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Observatório do Jornal Nacional
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Qualidade de vida
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25 de março, 2005
Agrotóxicos (V)
A última reportagem da série de cinco sobre agrotóxicos, na sexta (25/3), fala novamente sobre o "uso incorreto dos agrotóxicos" e conta o caso de uma escola em São José de Ubá, interior do Estado do Rio de Janeiro, que incentivou suas crianças a alertarem seus pais sobre o risco que os agrotóxicos representam. Mostra que os adultos pouco ouvem os ensinamentos e faz imagens do desgaste da terra e da água na região (nesta cidade, o rio secou por causa dos venenos agrícolas). A câmera destaca uma embalagem abandonada com uma caveira e os dizeres "perigo: veneno".

Porque é disso que se trata: um veneno. Com o pretexto de aumentar a produtividade - coisa que não faz, como mostram muitos especialistas -, prejudica o solo, a água, o meio ambiente, a saúde humana e a agricultura natural. Perdem todos, menos um protagonista: empresas (em geral gigantes transnacionais) da biotecnologia. Estas ganham a curto prazo e não é pouco. Em nenhum momento este aspecto foi explorado, o que se constitui um absurdo. Como falar de agrotóxicos em uma 'reportagem especial' e não falar de quem produz agrotóxicos? Por ser um veneno, existem diversas entidades - como foi dito aqui durante toda a semana - que pedem o banimento deste tipo de defensivo agrícola. Outro aspecto não-explorado.

Como conclusão, podemos destacar que foi positiva a iniciativa de colocar o tema em pauta no Jornal Nacional, mas extremamente negativa a forma com que foi abordado. Em poucos momentos foi à raíz do problema. O foco que pedido neste espaço, como mostramos, não dizia respeito ao interesse de "A" ou "B". Eram aspectos urgentes, de interesse público, que diziam respeito ao maior problema ambiental do campo (como eles mesmo destacaram) e, conseqüentemente, da cidade. (GB)

24 de março, 2005
Assuntos-novela
Os assuntos-novela são como as novelas da própria Globo, com personagens, temas "polêmicos", grupos que se enfrentam, alguma confusão, heróis e um final. Evidentemente que os temas não se esgotam, o que possibilita que outras novelas surjam todas as semanas, enchendo o tempo do telespectador com informações inúteis - ou melhor, úteis para quem deseja tomar o tempo do cidadão comum com questões menores e que não determinam o futuro de ninguém. Durante toda a semana (21-25/3), o Jornal Nacional repercutiu os rumores sobre a saúde do Papa e um caso de eutanásia permitido de forma inédita pela Justiça norte-americana. No Brasil, por conta da falta de verbas, os cidadãos comuns são forçados a uma espécie de "eutanásia forçada" e, no entanto, não recebem tanta atenção assim. (GB)

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Ufa!
O apresentador Márcio Gomes é um sujeito estranho. Ao anunciar nesta quinta (24/3) a decisão do presidente Lula de manter pontos fundamentais da Lei de Biossegurança, Gomes diz: "Lula vetou seis dispositivos, mas nenhum deles muda o conteúdo da lei". Ao falar a palavra dispositivos, o apresentador deu uma notável inclinada e mudou a expressão facial - como quem diz "calma, está tudo bem" - para depois dizer "mas nenhum deles muda o conteúdo da lei". A minha primeira impressão, que não me deixou dúvida, era de que o veto de artigos polêmicos - principalmente aqueles pedidos pelos ministérios do Meio Ambiente e da Saúde - seriam uma coisa ruim. E o pior é que, para o cidadão que não conhecia a Lei de Biossegurança tal qual veio do Congresso - ou seja, a maioria -, não dava para entender porque Márcio Gomes queria que ela fosse mantida intacta... (GB)

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Agrotóxicos (IV)
Novamente não foi desta vez que o Jornal Nacional divulgou novidades sobre o uso de agrotóxicos. Nesta quinta (24/3), o começo parecia promissor: um apresentador anunciou uma reportagem que ensinaria como moradores da cidade podem "conseguir alimentos sem produtos químicos". Como? Na prática, mostrou apenas uma penca de moradores de Fortaleza que pagavam para que uma cooperativa viabilizasse o esquema ecológico. Ficou evidente que poucos possuíam essa alternativa - o que, como sabem os movimentos de base, é uma meia-verdade. As práticas agroecológicas são, na prática, mais baratas. Tornam-se caras porque são boicotadas, o que inviabiliza preços acessíveis.

Um pesquisadora explicou que os agrotóxicos são prejudiciais porque, quando aplicados nas primeiras vezes, matam também os insetos que são úteis - os predatores naturais. Isso torna a terra cada vez mais dependente da química, inviabilizando novamente a opção pela produção de alimentos orgânicos.

Em vez de explorar a chamada, que procurava ensinar - relembro - como "conseguir alimentos sem produtos químicos", resolveu afirmar que "tudo em excesso faz mal" - mais um chavão - e que "até o adubo orgânico em excesso pode contaminar o solo". Um "agricultor" diz, resumindo a questão, que o importante é fazer o "uso correto de qualquer um" [defensivos químicos ou naturais]. Reafirma, portanto, a tese em prol da "diminuição do uso dos agrotóxicos" e de seu "uso correto".

Quem sabe amanhã eles não falam das campanhas que pedem o banimento dos agrotóxicos e seus argumentos? Será que guardaram o melhor para o último dia? (GB)

23 de março, 2005
Agrotóxicos (III)
A reportagem desta quarta (23/3) teve como foco a venda ilegal de agrotóxicos. Segundo o JN, o crime é facilitado pois há muitas encomendas e os traficantes são, portanto, bastante solicitados. Citou o exemplo dos organoclorados, explicando sobre o efeito devastador deste tipo de defensivo agrícola na saúde e no meio ambiente, com efeitos irreversíveis. Afirma que, só no ano passado, foi interceptada uma tonelada de organoclorado no Brasil. Novamente a base da reportagem foi a "má utilização" de agrotóxicos, sem citar as campanhas que pedem o banimento destes defensivos agrícolas. (GB)
22 de março, 2005
Agrotóxicos (II)
Fátima Bernardes abre a reportagem de hoje, a segunda de cinco, insistindo na ênfase do "perigo do uso incorreto de agrotóxicos". Ainda não foi dessa vez que falaram das campanhas pela eliminação dos venenos. Apesar disso, mostraram ações positivas.

Falou-se sobre o uso da tecnologia no campo - robôs, mini-helicópteros e aviões que captam imagens, para aplicar agrotóxicos apenas "onde realmente precisa", diminuindo em 30% o uso destes defensores. Mas também disse que "nem sempre é preciso tanta parafernália tecnológica", citando a utilização de predatores naturais e indicando a EMBRAPA como uma das entidades que desenvolvem pesquisas nesse sentido. Falou também sobre a técnica de colocar uma espécie de saquinho vermelho em volta dos alimentos, para enganar o inseto.

É positiva a matéria do Jornal Nacional quando mostra uma senhora que rejeita os venenos agrícolas: "Quanto menos agrotóxico, mais dona Ana gosta". É a cara do que se vê nas feiras, não há como esconder.

O problema é que há uma pequena diferença entre a alternativa dos orgânicos e a chamada agroecologia. Enquanto a primeira mantém a lógica econômico da relação capital/trabalho no campo, a segunda possui uma visão mais ampla (e necessária) da Terra, do trabalho rural e do trato com o meio ambiente. A alternativa que começa a pintar na mídia - dos orgânicos e só - não é tão alternativa assim e muitas multinacionais já começam a aparecer para, mais uma vez, buscar o maldito monopólio de um setor altamente excludente.

Na feira, um biólogo afirma que, para saber se há agrotóxico, só mesmo em laboratório. E dá uma dica: três vasilhas de água, cada com uma colher de sopa. A primeira com água sanitária, a segunda com bicarbonato de sódio e a terceira com vinagre. Mergulha-se o alimento por 20 minutos em cada uma, nessa ordem, e o nível de veneno diminui. A Revista Consciência.Net vai consultar a editora de ECOLOGIA, especialista no assunto, para repercutir as informações fornecidas. Fica o registro. (GB)

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Ameaça esquecida
O aquecimento global, que é um dos maiores problemas do mundo moderno e uma das maiores ameaças à nossa existência, merece mais atenção do que apenas uma frase. Alimentos e água potável podem faltar caso o problema continue se agravando. Sem isso, é bom lembrar, ninguém vive. O número de famintos aumentará sensivelmente e, pior, muitos irão comemorar - mesmo que de forma discreta - por conta da eliminação do "excesso" de habitantes no planeta. Como nas guerras. (GB)

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Quem liga?!
A bolsa de Nova Iorque fechou em baixa de 0,9%. (GB)

21 de março, 2005
Agrotóxicos (I)
William Bonner anuncia a reportagem desta segunda (21/3), a primeira de cinco, sobre o perigo provocado pelo "excesso de agrotóxicos no seu prato". Comenta o "uso incorreto" destes defensivos agrícolas, e diz que a principal causa desse risco é a "falta de informação". Uma entidade de defensores agrícolas alerta ao JN: está tudo nos rótulos. No entanto, diz a matéria, muitos agricultores não sabem ler ou não entendem o que lêem (mostra um exemplo).

Dados do JN: R$ 8,5 bilhões são investidos em 182 mil toneladas de agrotóxicos por ano. O JN dá o nome correto aos agrotóxicos: o maior problema de saúde pública do meio rural. Os "efeitos de 40 anos de uso": contaminação da água, da terra, dos alimentos e do agricultor.

Oficialmente são 15 mil casos de intoxicados por ano, mas pode chegar a um milhão e meio, pois o problema é de difícil identificação (é complicado estabelecer o nexo causal entre a doença e o uso do agrotóxico, mesmo sabendo que ele existe). As conseqüências são graves. A reportagem cita algumas: mexe no campo 'neuro-comportamental' e pode levar ao alcoolismo. Esquecimento básico: pode levar à morte. E chega muito mais rápido do que em 40 anos. Após um mês de borrifadas sem proteção, pode ser fatal.

O produto Tamaron, por exemplo, provoca irritação, depressão, alterações no sistema nervoso central, impotência e má-formação de fetos. É uma bomba, uma arma química. Escrevendo para o jornal A NOTÍCIA, de Santa Catarina, em 1999, o jornalista Luis Fernando Assunção relata:

"A notificação e investigação das intoxicações por agrotóxicos no Brasil são precárias. Na maioria dos Estados, as notificações não são objeto dos sistemas de vigilância epidemiológica e sanitária. A ausência de equipamentos de saúde pública e a precariedade do sistema de atendimento ambulatorial contribuem para o subregistro dessas intoxicações. Nos casos registrados, segundo o Ministério da Saúde, a faixa etária entre 20 e 49 anos concentra mais de 50% dos registros de intoxicação por pesticidas agropecuários."

A reportagem do Jornal Nacional desta segunda (21/3), a primeira de cinco, não cita campanhas que pedem o banimento dos agrotóxicos nem fala sobre os defensivos alternativos, produtos preparados a partir de substâncias não prejudiciais à saúde humana e ao meio ambiente, destinados a auxiliar no controle de pragas e doenças de agricultura e objetivando a adoção de sistemas orgânicos de produção sem nenhum resíduo químico. Vamos esperar. (GB)

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Publicado também no Tem Notícia.

 

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