POLÍTICA
# 03/10/2007
Sobre a disputa
entre Record e Globo
Desde
a semana passada, vieram à tona, por denúncia do Observatório
do Direito à Comunicação, irregularidades cometidas
pela Record no uso da outorga da Rede Mulher, usada para transmitir a programação
da Record News. O uso ilegal da concessão por parte da Record é
apenas mais um exemplo do conjunto de ilegalidades praticadas por diversos
grupos que operam emissoras de rádio e TV no Brasil. Do Observatório
do Direito à Comunicação..[+]
PATRIMÔNIO
PÚBLICO # 01/09/2007
Movimentos se unem
para discutir concessões
Colocar
gente na rua para combater um sistema de concessões que se assemelha
ao “velho oeste” é o mote que une as entidades da Coordenação
dos Movimentos Sociais (CMS). Debater os critérios democráticos
para renovações e a ampliação da participação
popular da sociedade serão princípios-chaves na discussão
das outorgas públicas de radiodifusão. Do FNDC..[+]
ECONOMIA DA
MÍDIA # 27/07/2007
Medida simples faria
a gente entender muito melhor o noticiário
O Wall
Street Journal tem como padrão revelar, em suas reportagens, todas
os negócios das empresas sobre as quais escreve que tenham alguma
relação acionária com o próprio Journal. Foi
aí que um colunista da revista eletrônica Slate imaginou como
é que ficaria a situação se de fato o Journal for
comprado pelo barão da mídia Rupert Murdoch. Por Luiz Carlos
Azenha, do site Vi o Mundo..[+]
TRANSPARÊNCIA
# 07/07/2007
Cadastro de donos
de emissoras deverá ter lei
Informações
sobre os donos de emissoras de radiodifusão são obrigatórias
desde que a Comissão de Trabalho, de Administração
e Serviço Público da Câmara dos Deputados aprovou,
no final de junho, o Projeto de Lei 1879/03, do deputado Edson Duarte (PV-BA).
Do FNDC..[+]
COMUNICAÇÃO
# 08/06/2007
Cásper Líbero
apresenta nova Líbero e faz chamada para trabalhos
Após
a apresentação de seu número 18 (ano IX), o Programa
de Pós-Graduação em Comunicação da Faculdade
Cásper Líbero informa que recebe artigos e resenhas para
sua edição nº 20, de dezembro de 2007, de sua revista
científica Líbero. Prazo é dia 15 de agosto..[+]
CHAMADA # 08/06/2007
Envio de trabalhos
para Seminário Saramago: do convento à arena midiática,
em Marília
Acontece
em 23 de agosto, das 14 às 22h30, no Anfiteatro da Faculdade de
Ciências Agrárias da Universidade de Marília, evento
que reunirá teóricos e profissionais da comunicação
e da área de literatura com o propósito de homenagear o escritor,
prêmio Nobel da Língua Portuguesa. Podem participar estudantes
e professores de graduação ou de pós-graduação
e profissionais de jornalismo ou de publicidade, assim como estudiosos
de Letras e áreas afins. Os textos completos devem ser enviados
para himidia_unimar@yahoo.com.br até o dia 30 de junho de 2007.
Os trabalhos serão selecionados no início de agosto e os
aceites serão enviados aos autores até o dia 10/08/2007.
As comunicações serão reunidas em livro sob o mesmo
tema do seminário. Informações pelo telefone: (14)
3402-4074.
COMUNICAÇÃO
# 24/05/2007
Fórum de
TVs Públicas: um bom começo, mas só o começo
O Fórum
de TVs Públicas não foi a fase final de um processo, mas
um começo. Um bom começo. No entanto, cabe agora aos seus
organizadores manterem o espírito de cooperação e
participação que marcou sua primeira fase. Por Diogo Moyses
e Jonas Valente, do Observatório do Direito à Comunicação..[+]
PESQUISA #
22/04/2007
Chamada de artigos
para Revista Contracampo
A revista
Contracampo,
ligada ao núcleo de comunicação e tecnologias digitais
do Programa de Pós-Gradiação em Ciências da
Comunicação da UFF - Universidade Federal Fluminense, abre
chamada de artigos para a edição de número 16. O tema
é “comunicação e subjetividades” e o prazo é
30 de abril de 2007. Os trabalhos deverão ser impressos em três
vias e enviados por correio (junto com CD ou disquete com o referido arquivo)
para o seguinte endereço: Rua Tiradentes, nº 148 - Ingá
- Niterói - Rio de Janeiro - CEP 24.210-510 (aos cuidados do editor-chefe).
As normas para apresentação e publicação estão
impressas na revista..(Da
redação)
AUDIOVISUAL
# 22/04/2007
CUCA da UNE vai
premiar projetos de curta-metragens
Após
uma Bienal que bateu recorde de inscrições de trabalhos e
público, o Circuito Universitário de Cultura de Arte, o CUCA
da UNE, fortalecido e revigorado, lança agora um instrumento para
apoiar os jovens cineastas. Trata-se do Prêmio Curta CUCA, concurso
que vai premiar cinco produções cinematográficas de
estudantes universitários, que tenham no tema o movimento estudantil
e trabalhe histórias da região do concorrente. Cada vencedor
leva na faixa R$ 1.500, totalizando R$ 7.500 em premiação.
Para participar,
basta preencher a ficha de inscrição disponível no
site da UNE ou nos Diretórios Centrais dos Estudantes das universidades
e enviar o DVD juntamente com a documentação solicitada no
edital para a sede da UNE em São Paulo. O prazo vai de 1º de
março até 1º de junho. Vale lembrar que só serão
aceitos curtas de até 18 minutos. Mais informações
pelo site www.une.org.br.(Da
redação)
ESTUDOS CULTURAIS
# 21/04/2007
A construção
dos estados mentais
Professor
da Escola de Comunicação da UFRJ, Evandro Vieira Ouriques
expôs ao portal Rio Mídia o seu ponto de vista sobre
a atual sociedade midiática, a partir da Teoria da Comunicação,
da Teoria da Cultura, da Filosofia Política e da Psicanálise.
“Estamos diante de uma mídia que não reflete sobre si mesma
e que é, portanto, espelho e produtora de indivíduos que
não refletem sobre si mesmos”..[+]
COMUNICAÇÃO
# 21/03/2007
Carta aberta ao
Governo Lula e ao povo brasileiro por um sistema democrático de
rádio e TV digital
A Frente
Nacional por um Sistema Democrático de Rádio e TV Digital,
reunida no Clube de Engenharia do Rio de Janeiro nos últimos dias
15 e 16 de março, vem a público reafirmar o compromisso expresso
em sua fundação e questionar a política estabelecida
pelo governo Lula para o setor de Comunicações, especialmente
no que se refere à implantação da tecnologia digital
no País. Constituída em abril de 2006, a Frente Nacional
por um Sistema Democrático de Rádio e TV Digital agrega diversas
entidades e iniciativas que, até então, atuavam isoladas
(...) Leia a carta em www.frenteradiotvdigitaldemocratica.org
OPORTUNIDADE
# Até 31 de julho
Prêmio para
Alunos de Graduação e Professores de Comunicação
Em sua
segunda edição, o Rumos Jornalismo Cultural reitera a importância
de identificar um caminho possível para a melhor compreensão
dos papéis e das funções da mídia, da academia
e das instituições culturais na construção
do que se convencionou chamar de jornalismo cultural. As intenções
são ampliar as discussões sobre conceitos de arte, cultura
e sociedade no ambiente acadêmico, estimular reflexões sobre
o segmento econômico da cultura e do entretenimento, trazer à
tona os problemas atuais que o mercado enfrenta, contextualizar a informação
cultural obtida na grande mídia e nos veículos autônomos
de comunicação e pensar no futuro do jornalismo diante das
novas tecnologias digitais
O estudante
deve estar cursando comprovadamente o terceiro, quarto ou quinto semestre
de Jornalismo e/ou Comunicação Social em estabelecimento
de ensino brasileiro, ser maior de 18 anos, realizar reportagem sobre cultura
de acordo com orientações detalhadas no edital disponível
no site: www.itaucultural.org.br/rumos2007 O edital deve ser lido
com atenção pelo concorrente. Existem quatro categorias:
Reportagem para Mídia Impressa, Radiorreportagem, Videorreportagem
e Web-reportagem.
Já
para o Professor de Graduação poder participar, tem que ter
pelo menos dois anos de experiência comprovada como professor de
Jornalismo em estabelecimentos brasileiros de ensino superior, redigir
texto sobre Aperfeiçoamento do Professor na Cadeira de Jornalismo
Cultural e/ou Formação em Jornalismo Cultural (projeto ou
case), de acordo com orientações do Edital disponível
no sie www.itaucultural.org.br/rumos2007. As inscrições devem
ser feitas de 7 de março a 31 de julho de 2007, gratuita e exclusivamente
pelo site. Dúvidas escreva para rumosjornalismo@itaucultural.org.br
OPORTUNIDADE
# 11/03/2007
ONG Justiça
Global seleciona assessor de comunicação
A ONG
Justiça Global está selecionando jornalista para atuar em
sua assessoria de comunicação. O contratado irá atualizar
o site www.global.org.br, elaborar o boletim, clipping e o mailing institucional,
redigir notícias e atender a mídia, além de organizar
a documentação de casos de violação de direitos
humanos. Dentre as atribuições, o candidato precisa morar
no Rio de Janeiro, possuir disponibilidade para viagem, experiência
profissional na área, conhecimento de HTML e outras ferramentas
de Internet.
Os interessados
devem enviar currículo até o dia 15/03 para global@global.org.br.
No assunto, "Processo Seleção Jornalista". Com o currículo,
são necessárias duas referências de empregos anteriores
e uma carta de apresentação de uma ou duas laudas, demonstrando
o interesse em trabalhar com direitos humanos e sua afinidade com a posição
ideológica da ONG. A divulgação do resultado final
da seleção está previsto para 28/03.
COMUNICAÇÃO
# 10/03/2007
Aulas sobre jornalismo
social começam na próxima semana na UFRJ e na UnB
Disciplinas
que iniciam nesta segunda (12/3) e quinta (15/3) na UFRJ e UnB visam qualificar
os futuros profissionais de mídia na abordagem dos temas relevantes
para a agenda social brasileira. Da redação..[+]
COMUNICAÇÃO
# 10/03/2007
Lançamento
livro sobre a Mídia dos Excluídos
Maria
Cristina Gobbi, Diretora-Suplente da Cátedra Unesco/Metodista de
Comunicação para o Desenvolvimento Regional, convida para
o lançamento do livro “Folkcomunicação, a mídia
dos excluídos”, publicado pela Secretaria de Comunicação
da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, na série “Cadernos de
Comunicação”. Será nesta terça-feira, dia 27
de março, às 16h no Conjunto Intercom – Av. Brigadeiro Luis
Antonio, n. 2050, 3o. andar - Bela Vista - São Paulo (SP)..(Da
redação)
COMUNICAÇÃO
# 25/11/2006
Escola de Comunicação
da UFRJ expõe trabalhos finais de curso dias 5, 6 e 7 de dezembro
A
ECO Mostra entra em sua quarta edição fiel ao seu propósito
de promover a exposição dos trabalhos finais de curso dos
alunos de Comunicação Social para o público mais abrangente
possível. Propõe-se que a 4º ECO Mostra seja um
canal direto com a sociedade, uma ótima oportunidade para se conhecer
jovens talentos de todas as áreas de comunicação social.
Na 4º ECO Mostra serão apresentados trabalhos audiovisuais,
monografias, programas de rádio, exposições fotográficas
e livros criados pelas diversas turmas de Jornalismo, Produção
Editorial, Publicidade & Propaganda e Rádio & TV.
As apresentações serão nos dias 05, 06 e 07 de dezembro
de 2006 das 9h às 21h, nas salas 108, 111 e 113 da Escola de Comunicação:
Av. Pasteur, nº 250 Campus Praia Vermelha. Mais informações
pelo telefone 3873-5066 ou 2295-5896 e pelo www.eco.ufrj.br/ecomostra.(Da
redação)
EM DESTAQUE
# 22/11/2006
Função-autor
(Foucault)
Para Michel
Foucault, o que denomina como “função-autor”, dispensada
nos discursos científicos pela sua pertença a um sistema
que lhe confere garantia, permanece nos discursos literários. A
"função-autor" não se constrói simplesmente
atribuindo um texto a um indivíduo com poder criador, mas se constitui
como uma "característica do modo de existência, de circulação
e de funcionamento de alguns discursos no interior de uma sociedade" (Foucault,
1992, pág. 46), ou seja, indica que tal ou qual discurso deve ser
recebido de certa maneira e que deve, numa determinada cultura, receber
um certo estatuto. O que faz de um indivíduo um autor é o
fato de, através de seu nome, delimitarmos, recortarmos e caracterizarmos
os textos que lhes são atribuídos.
FOUCAULT,
Michel. 'O que é um autor?' Vega: Passagens, 1992. Tradução
de Antonio F. Cascais e Edmundo Cordeiro. [http://www.unicamp.br/~hans/mh/autor.html]
VÍDEOS
# 04/11/2006
Midiatrix
Revelations, o filme
Curta-metragem
inteligente e bem-humorado, com cinco minutos de duração.
Interpreta e brinca com imagens do filme Matrix para denunciar o simulacro
coordenado por grandes grupos de comunicação, que se utilizam
de concessões públicas para manipular a realidade. O protagonista
Neo de Midiatrix Revelations é ameaçado após
descobrirem que ele havia jogado sua televisão fora e cancelado
sua assinatura da Revista VEJA. “Era muita porcaria pro meu cérebro”,
rebate. A Revista Consciência.Net indica. Clique
aqui para assistir.
VIDEOLOGIAS
# 04/11/2006
O sentido ideológico
“Não
há sociedade que se sustente sem formular sua própria mitologia.
O mito, no sentido tradicional, é o sistema criador de significações
“indiscutíveis” (Barthes), que mascara o desamparo humano no reino
da linguagem. A linguagem é a morada do homem, morada insegura.
Sem o mito, ela não seria suportável (...)”
“No início
do século XX, Saussure identificou um deslizamento entre o significante
e o significado. Um patina sobre o outro, sempre, deslocando os sentidos:
o que não era passa a ser, deixando de ser no instante seguinte.
Significantes e significados, como amantes fugidios, entregam-se e escapam-se,
sem que se saiba direito por quê. No momento preciso em que há
uma fixação de um sobre o outro, cristaliza-se a ideologia.
O sujeito tem a sensação de que as coisas fazem sentido!
Claro: sentido ideológico (...)”
“Desde
sempre, os significantes transitam sem cessar. Michel Foucault dedicou
As
palavras e as coisas ao exame dos deslocamentos sofridos pela relação
entre a linguagem e a verdade, desde o final da Idade Média no Ocidente.
Tudo passa. Não existe, de fora da linguagem, um significante sólido
que garanta a relação do conjunto de significantes com a
verdade das significações (...)”
BUCCI,
Eugênio; KEHL, Maria Rita. Videologias: ensaios sobre televisão.
SP: Boitempo, 2004
QUARTO
PODER # 01/11/2006
O único poder
que edita suas próprias leis
“O filósofo
Paul Virilio chegou a uma conclusão drástica: a mídia
contemporânea é o único poder que tem a prerrogativa
de editar suas próprias leis, ao mesmo tempo em que sustenta a pretensão
de não se submeter a nenhuma outra. A justificativa para tal procedimento
trafega entre o cinismo e a treva: uma vez afetada a liberdade de imprensa,
todas as liberdades estarão em perigo. Cinismo, diz ele, porque
esta reivindicação agressiva trata de negar o óbvio:
os meios de divulgação e de formação de opinião
vêm se concentrando, de forma brutal, no mundo inteiro, nas mãos
de grandes empresas”.
Luiz
Gonzaga Belluzzo, jornal Valor Econômico, “As suaves truculências
da liberdade”, set/2006, citado por Marco
Aurélio Weissheimer.
QUE LIBERDADE?
# 01/11/2006
O grito dos “independentes”
(...)
Enquanto isso, a Veja, a Folha de São Paulo e a Rede
Globo, entre outros, protestam contra a ameaça à liberdade
de imprensa no Brasil. E os escribas da direita de plantão seguem
acusando e insultando lideranças da esquerda, dia e noite, sem que
nada lhes aconteça. Lula já foi chamado inúmeras vezes
de “bêbado”, “mentiroso”, “ladrão”, “corrupto”, apenas para
citar os adjetivos mais leves. Qualquer menção a uma reação
jurídica aos que emitem tais opiniões é imediatamente
taxada de “ameaça à liberdade de imprensa”.
O editorial
da Folha de São Paulo desta quarta-feira (1°) afirma: “Confirma-se
o ceticismo a respeito da brandura que marcou a atitude da campanha de
Lula para com a imprensa no segundo turno. Um verniz de humildade substituíra
a arrogância, o desapego à prestação de contas
e a truculência do petismo governista enquanto interessava ao cálculo
eleitoral. Fechadas as urnas, setores da militância do PT puseram
em marcha uma campanha que tenta intimidar meios de comunicação
independentes”. Meios de comunicação independentes? Independentes
do que e de quem exatamente? Nunca é demais lembrar alguns números
sobre a concentração da mídia no Brasil.
O poder
midiático no Brasil se concentra nas mãos de algumas poucas
famílias e empresas. O maior grupo de comunicação
do país, a Rede Globo, possui 227 veículos, entre próprios
e afiliados. É o único dos grandes conglomerados que possui
todos os tipos de mídia, a maioria dos principais grupos regionais
e a única presente em todos os Estados brasileiros. A indústria
televisiva domina o mercado da publicidade, detendo cerca de 56,1% de suas
verbas. Em segundo lugar vêm os jornais, com 21,5%, as revistas com
10,6% e as rádios com 4,9%. Todos os outros veículos somados
chegam a 6,9% do mercado publicitário. Sozinha, a Rede Globo detém
mais da metade do mercado televisivo brasileiro.
Além
do imenso poderio da Globo, outros seis grandes grupos regionais se destacam.
A família Sirotsky comanda a Rede Brasil Sul de Comunicações,
controlando o mercado midiático no Rio Grande do Sul e em Santa
Catarina. A família Jereissati está presente no Ceará
e em Alagoas. A família Daou tem grande influência no Acre,
Amapá, Rondônia e Roraima. A mídia da Bahia pertence
à família Magalhães. No Mato Grosso e no Mato Grosso
do Sul, os negócios são controlados pela família Zahran.
E, por fim, a família Câmara tem grande influência em
Goiás, Distrito Federal e Tocantins. Segundo dados da Associação
Nacional de Jornais, relativos ao período 2001-2003, apenas seis
grupos empresariais concentram a propriedade de mais da metade da circulação
diária de notícias impressas no país. Sozinhos, estes
veículos respondem por cerca de 55,46% de toda produção
diária dos jornais impressos.
Qualquer
menção à necessidade de democratizar esse cenário
é rebatida fortemente por artigos e editoriais destes grupos hegemônicos.
Artigos como o publicado pelo colunista Merval Pereira nesta quarta-feira
no jornal O Globo, que denuncia um “surto autoritário” por parte
do governo Lula e do PT. “Que governo é esse que mal saído
das urnas com uma consagradora vitória eleitoral precisa dar uma
demostração de força contra a liberdade de imprensa?”,
indaga o colunista. Logo em seguida, critica duramente a proposta levantada
por Ciro Gomes no sentido de incentivar os meios de comunicação
alternativos. “Essa solução oficial para incentivar uma mídia
independente com dinheiro público, além de risível
pela própria incoerência, tem precedentes históricos
ruins: foi na CPI do jornal Última Hora, criado a partir de empréstimos
generosos do Banco do Brasil para defender o governo de Getúlio
Vargas, que surgiu a expressão mar de lama”, escreve Merval.
Para o
colunista, o dinheiro público deve continuar indo apenas para o
fortalecimento dos monopólios midiáticos já existentes.
Ele esquece de mencionar os negócios generosos firmados entre a
Rede Globo e a ditadura militar que ajudaram a transformar o grupo no que
é hoje. Aí, para ele, não houve nenhum “mar de lama”.
Talvez de sangue, não custa lembrar. (...)
A
análise é de Marco
Aurélio Weissheimer na Carta Maior.
COMUNICAÇÃO.#.23/10/2006
Entre eleitos, 80
parlamentares controlam rádio ou televisão
Um terço
dos senadores e mais de 10% dos deputados eleitos para o quadriênio
2007-2010 controlam rádios ou televisões. A Agência
Repórter Social realizou um levantamento inédito sobre a
posse de rádios e TVs por parlamentares, a partir de dados entregues
por eles mesmos aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), na maior parte
disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A
reportagem é de Alceu Luís Castilho.
ELEIÇÕES.#.20/10/2006
“Mídia levou
eleição para o segundo turno”
O cientista
político e diretor do instituto de pesquisa Vox Populi, Marcos Coimbra,
disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta sexta-feira, dia 20,
que a atuação da mídia ajudou a levar a eleição
presidencial para o segundo turno. Segundo Coimbra, esse bombardeio da
imprensa nunca foi visto no Brasil, nem mesmo em 1989. “Apesar de termos
tido em 89 uma eleição muito disputada entre Collor e Lula
no segundo turno, nós tínhamos visto ainda uma atuação
tão intensa da imprensa, especialmente na semana que antecedeu o
primeiro turno”. Leia no Conversa
Afiada.
COMUNICAÇÃO.#.17/10/2006
As outorgas de rádio
e TV que vencem em 2007
Em contribuição
à 4ª Semana Nacional pela Democratização da Comunicação
– de 18 a 25 de outubro – o Fórum Nacional pela Democratização
da Comunicação (FNDC) publica, a título de serviço
público, a relação das 181 emissoras cujas outorgas
expiram no ano que vem. São 28 emissoras de TV, 80 de rádios
FM e 73 de rádios AM que terão buscar renovação
em 2007. As cinco emissoras da Rede Globo estão entre elas. Leia
no boletim
e-Fórum nº 122, de 14/10/2006, do FNDC.
O governo e a oposição
“Na eleição
de 1932, seis de cada dez jornais fizeram oposição a ele
e Roosevelt acreditava que era vítima de um ódio profundo
de donos de empresas jornalísticas, que distorciam as notícias
para prejudicá-lo. As redes de estações de rádio,
ao contrário, deram total colaboração... e o Presidente
usou
o rádio para atingir o público diretamente e explicar seus
programas”.
Paul
Starr, The Creation of the Media – Political Origins of Modern Communication,
Basic Books, New York, 2004, página 360
3º Congresso
de Extensão da UFRJ
Ocorrerá
nos dias 4, 5 e 6 de outubro de 2006 no Rio de Janeiro o 3º Congresso
de Extensão da UFRJ. A Revista Consciência.Net (www.consciencia.net),
fundada em maio de 2000, participa do evento. Na UFRJ, o Consciência.Net
é apoiado pelo Programa de Educação Tutorial da Escola
de Comunicação (PET-ECO).
A apresentação do projeto é no modo pôster.
A programação completa e a apresentação do
congresso você acessa em www.pr5.ufrj.br.(Da
redação, 3/10/2006)
UNESCOM 2006 em São
Bernardo do Campo
Vai de
9 a 11 de outubro, na Universidade Metodista de São Paulo - Campus
Rudge Ramos - São Bernardo do Campo (SP), o UNESCOM 2006 - Congresso
Multidisciplinar de Comunicação para o Desenvolvimento Regional.
O tema central é Comunicação, Região, Inclusão
e Diversidade - Promovendo o desenvolvimento humano na era digital. O evento
também é comemorativo dos 10 anos de atividades da Cátedra
Unesco/Metodista de Comunicação para o Desenvolvimento Regional.
Informações em http://ploneweb.metodista.br/unescom.(Da
redação, 3/10/2006)
4o
Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo
Vai
ocorrer de 5 a 7 de novembro, na UFRGS, em Porto Alegre, o 4o
Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, fórum para apresentação
das pesquisas neste campo realizadas nos programas de pós-graduação
e pelos pesquisadores das universidades brasileiras. Promovido pela Associação
Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), fundada durante o congresso
de Brasília em 2003, com a presença de 130 pesquisadores,
o encontro congrega especialistas de diferentes campos do conhecimento
que têm o jornalismo como objeto de pesquisa. Informações
completas em www.sbpjor.ufsc.br/ivsbpjor/.(Da
redação, 3/10/2006)
Submidialogia#2 em
Pernambuco
Quatro
dias de estudo e discussões sobre teorias e práticas de mídia
digital brasileira. Esta é a proposta do Submidialogia#2, que rola
dias 12, 13, 14 e 15 de outubro de 2006, em Olinda, Pernambuco. Antes,
de 9 a 12 de outubro, ocorre o Encontro de Rádios Livres, em Recife.
Fique por dentro em http://submidialogia.descentro.org/.(Da
redação, 1/10/2006)
Workshop Universo
Blog
Curso
será dia 30 de setembro, no Rio de Janeiro. Objetivo é apresentar
um panorama da Blogosfera, mostrando desde definições didáticas
até atualidades do universo dos weblogs; Ensinar como montar e atualizar
um weblog; Iniciar discussões em torno do papel do blog nos dias
de hoje. Saiba
mais clicando aqui.
Colaborador da Revista
Consciência.Net apresenta trabalho sobre não-violência
Incentivar
o estudo sistemático de progressos alcançados pela produção
dos estados mentais, atitude política entendida como a condição
para o vigor da experiência de comunicação, em especial
na América Latina e no eixo Sul-Sul. Este é um dos desafios
do trabalho “O Valor Estratégico da Questão da Não-violência
para o Vigor da Comunicação”, de autoria do professor Evandro
Vieira Ouriques, da Escola de Comunicação da UFRJ, no XXIX
Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Intercom
2006.
Ele utilizou
dados de pesquisa que realiza na disciplina que oferece na UFRJ – Construção
de Estados Mentais Não-violentos na Mídia – e pela pesquisa
de pós-doutorado em Estudos Culturais no Programa Avançado
de Cultura Contemporânea – PACC/UFRJ, sobre o tema Comunicação,
Gestão da Mente e Não-violência. O Intercom deste ano
será na Universidade de Brasília (UnB), de 6 a 9 de setembro.
Evandro é colaborador há mais de dois anos da Revista Consciência.Net.
O trabalho será apresentado às 14h do dia 9 de setembro e
o resumo pode ser visualizado clicando
aqui..(Da
redação, 3/9/2006)
1° Encontro da
ULEPICC de Economia Política da Informação, Comunicação
e Cultura
Vai ocorrer
em Niterói (RJ) o 1° Encontro da ULEPICC Brasil - União
Latino-americana de Economia Política da Informação,
Comunicação e Cultura. O evento, de caráter nacional,
será realizado no período de 18 a 20 de outubro deste ano,
com o intuito de debater o papel da Economia Política da Comunicação
na sociedade contemporânea e de promover diálogos entre campos
afins na área de Comunicação. Da redação,
26/7/2006..[+]
Fundação
Avina abre inscrições para bolsas de investigação
jornalística
Bolsas
consistem em um incentivo que busca premiar, mediante apoio financeiro
e técnico, propostas inovadoras de investigação jornalística
para uma cobertura de excelência sobre iniciativas relevantes ao
desenvolvimento sustentável nos países da América
Latina. Da
Agência
Consciência.Net, em 16/6/2006.
Responsabilidade
civil, dignidade humana e cyberdireito
Diversas
notícias recentes publicadas em jornais, websites e blogs do Brasil
e do exterior têm associado o nome do médico Hilton Pereira
da Silva com a comercialização de células sanguíneas
dos índios Karitiana e Suruí, de Rondônia, através
da internet. (...) Por Anna Cruz de Araújo, Bacharela em Direito,
em novembro de 2005..[+]
Antologia do “Pasquim”
Luis
Fernando Verissimo registra em
sua coluna, em 20/4/2006: “É difícil dizer quem deve
aproveitar mais a antologia recém-publicada: quem não conhecia
nada do “Pasquim” e vai descobrir do que se tratava ou quem viveu aquela
época, e vai se deliciar de novo com o que se lembrava ou se surpreender
com o que tinha esquecido. Com a genialidade ainda atual de Millôr,
Henfil, Jaguar, Ivan Lessa, Ziraldo etc. eu não me surpreendi —
mas como era bom o Chico Buarque escrevendo de Roma! Eu também não
me lembrava de que tinha colaborado no Pasquim. Está lá.
Uma página. E espero que o volume 2 (que deve vir, já que
este é o 1) inclua os números publicados quando o pessoal
foi preso, e nos quais todo o mundo colaborou.”
MP investiga bancada
dos donos de canais de rádio e tevê
Representação
na Procuradoria da República diz que 1 em cada 10 deputados é
concessionário de veículos de radiodifusão, contrariando
Constituição. Deputado gaúcho que aprovou a renovação
da própria concessão alega que “votou sem saber o que estava
votando”. Por Marco Aurélio Weissheimer, na Agência Carta
Maior, 25/11/2005..[+]
‘Para escrever em
blogs precisam de permissão do editor’
Os jornalistas
do Washington Post foram avisados pelo editor chefe Wesley Pruden que precisam
de permissao para terem seus proprios blogs. A regra vale também
para quem for colaborador regular de blogs de terceiros, sites ou outros
serviços de distribuiçao de conteudo. Há uma serie
de diretrizes a seguir - uma delas nao permite comentarios sobre o jornal.
"Empregados, especialmente reporteres e editores, devem reconhecer que
mesmo que os comentarios sejam feitos em seus 'espaços privados',
suas palavras sao uma extensao direta do jornal". Dica do blog Romenesko,
deu no BlueBus
dia 9/1/2006.
Imprensa americana
em crise está procurando uma saida
"Pelo
menos 5 importantes pesquisadores norte-americanos trocaram neste fim de
ano os tradicionais balanços por conselhos sobre como achar uma
saída para a crise na qual a imprensa mergulhou em consequência
das mudanças provocadas pela internet no cardápio dos consumidores
de informaçao" - reporta Carlos Castilho no seu blog no Observatorio
da Imprensa. Anota - "A preocupaçao em buscar soluçoes
dá bem uma amostra de como o problema dos jornais está deixando
de ser uma questao tratada a portas fechadas para entrar na agenda da própria
mídia. Trata-se de uma importante mudança de percepçoes
da crise e um sintoma de como os grandes impérios da comunicaçao
nao estao tendo outra alternativa senao abandonar a autosuficiência
e a arrogância" - segue Castilho. Leia a integra da informaçao
entrando
aqui. Julio Hungria é
quem divulga, no BlueBus
em 3/1/2006.
Grupo inglês
de mídia impressa migra para a internet
Um dos
mais importantes grupos editoriais britânicos, o Daily Mail and General
Trust (DGMT), pretende vender todas as suas 100 publicações
impressas, que valem 2,2 bilhões de euros, para dedicar-se exclusivamente
a edições online. A notícia foi estampada hoje no
jornal francês Libération. O DGMT é proprietário
do influente Daily Mail, do Evening Standard, a bíblia dos londrinos,
e do gratuito Metro. A iniciativa seria tomada em razão da forte
concorrência de outros peso-pesados da imprensa regional, como o
Trinity Mirror e o Johnston Press. A queda de publicidade, que migra gradativamente
para a internet, também teria influído na decisão
do DGMT. Dica do Ivson no Coleguinhas,
em 8/12/2005.
Abril parceira do
capital especulativo
É
notável a profunda relação entre a revista Veja e
o capital especulativo nacional e internacional. Já em 1995, a Editora
Abril S.A. realizou uma parceria com as Organizações Cisneros
da Venezuela, comandada por Gustavo Cisneros, um dos maiores adversários
de Hugo Chávez. Por Gustavo Barreto, para a Agência Carta
Maior, 29/10/2005..[+]
Barões vencem
outra no CCS
Do Ivson,
no Coleguinhas:
“O Conselho de Comunicação Social, que é dominado
pelos barões da mídia, decidiu, segunda-feira, apoiar a Proposta
de Emenda Constitucional que limita a participação estrangeira
a 30% do capital das empresas produtoras, programadoras ou provedoras de
conteúdo de comunicação social eletrônica e
também nas empresas de acesso à internet. A PEC 55/2004,
de autoria do senador Maguito Vilela (PMDB-GO), tramita na Comissão
de Constituição e Justiça do Senado. O parecer aprovado
é do conselheiro Paulo Tonet, que representa as empresas da imprensa
escrita no CCS (mas como os barões mandam em todas as mídias,
exceto (ainda) na internet, essa distinção só existe
para eles serem sobrerepresentados no Conselho). A PEC do senador Maguito
é uma tentativa de impedir que as capitalizadas telecoms entrem
no campo da produção de conteúdo, promovendo uma maior
diversidade de produtos e permitindo a virtual monopolização
do setor nas mãos das Organizações Globo. Aprovada
a PEC, só os atuais barões - com as OG à frente -
poderão produzir conteúdo no país, obrigando as telecoms
a comprar deles as produções que necessitarem para ocupar
os seus sites e celulares.” (12/10/2005)
Deu a louca na revista
"Veja"?
(...)
"Veja", que se ufana em apontar o dedo para repórteres que recebem
iPods de gravadoras, poderia ter sido mais generosa com o leitor ao explicar
sua opção pelo "não". Para não deixar dúvidas
no ar, por que a revista não nos contou que a empresa à qual
pertence paga aluguel de cerca R$ 1 milhão à família
Birmann, da construtora homônima, que vem a ser proprietária
do prédio que serve de sede da Editora Abril e também, veja
só, da CBC, a Companhia Brasileira de Cartuchos? Coluna de Barbara
Gancia, na Folha de S. Paulo, 14/10/2005..[+]
Time Warner quer
vender parte da AOL
Deu no
BlueBus
esta manhã (22/9): "O chairman e CEO do Time Warner, Richard Parsons,
confirmou ontem durante participaçao numa conferência do Goldman
Sachs que o grupo pretende vender parte da America Online. Quer, no entanto,
manter o controle do negocio. Na semana passada, o New York Post revelou
que a holding estava negociando com a Microsoft, anterior aqui.
Parsons, no entanto, nao comentou conversas com potenciais compradores.
De acordo com o The Wall Street Journal, que cita fonte proxima a situaçao,
as negociaçoes com a MS foram interrompidas e nao foram até
agora reiniciadas. Leia a integra da materia, em inglês, aqui,
somente para assinantes." (22/9/2005)
Por que ser jornalista?
"Porque
o jornalismo é uma paixão insaciável que só
se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada
com a realidade. Quem não sofreu essa servidão que se alimenta
dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não
viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo
do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer
conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido
para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir
numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra
termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que
não concede um instante de paz enquanto não torna a começar
com mais ardor do que nunca no minuto seguinte". A opinião é
de Gabriel Garcia Marquez e foi divulgada no Boletim
do NPC, em agosto de 2005.
Brasil: o país
das faculdades de Jornalismo
Do sítio
O
Jornalista, 17/8/2005
Já
virou uma “Festa da Uva”. O número de cursos de Jornalismo, no Brasil,
cresce sem parar e pelo visto sem controle algum. Segundo dados do Censo
do Ensino Superior de 2003, o número de cursos saltou de 260, em
2000, para 443, em 2003, o que corresponde a um aumento de 70% nesses quatro
anos. Desses 443 cursos atuais, 74 são públicos e 369 privados.
Segundo análise da Federação Nacional dos Jornalistas
(FENAJ), os dados precisam, no entanto, ser tomados com precaução,
pois pode ter havido confusão na hora de classificar os cursos.
“É
possível que nas listas de Comunicação Social tenham
sido contabilizadas outras habilitações que não as
de Jornalismo, como os cursos de graduação em Cinema e Vídeo,
Radialismo, Rádio e Telejornalismo, Produção Editorial
e Publicação entre outros”, afirmou a entidade.
Porém,
alguns dados sobre a questão são incontestáveis:
-
O Brasil
tem mais faculdades de Jornalismo do que de Odontologia. Apesar de sermos
um país de desdentados, pelo menos no entendimento do Ministério
da Educação parece que precisamos mais de jornalistas do
que de dentistas;
-
Todos os
Estados brasileiros oferecem cursos de jornalismo. Com habilitação
em Jornalismo já são pelo menos 300 cursos, contra menos
de 200 em Odontologia.
-
A Região
Sudeste concentra a maioria das escolas de jornalismo, seguida pela Região
Sul, Nordeste, Centro-Oeste e a Região Norte, com o menor número
delas;
-
O Governo
Lula agravou a política de proliferação das faculdades
de Jornalismo, apesar dos diversos apelos de uma moratória na abertura
de novos cursos no País;
-
No ranking
dos Estados, São Paulo é o campeão isolado. O segundo
lugar é do Paraná, seguido de perto por Rio de Janeiro e
Minas Gerais. O Rio Grande do Sul ocupa a quarta colocação.
Em diversas
ocasiões os jornalistas brasileiros já expressaram preocupação
e cobraram providências contra a proliferação indiscriminada
das faculdades de jornalismo no Brasil. Mas, nenhuma providência
digna do nome foi tomada pelos órgãos competentes.
Em 2003,
o XI Congresso Estadual dos Jornalistas no Estado de São Paulo,
realizado nos dias 24 e 25 de outubro, em Bauru (SP), aprovou um documento
endereçado ao Ministério da Educação, no qual
a categoria paulista expressava preocupação e cobrava providências
contra a proliferação das faculdades de jornalismo no Brasil.
No ano seguinte, a Federação Nacional dos Jornalistas reforçou
o alerta. Tudo em vão. Até quando esta situação
vai se perdurar?
Clique
aqui para ler um documento encaminhado ao Ministério da Educação
em 2003.
Eles não admitem
que você pense diferente, não é?
"Em recente
palestra na Bahia, Bob Fernandes, ex-redator-chefe da revista CartaCapital,
observou que 'cerca de 12 jornalistas conduzem a opiniao pública
a respeito da política nacional' (no Brasil). É verdade que
alguns jornalistas acreditam nisso e confundem o inquestionável
poder da mídia com o seu poder individual. Por isso, as vezes, se
irritam quando constatam que suas opinioes privadas podem nao coincidir
com a opiniao da maioria da populaçao brasileira". Texto de Venicio
Lima, pesquisador sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia
e Política (NEMP) da Universidade de Brasília e autor de
livros sobre o tema, foi postado esta noite no Observatorio da Imprensa.
Diz tambem - "Na grave crise política que estamos atravessando,
apesar da incrível enxurrada de denúncias públicas
contra o partido e o governo do presidente Lula, decorridos mais de 3 meses,
sua 'imagem' positiva junto a percentual expressivo da opiniao pública
continua resistindo ou tem caído numa velocidade muito aquém
daquela antecipada pela maioria dos principais jornalistas multimídia".
Leia a materia, na integra, no Observatorio,
aqui. Dica do BlueBus,
17/8/2005
TV fica com 49% da
publicidade
A televisão
concentrou 49% do bolo publicitário no 1º semestre, segundo
o
Ibope Monitor. As informações são referentes ao período
de 1º de janeiro a 30 de junho. A TV obteve 7,54 bilhões dos
investimentos publicitários, de um total de R$ 15,43 bilhões.
Internet não está no levantamento. Veja:
-
TV - R$
7,54 bilhões (49%)
-
Jornal
- R$ 5,12 bilhões (33%)
-
Revista
-R$ 1,3 bilhão (8%)
-
Rádio
- R$ 445,24 milhões (3%)
-
Outdoor
- R$ 67,96 milhões (menos de 1%; junho não foi computado).
-
Total -
R$ 15,43 bilhões
Casas Bahia segue líder
em investimento publicitário
As Casas Bahia ocupam o topo
do ranking de investimentos publicitários no levantamento do 1º
semestre, segundo dados do Ibope monitor. O estudo leva em conta TV aberta,
revista, jornal, rádio e TV por assinatura, tendo como base a tabela
de preços dos veículos. A Unilever Brasil aparece em 2º,
bem distante, e a General Motors em 3º. A Volkswagen está em
11º, a Schincariol em 17º, a Coca-Cola em 19º e a Skol em
30º. Veja os dez primeiros:
01 - Casas Bahia
(R$ 1,08 bilhão)
02 - Unilever (R$ 259,01
milhões)
03 - General Motors (R$ 192,09
milhões)
04 - Grupo Pão de
Açúcar (R$ 156,43 milhões)
05 - Vivo (R$ 155,31 milhões)
06 - Fiat (R$ 147,56 milhões)
07 - TIM (R$ 137,02 milhões)
08 - Liderança (R$
128,41 milhões)
09 - Ford (R$ 126,52 milhões)
10 - CVC (R$ 114,04 milhões)
Rio e SP concentram
52% da propaganda
As cidades de São Paulo
(35%) e Rio de Janeiro (15%) concentraram mais da metade dos investimentos
publicitários no 1º semestre, segundo o Ibope Monitor. O levantamento
considera a TV aberta, revista, jornal, rádio, outdoor e TV por
assinatura, com base nas tabelas de preços dos veículos.
São Paulo - R$ 5,64
bilhões (37%)
Rio de Janeiro - R$ 2,26 bilhões
(15%)
Nacional (TV paga e revista) - R$
2,09 bilhões (14%)
Interior SP - R$ 1,29 bilhão
(8%)
Outras Praças - R$ 671,05
milhões (4%)
Belo Horizonte - R$ 619,08 milhões
(4%)
Porto Alegre - R$ 602,49 milhões
(4%)
Recife - R$ 497,71 milhões
(3%)
Curitiba - R$ 477,81 milhões
(3%)
Salvador - R$ 408,2 milhões
(3%)
Fortaleza - R$ 372,48 milhões
(2%)
Brasília - R$ 296,12 milhões
(2%)
Florianópolis - R$ 181,68
milhões (1%)
Total: R$ 15,43 bilhões
Fonte:
Advillage (advillage.uol.com.br), 10/8/2005
A defesa da liberdade
de imprensa
(...)
O esforço das campanhas pela "liberdade de imprensa" que, periodicamente,
surgem, e não apenas nos jornais e revistas - uma curiosidade: aparecem
numerosas organizações e forças estranhas à
imprensa nessas campanhas - visa sempre, e tão-somente, a exclusão
do poder governamental, a interferência do poder público.
O obstáculo à liberdade de imprensa é, nessas campanhas,
o Estado, particularmente através da censura. Trata-se, evidentemente,
da concepção liberal, peculiar à fase ascensional
da burguesia. Em tal fase, as limitações à
imprensa só podiam partir dos detentores do poder; o capitalismo
de concorrência estava interessado em que a imprensa fosse
livre, não se visse limitada pela violência ou pela censura
da autoridade pública, mas nisso esgotava o seu conceito de liberdade
de imprensa.
Tudo mudou,
entretanto, com o capitalismo monopolista, com o imperialismo:
a luta contra a censura e todas as formas de cerceamento impostas pela
autoridade passou a ser aspecto parcial da luta pela liberdade de imprensa
e, algumas vezes, aspecto menor. A transformação da
imprensa em negócio de grandes proporções, em empresa,
e, paralelamente, o desenvolvimento, complexidade e encarecimento de suas
técnicas, demandando grandes investimentos e acompanhando o desenvolvimento
qualitativo e quantitativo do público, mostra como a proteção
contra a censura perdeu o interesse antigo, embora não tenha esse
desaparecido; as grandes empresas jornalísticas, no essencial, se
autocensuram.
Isso conduz à transformação dialética, finalmente:
de instrumento de esclarecimento, a imprensa capitalista se transformou
em instrumento de alienação, fugindo inteiramente
aos seus fins originários.
A liberdade
de imprensa, na sociedade capitalista, é condicionada pelo capital,
depende do vulto de recursos de que a empresa dispõe, do grau de
sua dependência em relação às agências
de publicidade. Isso se tornou claro, no Brasil, desde a segunda
metade do século XX. De tal sorte que os assuntos de interessenacional
só encontraram possibilidade de estudo em revistas especializadas,
e as correntes de opinião divergentes das forças dominantes
tiveram a capacidade reduzida apenas à possibilidade de manter semanários,
- o jornal diário já colocado fora de seu alcance. (...)
Nelson
Werneck Sodré. História da Imprensa no Brasil, páginas
407 e 408. Rio: Mauad, 1999
Três princípios
básicos que fundamentam o jornalismo
1. Devoção
canina pela verdade factual.
2. Exercício
incansável do espírito crítico.
3. Fiscalização
diuturna do poder.
Fonte:
Mino Carta, jornalista,
novembro de
2004
Dados da Associação
de Jornais confirmam concentração da mídia brasileira
Dados publicados no site da
Associação Nacional de Jornais - ANJ - sobre a comercialização
de jornais diários impressos nos anos de 2001, 2002 e 2003 indicam
alto grau de concentração na mídia impressa brasileira.
Dentre mais de 500 veículos de comunicação impressos
de circulação diária em todo país, os dez maiores
jornais em circulação estão localizados na região
Sul e Sudeste. Apenas seis grupos empresariais concentram a propriedade
de mais da metade da circulação diária de notícias
impressas no país. Sozinhos, estes veículos respondem por
cerca de 55,46% de toda produção diária dos jornais
impressos. Leia mais em www.observatoriodemidia.org.br
| Modelos
teóricos
Há
atualmente nove modelos teóricos para o Estudo das Comunicações,
que evidentemente se assemelham à relação referida
entre os alunos de uma classe e seu(s) orientador(es). Os modelos de “Manipulação”
e “Mercadoria” são dois exemplos de uma visão cujo sujeito
é tido como passivo e conformista.
Manipulação.
A “Manipulação” pode ser definida como uma resposta de um
organismo a um estímulo. Foi proposto primeiramente nos Estados
Unidos durante a 1a
Guerra Mundial, quando o monopólio da informação dava
um poder quase irrestrito da mídia (imprensa, cinema, rádio
e fotografia). Até hoje os utilizadores deste conceito tendem a
se perguntar: quais os efeitos de curto prazo, visto que estamos em uma
sociedade atomizada, de “massa”? Essa parece ser uma pergunta chave. Não
é à toa que a disciplina que melhor sustentava essa tese
é a psicologia mecanicista e o ‘propagandista’ era um dos principais
produtores de informação.
Mercadoria.
A “Mercadoria”, por sua vez, é toda a mercadoria produzida pela
indústria cultural. Este modelo foi pensado principalmente na Alemanha,
França, Inglaterra e por fim na América Latina. Foi proposto
durante os anos 40, quando havia entre os pesquisadores um forte debate
sobre a cultura popular e uma forte crítica ao Iluminismo. Enquanto
que o conceito de Manipulação foi sustentado financeiramente
pelo governo dos EUA, este já ocorreu nos meios acadêmicos.
O conceito
de Mercadoria toma como pressuposto que estamos em uma sociedade de classes,
tendo o marxismo e a Escola de Frankfurt como fundamento e parecendo ser
básico perguntar: qual é a lógica da produção
cultural? Na Alemanha de Hitler ou no Brasil de Vargas se discutia muito
em meios acadêmicos sobre o a força que representava o aparelho
ideológico do Estado. Alguns dos sujeitos mais ativos eram o sociólogo
da cultura, o crítico cultural e o gestor de políticas públicas.
No processo
de transmissão de conhecimento, são estes — Manipulação
e Mercadoria — dois modelos que podem ser identificados
com os modelos mecanicista e subjetivista. O modelo objetivo-ativista,
por sua vez, se assemelha em grande parte aos modelos de comunicações
definidos como “Cultura” e “Diálogo”.
Cultura.
No primeiro, os teóricos se baseiam em um sistema de significação
onde a ordem social é comunicada, reproduzida, experimentada e explorada.
Há interação. A realidade é produzida, mantida,
restaurada e transformada. Foi proposta na Inglaterra e nos Estados Unidos
e possui uma evidente crítica ao marxismo ortodoxo e ao modelo transmissivo
de informação. A televisão é o principal meio
estudado. Tendo ainda como base uma sociedade de classes, parece ser inerente
aos estudiosos deste modelo perguntar: qual é a representação
da realidade construída pelos mass media? Stuart Hall e Venício
A. de Lima são dois dos autores propositores deste conceito.
Diálogo.
No entanto, o que parece estar mais próximo do sistema de Educação
à Distância é o referido modelo de “Diálogo”,
cujo principal nome é o do educador Paulo Freire. O fundamento deste
modelo teórico das comunicações é o encontro
de sujeitos interlocutores que buscam a significação dos
significados, substituindo decisivamente a mera transferência de
saber outrora verificada.
É
este inclusive o primeiro modelo oriundo exclusivamente do Cone Sul (América
Latina). Apesar de ter como principal meio, atualmente, a nova mídia
(tecnologias interativas), já se aplicava na extensão rural
das décadas de 60 e 70 e na alfabetização de adultos.
Possui traços de interdisciplinaridade na medida em que não
pode ser dissociado da Educação e da Filosofia.
Igualmente
baseado na sociedade de classes, pergunta: qual a definição
ideal de comunicação? Tem como base de apoio a tradição
do socialismo cristão (teologia da libertação), opõe
a educação bancária à educação
problematizadora e tem como objetivo teórico a liberação
humana.
(...)
O professor da Universidade de Otawa Pierre Lévy destaca que “a
cooperação e, mais particularmente, a troca de idéias,
a cooperação intelectual, é algo importante para o
desenvolvimento cultural e social. A Internet é uma das ferramentas
para esse desenvolvimento e é por isso que ela tem, em todo o mundo,
um tal sucesso”.1
Sobre
o texto
Escrito por
Gustavo
Barreto, publicado em dezembro de 2004.
Notas
(1) Revista
Fórum. Número 7. Editor: Renato Rovai. São Paulo:
Editora Publisher Brasil, 2002
Bibliografia
LIMA, VENÍCIO
A. DE. Mídia: Teoria e Política. São Paulo: Perseu
Abramo, 2004 (2a edição).
Mídia
não-violenta
A mídia não-violenta
é aquela que se afirma na integração das conquistas
pós-modernas da autonomia do profissional (o primado da invenção
e da criatividade) com a vigência de valores universais que garantam
a vinculação social, sem totalitarismos. Examinamos a não-violência
sempre lembrando, com Gandhi, que a não-violência covarde
é pior do que a violência por causas justas. Entende-se, assim,
que a gestão da informação e do conhecimento dependem
de uma mudança da economia psíquica do sujeito e das empresas
em relação à questão da liberdade socialmente
responsável ("o estado de espírito bárbaro está
em cada um de nós"). O que interessa, portanto, é a investigação
e a prática de uma certa autonomia do papel do profissional, da
linguagem e das audiências em relação ao sistema e
aos dispositivos de comunicação.
Evandro
Vieira Ouriques, Doutor em Comunicação e Cultura pela
UFRJ, é cientista político, jornalista, terapeuta e especialista
em estados mentais não-violentos
Jornalismo
canalha
“Não
raro, os próprios jornalistas aceitam fazer o papel de escribas
do poder, reproduzindo o comportamento dos correspondentes enviados a Canudos,
que não mencionaram – ou apenas registraram, muito de passagem -
a degola de homens, mulheres e crianças. Muito poderia ser escrito
sobre as razões que determinam tal comportamento – do triunfo momentâneo
do pensamento neoliberal, para o qual o mercado é a lei inexorável
da existência, ao puro e simples oportunismo de carreiristas que
sabem o que devem escrever e falar ‘para se darem bem’ na profissão.
(...)
alguns episódios são muito ilustrativos não por revelar
aquilo que, na verdade, já se sabe – que a mídia brasileira
é extremamente hostil aos movimentos populares em geral, e ao MST
em particular –, mas por evidenciar o papel de grande relevância
ocupado pelos jornalistas na guerra contra as organizações
dos pobres deste país.
Não
são mais os generais da ditadura, nem os seus agentes, nem sequer
são os donos das empresas jornalísticas que acusam as organizações
populares de prática de corrupção, de manobrar os
"inocentes úteis" com fins escusos, de serem a sucursal de Satanás
na Terra. São os próprios jornalistas que metem a mão
na massa e "mostram serviço". Em geral, eles são eficientes,
pois eram "de esquerda" quando fizeram a universidade - como muitos, aliás,
adoram propagar -, e conhecem bem os argumentos que tocam a sensibilidade
da classe média.”
Apresentação
do livro "Jornalismo Canalha", de José Arbex Jr., editado pela Casa
Amarela (SP, 2003).
Jornalismo impresso:
como as empresas estão driblando a crise?
"Uma das
atitudes mais notáveis tomadas por donos de jornais contra crises
é o corte de custos (e isso quer dizer menos empregos). Com as redações
mais vazias, a verificação das informações
se tornam mais precárias, o que repercute na qualidade das notícias.
Muitas vezes os repórteres repetem comunicados oficiais por falta
de recursos. Esta é uma forma de economizar.
A Folha
de S. Paulo e o Estado de S. Paulo demitiram dezenas de funcionários
ano passado. A Gazeta Mercantil abriu estado de falência (e
já saiu, por meio de negociação). A Globo (empresa)
está sendo processada por credores nos Estados Unidos. O Jornal
do Brasil passa por crise financeira e paga mal seus profissionais,
quando paga. E assim está quase toda os impressos diários.
Então,
demitir é um caminho.
Outro
é colocar matérias pagas por empresas e governos como se
fossem jornalísticas. Assim faz o Jornal do Brasil há
muito tempo e boa parte dos jornais do interior e jornais menores das grandes
cidades. A Tribuna da Imprensa também faz o mesmo. É
difícil acreditar que diante da crise atual haja algum jornal que
não faça isso, exceto alguns mais independentes, como é
o caso do Brasil de Fato (de circulação nacional),
que utiliza pouquíssimos recursos e sempre esteve "em crise", de
certa forma. Em maior ou menor nível, todos da grande imprensa assim
o fazem.
Outra
forma é serem mais "carinhosos" com os investidores (quem faz a
publicidade, por exemplo). Com isso críticas mais diretas a governos
e empresas em situações ilícitas são raras
ou incompletas. Teses do governo são cada vez mais aceitas e defendidas
em editoriais, como está sendo em O Globo.
Existe
outra forma de superar a crise: administrar bem os recursos da empresa
(financeiros ou não). O Globo se mantém como o melhor
jornal (no aspecto administrativo, não jornalístico), pois
conta com o apoio de uma das maiores organizações midiáticas
do mundo. Tem ajuda de TV, rádio e outros jornais pelo Brasil inteiro.
O oligopólio da organização traz uma concorrência
desleal com os outros jornais diários.
Não
acho que existam jornais diários que administrem de forma satisfatória
seus recursos, sem prejudicar a atuação dos jornalistas e
a independência do meio. Talvez a Folha de S. Paulo, mas lembrando
que ela demitiu mais de 100 funcionários nos últimos meses.
Existe
uma lógica de administração que aprofunda a crise.
Em tempos de "boi gordo", em vez de reservar o que entra para tempos de
"boi magro", as empresas distribuem este dinheiro por setores muitas vezes
não prioritários, às vezes até para aumentar
salários de pessoas em altos cargos.
A revista
semanal Carta Capital é um exemplo que poderia ser seguido
pelos jornais diários, apesar da evidente diferença entre
se fazer um diário e um semanário. A redação
deles possui apenas 11 profissionais. Todos, no entanto, são craques
no que fazem. Este padrão vem da Europa, onde as redações
são bem mais enxutas do que no Brasil. O resultado, do ponto de
vista jornalístico e financeiro, sem dúvida é melhor."
Por Gustavo
Barreto, 21/4/2004 |
|
Princípio
do Pluralismo Regulado
"Numa tentativa de ir além
da teoria tradicional da livre imprensa e de pensar sobre os marcos referenciais
institucionais mais apropriados para o desenvolvimento dos meios
de comunicação no século XX, defendo o que pode ser
chamado de o princípio do pluralismo regulado. Por "pluralismo
regulado", entendo um marco referencial institucional amplo que tanto poderia
acomodar como assegurar a existência de uma pluralidade de
instituições de mídia independentes nas diferentes
esferas da comunicação de massa. Este princípio requer
duas medidas concretas: a desconcentração dos recursos
nas indústrias da mídia e a separação
das instituições da mídia do poder estatal".
"(...) O caráter transnacional
das formas de transmissão, associado à tecnologia dos satélites,
representa apenas o estágio mais recente, ou talvez o mais dramático,
de um processo de globalização que o desenvolvimento da comunicação
não só promoveu como também refletiu. Se quisermos
tirar o melhor possível das novas oportunidades propiciadas pelo
desenvolvimento das novas tecnologias na esfera da comunicação
de massa, e se quisermos evitar os perigos que o desenvolvimento da comunicação
de massa trouxe com isso, então a implantação do princípio
do pluralismo regulado exigirá um nível de vontade política
e de cooperação internacional que se encontra, na maioria
das vezes, ausente da cena política contemporânea".
(grifo nosso)
John B. Thompson, no livro Ideologia
e Cultura Moderna.Petrópolis, R.J.: Vozes, 1995, p. 30. Colaborou
com o envio do texto a professora da Faculdade de Educação
da UnB Raquel de Almeida Moraes.
Base eletrônica
do conhecimento em português
MCT e
Unesco lançam projeto do site E-Livro, para troca de informações
entre países de língua portuguesa. O objetivo é contribuir
para a socialização do conhecimento e de informações
de qualidade..—.Agência
Fapesp, 11/05/2004
Neutro a favor de
quem?
No livro do Perseu Abramo, página
38, ele nos diz o seguinte: "Vejamos: é desejável, para um
jornalista, para um órgão de comunicação uma
postura de neutralidade. (...) "Neutro" a favor de quem? (...). "Imparcial"
contra quem? (...). "Isento" para que lado?(...). Assim é defensável
que o jornalismo, ao contrário do que muitos preconizam, deve ser
não-neutro, não-imparcial e não-isento diante dos
fatos da realidade. E em que momento o jornalismo deve tomar posição?
Na orientação para a ação. O órgão
de comunicação não apenas pode mas deve orientar seus
leitores/espectadores, a sociedade, na formação de opinião,
na tomada de posição e na ação concreta como
seres humanos e cidadãos".
Isso que ele escreveu é
impagável. Troque as palavras "jornalismo", "órgão
de comunicação", e substitua por "Escola", "guerra", "fome"
, "política", "governo" ou seja lá o que for, serve para
tudo nesta vida.
Teka, 20/06/2004
Brasil derrapa na
sociedade da informação
Em entrevista
à Agência FAPESP, Georgete Rodrigues, professora da UnB, traça
as perspectivas para que o país consiga galgar postos no ranking
internacional da sociedade da informação. A pesquisadora
publicou trabalho em que compara os Livros Verdes brasileiro e português.
29 de maio, 2004 na Agência
Fapesp
José Arbex
Jr. em Jornalismo Canalha (p. 46)
"A imensa maioria da população,
formada por analfabetos e semi-analfabetos, obtém informações
quase que exclusivamente por meio da televisão e do rádio.
A soma total de tiragem de jornais e revistas impressos no país
é inferior aos 9 milhões de exemplares diários, para
uma população de 170 milhões de habitantes, constituindo
um dos piores índices do mundo.
Se isso é assim em todo
o mundo, aqui a disparidade atinge níveis singulares. De fato, o
Brasil situa-se na 102a posição com relação
a número de exemplares de jornal por habitante, 1/23, enquanto na
Grã-Bretanha, por exemplo, esse índice é de 1/4. (dados
retirados do livro A Síndrome da Antena Parabólica - A Ética
no Jornalismo Brasileiro, de Bernardo Kuciski (SP: Fundação
Perseu Abramo, 1998. P.16-18)."
Da objetividade
Franz
Alt (1982): "Minha experiência também me ensina: objetivo
é aquilo que agrada, que é útil, que alguém
quer escutar, que confirma a opinião de alguém. Espectadores
e partidos políticos, igrejas e sindicatos, empresários e
grupos de ação cívica, esquerdistas e direitistas,
não consideram objetivo aquilo que não lhes agrada, que usurpa
seus próprios interesses, que não queiram escutar, que coloca
em dúvida sua própria opinião."
Michael
Kunczik, Conceito de Jornalismo, USP
A fôrma e a
forma
(...)
Palavras e conceitos que hoje estão presentes no quotidiano dos
jornalistas encontram sua origem nas primeiras práticas da profissão.
Por exemplo:
As Acta
Diurna Populi Romani, que adquiriram regularidade quando Júlio
César assumiu o Consulado de Roma, foram instituídas com
o objetivo de ridicularizar os representantes do Senado Romano. No ano
69 a .C, o imperador Júlio determinou publicar o que era discutido
nas sessões — antes
sigilosas —,
além de mandar divulgar os atos de interesse do povo, comunicar
nomeações, divórcios, vitórias na guerra. Publicar,
nessa época, era deixar ao conhecimento do público,
colocando a mensagem em lugar onde pudesse ser lida. Essa decisão
deflagrou um processo que, mais tarde, viria a dar origem aos conceitos
que hoje caracterizam a imprensa no mundo ocidental:
Atualidade:
o relato contido nas atas sobre o quotidiano dos senadores fixou o sentido
de actualidade inerente à notícia e isso começou a
ser um fator relevante. As placas feitas de pedra, cera ou pergaminho (Album)
dependuradas nos muros do Palácio Imperial passaram a ser redigidas
todos os dias (diurna). Daí vem o conceito de diurnale¸antepassado
remoto do (ital.) giornale = jornal;
Cidadania:
o interesse pela política e pelas decisões relativas à
vida das cidades fez com que os mercadores de notícias (da Antigüidade
como de hoje) passassem a considerar mais esses assuntos. Por outro lado,
ao se reunir em volta das placas no Fórum Romano, as pessoas trocavam
idéias sobre o que liam nos Album e começaram a exigir
ações das autoridades;
Jornalismo:
estabeleceu-se o jornalismo oficial, com os actuarii, os profissionais
que redigiam as notícias para a Acta. As Acta, recheadas
com os atos e deliberações imperiais, vitórias militares,
além de dados administrativos, podem ser vistas como as antepassadas
dos diários oficiais;
Periodicidade:
o público queria que as tábuas afixadas tivessem regularidade,
para que pudessem acompanhar as notícias. Durante os séculos
que se seguiram, esse tipo de comunicação se transformou
num verdadeiro jornal, expandindo-se para as províncias do Império
Romano. No entanto, não chegou a haver periodicidade, apesar de
os envios serem regulares;
Marketing:
a intenção de Júlio César era desmoralizar
os senadores, mas a idéia se virou contra ele. Inaugurando a técnica
da contrapropaganda — a
melhor forma de defender-se de uma informação adversa é
adiantar-se a ela –, o imperador logo percebeu a arma que tinha nas mãos.
(...)
O termo jornal vem diretamente de jour (=dia) e o conceito
nunca perdeu sua ligação com o tempo. O primeiro a ostentar
o nome, o Journal des Sçavants (Jornal dos Sábios),
de veleidades intelectuais, era vendido nas feiras e lojas. Quem estava
à frente do projeto era Jean-Baptiste Colbert, ministro de Estado
de Luís XIV, empenhado em fortalecer o poder monárquico como
também em incentivar as artes e as ciências. O jornal, em
qualquer uma de suas formas, está portanto, eternamente ligado à
questão do dia: o novo, a novidade
— esse é
o primeiro requisito para sua existência. (...)
Por
Thais Mendonça (UnB). Cronologia da Notícia (de 740 a.C a
2020). GT História da Jornalismo, abril de 2004. Rede
ALCAR
Brasil: O primeiro
jornal
A Imprensa
surge oficialmente no Brasil, quando passou a circular nesta data o "Correio
Braziliense", editado em Londres por Hipólito José da Costa
Pereira Furtado de Mendonça. Até 1808 eram proibidas a impressão
e a circulação de qualquer tipo de jornal ou livro no Brasil.
O "Correio Braziliense" entrava clandestinamente, nos porões dos
navios que transportavam mercadorias e escravos.
Todo o
cerco da Coroa Portuguesa ao incipiente jornalismo brasileiro temia a propagação
de ideais de liberdade, igualdade e fraternidade que fervilhavam na Europa,
especialmente na França, com os quais Hipólito mantinha uma
certa identidade. O nome obedece ao vocabulário da época:
Brazileiro
= português ou qualquer estrangeiro que vinha morar no Brasil; Braziliano
= indígena; Braziliense = natural do Brasil. O jornal chega
ao Brasil de navio todos os meses, durante 14 anos. Até dezembro
de 1822, publica 175 números.
Teoria da Interpretação
“Para
o lingüista, a comunicação é um fato e mesmo
até um fato óbvio. As pessoas, efetivamente, falam umas às
outras. Mas, para uma investigação existencial, a comunicação
é um enigma e até mesmo um milagre. Por quê? Porque
o estar junto, enquanto condição existencial da estrutura
dialógica do discurso, surge como um modo de ultrapassar ou de superar
a solidão fundamental de cada ser humano. Por solidão não
quero indicar o fato de, muitas vezes, nos sentirmos isolados como numa
multidão, ou de vivermos e morrermos sós, mas, num sentido
mais radical, de que o que é experienciado por uma pessoa não
se pode transferir totalmente como tal e tal experiência para mais
ninguém. A minha experiência não pode tornar-se diretamente
a vossa experiência. Um acontecimento que pertence a uma corrente
de consciência não pode não pode transferir-se como
tal para outra corrente de consciência. E, no entanto, algo se passa
de mim para vocês, algo se transfere de uma esfera de vida para outra.
Eis o milagre. A experiência experienciada, como vivida, permanece
privada, mas o seu sentido, a sua significação torna-se pública.
A comunicação é, deste modo, a superação
da radical não comunicabilidade da experiência vivida enquanto
vivida.”
Paul
Ricoeur,
Teoria da Interpretação
Os proletários
mentais do jornalismo
Os proletários mentais
têm a obrigação de rechear longas colunas sobre mil
e um assuntos, sobre política, leis, economia, erudição,
sobre as áreas da legislação, sobre as condições
diplomáticas e as histórias de todas as nações.
Quer entenda o suficiente, ou pelo menos o mínimo, do assunto ou
não, é preciso tratar do tema e rechear o papel.
Toda falta de conhecimento,
de familiaridade com os temas, tudo deve ser ocultado, se possível
com lugares-comuns e chavões muito batidos. É por isso que,
atualmente, qualquer pessoa com formação média que
se inicie na profissão de jornalista há de esquecer em dois
ou três anos o pouco que sabia no começo. Ter-se-á
destruído mental e moralmente e se tornará uma pessoa indiferente
e frívola, que já não acredita em nada de grande nem
se esforça por obtê-lo, dedicando-se unicamente ao poder da
camarilha.
Por tudo isso, com poucas exceções,
os profissionais competentes que trabalhavam no jornalismo foram-se retirando
gradualmente e deixaram que ele se convertesse em um ponto de reunião
de todas as mediocridades, de todas as existências arruinadas, de
todos os desempregados e de todos os ignorantes que, incapazes de realizar
algum trabalho verdadeiro, ainda encontram no jornalismo uma existência
mais fácil e rentável do que em outra parte
Ferdinand
Lassalle em 1863
Jornalismo é...
[Citado por
Ana Rachel, Fortaleza, Ceará]
"A principal fonte de erro
para o repórter político é a própria vaidade
e seu maior instrumento de trabalho não é a caneta, o bloco
de anotações nem o computador, mas o semancol, em doses que
devem aumentar com o passar do tempo. Pois a sensação ilusória
da proximidade com os poderosos dada ao repórter que segue seus
passos é a pior conselheira que ele pode ter. O convívio
é uma forma de cooptação mais terrível. A proximidade
e a freqüência são poderosas armas a serviço da
pura e simples adesão, às vezes piores do que a própria
corrupção". [José Nêumane, no livro "Jornalismo
é..."]
"(...)
Jornalismo de investigação não é só
aquele que precede a elaboração de reportagens de fôlego.
Jornalismo é investigação sempre - quer ele resulte
na renúncia de um presidente da República ou no fechamento
de um buraco de rua que atrapalha o trânsito (...)".
[Ricardo Noblat, no livro "Jornalismo é..."]
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