Estudos de Comunicação
POLÍTICA # 03/10/2007
Sobre a disputa entre Record e Globo

Desde a semana passada, vieram à tona, por denúncia do Observatório do Direito à Comunicação, irregularidades cometidas pela Record no uso da outorga da Rede Mulher, usada para transmitir a programação da Record News. O uso ilegal da concessão por parte da Record é apenas mais um exemplo do conjunto de ilegalidades praticadas por diversos grupos que operam emissoras de rádio e TV no Brasil. Do Observatório do Direito à Comunicação..[+]

PATRIMÔNIO PÚBLICO # 01/09/2007
Movimentos se unem para discutir concessões

Colocar gente na rua para combater um sistema de concessões que se assemelha ao “velho oeste” é o mote que une as entidades da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS). Debater os critérios democráticos para renovações e a ampliação da participação popular da sociedade serão princípios-chaves na discussão das outorgas públicas de radiodifusão. Do FNDC..[+]

ECONOMIA DA MÍDIA # 27/07/2007
Medida simples faria a gente entender muito melhor o noticiário

O Wall Street Journal tem como padrão revelar, em suas reportagens, todas os negócios das empresas sobre as quais escreve que tenham alguma relação acionária com o próprio Journal. Foi aí que um colunista da revista eletrônica Slate imaginou como é que ficaria a situação se de fato o Journal for comprado pelo barão da mídia Rupert Murdoch. Por Luiz Carlos Azenha, do site Vi o Mundo..[+]

TRANSPARÊNCIA # 07/07/2007
Cadastro de donos de emissoras deverá ter lei

Informações sobre os donos de emissoras de radiodifusão são obrigatórias desde que a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados aprovou, no final de junho, o Projeto de Lei 1879/03, do deputado Edson Duarte (PV-BA). Do FNDC..[+]

COMUNICAÇÃO # 08/06/2007
Cásper Líbero apresenta nova Líbero e faz chamada para trabalhos

Após a apresentação de seu número 18 (ano IX), o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Faculdade Cásper Líbero informa que recebe artigos e resenhas para sua edição nº 20, de dezembro de 2007, de sua revista científica Líbero. Prazo é dia 15 de agosto..[+]

CHAMADA # 08/06/2007
Envio de trabalhos para Seminário Saramago: do convento à arena midiática, em Marília

Acontece em 23 de agosto, das 14 às 22h30, no Anfiteatro da Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade de Marília, evento que reunirá teóricos e profissionais da comunicação e da área de literatura com o propósito de homenagear o escritor, prêmio Nobel da Língua Portuguesa. Podem participar estudantes e professores de graduação ou de pós-graduação e profissionais de jornalismo ou de publicidade, assim como estudiosos de Letras e áreas afins. Os textos completos devem ser enviados para himidia_unimar@yahoo.com.br até o dia 30 de junho de 2007. Os trabalhos serão selecionados no início de agosto e os aceites serão enviados aos autores até o dia 10/08/2007. As comunicações serão reunidas em livro sob o mesmo tema do seminário. Informações pelo telefone: (14) 3402-4074.

COMUNICAÇÃO # 24/05/2007
Fórum de TVs Públicas: um bom começo, mas só o começo

O Fórum de TVs Públicas não foi a fase final de um processo, mas um começo. Um bom começo. No entanto, cabe agora aos seus organizadores manterem o espírito de cooperação e participação que marcou sua primeira fase. Por Diogo Moyses e Jonas Valente, do Observatório do Direito à Comunicação..[+]

PESQUISA # 22/04/2007
Chamada de artigos para Revista Contracampo

A revista Contracampo, ligada ao núcleo de comunicação e tecnologias digitais do Programa de Pós-Gradiação em Ciências da Comunicação da UFF - Universidade Federal Fluminense, abre chamada de artigos para a edição de número 16. O tema é “comunicação e subjetividades” e o prazo é 30 de abril de 2007. Os trabalhos deverão ser impressos em três vias e enviados por correio (junto com CD ou disquete com o referido arquivo) para o seguinte endereço: Rua Tiradentes, nº 148 - Ingá - Niterói - Rio de Janeiro - CEP 24.210-510 (aos cuidados do editor-chefe). As normas para apresentação e publicação estão impressas na revista..(Da redação)

AUDIOVISUAL # 22/04/2007
CUCA da UNE vai premiar projetos de curta-metragens

Após uma Bienal que bateu recorde de inscrições de trabalhos e público, o Circuito Universitário de Cultura de Arte, o CUCA da UNE, fortalecido e revigorado, lança agora um instrumento para apoiar os jovens cineastas. Trata-se do Prêmio Curta CUCA, concurso que vai premiar cinco produções cinematográficas de estudantes universitários, que tenham no tema o movimento estudantil e trabalhe histórias da região do concorrente. Cada vencedor leva na faixa R$ 1.500, totalizando R$ 7.500 em premiação.

Para participar, basta preencher a ficha de inscrição disponível no site da UNE ou nos Diretórios Centrais dos Estudantes das universidades e enviar o DVD juntamente com a documentação solicitada no edital para a sede da UNE em São Paulo. O prazo vai de 1º de março até 1º de junho. Vale lembrar que só serão aceitos curtas de até 18 minutos. Mais informações pelo site www.une.org.br.(Da redação)

ESTUDOS CULTURAIS # 21/04/2007
A construção dos estados mentais

Foto: Alberto Jacob FilhoProfessor da Escola de Comunicação da UFRJ, Evandro Vieira Ouriques expôs ao portal Rio Mídia o seu ponto de vista sobre a atual sociedade midiática, a partir da Teoria da Comunicação, da Teoria da Cultura, da Filosofia Política e da Psicanálise. “Estamos diante de uma mídia que não reflete sobre si mesma e que é, portanto, espelho e produtora de indivíduos que não refletem sobre si mesmos”..[+]

COMUNICAÇÃO # 21/03/2007
Carta aberta ao Governo Lula e ao povo brasileiro por um sistema democrático de rádio e TV digital

A Frente Nacional por um Sistema Democrático de Rádio e TV Digital, reunida no Clube de Engenharia do Rio de Janeiro nos últimos dias 15 e 16 de março, vem a público reafirmar o compromisso expresso em sua fundação e questionar a política estabelecida pelo governo Lula para o setor de Comunicações, especialmente no que se refere à implantação da tecnologia digital no País. Constituída em abril de 2006, a Frente Nacional por um Sistema Democrático de Rádio e TV Digital agrega diversas entidades e iniciativas que, até então, atuavam isoladas (...) Leia a carta em www.frenteradiotvdigitaldemocratica.org

OPORTUNIDADE # Até 31 de julho
Prêmio para Alunos de Graduação e Professores de Comunicação

Em sua segunda edição, o Rumos Jornalismo Cultural reitera a importância de identificar um caminho possível para a melhor compreensão dos papéis e das funções da mídia, da academia e das instituições culturais na construção do que se convencionou chamar de jornalismo cultural. As intenções são ampliar as discussões sobre conceitos de arte, cultura e sociedade no ambiente acadêmico, estimular reflexões sobre o segmento econômico da cultura e do entretenimento, trazer à tona os problemas atuais que o mercado enfrenta, contextualizar a informação cultural obtida na grande mídia e nos veículos autônomos de comunicação e pensar no futuro do jornalismo diante das novas tecnologias digitais

O estudante deve estar cursando comprovadamente o terceiro, quarto ou quinto semestre de Jornalismo e/ou Comunicação Social em estabelecimento de ensino brasileiro, ser maior de 18 anos, realizar reportagem sobre cultura de acordo com orientações detalhadas no edital disponível no site: www.itaucultural.org.br/rumos2007  O edital deve ser lido com atenção pelo concorrente. Existem quatro categorias: Reportagem para Mídia Impressa, Radiorreportagem, Videorreportagem e Web-reportagem.

Já para o Professor de Graduação poder participar, tem que ter pelo menos dois anos de experiência comprovada como professor de Jornalismo em estabelecimentos brasileiros de ensino superior, redigir texto sobre Aperfeiçoamento do Professor na Cadeira de Jornalismo Cultural e/ou Formação em Jornalismo Cultural (projeto ou case), de acordo com orientações do Edital disponível no sie www.itaucultural.org.br/rumos2007. As inscrições devem ser feitas de 7 de março a 31 de julho de 2007, gratuita e exclusivamente pelo site. Dúvidas escreva para rumosjornalismo@itaucultural.org.br

OPORTUNIDADE # 11/03/2007
ONG Justiça Global seleciona assessor de comunicação

A ONG Justiça Global está selecionando jornalista para atuar em sua assessoria de comunicação. O contratado irá atualizar o site www.global.org.br, elaborar o boletim, clipping e o mailing institucional, redigir notícias e atender a mídia, além de organizar a documentação de casos de violação de direitos humanos. Dentre as atribuições, o candidato precisa morar no Rio de Janeiro, possuir disponibilidade para viagem, experiência profissional na área, conhecimento de HTML e outras ferramentas de Internet.

Os interessados devem enviar currículo até o dia 15/03 para global@global.org.br. No assunto, "Processo Seleção Jornalista". Com o currículo, são necessárias duas referências de empregos anteriores e uma carta de apresentação de uma ou duas laudas, demonstrando o interesse em trabalhar com direitos humanos e sua afinidade com a posição ideológica da ONG. A divulgação do resultado final da seleção está previsto para 28/03.

COMUNICAÇÃO # 10/03/2007
Aulas sobre jornalismo social começam na próxima semana na UFRJ e na UnB

Disciplinas que iniciam nesta segunda (12/3) e quinta (15/3) na UFRJ e UnB visam qualificar os futuros profissionais de mídia na abordagem dos temas relevantes para a agenda social brasileira. Da redação..[+]

COMUNICAÇÃO # 10/03/2007
Lançamento livro sobre a Mídia dos Excluídos

Maria Cristina Gobbi, Diretora-Suplente da Cátedra Unesco/Metodista de Comunicação para o Desenvolvimento Regional, convida para o lançamento do livro “Folkcomunicação, a mídia dos excluídos”, publicado pela Secretaria de Comunicação da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, na série “Cadernos de Comunicação”. Será nesta terça-feira, dia 27 de março, às 16h no Conjunto Intercom – Av. Brigadeiro Luis Antonio, n. 2050, 3o. andar - Bela Vista - São Paulo (SP)..(Da redação)

COMUNICAÇÃO # 25/11/2006
Escola de Comunicação da UFRJ expõe trabalhos finais de curso dias 5, 6 e 7 de dezembro

A ECO Mostra entra em sua quarta edição fiel ao seu propósito de promover a exposição dos trabalhos finais de curso dos alunos de Comunicação Social para o público mais abrangente possível. Propõe-se que a 4º  ECO Mostra seja um canal direto com a sociedade, uma ótima oportunidade para se conhecer jovens talentos de todas as áreas de comunicação social. Na 4º ECO Mostra serão apresentados trabalhos audiovisuais, monografias, programas de rádio, exposições fotográficas e livros criados pelas diversas turmas de Jornalismo, Produção Editorial, Publicidade & Propaganda  e Rádio & TV. As apresentações serão nos dias 05, 06 e 07 de dezembro de 2006 das 9h às 21h, nas salas 108, 111 e 113 da Escola de Comunicação: Av. Pasteur, nº 250 Campus Praia Vermelha. Mais informações pelo telefone 3873-5066 ou 2295-5896 e pelo www.eco.ufrj.br/ecomostra.(Da redação)

EM DESTAQUE # 22/11/2006
Função-autor (Foucault)

Para Michel Foucault, o que denomina como “função-autor”, dispensada nos discursos científicos pela sua pertença a um sistema que lhe confere garantia, permanece nos discursos literários. A "função-autor" não se constrói simplesmente atribuindo um texto a um indivíduo com poder criador, mas se constitui como uma "característica do modo de existência, de circulação e de funcionamento de alguns discursos no interior de uma sociedade" (Foucault, 1992, pág. 46), ou seja, indica que tal ou qual discurso deve ser recebido de certa maneira e que deve, numa determinada cultura, receber um certo estatuto. O que faz de um indivíduo um autor é o fato de, através de seu nome, delimitarmos, recortarmos e caracterizarmos os textos que lhes são atribuídos.

FOUCAULT, Michel. 'O que é um autor?' Vega: Passagens, 1992. Tradução de Antonio F. Cascais e Edmundo Cordeiro. [http://www.unicamp.br/~hans/mh/autor.html]


VÍDEOS # 04/11/2006
Midiatrix Revelations, o filme

Curta-metragem inteligente e bem-humorado, com cinco minutos de duração. Interpreta e brinca com imagens do filme Matrix para denunciar o simulacro coordenado por grandes grupos de comunicação, que se utilizam de concessões públicas para manipular a realidade. O protagonista Neo de Midiatrix Revelations é ameaçado após descobrirem que ele havia jogado sua televisão fora e cancelado sua assinatura da Revista VEJA. “Era muita porcaria pro meu cérebro”, rebate. A Revista Consciência.Net indica. Clique aqui para assistir.

VIDEOLOGIAS # 04/11/2006
O sentido ideológico

“Não há sociedade que se sustente sem formular sua própria mitologia. O mito, no sentido tradicional, é o sistema criador de significações “indiscutíveis” (Barthes), que mascara o desamparo humano no reino da linguagem. A linguagem é a morada do homem, morada insegura. Sem o mito, ela não seria suportável (...)”

“No início do século XX, Saussure identificou um deslizamento entre o significante e o significado. Um patina sobre o outro, sempre, deslocando os sentidos: o que não era passa a ser, deixando de ser no instante seguinte. Significantes e significados, como amantes fugidios, entregam-se e escapam-se, sem que se saiba direito por quê. No momento preciso em que há uma fixação de um sobre o outro, cristaliza-se a ideologia. O sujeito tem a sensação de que as coisas fazem sentido! Claro: sentido ideológico (...)”

“Desde sempre, os significantes transitam sem cessar. Michel Foucault dedicou As palavras e as coisas ao exame dos deslocamentos sofridos pela relação entre a linguagem e a verdade, desde o final da Idade Média no Ocidente. Tudo passa. Não existe, de fora da linguagem, um significante sólido que garanta a relação do conjunto de significantes com a verdade das significações (...)”

BUCCI, Eugênio; KEHL, Maria Rita. Videologias: ensaios sobre televisão. SP: Boitempo, 2004


QUARTO PODER # 01/11/2006
O único poder que edita suas próprias leis

“O filósofo Paul Virilio chegou a uma conclusão drástica: a mídia contemporânea é o único poder que tem a prerrogativa de editar suas próprias leis, ao mesmo tempo em que sustenta a pretensão de não se submeter a nenhuma outra. A justificativa para tal procedimento trafega entre o cinismo e a treva: uma vez afetada a liberdade de imprensa, todas as liberdades estarão em perigo. Cinismo, diz ele, porque esta reivindicação agressiva trata de negar o óbvio: os meios de divulgação e de formação de opinião vêm se concentrando, de forma brutal, no mundo inteiro, nas mãos de grandes empresas”.

Luiz Gonzaga Belluzzo, jornal Valor Econômico, “As suaves truculências da liberdade”, set/2006, citado por Marco Aurélio Weissheimer.


QUE LIBERDADE? # 01/11/2006
O grito dos “independentes”

(...) Enquanto isso, a Veja, a Folha de São Paulo e a Rede Globo, entre outros, protestam contra a ameaça à liberdade de imprensa no Brasil. E os escribas da direita de plantão seguem acusando e insultando lideranças da esquerda, dia e noite, sem que nada lhes aconteça. Lula já foi chamado inúmeras vezes de “bêbado”, “mentiroso”, “ladrão”, “corrupto”, apenas para citar os adjetivos mais leves. Qualquer menção a uma reação jurídica aos que emitem tais opiniões é imediatamente taxada de “ameaça à liberdade de imprensa”.

O editorial da Folha de São Paulo desta quarta-feira (1°) afirma: “Confirma-se o ceticismo a respeito da brandura que marcou a atitude da campanha de Lula para com a imprensa no segundo turno. Um verniz de humildade substituíra a arrogância, o desapego à prestação de contas e a truculência do petismo governista enquanto interessava ao cálculo eleitoral. Fechadas as urnas, setores da militância do PT puseram em marcha uma campanha que tenta intimidar meios de comunicação independentes”. Meios de comunicação independentes? Independentes do que e de quem exatamente? Nunca é demais lembrar alguns números sobre a concentração da mídia no Brasil.

O poder midiático no Brasil se concentra nas mãos de algumas poucas famílias e empresas. O maior grupo de comunicação do país, a Rede Globo, possui 227 veículos, entre próprios e afiliados. É o único dos grandes conglomerados que possui todos os tipos de mídia, a maioria dos principais grupos regionais e a única presente em todos os Estados brasileiros. A indústria televisiva domina o mercado da publicidade, detendo cerca de 56,1% de suas verbas. Em segundo lugar vêm os jornais, com 21,5%, as revistas com 10,6% e as rádios com 4,9%. Todos os outros veículos somados chegam a 6,9% do mercado publicitário. Sozinha, a Rede Globo detém mais da metade do mercado televisivo brasileiro.

Além do imenso poderio da Globo, outros seis grandes grupos regionais se destacam. A família Sirotsky comanda a Rede Brasil Sul de Comunicações, controlando o mercado midiático no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. A família Jereissati está presente no Ceará e em Alagoas. A família Daou tem grande influência no Acre, Amapá, Rondônia e Roraima. A mídia da Bahia pertence à família Magalhães. No Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul, os negócios são controlados pela família Zahran. E, por fim, a família Câmara tem grande influência em Goiás, Distrito Federal e Tocantins. Segundo dados da Associação Nacional de Jornais, relativos ao período 2001-2003, apenas seis grupos empresariais concentram a propriedade de mais da metade da circulação diária de notícias impressas no país. Sozinhos, estes veículos respondem por cerca de 55,46% de toda produção diária dos jornais impressos.

Qualquer menção à necessidade de democratizar esse cenário é rebatida fortemente por artigos e editoriais destes grupos hegemônicos. Artigos como o publicado pelo colunista Merval Pereira nesta quarta-feira no jornal O Globo, que denuncia um “surto autoritário” por parte do governo Lula e do PT. “Que governo é esse que mal saído das urnas com uma consagradora vitória eleitoral precisa dar uma demostração de força contra a liberdade de imprensa?”, indaga o colunista. Logo em seguida, critica duramente a proposta levantada por Ciro Gomes no sentido de incentivar os meios de comunicação alternativos. “Essa solução oficial para incentivar uma mídia independente com dinheiro público, além de risível pela própria incoerência, tem precedentes históricos ruins: foi na CPI do jornal Última Hora, criado a partir de empréstimos generosos do Banco do Brasil para defender o governo de Getúlio Vargas, que surgiu a expressão mar de lama”, escreve Merval.

Para o colunista, o dinheiro público deve continuar indo apenas para o fortalecimento dos monopólios midiáticos já existentes. Ele esquece de mencionar os negócios generosos firmados entre a Rede Globo e a ditadura militar que ajudaram a transformar o grupo no que é hoje. Aí, para ele, não houve nenhum “mar de lama”. Talvez de sangue, não custa lembrar. (...)

A análise é de Marco Aurélio Weissheimer na Carta Maior.


COMUNICAÇÃO.#.23/10/2006
Entre eleitos, 80 parlamentares controlam rádio ou televisão

Um terço dos senadores e mais de 10% dos deputados eleitos para o quadriênio 2007-2010 controlam rádios ou televisões. A Agência Repórter Social realizou um levantamento inédito sobre a posse de rádios e TVs por parlamentares, a partir de dados entregues por eles mesmos aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), na maior parte disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A reportagem é de Alceu Luís Castilho.

ELEIÇÕES.#.20/10/2006
“Mídia levou eleição para o segundo turno”

O cientista político e diretor do instituto de pesquisa Vox Populi, Marcos Coimbra, disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta sexta-feira, dia 20, que a atuação da mídia ajudou a levar a eleição presidencial para o segundo turno. Segundo Coimbra, esse bombardeio da imprensa nunca foi visto no Brasil, nem mesmo em 1989. “Apesar de termos tido em 89 uma eleição muito disputada entre Collor e Lula no segundo turno, nós tínhamos visto ainda uma atuação tão intensa da imprensa, especialmente na semana que antecedeu o primeiro turno”. Leia no Conversa Afiada.

COMUNICAÇÃO.#.17/10/2006
As outorgas de rádio e TV que vencem em 2007

Em contribuição à 4ª Semana Nacional pela Democratização da Comunicação – de 18 a 25 de outubro – o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) publica, a título de serviço público, a relação das 181 emissoras cujas outorgas expiram no ano que vem. São 28 emissoras de TV, 80 de rádios FM e 73 de rádios AM que terão buscar renovação em 2007. As cinco emissoras da Rede Globo estão entre elas. Leia no boletim e-Fórum nº 122, de 14/10/2006, do FNDC.

O governo e a oposição

“Na eleição de 1932, seis de cada dez jornais fizeram oposição a ele e Roosevelt acreditava que era vítima de um ódio profundo de donos de empresas jornalísticas, que distorciam as notícias para prejudicá-lo. As redes de estações de rádio, ao contrário, deram total colaboração... e o Presidente usou o rádio para atingir o público diretamente e explicar seus programas”.

Paul Starr, The Creation of the Media – Political Origins of Modern Communication, Basic Books, New York, 2004, página 360


3º Congresso de Extensão da UFRJ

Ocorrerá nos dias 4, 5 e 6 de outubro de 2006 no Rio de Janeiro o 3º Congresso de Extensão da UFRJ. A Revista Consciência.Net (www.consciencia.net), fundada em maio de 2000, participa do evento. Na UFRJ, o Consciência.Net é apoiado pelo Programa de Educação Tutorial da Escola de Comunicação (PET-ECO). A apresentação do projeto é no modo pôster. A programação completa e a apresentação do congresso você acessa em www.pr5.ufrj.br.(Da redação, 3/10/2006)

UNESCOM 2006 em São Bernardo do Campo

Vai de 9 a 11 de outubro, na Universidade Metodista de São Paulo - Campus Rudge Ramos - São Bernardo do Campo (SP), o UNESCOM 2006 - Congresso Multidisciplinar de Comunicação para o Desenvolvimento Regional. O tema central é Comunicação, Região, Inclusão e Diversidade - Promovendo o desenvolvimento humano na era digital. O evento também é comemorativo dos 10 anos de atividades da Cátedra Unesco/Metodista de Comunicação para o Desenvolvimento Regional. Informações em http://ploneweb.metodista.br/unescom.(Da redação, 3/10/2006)

4o Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo

Vai ocorrer de 5 a 7 de novembro, na UFRGS, em Porto Alegre, o 4o Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, fórum para apresentação das pesquisas neste campo realizadas nos programas de pós-graduação e pelos pesquisadores das universidades brasileiras. Promovido pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), fundada durante o congresso de Brasília em 2003, com a presença de 130 pesquisadores, o encontro congrega especialistas de diferentes campos do conhecimento que têm o jornalismo como objeto de pesquisa. Informações completas em www.sbpjor.ufsc.br/ivsbpjor/.(Da redação, 3/10/2006)

Submidialogia#2 em Pernambuco

Quatro dias de estudo e discussões sobre teorias e práticas de mídia digital brasileira. Esta é a proposta do Submidialogia#2, que rola dias 12, 13, 14 e 15 de outubro de 2006, em Olinda, Pernambuco. Antes, de 9 a 12 de outubro, ocorre o Encontro de Rádios Livres, em Recife. Fique por dentro em http://submidialogia.descentro.org/.(Da redação, 1/10/2006)

Workshop Universo Blog

Curso será dia 30 de setembro, no Rio de Janeiro. Objetivo é apresentar um panorama da Blogosfera, mostrando desde definições didáticas até atualidades do universo dos weblogs; Ensinar como montar e atualizar um weblog; Iniciar discussões em torno do papel do blog nos dias de hoje. Saiba mais clicando aqui.

Colaborador da Revista Consciência.Net apresenta trabalho sobre não-violência

Incentivar o estudo sistemático de progressos alcançados pela produção dos estados mentais, atitude política entendida como a condição para o vigor da experiência de comunicação, em especial na América Latina e no eixo Sul-Sul. Este é um dos desafios do trabalho “O Valor Estratégico da Questão da Não-violência para o Vigor da Comunicação”, de autoria do professor Evandro Vieira Ouriques, da Escola de Comunicação da UFRJ, no XXIX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Intercom 2006.

Ele utilizou dados de pesquisa que realiza na disciplina que oferece na UFRJ – Construção de Estados Mentais Não-violentos na Mídia – e pela pesquisa de pós-doutorado em Estudos Culturais no Programa Avançado de Cultura Contemporânea – PACC/UFRJ, sobre o tema Comunicação, Gestão da Mente e Não-violência. O Intercom deste ano será na Universidade de Brasília (UnB), de 6 a 9 de setembro. Evandro é colaborador há mais de dois anos da Revista Consciência.Net. O trabalho será apresentado às 14h do dia 9 de setembro e o resumo pode ser visualizado clicando aqui..(Da redação, 3/9/2006)

1° Encontro da ULEPICC de Economia Política da Informação, Comunicação e Cultura

Vai ocorrer em Niterói (RJ) o 1° Encontro da ULEPICC Brasil - União Latino-americana de Economia Política da Informação, Comunicação e Cultura. O evento, de caráter nacional, será realizado no período de 18 a 20 de outubro deste ano, com o intuito de debater o papel da Economia Política da Comunicação na sociedade contemporânea e de promover diálogos entre campos afins na área de Comunicação. Da redação, 26/7/2006..[+]

Fundação Avina abre inscrições para bolsas de investigação jornalística

Bolsas consistem em um incentivo que busca premiar, mediante apoio financeiro e técnico, propostas inovadoras de investigação jornalística para uma cobertura de excelência sobre iniciativas relevantes ao desenvolvimento sustentável nos países da América Latina. Da Agência Consciência.Net, em 16/6/2006.

Responsabilidade civil, dignidade humana e cyberdireito

Diversas notícias recentes publicadas em jornais, websites e blogs do Brasil e do exterior têm associado o nome do médico Hilton Pereira da Silva com a comercialização de células sanguíneas dos índios Karitiana e Suruí, de Rondônia, através da internet. (...) Por Anna Cruz de Araújo, Bacharela em Direito, em novembro de 2005..[+]

Antologia do “Pasquim”

Luis Fernando Verissimo registra em sua coluna, em 20/4/2006: “É difícil dizer quem deve aproveitar mais a antologia recém-publicada: quem não conhecia nada do “Pasquim” e vai descobrir do que se tratava ou quem viveu aquela época, e vai se deliciar de novo com o que se lembrava ou se surpreender com o que tinha esquecido. Com a genialidade ainda atual de Millôr, Henfil, Jaguar, Ivan Lessa, Ziraldo etc. eu não me surpreendi — mas como era bom o Chico Buarque escrevendo de Roma! Eu também não me lembrava de que tinha colaborado no Pasquim. Está lá. Uma página. E espero que o volume 2 (que deve vir, já que este é o 1) inclua os números publicados quando o pessoal foi preso, e nos quais todo o mundo colaborou.”

MP investiga bancada dos donos de canais de rádio e tevê

Representação na Procuradoria da República diz que 1 em cada 10 deputados é concessionário de veículos de radiodifusão, contrariando Constituição. Deputado gaúcho que aprovou a renovação da própria concessão alega que “votou sem saber o que estava votando”. Por Marco Aurélio Weissheimer, na Agência Carta Maior, 25/11/2005..[+]

‘Para escrever em blogs precisam de permissão do editor’

Os jornalistas do Washington Post foram avisados pelo editor chefe Wesley Pruden que precisam de permissao para terem seus proprios blogs. A regra vale também para quem for colaborador regular de blogs de terceiros, sites ou outros serviços de distribuiçao de conteudo. Há uma serie de diretrizes a seguir - uma delas nao permite comentarios sobre o jornal. "Empregados, especialmente reporteres e editores, devem reconhecer que mesmo que os comentarios sejam feitos em seus 'espaços privados', suas palavras sao uma extensao direta do jornal". Dica do blog Romenesko, deu no BlueBus dia 9/1/2006.

Imprensa americana em crise está procurando uma saida

"Pelo menos 5 importantes pesquisadores norte-americanos trocaram neste fim de ano os tradicionais balanços por conselhos sobre como achar uma saída para a crise na qual a imprensa mergulhou em consequência das mudanças provocadas pela internet no cardápio dos consumidores de informaçao" - reporta Carlos Castilho no seu blog no Observatorio da Imprensa. Anota - "A preocupaçao em buscar soluçoes dá bem uma amostra de como o problema dos jornais está deixando de ser uma questao tratada a portas fechadas para entrar na agenda da própria mídia. Trata-se de uma importante mudança de percepçoes da crise e um sintoma de como os grandes impérios da comunicaçao nao estao tendo outra alternativa senao abandonar a autosuficiência e a arrogância" - segue Castilho. Leia a integra da informaçao entrando aqui. Julio Hungria é quem divulga, no BlueBus em 3/1/2006.

Grupo inglês de mídia impressa migra para a internet

Um dos mais importantes grupos editoriais britânicos, o Daily Mail and General Trust (DGMT), pretende vender todas as suas 100 publicações impressas, que valem 2,2 bilhões de euros, para dedicar-se exclusivamente a edições online. A notícia foi estampada hoje no jornal francês Libération. O DGMT é proprietário do influente Daily Mail, do Evening Standard, a bíblia dos londrinos, e do gratuito Metro. A iniciativa seria tomada em razão da forte concorrência de outros peso-pesados da imprensa regional, como o Trinity Mirror e o Johnston Press. A queda de publicidade, que migra gradativamente para a internet, também teria influído na decisão do DGMT. Dica do Ivson no Coleguinhas, em 8/12/2005.

Abril parceira do capital especulativo

É notável a profunda relação entre a revista Veja e o capital especulativo nacional e internacional. Já em 1995, a Editora Abril S.A. realizou uma parceria com as Organizações Cisneros da Venezuela, comandada por Gustavo Cisneros, um dos maiores adversários de Hugo Chávez. Por Gustavo Barreto, para a Agência Carta Maior, 29/10/2005..[+]

Barões vencem outra no CCS

Do Ivson, no Coleguinhas: “O Conselho de Comunicação Social, que é dominado pelos barões da mídia, decidiu, segunda-feira, apoiar a Proposta de Emenda Constitucional que limita a participação estrangeira a 30% do capital das empresas produtoras, programadoras ou provedoras de conteúdo de comunicação social eletrônica e também nas empresas de acesso à internet. A PEC 55/2004, de autoria do senador Maguito Vilela (PMDB-GO), tramita na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O parecer aprovado é do conselheiro Paulo Tonet, que representa as empresas da imprensa escrita no CCS (mas como os barões mandam em todas as mídias, exceto (ainda) na internet, essa distinção só existe para eles serem sobrerepresentados no Conselho). A PEC do senador Maguito é uma tentativa de impedir que as capitalizadas telecoms entrem no campo da produção de conteúdo, promovendo uma maior diversidade de produtos e permitindo a virtual monopolização do setor nas mãos das Organizações Globo. Aprovada a PEC, só os atuais barões - com as OG à frente - poderão produzir conteúdo no país, obrigando as telecoms a comprar deles as produções que necessitarem para ocupar os seus sites e celulares.” (12/10/2005)

Deu a louca na revista "Veja"?

(...) "Veja", que se ufana em apontar o dedo para repórteres que recebem iPods de gravadoras, poderia ter sido mais generosa com o leitor ao explicar sua opção pelo "não". Para não deixar dúvidas no ar, por que a revista não nos contou que a empresa à qual pertence paga aluguel de cerca R$ 1 milhão à família Birmann, da construtora homônima, que vem a ser proprietária do prédio que serve de sede da Editora Abril e também, veja só, da CBC, a Companhia Brasileira de Cartuchos? Coluna de Barbara Gancia, na Folha de S. Paulo, 14/10/2005..[+]

Time Warner quer vender parte da AOL

Deu no BlueBus esta manhã (22/9): "O chairman e CEO do Time Warner, Richard Parsons, confirmou ontem durante participaçao numa conferência do Goldman Sachs que o grupo pretende vender parte da America Online. Quer, no entanto, manter o controle do negocio. Na semana passada, o New York Post revelou que a holding estava negociando com a Microsoft, anterior aqui. Parsons, no entanto, nao comentou conversas com potenciais compradores. De acordo com o The Wall Street Journal, que cita fonte proxima a situaçao, as negociaçoes com a MS foram interrompidas e nao foram até agora reiniciadas. Leia a integra da materia, em inglês, aqui, somente para assinantes." (22/9/2005)

Por que ser jornalista?

"Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte". A opinião é de Gabriel Garcia Marquez e foi divulgada no Boletim do NPC, em agosto de 2005.

Brasil: o país das faculdades de Jornalismo
Do sítio O Jornalista, 17/8/2005

Já virou uma “Festa da Uva”. O número de cursos de Jornalismo, no Brasil,  cresce sem parar e pelo visto sem controle algum. Segundo dados do Censo do Ensino Superior de 2003, o número de cursos saltou de 260, em 2000, para 443, em 2003, o que corresponde a um aumento de 70% nesses quatro anos. Desses 443 cursos atuais, 74 são públicos e 369 privados. Segundo análise da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), os dados precisam, no entanto, ser tomados com precaução, pois pode ter havido confusão na hora de classificar os cursos.

“É possível que nas listas de Comunicação Social tenham sido contabilizadas outras habilitações que não as de Jornalismo, como os cursos de graduação em Cinema e Vídeo, Radialismo, Rádio e Telejornalismo, Produção Editorial e Publicação entre outros”, afirmou a entidade. 

Porém, alguns dados sobre a questão são incontestáveis: 

  • O Brasil tem mais faculdades de Jornalismo do que de Odontologia. Apesar de sermos um país de desdentados, pelo menos no entendimento do Ministério da Educação parece que precisamos mais de jornalistas do que de dentistas;
  • Todos os Estados brasileiros oferecem cursos de jornalismo. Com habilitação em Jornalismo já são pelo menos 300 cursos, contra menos de 200 em Odontologia.
  • A Região Sudeste concentra a maioria das escolas de jornalismo, seguida pela Região Sul, Nordeste, Centro-Oeste e a Região Norte, com o menor número delas;
  • O Governo Lula agravou a política de proliferação das faculdades de Jornalismo, apesar dos diversos apelos de uma moratória na abertura de novos cursos no País;
  • No ranking dos Estados, São Paulo é o campeão isolado. O segundo lugar é do Paraná, seguido de perto por Rio de Janeiro e Minas Gerais. O Rio Grande do Sul ocupa a quarta colocação. 
Em diversas ocasiões os jornalistas brasileiros já expressaram preocupação e cobraram providências contra a proliferação indiscriminada das faculdades de jornalismo no Brasil. Mas, nenhuma providência digna do nome foi tomada pelos órgãos competentes. 

Em 2003, o XI Congresso Estadual dos Jornalistas no Estado de São Paulo, realizado nos dias 24 e 25 de outubro, em Bauru (SP), aprovou um documento endereçado ao Ministério da Educação, no qual a categoria paulista expressava preocupação e cobrava providências contra a proliferação das faculdades de jornalismo no Brasil. No ano seguinte, a Federação Nacional dos Jornalistas reforçou o alerta. Tudo em vão. Até quando esta situação vai se perdurar? 

Clique aqui para ler um documento encaminhado ao Ministério da Educação em 2003.

Eles não admitem que você pense diferente, não é?

"Em recente palestra na Bahia, Bob Fernandes, ex-redator-chefe da revista CartaCapital, observou que 'cerca de 12 jornalistas conduzem a opiniao pública a respeito da política nacional' (no Brasil). É verdade que alguns jornalistas acreditam nisso e confundem o inquestionável poder da mídia com o seu poder individual. Por isso, as vezes, se irritam quando constatam que suas opinioes privadas podem nao coincidir com a opiniao da maioria da populaçao brasileira". Texto de Venicio Lima, pesquisador sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política (NEMP) da Universidade de Brasília e autor de livros sobre o tema, foi postado esta noite no Observatorio da Imprensa. Diz tambem - "Na grave crise política que estamos atravessando, apesar da incrível enxurrada de denúncias públicas contra o partido e o governo do presidente Lula, decorridos mais de 3 meses, sua 'imagem' positiva junto a percentual expressivo da opiniao pública continua resistindo ou tem caído numa velocidade muito aquém daquela antecipada pela maioria dos principais jornalistas multimídia". Leia a materia, na integra, no Observatorio, aqui. Dica do BlueBus, 17/8/2005

TV fica com 49% da publicidade

A televisão concentrou 49% do bolo publicitário no 1º semestre, segundo o Ibope Monitor. As informações são referentes ao período de 1º de janeiro a 30 de junho. A TV obteve 7,54 bilhões dos investimentos publicitários, de um total de R$ 15,43 bilhões. Internet não está no levantamento. Veja:

  • TV - R$ 7,54 bilhões (49%)
  • Jornal - R$ 5,12 bilhões (33%)
  • Revista -R$ 1,3 bilhão (8%)
  • Rádio - R$ 445,24 milhões (3%)
  • Outdoor - R$ 67,96 milhões (menos de 1%; junho não foi computado).
  • Total - R$ 15,43 bilhões
Casas Bahia segue líder em investimento publicitário

As Casas Bahia ocupam o topo do ranking de investimentos publicitários no levantamento do 1º semestre, segundo dados do Ibope monitor. O estudo leva em conta TV aberta, revista, jornal, rádio e TV por assinatura, tendo como base a tabela de preços dos veículos. A Unilever Brasil aparece em 2º, bem distante, e a General Motors em 3º. A Volkswagen está em 11º, a Schincariol em 17º, a Coca-Cola em 19º e a Skol em 30º. Veja os dez primeiros:

01 - Casas Bahia (R$ 1,08 bilhão)
02 - Unilever (R$ 259,01 milhões)
03 - General Motors (R$ 192,09 milhões)
04 - Grupo Pão de Açúcar (R$ 156,43 milhões)
05 - Vivo (R$ 155,31 milhões)
06 - Fiat (R$ 147,56 milhões)
07 - TIM (R$ 137,02 milhões)
08 - Liderança (R$ 128,41 milhões)
09 - Ford (R$ 126,52 milhões)
10 - CVC (R$ 114,04 milhões)
Rio e SP concentram 52% da propaganda

As cidades de São Paulo (35%) e Rio de Janeiro (15%) concentraram mais da metade dos investimentos publicitários no 1º semestre, segundo o Ibope Monitor. O levantamento considera a TV aberta, revista, jornal, rádio, outdoor e TV por assinatura, com base nas tabelas de preços dos veículos.

São Paulo - R$ 5,64 bilhões (37%)
Rio de Janeiro - R$ 2,26 bilhões (15%)
Nacional (TV paga e revista) - R$ 2,09 bilhões (14%)
Interior SP - R$ 1,29 bilhão (8%)
Outras Praças - R$ 671,05 milhões (4%)
Belo Horizonte - R$ 619,08 milhões (4%)
Porto Alegre - R$ 602,49 milhões (4%)
Recife - R$ 497,71 milhões (3%)
Curitiba - R$ 477,81 milhões (3%)
Salvador - R$ 408,2 milhões (3%)
Fortaleza - R$ 372,48 milhões (2%)
Brasília - R$ 296,12 milhões (2%)
Florianópolis - R$ 181,68 milhões (1%)
Total: R$ 15,43 bilhões

Fonte: Advillage (advillage.uol.com.br), 10/8/2005


A defesa da liberdade de imprensa

(...) O esforço das campanhas pela "liberdade de imprensa" que, periodicamente, surgem, e não apenas nos jornais e revistas - uma curiosidade: aparecem numerosas organizações e forças estranhas à imprensa nessas campanhas - visa sempre, e tão-somente, a exclusão do poder governamental, a interferência do poder público. O obstáculo à liberdade de imprensa é, nessas campanhas, o Estado, particularmente através da censura. Trata-se, evidentemente, da concepção liberal, peculiar à fase ascensional da burguesia. Em tal fase, as limitações à imprensa só podiam partir dos detentores do poder; o capitalismo de concorrência estava interessado em que a imprensa fosse livre, não se visse limitada pela violência ou pela censura da autoridade pública, mas nisso esgotava o seu conceito de liberdade de imprensa.

Tudo mudou, entretanto, com o capitalismo monopolista, com o imperialismo: a luta contra a censura e todas as formas de cerceamento impostas pela autoridade passou a ser aspecto parcial da luta pela liberdade de imprensa e, algumas vezes, aspecto menor. A transformação da imprensa em negócio de grandes proporções, em empresa, e, paralelamente, o desenvolvimento, complexidade e encarecimento de suas técnicas, demandando grandes investimentos e acompanhando o desenvolvimento qualitativo e quantitativo do público, mostra como a proteção contra a censura perdeu o interesse antigo, embora não tenha esse desaparecido; as grandes empresas jornalísticas, no essencial, se autocensuram. Isso conduz à transformação dialética, finalmente: de instrumento de esclarecimento, a imprensa capitalista se transformou em instrumento de alienação, fugindo inteiramente aos seus fins originários.

A liberdade de imprensa, na sociedade capitalista, é condicionada pelo capital, depende do vulto de recursos de que a empresa dispõe, do grau de sua dependência em relação às agências de publicidade. Isso se tornou claro, no Brasil, desde a segunda metade do século XX. De tal sorte que os assuntos de interessenacional só encontraram possibilidade de estudo em revistas especializadas, e as correntes de opinião divergentes das forças dominantes tiveram a capacidade reduzida apenas à possibilidade de manter semanários, - o jornal diário já colocado fora de seu alcance. (...)

Nelson Werneck Sodré. História da Imprensa no Brasil, páginas 407 e 408. Rio: Mauad, 1999


Três princípios básicos que fundamentam o jornalismo

1. Devoção canina pela verdade factual.
2. Exercício incansável do espírito crítico.
3. Fiscalização diuturna do poder.
Fonte: Mino Carta, jornalista,
novembro de 2004


Dados da Associação de Jornais confirmam concentração da mídia brasileira

Dados publicados no site da Associação Nacional de Jornais - ANJ - sobre a comercialização de jornais diários impressos nos anos de 2001, 2002 e 2003 indicam alto grau de concentração na mídia impressa brasileira. Dentre mais de 500 veículos de comunicação impressos de circulação diária em todo país, os dez maiores jornais em circulação estão localizados na região Sul e Sudeste. Apenas seis grupos empresariais concentram a propriedade de mais da metade da circulação diária de notícias impressas no país. Sozinhos, estes veículos respondem por cerca de 55,46% de toda produção diária dos jornais impressos. Leia mais em www.observatoriodemidia.org.br
 

Modelos teóricos

Há atualmente nove modelos teóricos para o Estudo das Comunicações, que evidentemente se assemelham à relação referida entre os alunos de uma classe e seu(s) orientador(es). Os modelos de “Manipulação” e “Mercadoria” são dois exemplos de uma visão cujo sujeito é tido como passivo e conformista.

Manipulação. A “Manipulação” pode ser definida como uma resposta de um organismo a um estímulo. Foi proposto primeiramente nos Estados Unidos durante a 1a Guerra Mundial, quando o monopólio da informação dava um poder quase irrestrito da mídia (imprensa, cinema, rádio e fotografia). Até hoje os utilizadores deste conceito tendem a se perguntar: quais os efeitos de curto prazo, visto que estamos em uma sociedade atomizada, de “massa”? Essa parece ser uma pergunta chave. Não é à toa que a disciplina que melhor sustentava essa tese é a psicologia mecanicista e o ‘propagandista’ era um dos principais produtores de informação.

Mercadoria. A “Mercadoria”, por sua vez, é toda a mercadoria produzida pela indústria cultural. Este modelo foi pensado principalmente na Alemanha, França, Inglaterra e por fim na América Latina. Foi proposto durante os anos 40, quando havia entre os pesquisadores um forte debate sobre a cultura popular e uma forte crítica ao Iluminismo. Enquanto que o conceito de Manipulação foi sustentado financeiramente pelo governo dos EUA, este já ocorreu nos meios acadêmicos. 

O conceito de Mercadoria toma como pressuposto que estamos em uma sociedade de classes, tendo o marxismo e a Escola de Frankfurt como fundamento e parecendo ser básico perguntar: qual é a lógica da produção cultural? Na Alemanha de Hitler ou no Brasil de Vargas se discutia muito em meios acadêmicos sobre o a força que representava o aparelho ideológico do Estado. Alguns dos sujeitos mais ativos eram o sociólogo da cultura, o crítico cultural e o gestor de políticas públicas.

No processo de transmissão de conhecimento, são estes — Manipulação e Mercadoria — dois modelos que podem ser identificados com os modelos mecanicista e subjetivista. O modelo objetivo-ativista, por sua vez, se assemelha em grande parte aos modelos de comunicações definidos como “Cultura” e “Diálogo”. 

Cultura. No primeiro, os teóricos se baseiam em um sistema de significação onde a ordem social é comunicada, reproduzida, experimentada e explorada. Há interação. A realidade é produzida, mantida, restaurada e transformada. Foi proposta na Inglaterra e nos Estados Unidos e possui uma evidente crítica ao marxismo ortodoxo e ao modelo transmissivo de informação. A televisão é o principal meio estudado. Tendo ainda como base uma sociedade de classes, parece ser inerente aos estudiosos deste modelo perguntar: qual é a representação da realidade construída pelos mass media? Stuart Hall e Venício A. de Lima são dois dos autores propositores deste conceito.

Diálogo. No entanto, o que parece estar mais próximo do sistema de Educação à Distância é o referido modelo de “Diálogo”, cujo principal nome é o do educador Paulo Freire. O fundamento deste modelo teórico das comunicações é o encontro de sujeitos interlocutores que buscam a significação dos significados, substituindo decisivamente a mera transferência de saber outrora verificada.

É este inclusive o primeiro modelo oriundo exclusivamente do Cone Sul (América Latina). Apesar de ter como principal meio, atualmente, a nova mídia (tecnologias interativas), já se aplicava na extensão rural das décadas de 60 e 70 e na alfabetização de adultos. Possui traços de interdisciplinaridade na medida em que não pode ser dissociado da Educação e da Filosofia.

Igualmente baseado na sociedade de classes, pergunta: qual a definição ideal de comunicação? Tem como base de apoio a tradição do socialismo cristão (teologia da libertação), opõe a educação bancária à educação problematizadora e tem como objetivo teórico a liberação humana.

(...) O professor da Universidade de Otawa Pierre Lévy destaca que “a cooperação e, mais particularmente, a troca de idéias, a cooperação intelectual, é algo importante para o desenvolvimento cultural e social. A Internet é uma das ferramentas para esse desenvolvimento e é por isso que ela tem, em todo o mundo, um tal sucesso”.1

Sobre o texto
Escrito por Gustavo Barreto, publicado em dezembro de 2004.

Notas
(1) Revista Fórum. Número 7. Editor: Renato Rovai. São Paulo: Editora Publisher Brasil, 2002

Bibliografia
LIMA, VENÍCIO A. DE. Mídia: Teoria e Política. São Paulo: Perseu Abramo, 2004 (2a edição).


Mídia não-violenta

A mídia não-violenta é aquela que se afirma na integração das conquistas pós-modernas da autonomia do profissional (o primado da invenção e da criatividade) com a vigência de valores universais que garantam a vinculação social, sem totalitarismos. Examinamos a não-violência sempre lembrando, com Gandhi, que a não-violência covarde é pior do que a violência por causas justas. Entende-se, assim, que a gestão da informação e do conhecimento dependem de uma mudança da economia psíquica do sujeito e das empresas em relação à questão da liberdade socialmente responsável ("o estado de espírito bárbaro está em cada um de nós"). O que interessa, portanto, é a investigação e a prática de uma certa autonomia do papel do profissional, da linguagem e das audiências em relação ao sistema e aos dispositivos de comunicação.

Evandro Vieira Ouriques, Doutor em Comunicação e Cultura pela UFRJ, é cientista político, jornalista, terapeuta e especialista em estados mentais não-violentos


Jornalismo canalha

“Não raro, os próprios jornalistas aceitam fazer o papel de escribas do poder, reproduzindo o comportamento dos correspondentes enviados a Canudos, que não mencionaram – ou apenas registraram, muito de passagem - a degola de homens, mulheres e crianças. Muito poderia ser escrito sobre as razões que determinam tal comportamento – do triunfo momentâneo do pensamento neoliberal, para o qual o mercado é a lei inexorável da existência, ao puro e simples oportunismo de carreiristas que sabem o que devem escrever e falar ‘para se darem bem’ na profissão.

(...) alguns episódios são muito ilustrativos não por revelar aquilo que, na verdade, já se sabe – que a mídia brasileira é extremamente hostil aos movimentos populares em geral, e ao MST em particular –, mas por evidenciar o papel de grande relevância ocupado pelos jornalistas na guerra contra as organizações dos pobres deste país.

Não são mais os generais da ditadura, nem os seus agentes, nem sequer são os donos das empresas jornalísticas que acusam as organizações populares de prática de corrupção, de manobrar os "inocentes úteis" com fins escusos, de serem a sucursal de Satanás na Terra. São os próprios jornalistas que metem a mão na massa e "mostram serviço". Em geral, eles são eficientes, pois eram "de esquerda" quando fizeram a universidade - como muitos, aliás, adoram propagar -, e conhecem bem os argumentos que tocam a sensibilidade da classe média.”

Apresentação do livro "Jornalismo Canalha", de José Arbex Jr., editado pela Casa Amarela (SP, 2003).

Jornalismo impresso: como as empresas estão driblando a crise?

"Uma das atitudes mais notáveis tomadas por donos de jornais contra crises é o corte de custos (e isso quer dizer menos empregos). Com as redações mais vazias, a verificação das informações se tornam mais precárias, o que repercute na qualidade das notícias. Muitas vezes os repórteres repetem comunicados oficiais por falta de recursos. Esta é uma forma de economizar.

A Folha de S. Paulo e o Estado de S. Paulo demitiram dezenas de funcionários ano passado. A Gazeta Mercantil abriu estado de falência (e já saiu, por meio de negociação). A Globo (empresa) está sendo processada por credores nos Estados Unidos. O Jornal do Brasil passa por crise financeira e paga mal seus profissionais, quando paga. E assim está quase toda os impressos diários.

Então, demitir é um caminho.

Outro é colocar matérias pagas por empresas e governos como se fossem jornalísticas. Assim faz o Jornal do Brasil há muito tempo e boa parte dos jornais do interior e jornais menores das grandes cidades. A Tribuna da Imprensa também faz o mesmo. É difícil acreditar que diante da crise atual haja algum jornal que não faça isso, exceto alguns mais independentes, como é o caso do Brasil de Fato (de circulação nacional), que utiliza pouquíssimos recursos e sempre esteve "em crise", de certa forma. Em maior ou menor nível, todos da grande imprensa assim o fazem.

Outra forma é serem mais "carinhosos" com os investidores (quem faz a publicidade, por exemplo). Com isso críticas mais diretas a governos e empresas em situações ilícitas são raras ou incompletas. Teses do governo são cada vez mais aceitas e defendidas em editoriais, como está sendo em O Globo.

Existe outra forma de superar a crise: administrar bem os recursos da empresa (financeiros ou não). O Globo se mantém como o melhor jornal (no aspecto administrativo, não jornalístico), pois conta com o apoio de uma das maiores organizações midiáticas do mundo. Tem ajuda de TV, rádio e outros jornais pelo Brasil inteiro. O oligopólio da organização traz uma concorrência desleal com os outros jornais diários.

Não acho que existam jornais diários que administrem de forma satisfatória seus recursos, sem prejudicar a atuação dos jornalistas e a independência do meio. Talvez a Folha de S. Paulo, mas lembrando que ela demitiu mais de 100 funcionários nos últimos meses.

Existe uma lógica de administração que aprofunda a crise. Em tempos de "boi gordo", em vez de reservar o que entra para tempos de "boi magro", as empresas distribuem este dinheiro por setores muitas vezes não prioritários, às vezes até para aumentar salários de pessoas em altos cargos.

A revista semanal Carta Capital é um exemplo que poderia ser seguido pelos jornais diários, apesar da evidente diferença entre se fazer um diário e um semanário. A redação deles possui apenas 11 profissionais. Todos, no entanto, são craques no que fazem. Este padrão vem da Europa, onde as redações são bem mais enxutas do que no Brasil. O resultado, do ponto de vista jornalístico e financeiro, sem dúvida é melhor."

Por Gustavo Barreto, 21/4/2004

Princípio do Pluralismo Regulado

"Numa tentativa de ir além da teoria tradicional da livre imprensa e de pensar sobre os marcos referenciais institucionais mais apropriados para o desenvolvimento  dos meios de comunicação no século XX, defendo o que pode ser chamado de o princípio do pluralismo regulado. Por "pluralismo regulado", entendo um marco referencial institucional amplo que tanto poderia acomodar como  assegurar a existência de uma pluralidade de instituições de mídia independentes nas diferentes esferas da comunicação de massa. Este princípio requer duas medidas concretas: a desconcentração dos recursos nas indústrias da mídia e a separação das instituições da mídia do poder estatal". 

"(...) O caráter transnacional das formas de transmissão, associado à tecnologia dos satélites, representa apenas o estágio mais recente, ou talvez o mais dramático, de um processo de globalização que o desenvolvimento da comunicação não só promoveu como também refletiu. Se quisermos tirar o melhor possível das novas oportunidades propiciadas pelo desenvolvimento das novas tecnologias na esfera da comunicação de massa, e se quisermos evitar os perigos que o desenvolvimento da comunicação de massa trouxe com isso, então a implantação do princípio do pluralismo regulado exigirá um nível de vontade política e de cooperação internacional que se encontra, na maioria das vezes, ausente da cena política contemporânea". (grifo nosso)

John B. Thompson, no livro Ideologia e Cultura Moderna.Petrópolis, R.J.: Vozes, 1995, p. 30. Colaborou com o envio do texto a professora da Faculdade de Educação da UnB Raquel de Almeida Moraes.

Base eletrônica do conhecimento em português

MCT e Unesco lançam projeto do site E-Livro, para troca de informações entre países de língua portuguesa. O objetivo é contribuir para a socialização do conhecimento e de informações de qualidade...Agência Fapesp, 11/05/2004

Neutro a favor de quem?

No livro do Perseu Abramo, página 38, ele nos diz o seguinte: "Vejamos: é desejável, para um jornalista, para um órgão de comunicação uma postura de neutralidade. (...) "Neutro" a favor de quem? (...). "Imparcial" contra quem? (...). "Isento" para que lado?(...). Assim é defensável que o jornalismo, ao contrário do que muitos preconizam, deve ser não-neutro, não-imparcial e não-isento diante dos fatos da realidade. E em que momento o jornalismo deve tomar posição? Na orientação para a ação. O órgão de comunicação não apenas pode mas deve orientar seus leitores/espectadores, a sociedade, na formação de opinião, na tomada de posição e na ação concreta como seres humanos e cidadãos".

Isso que ele escreveu é impagável. Troque as palavras "jornalismo", "órgão de comunicação", e substitua por "Escola", "guerra", "fome" , "política", "governo" ou seja lá o que for, serve para tudo nesta vida.

Teka, 20/06/2004

Brasil derrapa na sociedade da informação

Em entrevista à Agência FAPESP, Georgete Rodrigues, professora da UnB, traça as perspectivas para que o país consiga galgar postos no ranking internacional da sociedade da informação. A pesquisadora publicou trabalho em que compara os Livros Verdes brasileiro e português.

29 de maio, 2004 na Agência Fapesp

José Arbex Jr. em Jornalismo Canalha (p. 46)

"A imensa maioria da população, formada por analfabetos e semi-analfabetos, obtém informações quase que exclusivamente por meio da televisão e do rádio. A soma total de tiragem de jornais e revistas impressos no país é inferior aos 9 milhões de exemplares diários, para uma população de 170 milhões de habitantes, constituindo um dos piores índices do mundo.

Se isso é assim em todo o mundo, aqui a disparidade atinge níveis singulares. De fato, o Brasil situa-se na 102a posição com relação a número de exemplares de jornal por habitante, 1/23, enquanto na Grã-Bretanha, por exemplo, esse índice é de 1/4. (dados retirados do livro A Síndrome da Antena Parabólica - A Ética no Jornalismo Brasileiro, de Bernardo Kuciski (SP: Fundação Perseu Abramo, 1998. P.16-18)."

Da objetividade

Franz Alt (1982): "Minha experiência também me ensina: objetivo é aquilo que agrada, que é útil, que alguém quer escutar, que confirma a opinião de alguém. Espectadores e partidos políticos, igrejas e sindicatos, empresários e grupos de ação cívica, esquerdistas e direitistas, não consideram objetivo aquilo que não lhes agrada, que usurpa seus próprios interesses, que não queiram escutar, que coloca em dúvida sua própria opinião."

Michael Kunczik, Conceito de Jornalismo, USP
 

A fôrma e a forma

(...) Palavras e conceitos que hoje estão presentes no quotidiano dos jornalistas encontram sua origem nas primeiras práticas da profissão. Por exemplo:

As Acta Diurna Populi Romani, que adquiriram regularidade quando Júlio César assumiu o Consulado de Roma, foram instituídas com o objetivo de ridicularizar os representantes do Senado Romano. No ano 69 a .C, o imperador Júlio determinou publicar o que era discutido nas sessõesantes sigilosas, além de mandar divulgar os atos de interesse do povo, comunicar nomeações, divórcios, vitórias na guerra. Publicar, nessa época, era deixar ao conhecimento do público, colocando a mensagem em lugar onde pudesse ser lida. Essa decisão deflagrou um processo que, mais tarde, viria a dar origem aos conceitos que hoje caracterizam a imprensa no mundo ocidental:

Atualidade: o relato contido nas atas sobre o quotidiano dos senadores fixou o sentido de actualidade inerente à notícia e isso começou a ser um fator relevante. As placas feitas de pedra, cera ou pergaminho (Album) dependuradas nos muros do Palácio Imperial passaram a ser redigidas todos os dias (diurna). Daí vem o conceito de diurnale¸antepassado remoto do (ital.) giornale = jornal;

Cidadania: o interesse pela política e pelas decisões relativas à vida das cidades fez com que os mercadores de notícias (da Antigüidade como de hoje) passassem a considerar mais esses assuntos. Por outro lado, ao se reunir em volta das placas no Fórum Romano, as pessoas trocavam idéias sobre o que liam nos Album e começaram a exigir ações das autoridades;

Jornalismo: estabeleceu-se o jornalismo oficial, com os actuarii, os profissionais que redigiam as notícias para a Acta. As Acta, recheadas com os atos e deliberações imperiais, vitórias militares, além de dados administrativos, podem ser vistas como as antepassadas dos diários oficiais;

Periodicidade: o público queria que as tábuas afixadas tivessem regularidade, para que pudessem acompanhar as notícias. Durante os séculos que se seguiram, esse tipo de comunicação se transformou num verdadeiro jornal, expandindo-se para as províncias do Império Romano. No entanto, não chegou a haver periodicidade, apesar de os envios serem regulares;

Marketing: a intenção de Júlio César era desmoralizar os senadores, mas a idéia se virou contra ele. Inaugurando a técnica da contrapropagandaa melhor forma de defender-se de uma informação adversa é adiantar-se a ela –, o imperador logo percebeu a arma que tinha nas mãos.

(...) O termo jornal vem diretamente de jour (=dia) e o conceito nunca perdeu sua ligação com o tempo. O primeiro a ostentar o nome, o Journal des Sçavants (Jornal dos Sábios), de veleidades intelectuais, era vendido nas feiras e lojas. Quem estava à frente do projeto era Jean-Baptiste Colbert, ministro de Estado de Luís XIV, empenhado em fortalecer o poder monárquico como também em incentivar as artes e as ciências. O jornal, em qualquer uma de suas formas, está portanto, eternamente ligado à questão do dia: o novo, a novidadeesse é o primeiro requisito para sua existência. (...)
 

Por Thais Mendonça (UnB). Cronologia da Notícia (de 740 a.C a 2020). GT História da Jornalismo, abril de 2004. Rede ALCAR

Brasil: O primeiro jornal

A Imprensa surge oficialmente no Brasil, quando passou a circular nesta data o "Correio Braziliense", editado em Londres por Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça. Até 1808 eram proibidas a impressão e a circulação de qualquer tipo de jornal ou livro no Brasil. O "Correio Braziliense" entrava clandestinamente, nos porões dos navios que transportavam mercadorias e escravos.

Todo o cerco da Coroa Portuguesa ao incipiente jornalismo brasileiro temia a propagação de ideais de liberdade, igualdade e fraternidade que fervilhavam na Europa, especialmente na França, com os quais Hipólito mantinha uma certa identidade. O nome obedece ao vocabulário da época: Brazileiro = português ou qualquer estrangeiro que vinha morar no Brasil; Braziliano = indígena; Braziliense = natural do Brasil. O jornal chega ao Brasil de navio todos os meses, durante 14 anos. Até dezembro de 1822, publica 175 números.

Teoria da Interpretação

“Para o lingüista, a comunicação é um fato e mesmo até um fato óbvio. As pessoas, efetivamente, falam umas às outras. Mas, para uma investigação existencial, a comunicação é um enigma e até mesmo um milagre. Por quê? Porque o estar junto, enquanto condição existencial da estrutura dialógica do discurso, surge como um modo de ultrapassar ou de superar a solidão fundamental de cada ser humano. Por solidão não quero indicar o fato de, muitas vezes, nos sentirmos isolados como numa multidão, ou de vivermos e morrermos sós, mas, num sentido mais radical, de que o que é experienciado por uma pessoa não se pode transferir totalmente como tal e tal experiência para mais ninguém. A minha experiência não pode tornar-se diretamente a vossa experiência. Um acontecimento que pertence a uma corrente de consciência não pode não pode transferir-se como tal para outra corrente de consciência. E, no entanto, algo se passa de mim para vocês, algo se transfere de uma esfera de vida para outra. Eis o milagre. A experiência experienciada, como vivida, permanece privada, mas o seu sentido, a sua significação torna-se pública. A comunicação é, deste modo, a superação da radical não comunicabilidade da experiência vivida enquanto vivida.”
 

Paul Ricoeur, Teoria da Interpretação


Os proletários mentais do jornalismo

Os proletários mentais têm a obrigação de rechear longas colunas sobre mil e um assuntos, sobre política, leis, economia, erudição, sobre as áreas da legislação, sobre as condições diplomáticas e as histórias de todas as nações. Quer entenda o suficiente, ou pelo menos o mínimo, do assunto ou não, é preciso tratar do tema e rechear o papel.

Toda falta de conhecimento, de familiaridade com os temas, tudo deve ser ocultado, se possível com lugares-comuns e chavões muito batidos. É por isso que, atualmente, qualquer pessoa com formação média que se inicie na profissão de jornalista há de esquecer em dois ou três anos o pouco que sabia no começo. Ter-se-á destruído mental e moralmente e se tornará uma pessoa indiferente e frívola, que já não acredita em nada de grande nem se esforça por obtê-lo, dedicando-se unicamente ao poder da camarilha.

Por tudo isso, com poucas exceções, os profissionais competentes que trabalhavam no jornalismo foram-se retirando gradualmente e deixaram que ele se convertesse em um ponto de reunião de todas as mediocridades, de todas as existências arruinadas, de todos os desempregados e de todos os ignorantes que, incapazes de realizar algum trabalho verdadeiro, ainda encontram no jornalismo uma existência mais fácil e rentável do que em outra parte

Ferdinand  Lassalle em 1863
Jornalismo é...
[Citado por Ana Rachel, Fortaleza, Ceará]

"A principal fonte de erro para o repórter político é a própria vaidade e seu maior instrumento de trabalho não é a caneta, o bloco de anotações nem o computador, mas o semancol, em doses que devem aumentar com o passar do tempo. Pois a sensação ilusória da proximidade com os poderosos dada ao repórter que segue seus passos é a pior conselheira que ele pode ter. O convívio é uma forma de cooptação mais terrível. A proximidade e a freqüência são poderosas armas a serviço da pura e simples adesão, às vezes piores do que a própria corrupção". [José Nêumane, no livro "Jornalismo é..."]

"(...) Jornalismo de investigação não é só aquele que precede a elaboração de reportagens de fôlego. Jornalismo é investigação sempre - quer ele resulte na renúncia de um presidente da República ou no fechamento de um buraco de rua que atrapalha o trânsito (...)". [Ricardo Noblat, no livro "Jornalismo é..."]

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