRP), José Eymael (PSDC) e Rui Pimenta (PCO) ficaram de fora.

Não vale o argumento da baixa pontuação nas pesquisas, pois a lei eleitoral determina que todos os candidatos tenham espaços iguais. E, se valesse, por que Cristovam Buarque, que está com 1% na pesquisa do Ibope divulgada ontem (11/8), recebeu 12 minutos, já que Rui Pimenta aparece na mesma pesquisa com o mesmo percentual?

Dos candidatos que participaram ao vivo, apenas a senadora Heloísa Helena mencionou o tema da democratização dos meios de comunicação, mesmo assim muito rapidamente. Em determinado momento ela falou que é preciso "democratizar a informação". Vamos ver se a candidata do PSOL invade o tema nas próximas oportunidades.

Alckmin foi mal no conteúdo, mas se saiu bem na forma. Como na televisão a forma conta mais que o conteúdo, acabou levando vantagem. Já Cristovam foi bem sob os dois aspectos. Falou o quanto pôde de sua principal proposta, a educação, e pregou uma revolução no setor. O problema é que nem Alckmin, nem Cristovam empolgam.

Há quem tenha destacado a postura "firme" dos entrevistadores, sobretudo com Geraldo Alckmin. Não acho. Firmeza, pra mim, está além das "perguntas difíceis" definidas pelo senso comum. Bonner e Fátima atuaram do mesmo modo com todos os entrevistados, a exceção de Lula.

Aliás, tendo a entrevista de Lula sido realizada dentro do Palácio do Planalto, o Jornal Nacional se sentiu em casa. Não só pela longa e cordial convivência da Rede Globo com os sucessivos governos, incluindo os ditatoriais. Mas também pelo significado da escolha do padrão japonês para o Sistema Brasileiro de TV Digital. O decreto assinado em 29 de junho - durante a Copa do Mundo - que garante o modelo defendido pela Globo, parece mesmo ter sido a garantia de um tratamento amigável durante o período eleitoral.

E a conclusão do candidato Lula, para quem o Brasil vive seu melhor momento econômico: "Crescem as exportações, crescem os empregos. Só o que cai é o salário". Embora o presidente tenha se corrigido imediatamente, não seria exagero lembrar J. Lacan, para quem "todo ato falho é um discurso bem sucedido".

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Atílio A. Boron, no periódico argentino Página/12 sobre Cuba, no último dia 6: "A transição se deu no dia primeiro de janeiro de 1959. E foi uma transição dupla: da ditadura para a democracia e do capitalismo para o socialismo"..(MS)

Leia comentários dos leitores do 'Fazendo Media' clicando aqui.

19 de junho, 2006
Gandhi já dizia
Um “momento histórico”, um “capítulo dramático” – é assim que o JN considera o pedido de um promotor de pena de morte de Saddam Hussein e outros ex-dirigentes iraquianos.

É sempre a mesma coisa: olho por olho...

O JN acha isso o suficiente. E que os soldados estão nas ruas, tentando trazer “segurança”. É o que sabemos sobre o Iraque. Boa noite..(GB)

31 de maio, 2006
Sem provas, mas vale a pena
É estranha a publicação de matérias que possuem frases como "sem apresentar prova nenhuma, ex-empregado(a)...", ou ainda "dirigentes petistas (quem?) se reuniram com Arcanjo...". Por que levar ao ar? É preciso se perguntar quantas informações parecidas estão disponíveis. Ou seja, quantas matérias podem ser construídas com base em fontes "sem prova nenhuma"? E por que se escolhe esta e não aquela matéria? Será que basta aparecer no Congresso Nacional que vale a pena?

Um "jornal importante", agora sim é notícia
Curioso também a ênfase que o JN decidiu dar ao iniciar uma nota sobre o massacre que soldados ingleses e estadunidenses realizaram no Iraque contra civis comprovadamente inocentes. Segundo o JN, "um jornal importante" (o New York Times) aumentou a verdade sobre os fatos – e assim começa a nota. Será que estamos, agora, à mercê de "jornais importantes" para verificar a veracidade de uma denúncia? Neste caso, tratam-se de abusos amplamente documentados, e que só agora chegam à imprensa (ou não). Para ser mais sincero, trata-se de uma seqüência de acontecimentos que demonstra claramente uma política de Estado, orquestrada pelas forças anglo-estadunidenses naquele país.

De forma bem clara: a tortura e o genocídio no Iraque são conscientes e previamente montados. Estão aí indícios, noticiados estrategicamente de forma dispersa, de modo que pareça coisa de "monstros", tal como se projetou a militar norte-americana julgada recentemente por tortura em um campo estadunidense de detenção no Iraque. De novo, o alto escalão foi poupado e suas palavras (com destaque para Condoleezza Rice e George W.) são tidas como ponderações em relação ao que está acontecendo. O absurdo veio em frases da editoria de Inter do JN de 31 de maio, tais como "A Casa Branca quer se distanciar [das denúncias] (...)" e "(...) os soldados vão pagar um preço alto". A matéria foi uma das principais da editoria, deslocando um correspondente internacional.

Padrão de qualidade?
Enquanto isso, 1850 mortos no terremoto na Indonésia recebem 10 segundos de atenção. Para se ter uma idéia, declarações vazias de Rice e Bush tomaram 20 segundos do tempo do telespectador. Isso sem contar o tempo das reportagens do futebol, que agora conta com uma mega-ultra-infraestrutura montada para a Copa do Mundo, ou o tempo mensal que o papa recebe – praticamente uma assessoria de imprensa do Vaticano.

Essa disparidade de tratamentos costuma atender pelo nome de "padrão qualidade", seguido pelas outras emissoras. Vá entender..(GB)

23 de maio, 2006
Crise em SP
"Mortos em supostos confrontos" é o vocabulário do JN para o massacre de pobres inocentes que a PM de SP não quis identificar. "Mortos" são os assassinados. "Supostos" significa "a sangue frio". "Confrontos", genocídio. Assassinados a sangue frio em um genocídio.

Custa dizer a verdade?

Ok, ok, a "verdade" é uma perspectiva. Que, diga-se, não interessa aos fascistas que dizem que estão respondendo à crise de segurança pública matando criminosos.

Pense bem: é a pena de morte oficializada. "Eram trabalhadores (...)". E se não fosse? E daí? Tem que matar? A Constituição Federal e a maior parte da população inviabilizam a pena de morte. É proibido. Quem liga? Não os editores JN (e da maior parte dos telejornais). O discurso está lá, volta e meia, construindo sentido. Quer dizer, falta de sentido.

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Senti falta das histórias destas pessoas humildes, assassinadas. Não tinham famílias? São números? As histórias de policiais mortos foram mostradas (que bom). Ficou pela metade...

20 de maio, 2006
Jornal Nacional e a ignorância
E está lá. Pensei que tivesse sido apenas um delírio, deficiência auditiva ou distração. Mas foi uma gafe enorme da apresentadora Sandra Annenberg (e da equipe de redatores) no Jornal Nacional de ontem, sábado, 20 de maio de 2005. Que não bastasse ser veiculada para a audiência gigantesca do telejornal, está perenizada no site oficial do programa.

"Outra bandeira tremulou na Terra da Copa. Depois de Togo e Costa Rica, chegou a vez de outro país africano desembarcar na Alemanha. Disputando o mundial pela primeira vez, os angolanos foram recebidos com muita animação."

O que mais me impressiona não é errar. Erros acontecem, principalmente na rotina enlouquecedora que temos nas redações (e já pude falar melhor sobre isso neste artigo). O que deixa estarrecido é não corrigir. É fazer um ar blasé e seguir adiante. É ter a arrogância de não pedir desculpas e ignorar que a desinformação de um povo é o pior pecado que um jornalista pode cometer. (PA)

Maio de 2006
Condoleeza Rice ameaça abertamente a América LatinaPorta-vozes das ameaças de Rice
Na semana passada o 'Jornal Nacional' mostrou a secretária Condoleeza Rice vociferando ameaças de intervenção militar em paises da América Latina, de cujos recursos naturais não renováveis os EUA dependem profundamente, mas não querem pagar o justo valor. Por que?

“Os EUA não querem que lideranças latino-americanas se tornem paradigmas de nacionalismo e de defesa dos interesses do seu povo. John Perkins mostra bem isto em seu livro quando explica o assassinato de Omar Torrijos, que retomou o canal do Panamá, Jayme Roldós, que nacionalizou o petróleo do Equador, Salvador Allende do Chile, Jacob Arbens, presidente da Guatemala, que tentava impedir que a Unite Fruit, do Bush pai, destruísse a Guatemala e outros.”

A opinião é da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), clique aqui para ler.

Abril de 2006
O maior e mais bem protegido partido político do Brasil
Fiscalização do poder: uns mais do que outrosIntrigante a cobertura do Jornal Nacional (TV Globo) desta quarta (12/4/2006) sobre as conclusões procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, acerca do caso mensalão. Souza utilizou expressões como “quadrilha” e “organização criminosa” para se referir à iniciativa de dezenas de pessoas de utilizarem seus cargos com o objetivo de dar “continuidade do projeto de poder do Partido dos Trabalhadores, mediante a compra de suporte político de outros partidos”.

O JN fez um quadro explicativo, bastante claro e objetivo, para fazer com que todos os Homers, Lineus, Marias e Joãos “entendessem” que os principais operadores do mensalão eram ex-dirigentes do PT e um importante ex-chefe de Estado petista (José Dirceu).

Eis um “detalhe” que o JN não vai dar: na denúncia, de 136 páginas, Antonio Fernando afirma que o esquema foi inaugurado em 1998, na campanha de reeleição do senador Eduardo Azeredo (PSDB) ao governo de Minas Gerais1. Por algum motivo, mesmo o tucano tendo sido até o momento da primeira denúncia o presidente do PSDB – aquele partido do candidato que pretende dar um “banho de ética” no PT –, Azeredo não consta da lista de denunciados. Bem como o banqueiro cheio de bons amigos Daniel Dantas2, um dos maiores abastecedores do Valerioduto. E ninguém no JN teve a brilhante idéia de pelo menos questionar se o procurador-geral não estaria partidarizando a disputa.

Aliás, por falar em PSDB, por algum motivo o JN também decidiu não dar destaque ao roubo, noticiado pela Folha Online, de documentos que poderiam incriminar... Geraldo Alckmin.

Segundo o registro3, o escritório político do corregedor da Assembléia Legislativa de São Paulo, deputado Romeu Tuma Júnior (PMDB), foi arrombado na segunda-feira (lembrando que hoje é quarta). Vários documentos que eram guardados no escritório foram furtados, entre eles os que fazem parte do processo que apura possíveis irregularidades no direcionamento das verbas publicitárias do banco estatal Nossa Caixa. Também foram levados, em uma incrível coincidência, os documentos do processo que apura possíveis irregularidades na doação de peças do estilista Rogério Figueiredo para a ex-primeira-dama Lu Alckmin.

Alckmin: Banho de ética...Segundo o delegado titular da 36º DP (Paraíso), Mário Carvalho, as características do furto diferem de outros arrombamentos a escritórios registrados na região: “Os ladrões não levaram objetos de valor, como computadores, mas apenas documentos”. Entre as entrevistas do deputado Tuma Júnior está o ex-gerente de marketing da Nossa Caixa, Jaime de Castro, responsável pelas denúncias sobre a existência de um suposto direcionamento político de verbas de publicidade da Nossa Caixa para deputados estaduais.

Em outras palavras, a denúncia é sobre a utilização de cargos de confiança para a compra de deputados com fins políticos. O objetivo: melhorar a imagem do Governo do Estado utilizando meios de comunicação beneficiados pelo esquema... Alckmin, governador de São Paulo, é candidato à presidência da República e promete dar um “banho de ética” se chegar ao cargo.

Por algum motivo, o JN decidiu não dar destaque e acompanhar mais atentamente ao assunto.

Isso nos mostra um pouco sobre a ‘imparcialidade’ e ‘seriedade’ do JN, ora em campanha, na defesa dos interesses privados e políticos das Organizações Globo, o maior e mais bem protegido partido político do Brasil..(GB)
 

NOTAS
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1 “Para procurador, ‘organização criminosa’ operou mensalão”, jornal Folha de S. Paulo, 12/4/2006

2 Thiago Domenici, “Daniel Dantas, ainda!”, Fazendo Media, 22/12/2005

3 “Documentos do caso Nossa Caixa somem depois de arrombamento”, Folha online, 12/4/2006
 

29 de março, 2006
Para variar
“O que eles dizem não importa muito. O que assusta os americanos é que eles não falam inglês”. Assim começou a matéria do JN desta quarta (29/3) sobre o protesto de imigrantes nos Estados Unidos, contra algumas medidas do governo.

E foi isso mesmo: os manifestantes ficaram sem voz. Não podemos comentar, porque não sabemos o posicionamento do povo. A cada vez, a cada edição, este nível de insensibilidade continua a me impressionar..(GB)

21 de março, 2006
Migração de estigmas
“Seis colombianos foram presos” e tem droga no meio. A nota do JORNAL NACIONAL desta terça (21/3) tem duas ou três frases, sendo que a última é “um brasileiro também foi preso”. Ao refletir, o leitor poderá questionar porque o brasileiro é destacado (“também”). Além disso, é incomum o número de vezes que os imigrantes aparecem de forma negativa na imprensa. Quando aparecem, é no noticiário policial. Bolivianos? Em São Paulo, no trabalho servil. Colombianos? Traficantes, de passagem. Angolanos? No Rio, à margem da lei. Podemos facilmente chegar à conclusão que, sendo imigrante, lá vem problema. Não é a realidade (veja em www.consciencia.net/etni-cidade), mas é como se fosse. Afinal, deu na TV..(GB)

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Manda quem tem juízo. E dinheiro
Segundo o Dicionário Aurélio Buarque de Holanda, ética é “o estudo dos juízos de apreciação que se referem à conduta humana susceptível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto”. O JORNAL NACIONAL, como qualquer outro programa jornalístico, entende por ética o que bem entender, e cabe ao público julgar, de forma crítica, este entendimento. De maneira correta, o JN fiscalizou o poder nesta terça (21/3) ao denunciar abuso de poder de um general que quis (e conseguiu) entrar em um avião só porque era general, no começo de março.

O JN, no entanto, não achou necessário, iniciando 2003, registrar que a Comissão de Ética Pública da Presidência isentou o atual presidente do Banco Central e maior representante do mercado financeiro no governo, Henrique Meirelles. Ele esteve presente nas análises da Comissão por ser ex-empregado do Banco de Boston e possuir uma aposentadoria de 750 mil dólares ao ano, algo em torno de R$ 250 mil por mês. A lembrança não é gratuita: detentor de uma respeitável ficha de suspeitas por crimes no sistema financeiro, Meirelles não tem a atenção que recebem alguns de seus colegas de Brasília. Ah, só para registrar, Meirelles é do PSDB..(GB)

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Rapidinha (de verdade)
O senador Eduardo Azeredo, do PSDB mineiro, é suspeito de alguma coisa que não deu para enteder, de tão rápido que foi uma nota sobre sua campanha, ou gestão, no governo do Estado de Minas, ou no Senado. Menos de dez segundos, não consegui entender.

Já para a história do caseiro que teve seu sigilo quebrado pela Caixa Econômica Federal, mais de um minuto e, para variar, a “oposição” do PSDB/PFL exigindo ética....(GB)

8 de março
JN e os crimes contra o bom jornalismo no campo
Falassem o que for, não importa. O JN desta quarta (8/3/2006) tinha obrigação moral de citar as razões para que os milhares de trabalhadores e trabalhadoras rurais fizessem o que fizeram na ação no Rio Grande do Sul contra a Araracruz Celulose. Nenhuma palavra sobre a expansão da monocultura de eucalipto. Esta atividade vem crescendo vertiginosamente e, segundo as agricultoras presentes na ação, tem transformado a região em um deserto verde improdutivo do ponto de vista da soberania alimentar..(GB)

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Roberto Brant (PFL, ex-ministro de FHC), R$ 102 mil no Valerioduto, absolvido pelo plenário da Câmara em 8/3/2006, apesar de ter sua cassação recomendada pelo Conselho de Ética. Luizinho, 20 mil reais, está para ser julgado..(GB)

Fora-da-lei
Mais um crime contra a Constituição Federal
Uma concessionária de serviço público usou outorga na última terça (31/1) para defender seus interesses privados. E ex-empregado não deixa dúvidas sobre quais interesses representa. Você sabe de quem estamos falando? Leia sobre a TV Digital em nossa revista e veja este vídeo. Fica a pergunta: quem fiscaliza mais este crime contra a Constituição Federal de 1988?.(GB, 1/3/2006)
15 de fevereiro, 2006
Submarinos amarelos
A Rede Globo, capitaneada pelo conhecido posicionamento de seu executivo Ali Kamel, não podia deixar passar essa pérola sobre o sistema de cotas em universidades federais públicas. O Jornal Nacional desta quarta (15/2) fechou a matéria sobre o tema com o depoimento de um “especialista” da UFRGS, que depois de gritar (bem alto) a palavra “demagógico”, soltou: “O sistema de cotas [para negros e indígenas] criará um problema que não existe, que é obrigar as pessoas a se diferenciar pela cor”. O nobre ouvinte do telejornal global – seja Lineu, seja Simpson – ficou a ver navios quanto ao posicionamento pró-políticas afirmativas, excluído do vídeo. Se bem que eu considero mais vantajoso ficar a ver navios do que submarinos amarelos..(GB)

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Didatismo
As oligarquias do PFL e do PSDB continuam, como mostramos por diversas vezes neste observatório, influenciando – digamos - excessivamente a pauta do Jornal Nacional. Nesta quarta (15/2), eis como o repórter decidiu abrir a matéria sobre o agente financiador das campanhas de alguns tucanos e pefelistas: “A convocação de Dimas é uma estratégia governista. Ele quer constranger a oposição”. Perceba o didatismo da pontuação, seguido da expressão “ele quer”, bem explicadinho.

Ao contrário das matérias sobre o Duda Mendonça, mais recentemente, e o Delúbio Soares et cetera, no começo da crise, que abriam o telejornal em tom de desastre, Dimas apareceu lá para o final, bem discreto, sem chamadas. Nada a favor da gangue que existia (ou existe) dentro do PT e que destruiu a História de um partido de luta. Mas, gangue por gangue, eu prefiro uma que não tenha o apoio da imprensa, porque certamente vai ser muito mais fiscalizada e, assim, ganha a democracia..(GB)

Telejornalismo em questão
Gêmeos de pais diferentes
“(...) A Record investiu pesado no seu núcleo de jornalismo. Esse é um fato positivo que temos que levar em consideração. A nova versão do Jornal da Record promete oferecer aos telespectadores uma opção informativa cujas principais características são a agilidade na apresentação das notícias, com matérias exclusivas e investigativas, além de investir em equipes de reportagem pelo mundo afora; nada de novidade que o principal concorrente não conheça, ou não tenha feito. Agora é ver para crer.”

Análise de.Carlos Alberto Martins Netto, 7/2/2006, no Observatório da Imprensa.

4 de fevereiro, 2006
Queda x Oscilação
Na edição de sábado (4/2) do Jornal Nacional, foi apresentada mais uma pesquisa de intenção de votos para as eleições presidenciais de 2006. A referida pesquisa, a terceira de uma série encomendada pelo jornal Folha de São Paulo, mostrava a evolução dos candidatos nos meses de outubro, dezembro e fevereiro.

O que me chamou a atenção foi a maneira como o então apresentador do Jornal Nacional, Alexandre Garcia, passou a referida pesquisa aos telespectadores. Quando aquele se referia ao desempenho tanto de Alckmin quanto de José Serra, de dezembro de 2005 a fevereiro de 2006, ambos “oscilavam”. Já quando o apresentador se referia ao desempenho de Lula, de outubro a dezembro de 2005, este sofria uma “queda”. E isto não aconteceu somente uma vez. Foram todas as vezes em que o apresentador se referiu aos candidatos anteriormente citados.

Ora, em meio a uma polêmica gerada em torno dos comentários de William Bonner sobre o perfil dos telespectadores do Jornal Nacional, de que estes mal sabiam o significado da sigla BNDES, o que dirá saber distinguir entre queda e oscilação. Já que são tomados tantos cuidados com a forma como a notícia é passada ao público, como li na carta resposta de Bonner para Laurindo Leal Filho, porque então, no meu modo de entender, houve um deslize tão grave?

O dicionário Michaelis apresenta o seguinte significado para a palavra oscilar: “Mover-se alternadamente de um para outro lado” – o que definitivamente não era o caso. Já a palavra queda significa “ação ou efeito de cair”, o que se aplicaria aos três candidatos, em ocasião se suas alterações de uma pesquisa para a outra, nos referidos períodos.

(Henrique Massard da Fonseca)

26 de janeiro, 2006
Jornal Nacional se renova para continuar o mesmo de sempre

Artigo de Gustavo Barreto e Pedro Aguiar, publicado inicialmente no Fazendo Media e posteriormente no Observatório da Imprensa.

Parece que, na última segunda-feira (23/1), William Bonner voltou das férias com as energias (e ideologias) renovadas. Nas últimas edições do Jornal Nacional, o âncora-editor tem carregado na dramaticidade da locução e na ordem da edição das matérias. Nesta quinta-feira (26/1), ele e sua esposa-colega apresentaram, aos sorrisos, uma parceria entre uma orquestra e a bateria de uma escola de samba. A mesma tática de dramatização foi adotada e abandonada, há cerca de 8 anos, depois de um episódio em que Fátima apresentou o nome do jogador de futebol Sonny Anderson, então escalado para a seleção brasileira e, em seguida, Bonner soltou um sarcástico e ensaiado "Quem?!".

Mas as mudanças no telejornal começaram ainda nas férias do Casal 20 – ou melhor, Casal 20h15. Desde o início do ano, o noticiário do horário nobre da Rede Globo reformatou sua estrutura, apresentando um primeiro bloco inteiriço de 30 a 35 minutos sem intervalos. Matérias mais "quentes" têm sido jogadas para o final, em detrimento de outros temas menos urgentes. Na segunda-feira passada, a CPI do mensalão foi ao ar no último bloco, enquanto uma reportagem-ensaio poético de Neide Duarte sobre o cenário urbano de São Paulo entrou no meio do "espelho".

Tudo indica que as alterações foram feitas para segurar a audiência contra a ameaça do momento, a telenovela "Prova de Amor", da Record. No último sábado (21/1), a Folha de S.Paulo noticiou uma estranha mudança repentina no IBOPE. Na medição prévia feita na Grande São Paulo, na quarta 18, "Prova de Amor" chegou a abrir quatro pontos de vantagem sobre o “JN” (25 a 21 pontos, às 20h30). No relatório com os dados consolidados, remetido pelo instituto às redes no dia seguinte, em nenhum minuto a Record vence a Globo, fato que provocou protestos da direção da Record. Nada foi anunciado sobre alterações na metodologia de medição.

Valores arraigados

O que chama a atenção, porém, são os valores que continuam arraigados. Talvez nenhuma assessoria de imprensa de uma entidade sionista faria tão bem quanto o repórter Marcus Losekann, baseado em Jerusalém, para depreciar o resultado das primeiras eleições parlamentares nos Territórios Palestinos em 10 anos. Em vez de tratar o Hamas, partido político vitorioso nas urnas, como tal, o JN chama a matéria da seguinte forma: "o grupo Hamas, dos homens-bomba, surpreende e vence as eleições...".

Na matéria sobre a Palestina, apesar das chamadas conservadoras, o JN efetivamente deu voz aos principais conceitos levantados pelo Hamas. Que são mais ou menos os seguintes: a resistência armada deve ser feita caso Israel continue nos atacando; e o processo de paz é uma falácia. Tudo evidentemente descontextualizado. Faltou relacionar o "mapa da paz" unilateral israelense com os bantustões sul-africanos do século passado, imagem usada pelo Hamas em seus discursos. Ou bastaria mostrar o mapa da paz, incluindo aí a tentativa de Oslo (1993), como forma de demonstrar que ele simplesmente elimina qualquer avanço no processo de paz.

É interessante notar que a mesma notícia vai ao ar de maneiras distintas no Jornal Hoje (no ar durante o almoço), no Jornal Nacional (horário nobre) e no Jornal da Globo (último jornal da noite). O correspondente é o mesmo, mas o tom muda entre os três telejornais: enquanto JH e JN pintam o Hamas como "grupo terrorista" e não um partido político, o JG tem lembrado que o radicalismo palestino foi fortalecido pelas políticas opressivas e violentas de Israel.

Questões em aberto

Diante deste quadro, algumas questões poderiam ser desenvolvidas. A primeira é que o direito à resistência em caso de ataques cruéis já obteve várias aprovações da ONU, no Conselho de Segurança e em outros âmbitos da organização multilateral. A segunda: se os ataques de Israel cessarem e nossas terras – aquelas roubadas unilateralmente em 1967, contra resoluções da ONU – forem devolvidas, pararemos com nossa resistência armada, avisam os radicais. A reportagem do JN chega a identificar levemente que a Autoridade Palestina é corrupta, algo que é de grande valor e com forte conteúdo de realidade. Uma outra questão é tentar entender porque o Hamas diz que o processo de paz é uma falácia.

Em um primeiro momento, poderia o telespectador supor que o grupo fosse contra o processo de paz e estivesse se retirando das negociações. Isso seria, digamos, pedagógico, porque em um segundo momento, com pouca pesquisa, ele veria que o Hamas sempre esteve aberto a negociações, incluindo aí os grupos mais radicais, e passaria a entender quem efetivamente vitima o processo de paz. A surpresa seria o aparecimento de pessoas detentoras de prêmios Nobel da paz como empecilhos fundamentais para as negociações.

Mas será que Homer Simpson (tal como Willian Bonner identifica carinhosamente parte de "seus" telespectadores) irá entender o que são "ataques de Israel"? Ele terá que fazer um esforço "homérico" (ou simpsoniano), porque sempre que o tema Israel/Palestina (re)aparece, vêm à mente imagens de israelenses chorando por conta de um atentado suicida, algo efetivamente terrível e cruel. E Bonner inteligentemente identifica essa imagem na expressão "Hamas, dos homens-bomba (...)" (26/1/2006, expressão repetida duas vezes, nas chamadas antes dos intervalos). Mas não há imagens de helicópteros americanos guiados por pilotos israelenses destruindo aldeias palestinas desprotegidas. Quando há – e já houve, em diversos e isolados momentos, de maneira segmentada – o mundo cai na real, se mobiliza e Israel fica sob forte pressão, avançando assim o processo de paz efetivo.

Aliás, os telespectadores que quiserem ampliar suas referências sobre o passado do conflito podem assistir a "Munique", o polêmico último filme de Steven Spielberg, que estréia nesta sexta-feira, 27 de janeiro. A produção conta a história de como agentes israelenses gastaram milhões de dólares numa operação para assassinar dirigentes palestinos, nem todos ligados a atentados. Como Spielberg é uma fonte nada insuspeita, por ser judeu e hollywoodiano, fica difícil entender por que o adjetivo "terrorista" é usado pelo JN para o Hamas, mas não para o Mossad. Talvez seja porque Homer Simpson não compreenderia esta associação.

Mazel tov, William!

Diferenças nada sutis

No mesmo dia, também foram perceptíveis as diferenças gritantes na cobertura entre os dois fóruns mundiais paralelos: o Econômico e o Social. Enquanto o VT de Marcos Uchôa em Davos ressalta o prestígio do evento, que contou com a participação de celebridades como Pelé e Brad Pitt, a matéria do enviado a Caracas, Alberto Gaspar, comenta que o FSM valoriza "mais discussão em si" do que "resoluções e decisões" – o que, obviamente, é de se esperar de um fórum. Aliás, o repórter optou por abrir seu texto citando a "polêmica" sobre o custo de realização do evento, sem que o mesmo seja mencionado para a outra reunião, sediada em hotéis alpinos com teleféricos para estações de esqui.

Dicas de Lao Tse
Como assistir o Jornal Nacional
‘Quem conhece a sua ignorância
revela a mais alta sapiência.
Quem ignora sua própria ignorância
Vive na mais profunda solidão.
Não sucumbe à ilusão
Quem conhece a ilusão como ilusão.
O sábio conhece o seu não-saber,
E essa consciência do não-saber
O preserva de toda ilusão.’

Lao Tse, poema 71 do Tao Te Ching
(RK)

Noblat comenta
Com medo da novela
Espantoso! Sem interrupção, durante quase 35 minutos, o Jornal Nacional ofereceu há pouco notícias policiais, em seguida esportivas e depois econômicas. Só foi para o primeiro intervalo quando acabou na Record mais um capítulo da novela Prova de Amor. O jornal popularizou sua pauta de assuntos e mais do que duplicou o tamanho do seu primeiro bloco desde que a novela começou a lhe tomar pontos no IBOPE. Comentário de Ricardo Noblat em seu blog, 24/1/2006.
William “Simpson” Bonner
Jornalista não pode ser cassado por quebra de decoro =)
No mínimo curioso um dos trechos da carta de William Bonner, se justificando por ter comparado o telespectador padrão do Jornal Nacional com o Homer Simpson. Bonner disse ao Observatório da Imprensa o seguinte: “Meu discurso e minha atitude em defesa de nossa responsabilidade social viraram armas contra mim. Ou contra o que represento. Ou contra a empresa que dispõe de minha força de trabalho.”

E não é que nós já ouvimos isso antes... O ex-deputado José Dirceu, em artigo publicado pouco antes de ser cassado na Câmara dos Deputados, dizia que estava sendo julgado “pelo que represento na história da esquerda, do PT e do governo Lula”. É bom lembrar que o JN, desculpe a expressão, ‘desceu o sarrafo’ em Dirceu um dia após sua cassação, como registrado aqui. E se jornalista pudesse ser cassado por quebra de decoro jornalístico, será que Bonner iria para a rua pelo que representa? Olha, esse mundo é redondo, mas está ficando cada dia mais chato! (GB, dez/2005)

* * *
A Globo cria os Homer's, sim, mas nos ensina a falar para milhões
"Bonner diz que a linguagem que ele procura usar deve ser uma linguagem que atinja e não afaste nem o intelectual e nem a pessoa sem escolaridade. A Globo dele se preocupa em atingir os dois. Esta afirmação traz à memória um outro texto da Globo que está transcrito no livro “A História Real”, de Josias de Souza e Gilberto Dimenstein. Estávamos em 1994, durante a campanha do FHC contra Lula. O comitê de propaganda da campanha do tucano passou uma cartilha para FHC aprender a falar 'para a maioria'. (...)"

Texto deVito Giannotti, janeiro de 2006, para o Núcleo Piratininga de Comunicação.

Erro de avaliação ou critério político?
Por que Bonner ignorou Chávez?
Eliakim Araújo, ex-âncora dos Jornais da Globo, da Manchete e do SBT e noticiarista da Rádio JB, publicou no Direto da Redação (DR) em 8/12/2005:

"O professor Laurindo cita em seu artigo o comportamento do editor-chefe ao recusar matéria da sucursal da Globo em NY sobre a oferta do governo venezuelano para venda de petróleo a preços mais baratos para atender comunidades carentes dos EUA. Assunto da maior relevância naquele dia de novembro, e neste momento quando o gás venezuelano já está atendendo a 8 mil famílias pobres do Bronx, em Nova Iorque, como se pode ler na coluna de hoje do Eduardo Graça, aqui mesmo, no DR.

Não sei qual o critério usado por Bonner para recusar a matéria. Se foi político, é preocupante. Se não, foi um grave erro de avaliação. Gostando-se ou não de Hugo Chávez, temos que reconhecer sua importância no cenário político internacional. Ele hoje é notícia em qualquer lugar do mundo. Não só porque preside um país que é um dos maiores produtores de petróleo, como também porque é um dos raros líderes a enfrentar a prepotência de Bush e seu desprezo pelas regras internacionais de convivência."

1o de dezembro, 2005
Conta outra
No Jornal Nacional, principal telejornal da Rede Globo, é assim: eles editam de acordo com o script da estorinha que querem contar. Refazer História é com eles mesmo. A voz da oposição de direita (“A cassação política do comandante de toda a operação que foi montada pelo governo federal”) tem espaço amplo. Os integrantes do PSOL que subiram no palanque eleitoral, já de olho em 2006, acham que estão com a bola toda, ao atacar José Dirceu (PT/SP), se unindo a gente como Jair Bolsonaro e Alberto Goldman com igual entusiasmo. Ontem (30/11), estavam unidos pela mesma “causa”.

O parlamentar petista, cassado nesta quarta (30/11) à noite em decisão polêmica, foi apresentado como um canastrão, autoritário, mentiroso, contraditório, politiqueiro. Mas o “veredicto” (sic) veio por um motivo: ele é arrogante. Foi, digamos, um “crime de personalidade”.

A edição do JN desta quinta (1/12) teve a seguinte pérola. Pegaram um trecho descontextualizado de José Dirceu em uma audiência pública na Comissão de Ética da Câmara. Em outros momentos, Dirceu se saiu bem e desconstruiu argumentos confusos da oposição. No trecho em questão, Dirceu diz que não é arrogante e arranca risadas sinceras da “platéia”. Ou seja: ele provavelmente foi arrogante durante sua passagem pelo Congresso. Como esse, digamos, desvio moral foi apresentado pelo Jornal Nacional? Citando: “(...) E a risada veio como veredicto. O ex-homem forte do planalto estava irremediavelmente isolado”.

Os extremamente éticos editores do JN esqueceram – puxa! – de falar sobre o que disse Dirceu em sua defesa. Esqueceram, mais uma vez, de dar conteúdo à edição de hoje. Ou seja: esqueceram de dizer que não há provas concretas contra ele. Um exemplo: você sabia que a CPMI dos Correios examinou as ligações telefônicas de Dirceu e não encontrou nenhuma chamada feita ou recebida de telefones de Marcos Valério? (...) Continua

5 de novembro, 2005
Cúpula da cúpula versus cúpula dos povos
O presidente Vicente Fox está perdidinho. Defendeu na sexta (4/11), durante a 4ª Cúpula das Américas em Mar del Plata, a Área de “Livre Comércio” (ALCA) sem a presença do MERCOSUL, que se opõe parcialmente ao projeto, e da Venezuela. No dia seguinte, deu coletiva de imprensa elogiando o Mercosul. "O Mercosul é um bom exemplo de comércio. Se não fosse um sucesso, não estaríamos batendo na porta para entrar". Uma vez no bloco, entraria em profunda contradição com a barbeiragem econômica que seu país realizou ao se tornar quintal dos Estados Unidos, com a entrada na “NAFTA” em 1994.

O caso, segunda a Agência Brasil, é meio freudiano. Vicente Fox afirmou que tem um “caso de amor” tanto com o Mercosul como com a Alca. "Meu amor é amplo e total pelos dois acordos de livre comércio. Se não existir o ‘sim’ (do Mercosul) à minha proposta de casamento, continuarei fazendo amor com o Mercosul e com a Alca".

Verissimo escreveu certa vez, citando Groucho Marx: "Groucho como general, cercado por generais, diante de um mapa de campanha: 'Uma criança de 3 anos entenderia isto.' E depois de uma pausa: 'Chamem uma criança de 3 anos, rápido'." Ele argumenta que uma criança de 3 anos teria dito ao Bush que a invasão do Iraque daria nesse atoladouro, assim como é fácil notar que abrir o mercado de um país com indústria fraca à maior potência do mundo sem contrapartidas significativas que agreguem valor resultaria em um desastre sem precedentes, não só com aumento da pobreza mas também com aumenta da desigualdade social.

* * *
Jornalismo sem conteúdo
O tom do JORNAL NACIONAL, principal jornal da TV Globo, na edição do sábado (5/11) era o de que “não havia acordo”, “não foi divulgado documento”, “eles não se entenderam” e por aí vai. Faltou colocar a crítica objetiva ao livre comércio, muito presente no encontro. Como sugestões de fontes, podemos citar muitos economistas independentes brasileiros, como Márcio Pochmann e Paulo Nogueira Batista Jr., o presidente da Venezuela Hugo Chávez ou até mesmo o presidente da Argentina, Nestor Kichner. Ao final da edição, quando o documento havia saído, destacou que havia dois parágrafos divergentes, um com o posicionamento dos países do Mercosul e da Venezuela (que é membro associado juntamente com Bolívia, Chile, Equador, Colômbia e Peru) e outro com a posição de outros 26 países.

A imprensa costuma fazer manchetes como a do Globo Online de hoje (5/11): “Cúpula das Américas não consegue acordo sobre a Alca”. A insistência no tema da Alca ignora o fato de que ela está morta, é inviável tal como foi proposta e, se houver mudanças significativas, os países do Norte não vão aceitá-la. Sua repercussão na mídia só é possível porque estes são os objetivos dos países ricos, que constantemente pautam a grande imprensa.

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Estereótipos para ludibriar
As imagens dos protestos, tanto na Argentina quanto em São Paulo, são sempre com foco na violência – cujos culpados seriam os manifestantes. A polícia, mais uma vez, apenas “reagiu” às “pedras” jogadas pelos manifestantes. É uma forma de dizer que quem reclama nas ruas não tem argumentos. É algo que pega: homens de ternos, mesmo que menos capazes que crianças de 3 anos, são sérios, enquanto pessoas nas ruas que gritam por independência sabendo do que falam não. (GB)

3 de novembro, 2005
Falta credibilidade
O JORNAL NACIONAL não tem nenhuma autoridade para falar de José Dirceu. Na edição desta quinta (3/11), mostrou mais uma vez que faz campanha contra o ex-ministro. Dirceu nunca foi santo, mas não se pode aderir, só por causa disso, a perseguições com interesses obscuros que só desinformam a população. Se Dirceu é culpado, saberemos. Mas, pelo JN, ele já estaria na forca há meses. (GB)
2 de novembro, 2005
Duas notícias
Boa noite. Temos duas notícias na edição desta noite. Uma boa, uma ruim. A ruim é que, mais uma vez, o JORNAL NACIONAL, principal produto comercial da TV Globo, tentou distorcer grosseiramente os avanços políticos da Venezuela. Fátima Bernardes faz chamada na edição de 2/11/2005, antes do ‘comercial’: “Você vai ver (...) porque a Venezuela de Hugo Chávez provoca tanta preocupação”. Depois do intervalo, distorce, distorce e distorce. E distorce mais um pouco.

Diz que há mais pobreza (70%, “em crescimento”), que a democracia é fraca, que não há transparência. Distorce, distorce e distorce mais um pouco. Por que, afinal, Fátima Bernardes acha que Chávez “provoca tanta preocupação”? Porque o presidente da guerra, George W. Bush, está na área e irá à Argentina, para a IV Cúpula das Américas. Bush faz sua primeira viagem de seu segundo mandato (na verdade, o primeiro conquistado no voto), quando visitará, a partir desta quinta (3/11), Argentina, Brasil e Panamá.
 

O "mundo" do JN é um..
tanto quanto distorcido..
A democracia terrivelmente em crise da Venezuela convocou a população não para perguntar coisas inúteis, como “você quer armas ou não”. A pergunta foi objetiva: você quer ou não quer que esse “ditador inescrupuloso” que seria Chávez fique no poder? Sem confusão nem retórica: o homem fica ou não fica? O “ditador”, imagina só, venceu bonito (desculpe a expressão, mas é isso mesmo). Todos os organizadores internacionais que acompanharam o processo reconheceram o exemplo. Não é minha intenção retomar dados que já se divulgou aos quatro ventos. Imagina qual seria o resultado do mesmo referendo na democracia norte-americana, que o JORNAL NACIONAL não questiona. Ou, imagina!, no Brasil.

O caos social e a imprensa

E por que a patrulha ideológica do JN acha que a Venezuela está equivocada em suas políticas governamentais? Por que lá, dizem, tem 70% de pobreza e isso só aumenta. Fontes? Para quê? Bobagem, jornalismo ‘moderno’ não tem isso não. E não tem transparência lá naquela republiqueta, sabia? Fontes? A oposição que financiou e preparou o golpe. A mesma que grita ‘liberdade’ contra supostos avanços do governo sobre os meios de comunicação e que provocou guerras e incitações ao caos antes e durante o golpe de 2002. E os governos anteriores a Chávez, o que fizeram? Nada disso veremos no JORNAL NACIONAL.

Juntos, os grupos Abril [veja referência abaixo] e Globo, por meio de seus principais produtos comerciais, preparam (ou tentam) o público brasileiro para saudar George W. Bush em sua investida pelo “livre” comércio. Ele quer – veja só – reforçar a democracia. A notícia boa? A consciência política é uma característica pessoal e intransferível e, uma vez que o cidadão é autônomo e livre dos tiros ideológicos da grande imprensa, inimputável. Além disso, esquece o JORNAL NACIONAL, pode ser uma consciência de classe que, mais dia menos dia, dirá NÃO a manipulações grosseiras e propagandas ideológicas repletas de mentiras. (GB)

___________________
Leia também: Abril parceira do capital especulativo (29/10/2005)
15 de outubro, 2005
Apropriação de discurso
Para o JN, o "grande sonho" do Betinho é "mesa farta" no país inteiro "pelo menos no Natal". Vergonha deveriam ter os coordenadores do Natal Sem Fome, que permitem que o sonho do sociólogo Herbert de Souza seja transformado nessa idéia cega e medíocre de que a ação social pode ser dissociada da ação política, mero assistencialismo. (GB)
20 de agosto, 2005
Palocci é "do bem"
Pelo segundo dia seguido, o JN exibiu o vídeo de Buratti em depoimento à PF sobre o suposto recebimento de propina para o PT, via o atual ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Tratou de ouvir pessoas encarregadas da investigação, que negaram o envolvimento do então prefeito de Ribeirão Preto.

O senador Romeu Tuma pediu um "aprofundamento" das investigações - pelo bem do mercado, subentende-se - bem diferente do que ocorreu com José Dirceu, quando a oposição fez de tudo para envolvê-lo. (GB)

26 de julho, 2005
Os pesos que cada um merece
É claro, óbvio, evidente que Fernando Henrique Cardoso não poderia ficar de fora do Jornal Nacional de hoje (26/7). Pela manhã, o jornal O GLOBO estampou na primeira página a manchete "Esquema de Valério com PT foi usado em 1998 com PSDB-MG".

Perceba dois "detalhes" que de detalhes não têm nada. Primeiro, a repetição da idéia largamente repetida "Esquema de Valério com PT", mesmo que a reportagem tenha como foco principal o PSDB. E a segunda, e mais revelante, é o "MG", para designar que o problema seria com o PSDB de Minas Gerais. Afinal, o senador envolvido (Eduardo Azeredo) não é presidente nacional do PSDB?

Para os que acham que trata-se de mais uma "neurose", caiu bem a conclusão mais tarde do raciocínio global de que, quando é do PT, devemos generalizar, mas quando é do PSDB, vamos avaliar caso a caso. Foi exatamente esta a fala do ex-presidente Fernando Henrique, que "defendeu investigação" em problemas onde quer que existam, "em Minas, no Rio, em São Paulo", mas argumentou que hoje, "o que estamos vendo é algo sistemático, liderado pelo partido do governo". Pareceu-me uma resposta editorial do próprio JN, que nesse caso utilizou como porta-voz um possível atingido e colunista do... jornal O GLOBO.

Outro detalhe: o Aécio Neves, tido como possível beneficiado, sumiu. E mais: o JN também preferiu omitir outra informação do próprio O GLOBO de hoje, que liga Marcos Valério ao ex-prefeito de Vitória, o tucano Luiz Paulo Velloso Lucas. E se fosse ex-prefeita de São Paulo, ou ex-prefeito de Recife? (GB)

* * *
Desnecessário
A edição de hoje (26/7) poderia ter passado sem a cena em que um radical islâmico começa a defender, em Londres, a ação dos homens-bomba e é preso em seguida.

Digo cena porque é, de fato, um jogo de cena. Posso imaginar inclusive que estava ali, pertinho do homem, um outro islâmico pregando o entendimento entre os povos e a inter-religiosidade. Daí aparece um maluco, fala da guerra santa e os repórteres gritam: "Ei, gente, tem um soldado de Alá falando!". E correm para cima dele com câmeras e toda a atenção do mundo.

Dizem que é próprio do ser humano. Mas o JN poderia ter passado sem essa. (GB)

Não importa o conteúdo
"Desculpem-me os anti-Globo, mas o JN tem tudo para fazer o melhor jornalismo do País. E o faz! Para seu público-alvo, o conteúdo das notícias não importa, mas sim a qualidade técnica, a imagem e som, e isso o JN faz como ninguém. No caso da Guerra, a emissora montou um charmoso estúdio virtual sob o comando de Vinícius Dônola, sem contar as transmissões tremidas de Marcos Uchôa, no Kuwait. É a guerra da tecnologia, vencida pelo JN. (...) Que o JN tem muitos erros, manipulações, inserções publicitárias e censura do patronato, isso é indiscutível. Mas, qual telejornal não é assim? Jornalismo e entretenimento: é disso que o povo gosta! Então pra que discutir? Afinal, a voz do povo é a voz de... Marinho?"

Por Fernando Torres, no Canal da Imprensa.

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William Bonner: meio Homer, meio Lineu
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Apresentador compara telespectadores do Jornal Nacional a personagem da série ‘Os Simpsons’ e pai em ‘A Grande Família’. Leia aqui com compilação preparada pela redação, em dezembro de 2005. (clique na imagem)
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Mensagem enviada ao Jornal Nacional em 23/2/2005: "Caros colegas. Desde o dia 21 de janeiro de 2005, estamos fazendo um acompanhamento sistemático do programa no espaço 'Observatório do JN'. Gratos pela atenção, Equipe Consciência.Net e colaboradores".

Resposta: "agradecemos sua mensagem. Tenha certeza de que estaremos sempre trabalhando para melhorar ainda mais a nossa qualidade. Continue participando. Cordialmente, Central Globo de Comunicacao"
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Textos: Gustavo Barreto (GB); Lúcio Flávio Pinto (LFP) Marcelo Salles (MS); Pedro Aguiar (PA); Renato Kress (RK); Raquel Moraes (RM); Faça sua observação.
 
Repercussão: Google; CMI; inspir{AÇÃO}

“É como tomar um calmante depois de um dia de trabalho”
Dito pelo General Médici, ex-ditador brasileiro, nos anos 70, sobre o noticiário da TV Globo

Recordar é viver
Arnaldo Jabor apareceu com uma banana no 'Jornal Nacional' saudando o golpe na Venezuela (2002) e dizendo que agora sim, agora estavam desbananizando a América Latina... (Dica de Renato Rovai)