Uma
visão consciente da guerra
Consciência.Net: (des)cobrindo a guerra no Iraque, Síria, Irã e sabe lá Deus mais quem |
| Quarta,
30 de abril de 2003
"Livres". A queda de Saddam Hussein e o clima de desgoverno vivido hoje no Iraque fez com que atividades antes censuradas pelo ex-ditador, como os filmes eróticos, a tevê por satélite, a prostituição e a venda indiscriminada de bebidas alcoólicas, ganhassem livre circulação. "Antes, era tudo proibido. Agora, não temos energia elétrica e água, mas somos livres", ponderou o aposentado Mohammed Jabbar. Inimigos de ontem, amigos de hoje. O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, disse hoje que o acordo de cessar-fogo entre o Exército dos Estados Unidos e um grupo de oposição armada a Teerã demonstra que, para Washington, "os terroristas maus são apenas aqueles que não estão a seu serviço". "O mundo - inclusive os Estados Unidos - qualifica os Mujahedins do Povo como terroristas. Agora, os Estados Unidos os apóiam. Isto demonstra que o terrorismo é considerado mau somente quando não está a serviço dos Estados Unidos", informou hoje uma rádio iraniana em uma declaração atribuída ao aiatolá. "Se os terroristas passam a ser servis aos Estados Unidos, deixam de ser considerados maus. Isto é um teste e demonstra como os Estados Unidos ridicularizam a democracia e o combate ao terrorismo", prosseguiu Khamenei. Os caras são bons, como não percebi isso antes?! No último dia 15, soldados dos EUA assinaram um acordo de cessar-fogo com os Mujahedins do Povo, permitindo que mantivessem suas armas, desde que não as usassem contra os soldados americanos. O grupo faz parte de uma lista de organizações consideradas "terroristas" divulgada anualmente pelo Departamento de Estado dos EUA. O ex-presidente iraniano Akbar Hashemi Rafsanjani também criticou a postura americana. Segundo ele, depois de 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos "adotaram uma postura de combate ao terrorismo, mas hoje apóiam os piores terroristas". Na opinião do ex-presidente, trata-se de "um escândalo protagonizado pelos líderes norte-americanos e que não pode ser tolerado pela opinião pública mundial". [Agência Estado]
Terça, 29 de abril de 2003 Ladainhas norte-americanas. O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, afirmou nesta segunda-feira que a "liberação" de Bagdá será lembrada no futuro com a mesma importância dada a eventos como a queda do muro de Berlim ou a liberação de Paris da ocupação nazista. Em um discurso a tropas da coalizão anglo-americana reunidas no Comando-Central dos Estados Unidos, no Catar, Rumsfeld disse que a guerra no Iraque vai ficar na história militar como uma combinação inédita de "poder, precisão, velocidade e flexibilidade". Estamos f...
Crimes de guerra. Um grupo de iraquianos iniciará, em 13 de maio, um processo por crimes de guerra contra o general americano Tommy Franks, o comandante das forças lideradas pelos Estados Unidos contra o Iraque, anunciou o advogado dos queixosos. "Até agora, 19 vítimas da guerra me procuraram para levar o caso adiante", disse o advogado Jan Fermon. Ele acrescentou que o processo por crimes de guerra citará especificamente o general Franks e outros soldados. Fermon informou que o processo contempla "17 incidentes específicos" para provar que os soldados e comandantes americanos violaram a lei de crimes de guerra da Bélgica, sancionada em 1993 e que, até o começo deste ano - antes de ser emendada -, permitia que qualquer pessoa fosse processada por eventuais crimes de guerra supostamente cometidos em qualquer parte do mundo. A emenda ainda permite à Bélgica notificar governos sobre cidadãos acusados. Mais liberdade na cara deles. Pelo menos 15 iraquianos civis morreram e outros 70 ficaram feridos na madrugada desta terça-feira na cidade de Faluja, 50 km ao oeste de Bagdá, quando soldados norte-americanos dispararam contra um grupo de manifestantes, informou a rede de TV árabe Al Jazira. Segundo a emissora, os soldados abriram fogo contra cerca de 200 iraquianos que faziam uma manifestação contra a presença das forças da coalizão em Faluja e no Iraque. O Comando Central norte-americano no Catar não comentou o incidente, que pode ser o mais grave desde a tomada do país pelas tropas da Coalizão, em 9 de abril. [Agência Estado]
Segunda, 28 de abril de 2003 Ê vidão! O governo do primeiro-ministro britânico Tony Blair tentará abrigar o ex-primeiro-ministro iraquiano Tareq Aziz em uma residência real que pertence ao príncipe Charles, informou hoje o tablóide sensacionalista The Sun. Segundo o diário, Aziz, de 67 anos, seria hospedado em uma residencia real avaliada em 3 milhões de dólares, no condado de Cornwall, em troca de informação confidenciais sobre o paradeiro de Saddam Hussein e das supostas armas de destruição em massa. Aziz, que durante muito tempo foi a cara diplomática do regime de Saddam, se entregou na semana passada as tropas da coalizão anglo-americana. O governo britânico ainda estuda, segundo o jornal, dar completa imunidade a Aziz, evitando processos na justiça internacional por desrespeito aos direitos humanos ou crimes de guerra.
Domingo, 27 de abril de 2003 Será Coca-Cola? Testes iniciais realizados com amostras de material encontrado em latões ao ar livre, ao norte da cidade de Baiji, indicaram vestígios de sarin e gás mostarda. A informação foi dada hoje pelo tenente-coronel Ted Martin, do 10º Regimento de Cavalaria dos Estados Unidos. Ele contou que soldados foram, na sexta-feira à noite, ao local indicado por equipes das Forças Especiais americanas, que por sua vez haviam concluído que o local era suspeito devido à presença, ali, de baterias de antimísseis. Onde está Wally? Desde a queda do regime de Saddam Hussein, houve diversos relatos sobre possíveis descobertas de armas químicas – cuja existência foi a justificativa usada pelos Estados Unidos para a guerra ao Iraque -, mas até agora nenhum deles foi confirmado.
Sábado, 26 de abril de 2003 Um número ainda não informado de civis morreu neste sábado depois de uma série de explosões em um depósito de armas na periferia de Bagdá. O depósito, no bairro de Zaafaraniya, era controlado pelos Estados Unidos. Oficiais americanos disseram que forças "inimigas" soltaram foguetes dentro do galpão, o que provocou as explosões pouco depois das 8h (2h no horário de Brasília). De acordo com a agência France Presse, um míssil atingiu uma casa vizinha, matando cinco moradores. Outras casas da vizinhança foram incendiadas, o que provocou pânico na região. Quatro soldados norte-americanos estão enfrentando a Corte Marcial, no Iraque. Pretendiam levar para casa cerca de um milhão de dólares em dinheiro que acharam num dos refúgios dos amigos de Saddam. Há notícia de que já tinham encontrado outros 11 milhões.
Sexta, 25 de abril de 2003 Alice no País das Maravilhas. A ausência de descobertas referentes às armas de destruição em massa supostamente mantidas e pesquisadas pelo regime de Saddam Hussein não prejudica a justificativa para a guerra anglo-americana, disse nesta sexta-feira o secretário de Exterior da Grã-Bretanha, Jack Straw. De acordo com ele, "a comunidade internacional aceitou" a teoria de que Saddam Hussein possuía as armas e negou que os aliados tenham exagerado a ameaça iraquiana somente para tentar legitimar o uso da força militar. Fumadão. "As pessoas tentam agora sugerir que, de alguma forma, a decisão sobre uma ação militar estava totalmente condicionada à descoberta de armas químicas e biológicas", disse Straw em entrevista à rádio BBC. "Não foi esse o caso. Apresentamos nossas evidências perante o Conselho de Segurança" (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU). "Toda a comunidade internacional aceitou que Saddam possuía essas armas e representava uma ameaça", acredita. Bom senso. Também em entrevista à BBC, o ex-ministro Robin Cook, que renunciou a seu posto no gabinete de Tony Blair por posicionar-se contra a guerra, alertou que a ausência de descobertas das armas de destruição em massa retira toda e qualquer legitimidade para a ação militar. "Essa guerra foi legítima? Foi necessária? Ela só o seria se Saddam tivesse capacidade militar para representar uma ameaça a nós", declarou. [BBC]
Quinta, 24 de abril de 2003 ??? O presidente norte-americano,
George W. Bush, admitiu nesta quinta-feira que era fã do estilo
do ex-ministro iraquiano da Informação Said al-Sahaf. “Ele
é meu homem, ele era grande, ele era um clássico”, disse
Bush em entrevista à TV NBC. Bush revelou que interrompia o que
estivesse fazendo para ver as entrevistas coletivas de Sahaf. “Alguém
dizia ‘ele está para falar’ e eu dava uma saída de algum
encontro ou ligava a TV para vê-lo”. [AP]
Quarta, 23 de abril de 2003 Os donos do pedaço. Os autoproclamados governantes de Bagdá anunciaram que vão usar fundos do governo do Iraque para pagar os salários de todos os funcionários públicos neste mês - com um aumento de 1.000% - e se vangloriaram de estar reparando a rede elétrica, distribuição de água e hospitais. Eles também garantiram que o Exército dos Estados Unidos reconhece a autoridade deles, se reúne diariamente com eles e até mesmo os transportou em veículos militares do Kuwait a Bagdá. Os Estados Unidos afirmam desconhecê-los.
Terça, 22 de abril de 2003 Geralmente damos aos nossos inimigos os meios para nossa destruição. Quem falou isso não foi eu. Foi Esopo, escritor grego que viveu entre os anos 620 e 560 antes de Cristo. Mais de 2.500 anos antes do anticristo, a besta do apocalipse, George Walker Bush Jr., chegar à Terra, ao ar e ao Cáspio. E antes mesmo de Rumsfeld fazer contratos e mais contratos cedendo material militar a Saddam. Centenas de milhares de muçulmanos xiitas se reuniram hoje, na cidade de Karbala, no centro do Iraque, para a peregrinação religiosa que foi proibida há 25 anos pelo regime de Saddam Hussein, muçulmano sunita. Segundo correspondentes, essa é a primeira manifestação em larga escala desde a queda de Saddam. Vários clérigos pediram que os peregrinos rejeitem a presença americana no país e exijam um governo islâmico. Em Bagdá, mais de 4 mil xiitas participaram de um protesto contra os Estados Unidos na segunda-feira, marcando o primeiro dia da de trabalho na cidade do novo administrador americano, o general reformado Jay Garner. [CBN] *** AFP. O chefe dos inspetores de desarmamento da ONU, Hans Blix, que se reuniu esta terça-feira com o Conselho de Segurança para falar do eventual retorno de sua equipe ao Iraque, denunciou a falsificação de documentos para justificar a guerra no Iraque, em uma entrevista antecipada parcialmente pela BBC (rádio). "Era surpreendente ver que uma parte tão importante dos documentos em que se basearam as capitais (Washington e Londres) para construir seu informe (contra o Iraque) não era sólida", declarou Blix nesta entrevista, que será transmitida no sábado integralmente pela rede de televisão BBC2. "Há exemplos flagrantes", acrescentou Blix no âmbito do documentário 'O caminho da guerra: a história secreta'. "Ouvimos falar de um contrato entre o Iraque e Níger, da importação de 500 toneladas de urânio. Entretanto, quando a Aiea (Agência Internacional da Energia Atômica) conseguiu obter o contrato, não lhe foi muito difícil descobrir que era falso, que foi simplesmente falsificado", explicou Blix. E continuou: "É muito preocupante. Quem o falsificou? Não é inquietante ver que os serviços de inteligência (americanos e britânicos), que deveriam ter todos os meios técnicos à sua disposição, não descobriram que se tratava de uma falsificação". Interrogado sobre se estava acusando esses serviços de inteligência de ter falsificado documentos por ordem de Washington e Londres, Blix respondeu que não ia "tão longe". Quanto ao papel do secretário de Estado norte-americano, Colin Powell - que em um pronunciamento ante o Conselho de Segurança antes do conflito, antecipou umas "provas" contra o Iraque, que o próprio Blix qualificou de infundadas -, o chefe dos inspetores também mostrou prudência. "Quando alguém está acima (da hierarquia) e recebe documentos, não pode comprovar tudo", disse. O que intriga Blix é que os serviços de inteligência envolvidos não o fizeram.
Segunda, 21 de abril de 2003 Dezoito estrelas da música pop internacional – entre elas Paul McCartney, Avril Lavigne, George Michael e David Bowie – gravaram um disco para arrecadar fundos para as crianças vítimas da guerra no Iraque. O disco está sendo lançado hoje em Londres. Todo o dinheiro arrecado com o álbum, cujo título é Hope (esperança), será destinado à organização não-governamental War Child, encarregada de ajudar as crianças vítimas de conflitos armados no mundo. Os artistas não cobraram royalties e a gravadora London Records vai distribuir o disco sem lucro. Está presente no disco o cantor e compositor Cat Stevens, que há duas décadas se converteu ao islamismo e usa o nome de Yusuf Islam; ele regravou sua canção Peace Train, um grande sucesso lançado originalmente em 1971; foi a primeira gravação do artista em 25 anos. Em entrevista à BBC para falar do lançamento, Paul McCartney pediu que sejam banidas as bombas de fragmentação – que foram usadas pela coalizão na invasão do Iraque -, pelo horror que causam aos civis. “Seria ótimo se banir essas armas covardes”, disse o compositor. “O que acontece depois que uma guerra termina é que os civis – principalmente mulheres e crianças – são as grandes vítimas”. *** O médico informou que os voluntários, que normalmente montam guarda no hospital, decidiram deixar seus postos e que a proteção prometida pelos militares da coalizão não chegou ainda. *** *** O general da reserva Jay Garner, que vai coordenar a administração civil do Iraque e o trabalho de reconstrução do país até a instalação de um governo interino, chegou a Bagdá nesta segunda-feira. Garner disse que sua prioridade é a restauração dos serviços, como fornecimento de água e energia. Enquanto o general visitava um hospital e uma usina da capital, dois mil xiitas concentraram-se no centro de Bagdá para protestar contra a ocupação e acusar as forças dos EUA de prender um de seus líderes, Muhammad al-Fartusi - o que os americanos negaram. Alguns médicos do hospital mostraram-se desconfiados das intenções americanas. "Quero chorar, porque isso são apenas palavras", disse um médico depois de ouvir o general. - Saddam Hussein era um governante injusto, mas talvez um dia pudéssemos nos livrar dele e não ter esses estrangeiros entrando no nosso país. [O Globo] *** Os adesivos de propaganda dos Passats brasileiros, chamados no Iraque de “Brasili”, ainda estão nos vidros de muitos desses carros, que circulam em abundância pelas ruas de Bagdá. Entre 1984 e 88, o Brasil vendeu 188 mil Passats para o Iraque. Outro bom exemplo é o frango brasileiro. Durante a guerra Irã-Iraque (1980-88), o Brasil exportou para os iraquianos entre US$ 135 milhões e US$ 150 milhões de carne de frango congelada. Um dos protagonistas desse negócio foi o atual ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, à frente da Sadia. A partir de 1989, sob pressão de Estados Unidos e França, que o apoiaram no esforço de guerra, o Iraque passou a substituir o frango brasileiro pelo desses países. Os consumidores iraquianos, acostumados à tenra carne brasileira, protestaram, considerando as outras de pior qualidade. [Agência Estado] *** *** Operação “mãos sujas”
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