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Observatório do Jornal Nacional
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Internacional
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25 de julho, 2005
É culpa dos ingleses
Sobre o fartamente divulgado caso do brasileiro assassinado covardemente pela polícia inglesa, com oito tiros na nuca, o Jornal Nacional divulgou rapidamente uma pesquisa que dizia que "87% dos ingleses apóiam esse tipo de ação".

O que isso significa? Que 87% dos ingleses apóiam o fato de a polícia inglesa por vezes atirar primeiro e perguntar depois?

Claro que não, mas é o que fica no ar. Ótima tática para que parte do ressentimento da nação se volte para os ingleses, e não para os autores. Escapa-nos talvez que é zero o número de pessoas - ingleses ou não - que sustentam que pessoas inocentes devem ser covardemente assassinadas.

Na reportagem, comentou-se muito sobre as compensações financeiras à família do rapaz. Alguém será punido? (GB)

10 de maio, 2005
Sobre a Cúpula América do Sul-Países Árabes
Hoje assisti aos telejornais da Band e o [Jornal] Nacional e fiquei pasma ao perceber que a Globo não mencionou em seu tradicional noticiário das 20:00 h [que é o que o povo assiste] nada acerca da Cúpula da América do Sul-Países Árabes que está acontecendo em Brasília, enquanto que a Band, minutos antes, até reprisou alguns minutos da palestra do presidente venezuelano Hugo Chavez que, em seu discurso, se referiu ao ex-presidente iugoslavo Tito como um exemplo a ser seguido pela região.

A Globo, ao contrário, colocou em seu noticiário apenas reportagens que enfatizaram sobretudo a ALCA e os EUA (sic) e coisas de menor importância.

Imediatamente eu me lembrei do que essa emissora fazia nos tempos da ditadura e na época das Diretas Já, quando todos os canais noticiavam denúncias de torturas ou comícios pró-diretas, mas ela omitia. Até que, um dia, a evidência de que o regime iria cair a fez mudar de tática para continuar mantendo ["manipulando"] a audiência. Em vista disso, percebi o quão salutar é para a consciência assistir atentamente a esses dois telejornais. (RM)

5 de maio, 2005
Piada de mau gosto
“Não esqueçam das vítimas nem dos assassinos”. De Ariel Sharon, em Auschwitz.

De maneira bíblica, o correspondente da Globo fala em "inferno nazista" e "demônio do holocausto" - uma maneira fácil e preguiçosa de "explicar" a História.

Deveriam verificar, aliás, que boa parte dos assassinos foram acomodados pela Casa Branca após a segunda guerra, como mostram os jornalistas norte-americanos de renome, em livros sobre o assunto. (GB)

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Publicado também pelo Centro de Mídia Independente e pelo Pravda Brasil.

2 de maio, 2005
Atenção: tem sangue no meio
O Jornal Nacional noticiou hoje (2/5) que a soldado norte-americana Lynndie England declarou-se culpada, em uma corte marcial, de abuso contra prisioneiros detidos na prisão de Abu Ghraib, no Iraque. Foram mostradas as chocantes imagens em que ela humilha iraquianos. 99% das pessoas pensam: "Que bom, alguma justiça foi feita".

O que, no entanto, o público não fica sabendo - e é óbvio que o JN não se preocupa em investigar - é que há indícios fortíssimos no congresso americano, com farta documentação, de que a tortura veio de cima. De generais. Em outras palavras, era institucional. E a justiça, portanto, não foi feita. Apenas na imprensa - que hoje em dia é o que interessa.

É briga igual em todo canto, inclusive com nossa ditadura caseira (64-82): enquanto os meios de comunicação tentam passar a mão na cabeça do poder estabalecido, dizendo que as truculências eram obra da maldade humana aqui e ali, documentos mostram que tratava-se de política de Estado. Tal qual é hoje, com o governo de extrema-direita que ocupa a Casa Branca e que a mídia insiste em chamar apenas de "conservador". Isso permite, aliás, que você o compare à simpática figura de um avô, com todas aquelas idéias saudosistas.

Faltou dizer que tem sangue no meio. (GB)

23 de março, 2005
Haiti: já era hora
O JN destacou nesta quarta (23/3) a vinda do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, que afirmou: "Não consigo imaginar por que a Venezuela precisaria de cem mil AK-47". O vice brasileiro José Alencar rebateu: "O Brasil sempre defendeu e continuará defendendo a autodeterminação de diferentes povos e a não-intervenção nas relações entre outros países".

O JN registrou também o elogio de Rumsfeld à intervenção liderada pelo Brasil no Haiti, para depois contrapor com o relatório da organização não governamental Justiça Global, que revela uma série de irregularidades das chamadas forças de paz da ONU, como "prisões arbitrárias e execuções sumárias". Uma boa contraposição, diga-se de passagem, mas com algum atraso, pois há muito que relatos de desrespeito aos direitos humanos e políticos não páram de chegar do país caribenho.

Deu poucos detalhes - apenas anunciou - que o secretário queria "conhecer o projeto SIVAM", da Amazônia. É só isso mesmo? (GB)

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Kadafi: notícia pela metade
Nota do JN desta quarta (23/3) sobre declarações do líder líbio Muamar Kadafi são emblemáticas para mostrar o problema da descontextualização jornalística, decorrente da forma superficial que alguns temas são tratados. Em 10 segundos, William Bonner informa que, durante um encontro da Liga Árabe em Argel, na Argélia, Kadafi disse que os líderes palestinos e israelenses são "idiotas" por quererem dois Estados diferentes, e não apenas um. Depois mostrou Mahmoud Abbas, presidente palestino, rindo da ofensa.

Para a maior parte das pessoas, Kadafi é um total desconhecido. Se você recebe este tipo de informação sobre um total desconhecido, certamente vai menosprezá-lo em suas próximas opiniões e, certamente, o achará infantil demais para ocupar o cargo mais alto de um país. Desta forma, não há qualquer tipo de manipulação na notícia em si, pois Kadafi de fato afirmou que os líderes das duas nações são idiotas. No entanto, sabemos que este não é o seu principal argumento, havendo evidentemente um posicionamento muito mais complexo do que este que o Jornal Nacional passou para seu público. (GB)

22 de março, 2005
Ameaça esquecida
O aquecimento global, que é um dos maiores problemas do mundo moderno e uma das maiores ameaças à nossa existência, merece mais atenção do que apenas uma frase. Alimentos e água potável podem faltar caso o problema continue se agravando. Sem isso, é bom lembrar, ninguém vive. O número de famintos aumentará sensivelmente e, pior, muitos irão comemorar - mesmo que de forma discreta - por conta da eliminação do "excesso" de habitantes no planeta. Como nas guerras. (GB)

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Quem liga?!
A bolsa de Nova Iorque fechou em baixa de 0,9%. (GB)

18 de março, 2005
Macaco sem voz
Pelo Jornal Nacional desta sexta (18/3), você nada poderá saber sobre uma nova lei na Venezuela muda o Código Penal e pune quem ofenda ou difame o Presidente da República. Quem cometer uma injúria contra um alto funcionário público poderá pegar de 3 a 15 meses de prisão.

Mesmo que eu tenha dado a notícia de forma seca e descontextualizada - o que não ajuda ninguém a saber algo a respeito -, o Jornal Nacional vai mais longe: diz que foi aprovada "por deputados governistas" uma lei para "proteger especificamente Hugo Chávez". A primeira mentira ou, no mínimo, interpretação de má fé.

Segundo o imparcialíssimo JN, o governo "encontrou uma maneira de moderar as críticas", com ênfase na palavra moderar, como quem diz: "moderar nada, querem calar a imprensa".

Depois, resumiram a Lei de Responsabilidade Social de Rádio e Televisão da Venezuela, aprovada em dezembro de 2004, a uma "lei que pune os jornalistas". E só. É tudo o que o telespectador saberá sobre isso. Trata-se de uma lei que pune os jornalistas. Afinal, Chávez é um ditador. Para o JN, mesmo após ter passado por oito provas democráticas e só aprovar leis por meio da casa legislativa (e não por Medidas Provisórias, como se faz no Brasil), continua a ser um ditador.

Em tempo: os mais atentos poderão perceber a manipulação. Mas o crime está feito: 40 milhões de brasileiros receberam a publicidade anti-Chávez.

Continuam, dizendo que Chávez quer "impedir as críticas". Estou aqui, tranqüilo, esperando aqueles três segundos em que alguém do próprio governo, ou quem sabe um deputado chavista, aparecerá para explicar o ponto de vista bolivariano. Mas esses três segundos não chegaram. O próprio Jornal Nacional tratou de "explicar" do que se tratava a lei, mesmo que esta visão é, por coincidência, o que pensa a oposição golpista.

Por falar em oposição, nada se falou sobre o linguajar utilizado neste país no que diz repeito à figura do presidente da República. Não citaram que na Venezuela, Hugo Chávez ouve de alguns dos mais influentes jornalistas de meios impressos e audiovisuais adjetivos como "macaco", "bêbado", "louco", "cabeçudo" e até "assassino". Apesar disso, nenhum jornalista foi preso nem processado.

Millôr, sempre oportuno: "Quando você chega em um país e toda a imprensa, unanimemente, comemora o Dia da Liberdade, trata-se de uma ditadura. Se, porém, a imprensa diz que o clima de restrições à liberdade é insuportável, você está numa democracia".

Lição valiosa: você sabe que a oposição de um país está desesperada quando começam a chamar o presidente de cabeçudo.

* * *

Marcelo Salles, do FAZENDO MEDIA, comenta: "Em todas as imagens exibidas de Chávez ele estava com expressão carregada, tensa. No final também disseram que cenas violentas não poderão ser exibidas após as 23h, "cenas como essas" (mostrando um protesto de rua). E aí deram voz a dois garotos que acusam chávez de querer censurar a imprensa." (GB)
10 de março, 2005
Menosprezo do povo boliviano organizado
A edição de hoje mostra as pessoas que apóiam o presidente da Bolívia, Carlos Mesa, apesar de a oposição estar em maior número e — o principal — mais organizada politicamente. Como o Jornal Nacional os classificou? "Pequenos grupos que desrespeitam a lei e querem desestabilizar o país", diz o enviado especial, que completa afirmando (e mostrando uma imagem) que os movimentos sociais estão "em menor número".

Manipulação grosseira com a imagem e mentiras com as palavras, eis o que se deu. Contra o poder das imagens e do monopólio, no entanto, o bravo povo boliviano nada pode fazer. O que não o impede de parar a venda de recursos naturais da Bolívia a preço de banana. Inclusive para a gigante transnacional PETROBRÁSalguém aí conhece? —, o que fez o JN se preocupar profundamente com "o bloqueio das estradas que ameaça o abastecimento do país".

Faltou dizer que país é esse. (GB)

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Notícia ou fofoca?
Uma notinha informa que o ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, sofreu uma cirurgia. Está bem. Não é possível decorar muito do que foi relatado, mas ele foi ao hospital e já saiu, já está em casa com a Hillary, que por sinal é uma mulher muito forte e que o perdoou naquele caso de adultério, aliás meu vizinho também tem dessas, que feio, o Jucenir. Igualzinho ao Jucenir.

O que o JN chamou de "notícia", eu chamo de fofoca desnecessária. Não há relevância, apenas pelo fato de que ele é uma "celebridade" — o que não torna a informação de interesse público, a não ser que os editores queiram. É o que a mídia chama de um fato político e eu chamo de fabricação de um fato.

Você já tentou imaginar o JN se importando em ir pelo menos uma vez ao mêssó uma vezinhaa algum hospital público brasileiro para entrevistar, talvez, o Jucenir? Não, com "os debaixo" não devemos nos importar tanto quanto o papa, nesse vai-e-vem no Vaticano que não acaba nunca.

Muito católico isso. (GB)

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PS: Artigo com análise adicional sobre a edição do jornal O GLOBO do dia seguinte se encontra aqui.

2 de março, 2005
A invasão oficializada
Impressiona a boa vontade que o Jornal Nacional tem em relação aos governantes norte-americanos — a saber, um grupo de extrema-direita que aumentou a antipatia de quase toda a população mundial depois de distribuir terror e medo pelo planeta, seja diretamente ou pela ajuda militar a aliados terroristas.

Após informar que um juiz e seu filho, que trabalhavam no julgamento do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein, foram mortos por pistoleiros em Bagdá, o JN afirmou que o presidente norte-americano está "preocupado" com a situação. Bush quer "que Saddam seja julgado como criminoso comum". E conclui: "Não vai ser uma tarefa simples, se os rebeldes começarem a ameaçar os 50 juízes e promotores que trabalham no julgamento".

O JN não se preocupa, por exemplo, em falar sobre a ilegalidade do que está ocorrendo no Iraque, que tem sua soberania estuprada há algum tempo. Os EUA, por conta dessa invasão, é o grande promotor da insatisfação interna, mas continua a afirmar que não sai de lá enquanto não houver paz.

Exatamente como está no sítio oficial do que chamam de "governo interino do Iraque": "The longer terrorists continue to destroy Iraqi lives the longer the multi-national forces will remain" [Quanto mais os terroristas destruirem vidas iraquianas, mais tempo permanecerão no país as forças multinacionais].

Se você preferir, o secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, disse na sexta (11/2) "que as tropas americanas só deixarão o Iraque quando a insurgência for derrotada".

Em outras palavras: nunca vão deixar completamente o país.

 
Casa Branca ignora a soberania do Iraque e, como aliada no Brasil, conta com os serviços da Rede Globo
É tão transparente a visão dos editores do JN de que o Iraque não merece soberania que o repórter, falando de Washington, informou apenas o que George W. Bush declarou. E o presidente do Iraque? O que pensa? A Casa Branca ignora e, como aliada no Brasil, conta com os serviços da Rede Globo.

Para não soar "radical", vou materializar a pergunta óbvia: por que ouvir apenas autoridades norte-americanas se os magistrados eram iraquianos, foram assassinados por iraquianos e estavam no Iraque?

Por falar em crimes comuns, você sabia que um advogado de familiares de vítimas do World Trade Center entrou com uma ação na Justiça acusando o presidente Bush de ter ordenado pessoalmente os atentados contra as Torres Gêmeas e Pentágono?

Foi o que informou uma rádio da Califórnia, mais precisamente o programa Alex Jones Rádio Show, e também uma corrente alternativa na Internet.

O jornalista Mário Augusto Jakobskind dá detalhes: o advogado Stanley Hilton, representando 400 familiares das vítimas — apesar, segundo ele, das pressões que está recebendo em todos os níveis — não se calou e tem afirmado que um criminoso está sentado no Salão Oval da Casa Branca. Ele se chama George W. Bush.

"Uma das testemunhas de Hilton é uma mulher que, segundo o advogado, foi esposa de um dos agentes secretos designados para espionar árabes residentes nos Estados Unidos. Este espião foi um dos 'terroristas' que se encontrava em um dos aviões comerciais que se chocou contra as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque, garante Hilton. Ele revelou também que os agentes foram treinados em bases militares estadunidenses, na Pensacola Naval Air Station".

Será que amanhã ou depois, no JN, ouviremos que 400 familiares de vítimas do World Trade Center querem que Bush seja julgado como um criminoso?

Da minha parte, estou enviando uma carta para a redação — o email é jn@redeglobo.com.br— para solicitar a inclusão dessa informação. Ela é real e importante, os detalhes estão aqui. Suponho que haja gente boa lá para verificar. Haverá, no entanto, vontade e coerência? (GB)

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Publicado também pelo Jornal dos Amigos.

23 de fevereiro, 2005
Triste ver que o JN se limita, sempre e sempre, a reproduzir o que Jorge Bush e outros líderes conservadores dizem. Uma ou duas frases e tá bom, chega. Acaba valendo a imagem, sempre muito bonita.
22 de fevereiro, 2005
É desgastante ver diariamente o Jornal Nacional, diário televisivo noturno da Rede Globo. Prometo parar amanhã. Ou abrir uma seção só para isso. Hoje, dia 22, uma "reportagem" destacou a "grande preocupação" de Jorge Bush com os planos europeus de suspender a proibição da venda de armas para a China.

Desinformados, os editores do JN realizaram uma pequena distorção: disseram que a preocupação era com a "intenção européia de exportar armas para a China", coisa que já acontece. O que estava sendo discutido era a proibição dessa venda. Mas aí já é querer muito raciocínio para pouco neurônio.

Claro que nada - absolutamente nada - foi dito sobre as exportações dos EUA não só para a Europa, mas também para países terroristas como Paquistão, Colômbia e Arábia Saudita. Afinal, isso não é importante.

Algumas agências e tevês destacaram: "Bush chama de ridícula a noção de que pretende atacar o Irã". Esse foi o título. Agora vamos ao que está dentro das matérias. Bush disse o seguinte: "Essa noção de que os Estados Unidos estão se preparando para atacar o Irã é simplesmente ridícula. Tendo dito isso, todas as opções estão na mesa".

Como se vê, a possibilidade de uma guerra não foi deixada de lado. E ele disse isso sério, suponho, pois estava em uma coletiva de imprensa, realizada após a reunião de cúpula extraordinária com líderes da União Européia.

E qual foi a reação das pessoas? Questionaram o sentido do que foi dito? Não: "A frase final arrancou risos da platéia, por se tratar de uma clara referência a ação militar." E só. (GB)

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Publicado também pelo Centro de Mídia Independente.


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