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Uma visão consciente da guerra
Consciência.Net: (des)cobrindo a guerra no
Iraque, Síria, Irã e sabe lá Deus mais quem
Terça, 15 de abril de 2003

A guerra acabou? Ao mesmo tempo em que representantes de setores de oposição ao governo derrubado de Saddam Hussein reuniam-se na cidade iraquiana de Ur e lançavam uma declaração de 13 pontos sobre a necessidade de se construir um novo Iraque, baseado em princípios democráticos e de igualdade, milhares de xiitas - o maior grupo religioso do Iraque, que vivia oprimido sob Saddam - protestavam contra o encontro, patrocinado e presidido pelos EUA, cantando “Não à América, não Saddam!”, na cidade de Nasiriya.

"Vamos pressionar por uma administração civil iraquiana, não importa o que os americanos digam. Uma administração de Garner (Jay Garner, general americano nomeado para administrar o Iraque no pós-guerra) não é aceitável", disse Mowaffak al-Rubaie, um médico iraquiano e ativista da oposição.

Mortes em Mosul. Pelo menos 12 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas em Mosul, quando soldados americanos atiraram contra uma multidão que tentava invadir o edifício onde um líder árabe era designado governador da província, de maioria curda. Segundo testemunhas, os militares responderam a tiros disparados por ativistas infiltrados na multidão.

Pouco antes do tiroteio, os manifestantes incendiaram um carro na frente do prédio e lançaram uma chuva de pedras que obrigou os soldados a se refugiarem dentro do edifício. O protesto começou a tornar-se violento quando os representantes árabes e curdos e um tenente-coronel do Exército dos EUA chegaram até a porta principal da sede do governo e foram vaiados pelos manifestantes.

Ou está apenas começando? Uma semana depois da queda do regime de Saddam, as saudações aos soldados americanos em Bagdá se transformaram em insultos. "Eu os odeio. Juro que ainda ponho um cinturão explosivo e os mando para os ares", grita um jovem iraquiano de dentro de um automóvel, ao passar por um posto de controle no centro da capital.

A desordem, a falta de água e energia elétrica e as blitzes dos soldados americanos que tentam conter os saqueadores têm motivado protestos diários na frente do Hotel Palestine, onde se concentra a maioria dos jornalistas estrangeiros.

O receio de atentados suicidas aumentou nos últimos dias, quando se intensificaram as patrulhas e as revistas na cidade. "Não temos medo de que disparem contra nós", dizia hoje um manifestante. "O que estamos fazendo é o correto. Este é o nosso país e só Deus poderá nos julgar". "Sim ao Iraque, sim ao Islã, não aos terroristas dos EUA", gritavam os ativistas. "Xiitas, sunitas, estamos unidos e nosso país não está à venda", dizia um cartaz levado por um manifestante.

Crítica implícita a Bush dá demissão nos EUA. Um produtor da rede de TV CBS foi despedido por haver feito uma comparação implícita entre o momento atual nos Estados Unidos e a Alemanha nazista. Ed Gernon, que produz a minissérie “Hitler: The Rise of Evil” (Hitler: A Ascensão do Mal) foi demitido por uma declaração feita à revista TV Guide. Gernon disse que a série “trata de uma nação inteira bloqueada pelo medo, que renunciou a seus direitos civis e que chegou a uma guerra mundial por causa desse temor”. “Não posso pensar de um tempo melhor para contar essa história”, disse o produtor. Meios conservadores usaram a frase para denunciar o “antipatriotismo” da mídia, e a CBS demitiu Gernon. [Agência Estado]


Segunda, 14 de abril de 2003

Síria terrorista. A administração Bush voltou a alertar a Síria nesta segunda-feira de que deve cooperar e que não deve manter terroristas ou líderes iraquianos em seu país. O porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, disse também que a Síria possui armas químicas estocadas, como gás Sarin, além de um programa para desenvolvimento de outros agentes químicos letais. No entanto, o porta-voz não indicou claramente o que os EUA têm intenção de fazer em relação a Síria se o país não cooperar. "O presidente (Bush) disse que cada nação será tratada da forma merecida", disse Fleischer.

Sobre as armas de destruição em massa, Fleischer citou um relatório da CIA, produzido no ano passado, e disse ser "altamente provável" que a Síria possua um programa ativo para desenvolver armas biológicas. "Os EUA, durante um período considerável de tempo, têm dito, por meio dos canais diplomáticos, que algumas nações deveriam parar com alguns atos. Eles não deveriam esconder terroristas e não deveriam produzir armas de destruição em massa", disse Fleischer. "A Síria é um Estado terrorista. Eles escondem terroristas", acrescentou.

Questionado se os EUA estão pressionando a Síria para expulsar o grupo Hizbollah de seu próprio território e do Líbano, Fleischer disse: "As nações não deveriam seguir políticas que fomentem ou encorajem a proteção a terroristas. É um fato". Ele repetiu que a Síria não deveria oferecer abrigo aos líderes iraquianos.

A Síria negou nesta segunda-feira que possua armas químicas e que tenha cooperado com a administração de Saddam Hussein. "Dizemos a ele (presidente dos EUA) que a Síria não possui armas químicas e que as únicas armas químicas, biológicas e nucleares na região estão em Israel, país que ameaça seus vizinhos e ocupa suas terras", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Buthaina Shaaban. "Nunca houve cooperação entre Damasco e Bagdá, nosso apoio é ao povo iraquiano, o qual sofreu várias guerras", acrescentou o porta-voz. 

Em Doha, no Catar, o vice-diretor de operações do Comando Central dos EUA, general Vicent Brooks, disse que a maior parte dos soldados estrangeiros que lutavam com as forças de Saddam Hussein era síria. "Também sabemos que houve tentativa de entrada no Iraque a partir da Síria e que algum recrutamento ocorreu naquele país", disse Brooks.


Domingo, 13 de abril de 2003

Só pode ser sacanagem. Depois de passar o fim de semana em Camp David, o presidente George W. Bush voltou à Casa Branca fazendo duras advertências à Síria, informou a GloboNews TV, citando agências internacionais. Falando à rede de notícias CNN, o presidente americano disse que crê na presença de armas de destruição em massa na Síria e que este país precisa colaborar com os EUA. Ele advertiu o país para que não abrigue nenhum dirigente iraquiano ou pessoas que estejam sendo procuradas.

O presidente também dedicou algumas palavras à crise da Coréia do Norte. Ele disse estar otimista quanto a uma solução pacífica. Segundo o presidente, o diálogo multilateral sobre o programa nuclear do país comunista pode dar resultados. [Globo On]


Sábado, 12 de abril de 2003

Cerca de cem cidadãos iraquianos saíram às ruas de Bagdá hoje para protestar contra os problemas de segurança que a cidade enfrenta desde que foi ocupada pela tropas anglo-americanas. Eles carregavam um cartaz onde se lia: "Queremos um novo governo o mais rápido possível para restaurar a segurança e a paz".

"Queremos cooperar com o novo governo iraquiano e com as tropas americanas para manter a paz e a segurança", explicou Dhargham Adnan, 25, estudante da Universidade de Bagdá. Ele disse que não parecia que as tropas da coalizão estivessem fazendo qualquer coisa para deter o saque dos principais prédios públicos da cidade. 

"Eles tentam apenas proteger as instalações petrolíferas, enquanto o resto é destruído", afirmou.


Sexta, 11 de abril de 2003

1 - "Apesar da presença dos forças armadas dos EUA, prédios do governo e propriedades privadas foram saqueadas em Bagdá" - Que absurdo! Tinham que ficar é comprando água dos soldados americanos ou trocando por petróleo. Povinho subdesenvolvido é assim mesmo, nem morrer com "honra" eles sabem.

2 - EUA tá tentando convencer o G7 a reconstruir o Iraque. Se nem a ONU topou... o próximo passo é uma cartinha do Bush pro Papai-Noel: "Ei Santa, se não reconstruir o Iraque eu detono a Lapônia (logo que descobrir em que parte da África fica isso)" - Johny Walker Red Bush (Red Bush te dá asas!!!)

3 - Rumsfeld diz que saques no Iraque são "bagunça da liberdade". [Reuters] Que que isso quer dizer? Quem souber me manda uma resposta, mas me parece fome, uma fome "democrática e liberal", mas fome mesmo. Sugiro arremessarem pelo ar milhares de caixas de aço a uma aceleração de 10m/s ao quadrado com "freedom fries" para o sofrido povo iraquiano.

4 - Os Estados Unidos disseram na sexta-feira que a Síria fechou inteiramente sua fronteira com o Iraque, menos para o tráfego de ajuda humanitária, e afirmou que seria bem-vinda a ajuda para impedir autoridades iraquianas de deixar o país. [Reuters] Ah, agora eu entendi o "humanitarismo" da ajuda. O lance é não deixar os políticos iraquianos viverem. O que você esperava que fosse "ajuda humanitária" de uma "guerra pela paz"?

5 - RAFAH, Faixa de Gaza (Reuters) - "Tropas israelenses atiraram em um pacifista britânico que tentava ajudar uma criança palestina a atravessar uma rua debaixo de fogo cruzado na sexta-feira. O ativista está em estado grave".  - Jesus tem mania de passar por lugares "nada a ver".

6 - GENEBRA - "A epidemia mundial da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars, na sigla em inglês) parece estar controlada em vários países, anunciou a Organização Mundial de Saúde (OMS) na sexta-feira, admitindo que pouco se sabe sobre o estágio do surto na China, onde se concentra a maior parte dos casos". [Reuters] - Manchete poderia ser substituída por: "Espirro mata 315 na China".

7 - WASHINGTON - "O Pentágono disse na sexta-feira que 107 soldados norte-americanos morreram na guerra contra o Iraque, outros 10 estão desaparecidos e sete são mantidos como prisioneiros de guerra". [Reuters] - Estão quase chegando ao número de mulheres, idosos e crianças iraquianos assassinados pelos americanos e britânicos. Bem que os iraquianos tentam, mas estão perdendo.

8 - VIENA - "A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) disse na sexta-feira que pediu aos Estados Unidos que garantam a segurança de uma antiga instalação de pesquisas nucleares do Iraque, até que os inspetores de armas da ONU possam voltar ao país". [Reuters] - Vai que rola um Chernobyl naquela p*%%a e aí eu quero ver!


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