Uma
visão consciente da guerra
Consciência.Net: (des)cobrindo a guerra no Iraque, Síria, Irã e sabe lá Deus mais quem |
| Sexta,
30 de maio de 2003
Mentimos sim, e daí? Em entrevista a ser publicada na próxima edição da revista Vanity Fair, o subsecretário Paul Wolfowitz afirmou que a administração Bush deu ênfase às supostas armas proibidas de Saddam Hussein por "razões burocráticas" e que a "grande razão" para a guerra era permitir que Washington retirasse tropas da Arábia Saudita. "Chegamos à conclusão de que as armas de destruição em massa eram o único argumento com o qual todos concordariam", explicou Wolfowitz. Original aqui Enquanto isso, na Inglaterra... o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse nesta sexta-feira que não tem "dúvida alguma" de que serão encontradas provas concretas das armas de destruição em massa de Saddam Hussein, e pediu a seus detratores que "tenham um pouco de paciência". Blair, que na quinta-feira foi o primeiro líder estrangeiro a visitar o Iraque desde a guerra, falou durante uma breve escala na Polônia, fiel aliada dos EUA e Grã-Bretanha no conflito com o país árabe. Original aqui Ops! Escapou. As forças americanas que ocupam o Iraque libertaram "por engano" uma ex-autoridade iraquiana suspeita do massacre de milhares de xiitas depois da Guerra do Golfo (1991). O Exército americano admitiu ter detido Mohammed Jawad al-Neifus perto da cidade de al-Mahawil, ao sul de Bagdá, e em seguida libertado o iraquiano depois que não foi descoberto nada de incomum sobre ele. Neifus é suspeito de estar envolvido na morte de até 15 mil pessoas encontradas em uma vala comum na mesma cidade no mês passado. O grupo de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch disse que a notícia da libertação de Neifus deve deixar ainda mais irritados os moradores de al-Mahawil, que já estão desconfiados das promessas americanas de levar os responsáveis pelas mortes à Justiça. Original aqui Guerra não acabou! O comandante das tropas terrestres dos Estados Unidos no Iraque, general David McKiernan, disse que a guerra no país "não acabou". A declaração contradiz as afirmações anteriores do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que declarou o fim da guerra no dia 1º de maio. Depois de uma série de ataques que mataram pelo menos cinco soldados americanos nesta semana, o general McKiernan disse que "o líder do regime foi removido do poder, mas alguns de seus aliados continuam na ativa". Ele negou, no entanto, que exista um novo movimento nacionalista contrário à ocupação americana. Original aqui
Quarta, 28 de maio de 2003 BBC enfrenta governo. A British Broadcasting Corporation disse nesta quarta-feira que pretende mostrar imagens de soldados mortos no Iraque, apesar dos protestos do governo britânico. Inicialmente as imagens dos corpos ensangüentados dos soldados, mortos em uma emboscada, foram exibidas pelo canal de TV árabe Al-Jazira, que enfrentou igualmente protestos de Downing Street. O gabinete do primeiro-ministro Tony Blair disse que o vídeo não deveria ser difundido em respeito às famílias dos soldados. Por meio de uma porta-voz, a BBC disse que compartilha dos sentimentos das famílias, mas que o tema é de interesse público. "O programa mostra a diferença de cobertura entre os canais árabes e ocidentais. O tratamento do prisioneiros de guerra e de baixas por parte de ambos é um aspecto central do argumento", disse. Visite a BBC News e a BBC Brasil Acharam! Custou, mas o Pentágono acabou encontrando vestígios de armas de destruição em massa. Não, não foram encontrados engenhos nucleares prontos para serem disparados ou mísseis de longuíssima distância, como num dos antigos filmes do James Bond. Mas que eram armas químicas e biológicas eram. Que outro nome dar a 100 frascos de antraz e outros contendo perigosas bactérias? Um probleminha só. Não foi no Iraque. O achado macabro, no dizer dos tablóides, estava localizado a menos de 80 km de Washington, capital dos Estados Unidos, perto de Fort Detrick, no bucólico cenário do Estado de Maryland. [...] Original aqui Na mosca. A TV Árabe Al-Jazira confirmou hoje que um helicóptero dos EUA foi abatido a cidade de Anbar, no Iraque, matando os quatro tripulantes. Segundo a TV do Catar, há grande manifestação popular e foram ouvidas várias explosões. [AP]
Terça, 27 de maio de 2003 Mais crimes. A família do cinegrafista espanhol morto em um hotel de Bagdá por fogo de artilharia apresentou uma queixa judicial contra três soldados dos Estados Unidos. Os militares são acusados de crimes de guerra e homicídio. O cinegrafista José Couso, de 37 anos, da televisão Tele 5, morreu em 8 de abril quando um tanque americano disparou contra o Hotel Palestina, onde se alojavam muitos jornalistas estrangeiros. Mais aqui Brasileiro no Iraque. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, nomeou hoje, como estava previsto, o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, de 55 anos, representante especial da organização no Iraque por um período de quatro meses. Vieira de Mello manterá o posto de alto comissário da ONU para Direitos Humanos, que assumiu em julho do ano passado. Vieira de Mello disse à imprensa em Nova York que sua prioridade será o restabelecimento da segurança no Iraque, porque, sem ela, não será possível avançar em outras questões, como a do desenvolvimento de instituições democráticas no país, uma verdadeira cultura de direitos humanos e um processo político para que os iraquianos decidam seu futuro. Outras metas são a manutenção de boas relações de trabalho com as forças de ocupação e visitas a todas as províncias do país, porque "o Iraque não se limita a Bagdá". Original aqui
Quinta, 22 de maio de 2003 Crimes de guerra. Um coronel do exército Britânico está sendo investigado por supostos crimes de guerra durante o conflito no Iraque. Fontes do ministério de Defesa disseram que o coronel Tim Collins foi acusado de espancar um prisioneiro e de submeter a maus-tratos um dirigente iraquiano. Collins disse ao “The Daily Mirror” que não tem “a menor idéia” sobre as acusação e está certo que será absolvido. Crimes financeiros. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos (Pentágono) fez uma escolha curiosa ao contratar uma companhia de pouca experiência no ramo de telefonia celular para a construção de uma rede no Iraque: optou pela MCI, novo nome da WorldCom Inc., empresa que cometeu a maior fraude corporativa da história dos EUA, e um nome não muito conhecido na prestação de serviços de telefonia móvel. Concedido sem a abertura de licitação, o contrato da MCI no Iraque irritou tanto os concorrentes da companhia quanto os órgãos reguladores dos Estados Unidos, que acusam o próprio governo de conceder privilégios indevidos logo depois de a companhia ter-se envolvido num escândalo. A WorldCom foi acusada de cometer uma fraude contábil de US$ 11 bilhões, e declarou-se em concordata no ano passado. "Dado que a WorldCom cometeu o maior escândalo da história corporativa dos Estados Unidos, não entendemos os motivos pelos quais esse contrato foi concedido à MCI", novo nome da WorldCom, disse o porta-voz da AT&T Corp., Jim McGann. "Há muitas empresas qualificadas e com estabilidade econômica que poderiam ter vencido uma eventual licitação, inclusive a nossa", reclamou. [Agência Estado]
Sexta, 16 de maio de 2003 Tortura. A Anistia Internacional (AI) anuncia que começou a investigar denúncias de que soldados americanos e britânicos teriam torturado prisioneiros de guerra no Iraque. A organização de defesa dos direitos humanos informou ter coletado depoimentos de 20 ex-detidos que disseram ter sido chutados e espancados durante os interrogatórios. Mais aqui Sem motivos. O ex-secretário das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, Robin Cook, afirmou que "manteve a integridade" ao renunciar por sua discordância com a campanha militar anglo-americana contra o Iraque. "Agora os fatos demonstram que eu tinha razão: nos disseram que tínhamos que fazer uma guerra preventiva antes que Saddam (Hussein) nos atacasse com suas armas de destruição em massa. Mas, onde estão as armas? Parece que (George W.) Bush não consegue encontrá-las", disse Cook durante um congresso de socialistas em Dijon, no leste da França. "Parece-me no mínimo curioso o fato de a coalizão negar a entrada dos inspetores de armas da ONU no Iraque. A coalizão necessita dos inspetores para encontrar estas fatídicas armas. Caso não encontrem, quer dizer que não havia motivo para a guerra", afirmou Cook, entre aplausos dos presentes.
Quinta, 15 de maio de 2003 Fraude. A recruta Jessica Lynch se tornou um ícone da guerra no Iraque, e seu resgate de um hospital iraquiano pelas forças americanas foi divulgado em todo o mundo como um grande momento patriótico. Mas médicos que trataram de Jessica no hospital dizem que não havia do que resgatá-la: ela estava em tratamento, e os guerrilheiros que a haviam capturado já tinham fugido. Lynch, de 19 anos, foi capturada quando sua companhia se perdeu nos arredores de Nasiriya e foi emboscada. Nove de seus colegas foram mortos e ela, levada ao hospital local, que no momento estava repleto de fedayin, os guerrilheiros leais a Saddam Hussein. Oito dias depois forças americanas invadiram o hospital, com uma câmera para gravar os eventos. Os soldados disseram estar sob forte fogo, com tiros vindo de fora e de dentro do prédio, mas eles conseguiram pegar Lynch e levá-la ao helicóptero. Alegou-se que ela estava com feridas de faca e tiros, e que havia sido esbofeteada no leito do hospital, e interrogada. Mas médicos iraquianos de Nasiriya dizem ter dado à americana o melhor tratamento possível nas circunstâncias. Ela recebeu atenção do único especialista disponível. “Eu a examinei, vi que tinha um braço quebrado, uma coxa quebrada e um tornozelo deslocado”, disse o médico Harith a-Houssona. “Não houve tiroteio, nenhuma bala em seu corpo, nenhuma facada - só um acidente de trânsito. Eles querem distorcer a situação”. Testemunhas disseram à BBC que as forças americanas sabiam que os combatentes iraquianos tinham fugidio dias antes da invasão do hospital. Surpresa hollywoodiana. “Ficamos surpresos. Por que isso? Não havia militares, não havia soldados no hospital”, disse Anmar Uday, outro médico do hospital. “Foi como um filme de Hollywood. Eles gritavam ‘vai, vai, vai’, com armas e festim, festim e o som de explosões. Fizeram um show - um filme de ação como Sylvester Stallone ou Jackie Chan”. Dias antes do suposto ataque, Harith havia combinado devolver Jessica aos americanos numa ambulância, mas quando a ambulância se aproximou do acampamento americano, os soldados abriram fogo.
Domingo, 11 de maio de 2003 Em Cuba, horror. Na Jordânia, tudo bem. Um promotor militar indiciou 11 árabes - alguns deles com supostas ligações com a rede extremista Al-Qaeda - por conspiração para atacar alvos americanos e israelenses na Jordânia que culminaram no assassinato de um diplomata dos Estados Unidos no ano passado. Os 11 homens - quatro detidos e sete à solta - serão julgados pela Corte de Segurança do Estado no fim do mês, disse uma fonte dos serviços jordanianos de segurança à Associated Press. Os homens - de nacionalidade líbia, síria, palestina e jordaniana - podem ser sentenciados à morte se forem considerados culpados por conspirar para cometer crimes que culminaram na morte, no ano passado, do diplomata americano Laurence Foley, de 60 anos. Raed fala. "Os mercados de rua parecem algo dum romance de William Gibson. Pentes de memória largados (tudo roubado, claro) são vendidos próximos a monitores quebrados no mesmo lugar em que barraquinhas de falafel e de armas convivem. Brigas estouram assim do nada e facas são sacadas à toa, muitas vezes facas compradas cinco minutos antes. Têm coisas de ver longe dos militares, coisas estranhas com lentes. E tem gente tentando vender gabinetes de computador explicando que são aquecedores elétricos – nunca viram computadores antes. Surreal. CDs de software, de filmes e pornô barato". Nada por aqui. Os especialistas americanos que procuram por armas de destruição no Iraque estariam reduzindo suas operações depois de terem fracassado na busca por provas do alegado programa ilegal de Saddam Hussein, segundo o jornal The Washington Post. A equipe de especialistas que lidera a procura pelas armas de destruição em massa deve deixar o Iraque em junho, segundo o jornal. Integrantes da equipe disseram ao Post que não esperavam mais encontrar estoques de armas químicas. Eles disseram também que informações sobre possíveis locais de armazenamento dessas armas tinham se revelado equivocadas, ou que os locais tinham sido queimados ou saqueados. Segundo o jornal, mesmo os céticos não afastam a possibilidade de serem encontradas evidências de armas banidas. As informações são da BBC Brasil.
Sexta, 9 de maio de 2003 Denúncia (I). Os casos de cólera em Basra, a segunda maior cidade do Iraque, e a emergência por falta de água potável estão ganhando proporções preocupantes, segundo a delegação italiana da organização humanitária Médicos sem Fronteiras (MSF). Segundo a MSF, até agora foram registrados 35 casos de cólera, mas em uma reunião entre representantes das organizações humanitárias da ONU e responsáveis das Ongs que trabalham em território iraquiano, estima-se que o número de casos seja 45, declarou Fabio Alberti, presidente da associação "Uma ponte para...". Mais aqui Só pode ser piada. O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald H. Rumsfeld, afirmou ser impossível saber quanto tempo as forças dos Estados Unidos terão de permanecer no Iraque e sugeriu que a estabilização do país pode levar mais de um ano. "Qualquer um que pensa que sabemos quanto tempo vai levar está enganando a si mesmo", disse Rumsfeld. "Não dá para saber". Pouco antes de suas declarações, os Estados Unidos, Grã-Bretanha e Espanha apresentaram na ONU um plano para o Iraque pós-guerra e pediram ao Conselho de Segurança para aprovar uma resolução suspendendo sanções contra o país e entregando à coalizão os recursos provenientes da venda de petróleo iraquiano. O plano de Washington prevê que Estados Unidos e Grã-Bretanha administrem o país como "forças de ocupação" por pelo menos um ano - e provavelmente por muito mais. Uma autorização inicial de 12 meses para a "autoridade" anglo-americana seria renovada automaticamente, a menos que o CS decida de outra forma. Denúncia (II). O comissário europeu para questões humanitárias, Poul Nielson, denunciou que os Estados Unidos pretendem controlar as reservas de petróleo do Iraque para que possam, no futuro, entrar para a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). "Eles querem controlar o petróleo", garantiu o dinamarquês Nielson em entrevista à rádio e televisão pública da Dinamarca. "Acredito que os Estados Unidos, por meio disso, tentarão filiar-se à Opep. É muito difícil chegar a alguma outra conclusão que não seja essa." No entanto, funcionários ligados à Opep e à Comissão da União Européia (UE) apressaram-se em qualificar os comentários de Nielson como incomuns e pessoais. "Boa sorte. É claro que os Estados Unidos podem tentar filiar-se. Não podemos negar a eles esse direito, mas não creio que ocorrerá algo além disso", disse Abdulrahman Alkheraigi, porta-voz da Opep, em entrevista à Associated Press em Viena, Áustria. Como funciona. Onze países compõem atualmente a Opep, entre eles o Iraque. Os outros membros são Arábia Saudita, Argélia, Catar, Emirados Árabes Unidos, Indonésia, Irã, Kuwait, Líbia, Nigéria e Venezuela. Qualquer país pode tentar aderir à Opep, mas deve haver aprovação por mais de três quartos dos membros, além do apoio unânime dos cinco países fundadores do cartel: Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Venezuela. O Iraque foi um dos membros fundadores, mas não tem sido parte das cotas da Opep desde a Guerra do Golfo, em 1991, apesar de enviar representantes às reuniões.
Quarta, 7 de maio de 2003 Faz muito sentido. Dono da segunda maior reserva de petróleo do planeta, o Iraque terá de importar na próxima semana gasolina e gás de países vizinhos, anunciaram nesta quarta-feira funcionários do Ministério da Energia iraquiano, nomeados pela administração americana. Eles disseram que esses combustíveis começaram a faltar no país desde o começo da guerra. As fontes não revelaram de onde virão a gasolina, o gás e outros derivados do petróleo, mas observadores acham que Arábia Saudita e Kuwait são os mais prováveis fornecedores, por sua proximidade geográfica. Os dois possíveis exportadores apoiaram a guerra que derrubou Saddam. Que coincidência, não é mesmo? Ligações obscuras. Richard Perle, um conselheiro do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (Pentágono), participou de um seminário com empresários e investidores sobre formas de lucrar com os conflitos no Iraque e na Coréia do Norte poucas semanas depois de ter recebido um documento ultra-secreto do governo sobre as crises nos dois países, denunciou nesta quarta-feira o jornal Los Angeles Times. Mais detalhes aqui
Terça, 6 de maio de 2003 Zoo(i)lógico. Saedia, a ursa cega, dorme na posição fetal no canto de um pequeno cercado de metal. Um cão negro mora no viveiro dos pássaros. E o lince foi visto pela última vez perambulando por um viaduto nas redondezas. O zoológico de Bagdá está em ruínas. Saqueadores roubaram ou soltaram quase todos os animais, e os remanescentes sofrem tanto com a falta de comida que os leões têm beliscado rações militares que soldados dos EUA atiram em sua jaula. Mais aqui
Quinta, 1 de maio de 2003 Onde estão? O Estadão preparou uma página só com notícias sobre a ausência de armas de destruição em massa no Iraque. Muito bom mesmo. Clique aqui
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