Uma
visão consciente da guerra
Consciência.Net: (des)cobrindo a guerra no Iraque, Síria, Irã e sabe lá Deus mais quem |
| Domingo,
20 de abril de 2003
Michael Moore está cada vez melhor. Relatórios sobre a destruição de patrimônio histórico da Humanidade, nos muses iraquianos, aqui e aqui.
Sábado, 19 de abril de 2003 A galeria de fotos da Agência Estado está muito boa. Visitar Fiquem alerta! A guerra não acabou. Basta ler três ou quatro agências de notícias. Perceberão que mal acabou no Afeganistão, quanto mais no Iraque. Prejuízo para todos. Atualmente, 2.152 empresas e filiais francesas estão instaladas nos EUA, e as 100 principais têm faturamento de US$ 130 bilhões e empregam 460 mil pessoas. O valor das exportações francesas para os Estados Unidos em 2002 atingiu 26 bilhões. Assim, um boicote poderá ser negativo para os dois lados. Poucos são os que acompanham o ministro de Economia da França, Francis Mer, que prevê uma retomada econômica com o fim dos combates no Iraque. "Com o desaparecimento das incertezas, o crescimento econômico deve, progressivamente, reencontrar seu ritmo de 2% a 2,5%, não em ano pleno, mas em ritmo anual a partir de agora", disse o ministro recentemente, em Paris. Esse otimismo não é apoiado pelo ministro alemão de Finanças, Hans Eichel, que alerta para difíceis decisões que se impõem, lembrando que "ninguém pode saber exatamente como a conjuntura alemã vai evoluir durante os próximos meses, ou seja, durante o verão europeu". O governo francês, por sua vez, enfrenta sérias dificuldades com os sindicatos no debate sobre o projeto de reforma das aposentadorias. O objetivo era aprová-lo por maioria parlamentar ainda antes das férias de julho. Para agravar a situação, os preços dos produtos acabados continuam caindo, ocorrendo uma certa deflação industrial, uma vez que se constata um aumento dos preços das matérias-primas. Dessa forma, os resultados não podem ser bons, o que leva as empresas a acelerarem a redução de seus efetivos a curto prazo, agravando o desemprego e reforçando o aumento do déficit das despesas públicas, uma situação que se generaliza na maior parte da União Européia. Aproximadamente duas mil famílias árabes foram desalojadas nos últimos dias de suas casas na cidade de Daguk, 27 quilômetros ao sul de Kirkuk, norte do Iraque, por milícias ligadas à União Patriótica do Curdistão (UPK), grupo aliado dos Estados Unidos, informaram jornais da França e da Turquia. Segundo o jornal turco Hurriyet, os "peshmerga" garantiram que as casas pertenciam a moradores curdos antes que famílias árabes fossem assentadas na região durante os últimos 20 anos. A informação também foi divulgada pelo diário francês Le Figaro. Segundo eles, milhares de árabes foram assentados no norte do Iraque em linha com a "política de arabização" da região implementada por Saddam Hussein. Episódios similares ocorreram em outros povoados da província de Kirkuk e nos bairros periféricos da cidade de mesmo nome. Os árabes da região são minoria em comparação com os curdos e turcomanos. [Agência Estado] Crime do século. Arqueólogos iraquianos acusaram o governo dos Estados Unidos de ter cometido o "crime do século" por não preservar nem defender de saques os tesouros históricos guardados nos museus de Bagdá. "O que aconteceu nos sítios arqueológicos do Iraque e o que aconteceu em nosso principal museu representam o crime do século pois a vítima foi o patrimônio cultural da humanidade", denunciou o diretor do Museu Arqueológico de Bagdá, Donny George. De acordo com ele, os Estados Unidos "tinham outras prioridades e a defesa do patrimônio artístico e cultural do Iraque, definitivamente, não era uma delas". Após a tomada da capital iraquiana, os soldados norte-americanos assistiram passivamente a saques e atos de vandalismo. Do Museu Arqueológico de Bagdá, estima-se que cerca de 170 mil peças tenham sido pilhadas. Em Paris, cerca de 30 especialistas reunidos sob o comando da Unesco afirmaram que o saque ao museu foi uma operação "planejada" e promovida por bandos organizados que se beneficiaram dessas circunstâncias. Hoje, após a insistência de clérigos muçulmanos, alguns moradores de Bagdá devolveram ao Museu Arqueológico 20 peças saqueadas. Ainda nesta sexta-feira, a Interpol e o FBI prometerem empenhar-se na caça às relíquias roubadas. Funcionários do museu no entanto, disseram que até agora não foram procurados por investigadores norte-americanos. Em Washington, um terceiro conselheiro cultural do presidente dos EUA, George W. Bush, renunciou hoje devido ao descontentamento com a incapacidade dos soldados em proteger o museu. Ontem, dois outros conselheiros presidenciais já haviam abandonado os cargos. [AE-Ansa]
Sexta, 18 de abril de 2003 Um milagre salvou a vida
de Bassin Faris; Foto: BBC
Brasil
“Eu estava levando o lixo para fora de casa com o meu pai, quando alguma coisa atingiu nós dois”, contou. O menino teve o estômago, o intestino e o pulmão atingidos, apenas dois centímetros abaixo do coração. Bassin entende muito bem a guerra: disse que acredita que sua casa tenha sido atacada porque estava perto de um grupo de Fedayn Saddam, os combatentes leais a Saddam Hussein. O que Bassin não sabe foi o que o médico dele informou depois: o menino já passou por duas cirurgias, mas ainda não se sabe se ele vai ficar bem. [Paulo Cabral, enviado da BBC a Basra] A proposta do presidente americano, George W. Bush, de suspender as sanções econômicas ao Iraque após a queda de Saddam Hussein pode levar os Estados Unidos a enfrentar outra luta diplomática nas Nações Unidas. As sanções foram impostas pela ONU logo depois que o Iraque invadiu o Kuwait, em 1990. Segundo as informações da BBC Brasil, atualmente o Conselho de Segurança tem o controle do petróleo no Iraque, o que dá à Rússia e à França o poder de bloquear os planos de reconstrução dos americanos. [CBN] A equipe do Pentágono comandada por Jay Garner está se preparando para assumir a administração civil do Iraque, com a assistência e os contratos de reconstrução sendo supervisionados pela Agência para Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos até que uma autoridade iraquiana interina seja empossada. Os iraquianos então trabalharão junto ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional, instituições nas quais os Estados Unidos desfrutam de grande influência para remodelar o país. "Nós estamos no controle em terra e criando fatos em terra", disse um alto funcionário do governo. "O Iraque não ficará sob bandeira da ONU. A ONU não será uma parceira. E no momento as pessoas não têm estômago para travar uma batalha ideológica em torno disto". O governo também descartou a volta dos inspetores de armas da ONU, disseram altos funcionários. [New York Times] Após a queda do regime de Saddam Hussein, iraquianos de origem curda começaram a expulsar iraquianos árabes que vivem no norte do Iraque, ampliando a tensão principalmente em Kirkuk. Os curdos afirmam estar exercendo seus direitos. Durante seu governo, Saddam, de origem árabe, iniciou nos anos 80 um processo de "arabização" em cidades dessa região que produzem petróleo. Em Kirkuk, cerca de 400 mil curdos perderam suas propriedades, transferidas para árabes de outras partes do país. "Sempre afirmamos que o direito de retorno das vítimas de "limpeza étnica" é sagrado", declarou Barham Salih, primeiro-ministro da região autônoma do Curdistão, área criada após a Guerra do Golfo (1991) que se estende pelo nordeste do território iraquiano. Os líderes curdos querem transformar essa região autônoma em um Estado independente e reivindicam Kirkuk como capital desse novo país. Na cidade em disputa, os árabes dizem ter ficado vulneráveis com a rápida tomada pelos curdos do prédio da prefeitura e do departamento de polícia. Argumentam também que os curdos não possuem documentos que comprovem que são de fato donos das propriedades reclamadas. Já os curdos afirmam que todos os seus papéis foram destruídos quando ocorreu a expulsão. [Folha de S. Paulo]
Quinta, 17 de abril de 2003 Manipulação de imagens: a derrubada da estátua de Saddam em Bagdá [em inglês]. Leia Os graves ferimentos sofridos por Ali Ismail Abbas, de 12 anos, que perdeu os dois braços quando sua casa foi bombardeada por forças norte-americanas, não representam um caso único no Iraque, disse um funcionário de uma organização de caridade que visitou hospitais em Mosul. Além de perder os braços, Ali teve queimaduras por todo o corpo. Ele foi levado de avião para o Kuwait, para cirurgias de emergência. Entretanto, Brendan Paddy, da organização Save the Children (Salvem as Crianças), que está trabalhando em Mosul, diz que viu dezenas de casos similares de crianças feridas que não atraíram a atenção devida. Ele disse que a quantidade e a gravidade dos ferimentos está levando equipes médicas experientes às lágrimas. Sem água
A organização Save the Children conseguiu levantar fundos para um hospital, para que os funcionários pudessem comprar legumes frescos. Os pacientes estiveram submetidos a uma dieta de arroz por semanas. Entretanto, Paddy disse que a situação na cidade continuava perigosa para trabalhadores de organização de caridade. "Nós estamos nos colocando em risco", afirmou. A Save the Children está baseada no norte do Iraque há 12 anos. Visite a Save
the Children
Quarta, 16 de abril de 2003 A moda surgiu em 1991: um âncora de TV começou a botar no ar notícias ainda em fase de apuração, conta o jornalista Claudio Julio Tognolli, no artigo “A ilógica do barro”. O furo consistia em dar primeiro que ninguém a história, mesmo que fosse uma meia-verdade. Agora, na invasão do Iraque, Major Garrett, correspondente da Fox News no Pentágono, ao comentar informações de que os EUA teriam encontrado provas de armas químicas, Garrett repetiu cinco vezes, em três minutos e 40 segundos, que a informação não estava confirmada. “Mas, pelo que pude apurar, tudo leva a crer que isso seja verdade". Você, telespectador, engole notícias assim, tão mal-passadas? Como você vê esse tipo de jornalismo? [Bloi] O secretário de Estado americano, Colin Powell, disse que os Estados Unidos não têm planos de atacar qualquer outro país no Oriente Médio depois do fim da guerra contra o Iraque. Powell disse que o Iraque era um caso único. Seus comentários foram feitos depois que os Estados Unidos continuaram a acusar a Síria de dar abrigo a membros do antigo governo iraquiano e de desenvolver armas de destruição em massa. Também nesta terça-feira, a Grã-Bretanha e a Espanha se distanciaram da crescente pressão que os americanos fazem contra os sírios. Por outro lado, o primeiro-ministro israelense Ariel Sharon pediu mais pressão dos Estados Unidos sobre a Síria e acusou o presidente Bashar Al-Assad de esconder armas iraquianas. As declarações americanas sobre a Síria receberam críticas de vários países do Oriente Médio. O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Musa, disse estar chocado com as ameaças de sanções comerciais e diplomáticas contra a Síria. O governo do Egito alertou sobre ataques a países árabes. O presidente francês, Jacques Chirac, teve uma conversa telefônica - a primeira desde o começo de fevereiro - com o presidente americano, George W. Bush, sobre a guerra no Iraque. Uma porta-voz de Chirac disse que a conversa foi positiva. [BBC Brasil, ontem]
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