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Política & Economia
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26 de maio, 2005
Lugar da oposição é fora do JN
Diz um contundente José Dirceu, chefe da Casa Civil (e, ao que parece, do PT), ao Jornal Nacional: "Lugar de quem faz oposição ao governo é na oposição. Em outro partido". Falava sobre os votos de petistas a favor da criação da CPI dos Correios.

Por mais que o digno ministro use a lógica em seus argumentos, não significa dizer que está com 'a' razão. Mas como poderíamos saber, se o JN não ouviu nenhum deputado da esquerda do PT sobre o possível ato inquisitivo?

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O quê qui há?!
Que namoro é esse entre as Forças Aéreas Brasileiras (FAB) e a TV Globo? Sexta passada no Globo Repórter, domingo no Fantástico e em pílulas espalhadas pelos telejornais. Repara só! (GB)

24 de março, 2005
Assuntos-novela
Os assuntos-novela são como as novelas da própria Globo, com personagens, temas "polêmicos", grupos que se enfrentam, alguma confusão, heróis e um final. Evidentemente que os temas não se esgotam, o que possibilita que outras novelas surjam todas as semanas, enchendo o tempo do telespectador com informações inúteis - ou melhor, úteis para quem deseja tomar o tempo do cidadão comum com questões menores e que não determinam o futuro de ninguém. Durante toda a semana (21-25/3), o Jornal Nacional repercutiu os rumores sobre a saúde do Papa e um caso de eutanásia permitido de forma inédita pela Justiça norte-americana. No Brasil, por conta da falta de verbas, os cidadãos comuns são forçados a uma espécie de "eutanásia forçada" e, no entanto, não recebem tanta atenção assim. (GB)

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Verdades definitivas
Existe uma "verdade" neoliberal dos grandes grupos de mídia que diz que o governo gasta muito e gasta mal. Uma meia-verdade com interesses obscuros, mas que é repetida todos os dias, non-stop, até que todos "aprendam" que é assim e ponto final. Depois, é só citar essa verdade, elevada a frase-predecessora do chavão "É por isso que o Brasil não vai pra frente". Nesta quinta (24/3), ao introduzir reportagem sobre ações na Previdência, a jornalista reforça: "Tão criticado porque gasta muito e gasta mal, o governo decidiu..." (GB)

18 de março, 2005
Rumo a 2006
Ao noticiar o aumento de despesas dos deputados federais - citando um número infinito como quem diz: "é todo o dinheiro do mundo" -, o Jornal Nacional desta sexta (18/3) passou da imagem do repórter para o governador de Minas, Aécio Neves, de forma tão rápida que foi impossível para mim não pensar que tratava-se igualmente de um repórter. A maior parte dos brasileiros certamente não foi rápida o suficiente para alcançar a legenda relâmpago que colocaram embaixo de Aécio, que por sinal é forte candidato à sucessão de Lula. (GB)

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Publicado também no Tem Notícia.

10 de março, 2005
Pra quê Estado?
O JN desta quinta deixou a manchete no ar, para depois de um intervalo: "O ministro José Dirceu reconhece (sic) aumento dos gastos públicos". O fato de um governo aumentar seus gastos é, na maioria dos casos e neste em particular, bom. Significa que estamos realizando mais investimentos, tanto em serviços quanto em seus servidores (como foi destacado). Que o Estado está atuando de forma mais ativa, como deve ser, e voltado para a população. Não está aumentando nada, na verdade, e sim recuperando o estrago que foi feito na "Era FHC".

Estado? Pra quê Estado? Perceba que, no palavreado do JN, Dirceu "reconheceu" o aumentoque, em boa parte, é uma exigência da sociedade. Tem que gastar melhor, claro, mas é evidente para qualquer brasileiro que falta pessoal, que falta computador e que falta, de forma mais geral, serviço público. Nada disso foi dito. (GB)

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FHC 2006
Eis outra configuração que demonstra um posicionamento político implícito. São exibidas mais cenas de terrorismo — daquelas que você já possui gravadas no cérebrocom "homem-bomba", Iraque, "rebeldes", mortos e fim de história. Cá estou, em uma análise mais profunda, a pensar qual é a função dessas imagens, para além da banalização da violência.

Eis que a resposta vem na reportagem seguinte, de forma escancarada, dando a continuidade ideológica.

O Clube de Madrid, "que reúne ex-governantes do mundo inteiro que lutam pela democracia", é presidido por Fernando Henrique Cardoso, informa o JN, e teve um encontro hoje. O tema da reunião? Combate ao terrorismo. Eis que aparece o líder que eles tanto amam, FHC, na sua encruzilhada contra os malucos deste mundo. Aqueles da reportagem anterior, de forma bem didática, que é pros netinhos entenderem. (GB)

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PS: Artigo com análise adicional sobre a edição do jornal O GLOBO do dia seguinte se encontra aqui.

1o de março, 2005
O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, anunciou na sexta (25/2) um corte de R$ 15,9 bilhões no orçamento democraticamente votado pelo Congresso para este ano. Só no Ministério do Desenvolvimento Agrário MDA) foram R$ 2 bilhões, o que faz com que o dinheiro liberado para ser gasto ao longo de 2005 só seja suficiente para assentar 40 mil famílias, quando a meta eram 115 mil.

O que sobrou é 25% a menos do que foi executado no ano passado, quando o governo também não cumpriu as metas no setor. Em outras palavras: um ataque às intenções do MDA de fazer a Reforma Agrária.

Lembre-se que Lula disse a seus ministros, em novembro de 2004, que "2005 tem que ser o ano do governo, o ano das obras e realizações". Evidentemente que o ministro do MDA, Miguel Rossetto, não ficou nada feliz e disparou críticas contundentes: "Os cortes são brutais. A sua magnitude vai fazer com que nenhum dos programas do ministério seja preservado. É preciso clareza em relação aos programas prioritários".

De que forma o Jornal Nacional trabalha esse tema?

Em primeiro lugar, não mostra quais eram os argumentos de Rossetto. Fala apenas que foram "críticas", para então emendar na fala de Palocci: "Não vemos como crítica. Vemos como expectativa do setor agrário".

O discurso oficial, de que o "Brasil não pode mais dar um vôo da galinha" e que precisa ter responsabilidade fiscal, acabou prevalecendo. Caminho aberto para as novas 'Dorothy Stang's, no campo e na cidade, que certamente surgirão. O que não se sabe é se vai dar no Jornal Nacional.

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"O Ibovesba caiu", destaca William Bonner, explosivo. Mas o que é o Índice Bovespa? E o que ele tem a ver com o brasileiro?
O Índice Bovespa - corrijam-me se estiver errado - é o valor atual, em moeda corrente, de uma "carteira teórica de ações" (?), a partir de uma "aplicação hipotética" (?!). Supõe-se não ter sido efetuado "nenhum investimento adicional", considerando-se somente a "reinversão dos dividendos recebidos e do total apurado com a venda dos direitos de subscrição", além da manutenção, em carteira, das "ações recebidas a título de bonificação".

Ação é um pedacinho de uma empresa. Com um ou mais pedacinhos da empresa, você se torna sócio dela. Sendo mais formal, podemos definir ações como "títulos nominativos negociáveis" que representam, para quem as possui, uma "fração do capital social de uma empresa".

"Extremamente confiável e com uma metodologia de fácil acompanhamento" (?!) pelo mercado, o Índice Bovespa representa fielmente não só o comportamento médio dos preços das principais ações, como também o perfil das negociações à vista observadas nos pregões da Bolsa de Valores de São Paulo - BOVESPA.

Entendeu alguma coisa? Confesso que eu também não.

Então, para resumir, sua finalidade básica é a de servir como indicador médio do comportamento do mercado. Pouco diz respeito ao brasileiro e se configura, na prática, como um indicador das negociatas que os empresários e, em maior número, especuladores fazem por aí. O tal mercado.

Especulador é aquele cara que tem muito dinheiro e que usa o sistema financeiro e sua orgia monetária para fazer mais dinheiro ainda, com base no que já tem (ou às vezes no que não tem), sem gerar um único emprego. Uma das formas de fazer isso é comprar títulos do governo brasileiro, que proporciona um dos maiores retornos financeiros do mundo (para quem tem ações e dinheiro), por conta da altíssima taxa Selic.

Portanto, os brasileiros tem tudo a ver com isso. Mas não convem, como se observa todas as noites no Jornal Nacional, explicar o porquê. (GB)

28 de fevereiro, 2005
O Banco Central anunciou hoje (28/2) que ocorreu no mês de janeiro de 2005 o maior superávit primário da história do país, mais de R$ 11 bilhões, informa o jornalista Gustavo Gindre. "O governo arrecadou estes R$ 11 bilhões, mas não os empregou em saúde, educação, reforma agrária, ciência e tecnologia, etc. Usou-o para pagar os juros da dívida externa", critica Gindre.

De que forma o Jornal Nacional anuncia este importante e absurdo fato? Com números. E só. Diz os números — dez segundos foram suficientes — e só. Nada sabe o brasileiro sobre Economia, indicam alguns analistas. Por que isto ocorre? Porque são ignorantes demais para entender o tema? Não, porque diários de TV como o JN nem sequer tentam dar qualquer explicação sobre o tema.

Poderiam ter, pelo menos, dado a versão oficial do Banco Central — a de que este superávit mostra que o governo está no caminho certo, "da responsabilidade fiscal", aquele blábláblá todo. Mas nem isso. Muito menos uma referência simples, de conhecimento de todos os jornalistas e editores, de que estas economias saem do bolso do brasileiro direto para os credores da dívida. Menos recursos para saúde, educação, reforma agrária, ciência e tecnologia — tudo patrocinado pelos brasileiros.

Incluindo os que assistem Jornal Nacional. (GB)

25 de fevereiro, 2005
Para justificar o corte de quase R$ 16 bilhões do orçamento federal, o JN começa a matéria com o termo "a Lei de Responsabilidade Fiscal...", sempre ela a justificar os criminosos desvios de verba para pagamento de juros - aqueles, da Selic, os maiores do mundo.

A reportagem fala em "apertar o cinto" - eufemismo que não faz o cara pensar na merenda das crianças -, inclusive no "cafezinho". Nós não precisamos do cafezinho, senhor Presidente. O cafezinho é dispensável. Que cortem o cafezinho! E a merenda? Ninguém fala da merenda.

Falam em números, certo. Dois bilhões e 400 na pasta de Transportes. Por que não mostrar aquele carro que caiu, durante o carnaval, dentro de uma cratera produzida com o selo da União?

Para quê isso tudo, senhor Palocci? Evitar "o aumento dos impostos", termo que eu mudaria para "sede de arrecadação".

Não há contraposição (eu nem pretendo chamar de "críticas", porque é pedir demais). Nenhum analista para colocar na balança. Para falar das estradas em péssimo estado, das escolas lotadas, dos hospitais sem remédio.

Para ler o que foi dito, basta visitar o que está escrito na Radiobrás, agência do governo federal. O JN não teve tempo de repercutir essa informação? Não teve condições técnicas? Ou não teve vontade?

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Hoje tem Globo Ecologia de novo. Imperdível, é sobre focas!!! (GB)


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