A Revista Veja, o PT e as Tendências
Antonio Ozaí da Silva, outubro
de 2002
Veja, 1774 - 23.10.02
De
tudo o que foi dito e escrito até agora sobre o futuro governo Lula,
chama a atenção o destaque que a imprensa concede ao que
ela denomina os radicais. A julgar pelo andar da carruagem, a esquerda
– petista ou não – terá espaço garantido na pauta
jornalística do próximo período. É claro que
tanto a imprensa tem todo o direito de tratar a ação e o
discurso da esquerda como notícia, como esta tem o direito de se
fazer notícia. Afinal, vivemos numa sociedade na qual torna-se imperativo
aparecer na mídia; na arte de fazer política é imprescindível
tornar-se notícia. Como diria Berkeley, “Ser é ser percebido”.
A necessidade de se fazer
percebido, de exprimir e marcar posições políticas,
esconde armadilhas. A imprensa sabe muito bem usar as palavras e o feitiço
pode virar-se contra o feiticeiro. Em outras palavras, a esquerda, crítica
às estratégias e políticas majoritárias (união
nacional, pacto social, novo contrato social etc.), se vê diante
do dilema definido por Max Weber em termos da opção entre
a ética da convicção e a ética da
responsabilidade.
Se o governo Lula não
conseguir equacionar bem as necessidades reais, com as expectativas e as
possibilidades, fracassará. Parece-me evidente que isso não
interessa à esquerda petista e não-petista. Contudo, essa
esquerda não se omitirá. Fundada na ética da convicção,
ela resgata os princípios e as bandeiras de luta historicamente
defendidas (será a consciência crítica da política
lulista) e apoiará as demandas populares (já vimos esse filme
nas administrações petistas municipais e estaduais). A questão
é: até onde essa esquerda está disposta a ir? Terá
a responsabilidade de reconhecer os limites determinados pela realidade
ou prevalecerá o voluntarismo político e a necessidade –
inconsciente ou consciente – de buscar crescer sobre os escombros de um
possível debilitamento da política hegemônica?
É previsível
que, considerando-se o campo da esquerda, a ênfase maior da crítica
à postura petista hegemônica venha de fora do partido: PSTU,
PCO e outras forças políticas. Afinal, são organizações
também concorrentes. Isto já ficou visível no primeiro
turno com o PSTU e o PCO não poupando críticas ao PT; e no
segundo turno, com o primeiro declarando o voto crítico a Lula e,
o segundo, se posicionando pelo voto nulo. Estão em seu direito!
Talvez pelo desempenho no primeiro turno, essas organizações
não tiveram maior destaque por parte da imprensa – a qual, em geral,
confunde capacidade de mobilização do movimento social com
coeficiente eleitoral. O enfoque se deu, então, em relação
ao MST e às denominadas Tendências petistas.
É verdade que durante
o período, essas correntes políticas tiveram um procedimento
que merece elogios – pelo menos, do PT e de Lula. Temerosos de que suas
palavras pudessem gerar efeitos não desejados, em geral, se calaram
quanto às críticas à estratégia eleitoral petista
(como na época da guerra fria, a esquerda minoritária vive
o dilema entre a necessidade de se expressar e o receio de que suas críticas
sejam usadas pelo inimigo - ou mesmo classificada como a que faz o jogo
do inimigo).
Diante do alarde da imprensa,
parcela da esquerda petista tem se pronunciado com cautela. [1]
Mas,
outros setores, ainda que com certo cuidado, se pronunciaram criticamente,
em especial após a definição da eleição.
“As pessoas viram no Lula essa possibilidade de mudança com paz
e tranqüilidade, sem confronto, sem contrariar os interesses de ninguém.
A questão é debater se isso é possível. Eu
acho que não é possível”, afirmou a deputada federal
eleita (PT/RS), Luciana Genro. [2]
Observa-se que a esquerda
petista parece pisar em ovos. Ainda que concordem quanto ao essencial divergem
quanto à dosagem e a oportunidade da crítica. Ambos os procedimentos
são legítimos. Em política, toda e qualquer postura
tem o seu respectivo ônus. Será que essa regra também
é válida para a atividade do jornalista? É legítima
a caça dos jornalistas às declarações dos radicais
– que podem render polêmicas de papel e dividendos profissionais.
O que é discutível é o uso das fontes e do material
que o jornalista obtém.
O profissional de mídia,
como mostra Bourdieu, é pressionado pela realidade do campo jornalístico
(exigências de venda e de lucro; pressão dos anunciantes,
dos editores, situação econômica; necessidade de prestígio
etc). Por outro lado, eles
“exercem uma
forma raríssima de dominação: tem o poder sobre os
meios de se exprimir publicamente, e existir publicamente, de ser conhecido,
de ter acesso à notoriedade pública (o que, para os políticos
e para os certos intelectuais, é um prêmio capital).” (BOURDIEU,
1997: 66).
O jornalista é conhecedor
do seu poder e do poder da palavra. Seu trabalho está longe da imagem
idílica do profissional isento de valores políticos e sociais
(que interferem na interpretação que ele faz das fontes,
no conteúdo e na própria forma da sua apresentação).
Nessa, e em todas as atividades de cunho intelectual, a neutralidade axiológica,
a ciência restrita aos fatos, é uma falácia.
Contudo, os jornalistas tendem
a ver o seu trabalho apenas como registro dos fatos. Vivem na berlinda.
A distância entre o equívoco e a má fé pode
ser mínima. No período recente, a revista Veja, bem
ao seu estilo, nos deu um péssimo exemplo de como a pretensa cientificidade
factual se presta a objetivos escusos: refiro-me à matéria
de capa,
“O que querem os radicais do PT” (edição
nº 1774, de 23.10.02). Observemos bem o momento oportuno em que esse
órgão de imprensa lançou tal matéria e a forma
como veladamente insinuou a demonização do PT, inclusive
com a caricatural e grotesca imagem de capa (um cão monstruoso com
três cabeças, representando Marx, Lenin e Trotsky, à
maneira do mitológico Cérbero, que guarda o portão
do inferno). Se o intuito da revista era induzir ao medo, não obteve
sucesso. Se o objetivo foi jogar o eleitor contra a esquerda petista, escolheu
muito mal a forma. Foi uma peça de cabonitismo.
De qualquer maneira, é
emblemático como esse tipo de imprensa trata a esquerda: em seu
discurso pretensamente democrático aceita a crítica, desde
que restrita a certos padrões e limites; quem escapa ao figurino
é assemelhado ao mal, ao cão-tinhoso. O grande John Locke
também defendeu a liberdade e condenou a intolerância religiosa,
à exceção dos ateus. “Os que negam a existência
de Deus não devem ser de modo algum tolerados”, escreveu. (LOCKE,
1978: 23)
A liberal e democrática
Veja, de 30 de outubro último, registra que recebeu 964 comentários
sobre a matéria em questão. “Veja gostaria de registrar
com orgulho que a reportagem não mereceu um único reparo
factual dos leitores que escreveram contra ou a favor de sua publicação”,
afirma. (Carta ao leitor, p. 9)
O jornalista que assina a
matéria também deve estar muito orgulhoso do seu papel. Semanas
antes da sua publicação, ele telefonou-me solicitando uma
entrevista sobre o tema. Conhecedor do estilo “Veja”, concordei
em conceder a entrevista, desde que por escrito. Conforme combinado, ele
enviou as perguntas, às quais respondi por email (30.09.02). Para
conhecimento e análise do leitor, reproduzo abaixo as perguntas
e respostas:
| Jornalista: Desde meados
dos anos 90 e principalmente depois da aprovação do novo
estatuto do PT, as tendências parecem ter perdido força e
importância no interior do partido. Por que isso aconteceu? (caso
não concorde com essa afirmação, por favor explique
por quê).
R.: Não penso que
as tendências tenham perdido força e importância no
interior do partido. Simplesmente, ocorreu um processo de acomodação
interna, processo este iniciado com o V Encontro Nacional (1987) e a Regulamentação
de Tendências: aquelas que aceitaram o jogo, isto é, permanecer
no PT, enquanto correntes internas reconhecidas adaptaram-se às
exigências estatutárias. O que parece-me correto, já
que o PT colocou-se como tarefa constituir-se num partido e não
numa frente de organizações. Quem não se adaptou,
saiu ou foi expulso. É o caso da Convergência Socialista e
da Causa Operária. Mas, o PT permanece um partido plural e democrático,
com a presença de diversas forças internas - como é,
em geral, todo partido que se pretenda democrático e que não
adote procedimentos stalinistas. O que ocorreu é que a disputa interna
perdeu o élan dos anos 80 - embora a imprensa continue dando um
peso exagerado às disputas internas do PT, como se isto ocorresse
apenas com o PT ou, o pior, como se isto não fosse próprio
de um partido democrático.
Por outro lado, o partido
teve que se voltar para o exercício de importantes administrações
e as Tendências, mesmo que se autodenominam socialistas, não
ficaram imunes a esse processo. Também elas foram incorporadas nas
gestões petistas. Outro fator a considerar é que a maior
parte das lideranças públicas petistas não pertencem
às correntes minoritárias. E são essas lideranças
que aparecem na mídia, o tempo todo. Assim, fica a impressão
de que as tendências foram aniquiladas. Engano. O momento é
outro e as tendências que optaram por ficar no PT adaptaram-se aos
novos tempos, sem, é claro, abandonarem a retórica do discurso
socialista - mais voltado para a disputa interna ou para a legitimação
dos seus candidatos no campo da esquerda petista e não-petista.
Jornalista: Ainda é
possível identificar claras distinções entre O Trabalho,
Força Socialista, Democracia Socialista e Articulação
de Esquerda? Em linhas gerais, quais seriam elas?
R.: Para compreender as diferenças
entre as tendências é preciso resgatar a história,
suas origens e evolução. Em certos casos, como por exemplo,
nas correntes assumidamente trotskistas, as divergências têm
fundo até mesmo internacional. Portanto, ainda que conjunturalmente
as tendências estejam de acordo sobre determinadas posições
e propostas políticas, estruturalmente, mantém divergências.
Do contrário, caminhariam para uma fusão - processo que só
ocorre quando as divergências de cunho ideológico, histórico
e concepção estratégica são superadas.
Jornalista: As tendências
hoje em dia representam a ala esquerda do PT, ou os chamados grupos "radicais".
Você concorda com essa denominação?
R.: Primeiro é preciso
definir o que é tendência. Inicialmente, a Articulação
113 (nos anos 80) desenvolveu a tese, comprada pela mídia, de que
Tendências eram os outros, os que supostamente 'vestiam duas camisas'.
Ora, a partir do momento que a Articulação se organizava
para combater as demais tendências, também ela se constituía
em Tendência. Um dos grandes avanços no PT foi o fato da articulação
se reconhecer como Tendência. Isto permitiu a construção
partidária numa perspectiva unitária - no sentido de ser
um partido e não uma frente de Tendências. O PT abriu-se para
a contribuição de todos, aceitando inclusive, a proporcionalidade
nas suas direções executivas - reivindicação
considerada como heresia.
Em segundo lugar, é
preciso observar que toda organização política tende
a desenvolver alas divergentes: a esquerda, a direita e o centro. Isso
só não acontece nos partidos monolíticos e, por um
motivo simples: os militantes que divergem são expulsos ou aniquilados
fisicamente. A existência de uma esquerda petista é, portanto,
um fato compreensível e saudável - não só para
o PT, mas para a própria democracia brasileira. Um partido que não
tenha setores que elaborem a crítica interna vai a reboque do líder
ou dos líderes. E, os líderes erram. É preciso alguém
para opor-lhes uma outra política e fazer-lhes ver os lados negativos
da política implementada. Isso não significa que a esquerda
não erre. Mas é nesse confronto político que se pode
corrigir erros, de um lado ou de outro. A democracia brasileira só
tem a ganhar com a esquerda petista e também com a esquerda fora
do PT (eles expressam a consciência crítica em relação
à política majoritária).
Quanto ao termo 'radical',
penso que a imprensa em geral o usa de forma pejorativa e negativista.
Radical tem também um significado positivo: ir à raiz dos
problemas; tratar do que é fundamental, básico e essencial.
Ora, neste sentido, e considerando o grau de desigualdade e injustiças
sociais em nosso país, ser radical é uma necessidade.
Jornalista: Há
quem diga que a bandeira socialista, hoje em dia, só é carregada
no PT por grupos como O Trabalho e Força Socialista. Você
concorda?
R.: Primeiro, seria preciso
discutir qual socialismo (aliás uma das questões que explicam
as divergências entre as Tendências, ainda que concordem sobre
questões pontuais). Não há o socialismo, mas os socialismos.
E mesmo que fosse possível restringir todo o processo histórico
vivenciado pela humanidade desde o século XIX a uma única
postura político-ideológica, seria preciso aniquilar os que
pensam o socialismo de forma diferente. Não é preciso ser
petista para ser socialista; como também não é preciso
pertencer a esta ou àquela corrente, ou a este ou àquele
partido para se definir pelo socialismo.
Jornalista: Num eventual
governo Lula, qual você acha que seria o espaço de influência
das tendências petistas?
R.: Um eventual governo Lula
será majoritariamente composto por lideranças vinculadas
ao mesmo e por pessoas oriundas das forças com as quais o PT se
aliou. Não devemos esquecer que as Tendências não são
elementos estranhos ao PT, mas parte componente do mesmo. Enquanto tal,
elas também serão responsabilizadas pelo sucesso ou fracasso
deste governo. As divergências não anulam a necessidade de
administrar o país. E em minha opinião, como acontece nas
administrações petistas atuais, todos serão chamados
a contribuir. Ao contrário dos que acham que a esquerda petista
pode ser um elemento desestabilizador num provável governo Lula
- e que, em nome de argumentos democráticos, praticamente exigem
a 'depuração' - penso que a esquerda petista se adaptará
às necessidades criadas pelo gigantesco desafio de administrar um
país como o nosso e sua postura crítica, quando for necessário,
será uma contribuição decisiva para a correção
de rumos, no sentido de que um eventual governo Lula não repita
o que fez De la Rua na Argentina. A frustração com uma administração
petista ampliará o descrédito e a apatia das pessoas na política
e nos políticos e abrirá brechas para os eternos 'salvadores
da pátria'. Lula, é claro, enfrentará pressões
à esquerda e à direita - dentro e fora do PT. Mas, qual a
novidade? Não é assim que deve funcionar a democracia? |
Convido o leitor a refletir!
A revista se orgulha de ser factual, mas produz uma peça de acusação.
O arguto leitor há de perceber que o autor da matéria, em
nome dos fatos, faz a sua interpretação da esquerda
petista – que, a começar pela ilustração é
de péssimo mau gosto. Ele não usou e não fez referência
à fonte consultada. Por que? Por um motivo muito simples: não
encontrou argumentos para reforçar a leitura factual que
fez. E a revista ainda se orgulha da sua cientificidade! O autor e a revista
tem o direito de adotar uma linha política e fazer a sua leitura
dos fatos. Contudo, imagino que o trabalho jornalístico sério
leva em conta outras leituras e não se esconde atrás de argumentos
pretensamente factuais. Considerando o teor da matéria publicada,
só nos resta agradecer ao autor por ter omitido a entrevista e,
assim, nos livrado de qualquer mal-entendido. No mais, sua atitude apenas
reforçou o conceito que temos da revista.
Honoré de Balzac não
tinha muito em conta os jornalistas. Monarquista, o célebre autor
de Ilusões Perdidas, era da opinião de que o governo
deveria coibir a atividade jornalística. É certo que sua
antipatia tinha muito a ver com a forma como foi tratado enquanto escritor
e também pelo seu descontentamento em relação à
desempenho dos jornais diante da queda dos Bourbons. Mas, também
é vero que ele sabia bem do que falava, pois conhecia profundamente
o ambiente e os segredos dos jornais.
Como poucos, Balzac percebeu
a capacidade de concentração de imenso poder nas mãos
da imprensa e os riscos inerentes à sua ação. Seus
personagens retratam de forma exemplar o contexto da época (século
XIX) e, através deles, Balzac tece a crítica mordaz à
mídia escrita e aos seus profissionais. Um dos seus personagens,
um diplomata alemão, referindo-se aos jornalistas, afirma:
“Parece-me que ceio
com leões e panteras que me fazem a honra de aveludar as patas.”
(BALZAC, 1978: 174)
Trava-se, então, um interessante
diálogo, o qual expressa de maneira admirável a percepção
balzaquiana sobre os jornais e os jornalistas. Vejamos alguns trechos:
“O jornal, em vez
de ser um sacerdócio, tornou-se um meio para os partidos, e de um
meio passou a ser um negócio. Não tem fé nem lei.
Todo jornal é, como disse Blondet, uma loja onde se vende ao público
palavras da cor que se deseja. Se houvesse um jornal dos corcundas, haveria
de provar, noite e dia, a bondade, a necessidade dos corcundas. Um jornal
não é feito para esclarecer, mas para lisonjear as opiniões.
Desse modo, todos os jornais serão, dentro de algum tempo, covardes,
hipócritas, infames, mentirosos, assassinos. Matarão as idéias,
os sistemas, os homens e, por isso mesmo, hão de tornar-se florescentes.
Terão a vantagem de todos os seres pensantes: o mal será
feito sem que ninguém seja culpado.” (Id.: 175)
Podemos argumentar, é
claro, que a despeito do poder dos jornais, - poder de destruir ou edificar
a reputação dos indivíduos, de influir sobre as opções
e os rumos políticos de uma nação – , a sociedade
cria mecanismos de controle e a própria mídia desenvolve
códigos de auto-controle. Balzac era cético em relação
a essas possibilidades. Claude Vignon, seu personagem, expressa bem seu
ceticismo:
“Se o jornal inventa
uma calúnia infame, foi alguém que lha sussurrou. Com o indivíduo
que se queixa, ficará quite pedindo desculpas pela grande liberdade.
Se for chamado aos tribunais, queixar-se-á de que não lhe
foi pedida retificação alguma: vá, porém, alguém
pedí-la, e ele há de recebê-la rindo; chamará
seu crime de bagatela. Enfim, achincalhará a vítima quando
esta triunfar. Se for punido, se tiver que pagar pesada multa, há
de assinalar o queixoso vencedor como inimigo da liberdade, do país
e das luzes. Dirá que o senhor fulano é um ladrão,
ao explicar que é o mais honesto dos homens do reino. Desse modo,
seus crimes são bagatela! Seus agressores, uns monstros! E pode,
ao fim de algum tempo, fazer acreditar tudo o que quiser às pessoas
que o lêem todos os dias.” (Id.)
Balzac equivocou-se quanto à
supressão da liberdade de imprensa. Mas, suas palavras ilustram
muito bem um certo tipo de jornalismo que persiste até o presente.
Antonio
Ozaí da Silva é professor da Universidade Estadual
de Maringá; doutorando na Faculdade de Educação (USP);
autor de História das Tendências no Brasil.
NOTAS
[1]
É o caso, por exemplo, da Articulação de Esquerda
que divulgou a seguinte nota:
Nota da Articulação
de Esquerda
Aos militantes do PT
O Globo On Line divulgou,
nesta terça-feira, 29 de outubro de 2002, uma matéria intitulada
"Esquerda quer negociar em bloco com direção do PT". Anteriormente,
outros jornais e revistas publicaram matérias de mesmo sentido.
Diante disto, achamos necessário esclarecer o seguinte:
1.A eleição
do presidente Luís Inácio Lula da Silva foi obra da maioria
do povo brasileiro, com expressiva participação da militância
do Partido dos Trabalhadores.
2.Todas as tendências existentes
no interior do PT participaram ativamente da campanha presidencial, ajudando
a impor uma contundente derrota ao governo neoliberal.
3.O PT e o conjunto de seus militantes
e tendências são coletivamente responsáveis pelos rumos
do futuro governo Lula.
4.Não fomos convidados, não
participamos e não achamos adequada a reunião citada por
Globo
On Line, nem tampouco reunião semelhante, divulgada anteriormente
pela Folha de S.Paulo e outros órgãos de imprensa.
5.Não está posta, para
nós, a discussão sobre "participar ou não" em um governo
conquistado pela maioria do povo brasileiro e pelo conjunto do Partido
dos Trabalhadores.
6.O presidente eleito, que tem a
prerrogativa de compor sua equipe, já anunciou que o fará
a partir de consultas aos partidos que integram a coligação
vitoriosa e a outros segmentos da sociedade.
7.A executiva nacional do PT, que
deve reunir-se no dia 4 de novembro, e o Diretório Nacional do Partido,
que deve reunir-se no final do mesmo mês, constituem os espaços
adequados para a manifestação das diferentes opiniões
existentes acerca dos rumos e da composição do futuro governo.
8. As diferenças programáticas,
estratégicas e táticas existentes no interior do PT seguem
existindo. À esquerda petista cabe tornar hegemônicas, no
contexto radicalmente novo criado a partir da eleição de
Lula, as posições democrático-populares e socialistas.
São Paulo, 30 de outubro de 2003
Assinam, em nome da direção
nacional da Articulação de Esquerda, Iriny Lopes (deputada
federal, PT-ES), Marlene Rocha (executiva nacional do PT), Múcio
Magalhães (diretório nacional do PT), Valter Pomar (executiva
nacional do PT)". In: Expresso Zica, 75, 01 a 08.11.02.
[2]
ZORZAN, Patrícia. “Petista descrê de “pacto social” e diz
que FMI “é inimigo”. Folha de S. Paulo, 04.11.2002.
Referências
Bibliográficas
BALZAC, Honoré de.
Ilusões
Perdidas. São Paulo, Abril Cultural, 1978.
BOURDIEU, Pierre. Sobre
a Televisão. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed., 1997.
LOCKE, John. Carta Acerca
da Tolerância [e outros textos]. São Paulo, Abril Cultual,
1978.
WEBER, Max. Ciência
e Política: duas vocações. São Paulo, Cultrix,
1993.
Fonte: Revista
Espaço Acadêmico
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