Uma
visão consciente da guerra
Análises do jornal Consciência.Net acerca do cenário internacional |
|
Segunda, 31 de março de 2003
"Nas próximas semanas e meses, os duros, que se alinham com (o vice-presidente Dick) Cheney, (o secretário de Defesa, Donald) Rumsfeld e (o vice-secretário de Defesa Paul) Wolfowitz e os pragmáticos, que seguem a linha mais moderada de (secretário de Estado, Colin) Powell medirão forças para ver quem terá mais influência sobre (o presidente George W.) Bush", disse um político republicano que ocupou altos postos de confiança no governo Reagan. Questão de parâmetros. É claro que o Powell é um moderado. Dentro de um hospício, o esquizofrênico é tranquilinho. Explicação. Eis uma belíssima aula de retórica para principiantes: O Comando Central considerou que aparentemente os soldados seguiram regras de engajamento para lidar com tais situações. "À luz de recentes ataques terroristas cometidos pelo regime iraquiano, os soldados exerceram considerável contenção, a fim de evitar perda desnecessária de vida", explicou o comunicado.Trata-se da explicação dos norte-americanos para a morte de mulheres e crianças civis em um posto de checagem no Iraque. Faz algum sentido?
Domingo, 30 de março de 2003
Finalmente! Dois soldados britânicos que se negaram a combater nas operações militares contra o Iraque foram enviados de volta para casa, informou hoje o semanário The Sunday Times. Os dois soldados estão sujeitos agora à corte marcial e a uma possível condenação a dois anos de prisão por desobedecer a uma ordem de seus superiores. Os dois rebeldes disseram a seu comandante que não estavam dispostos a combater em uma guerra que provoca a morte de civis inocentes. A direção da Basílica da Natividade decidiu probir a partir de hoje o ingresso do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e do primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, no templo onde, segundo a tradição, nasceu Jesus Cristo. A proibição foi adotada em virtude do papel dos dois na guerra contra o Iraque. A informação foi divulgada pela agência de notícias jordaniana Petra, de acordo com a qual a medida se estende ao secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, e ao chanceler britânico, Jack Straw. O anúncio, acrescentou a fonte, foi feito durante uma manifestação organizada pela Igreja ortodoxa e significa que os quatro políticos não poderão mais ingressar no templo situado em Belém, na Cisjordânia. Clap, clap, clap! Hoje é um dia menos triste para o mundo. Exército contra a invasão. O Iraque disse neste domingo que mais de 4.000 árabes chegaram ao país e estavam prontos para se "martirizar" para impedir o avanço de tropas dos EUA no país. O porta-voz do Exército, Hazi al-Rawi, disse que "os mujahedin [guerreiros] chegam de todos os países árabes, sem exceção" e que estariam dispostos a morrer e serem enterrados no Iraque. Segundo ele, todos os muçulmanos têm o dever religioso de ajudar o Iraque. Al-Rawi afirmou que os árabes buscavam o "martírio" no Iraque e que eles haviam "jurado não voltar a seus territórios. Eles até mesmo pediram que, após o martírio, fossem enterrados no Iraque". [Folha Online] Quinto país bombardeado. O Comando Central das tropas norte-americanas informaram hoje que alguns mísseis Tomahawk, com problemas em seu sistema de navegação, caíram sobre o território da Arábia Saudita. Os problemas envolveriam mísseis disparados do navios localizados no Mar Mediterrâneo e Mar Vermelho. ''No caso da Arábia Saudita, nós realmente tivemos um número de mísseis que caíram em seu território, segundo relatórios'', disse o major-general Victor Renuart durante uma coletiva de imprensa no Qatar. O Comando não informou se os mísseis com problemas atingiram algum alvo civil ou militar na Arábia. [Folha Online] A Arábia Saudita torna-se o quinto país a ser atingido pela "bombas humanitárias" (aquelas que levam as pessoas dessa para uma melhor). Turquia, Irã e Síria já haviam sido atingidos pelos norte-americanos. Tudo sem querer, claro. No caso da Síria, o erro causou a morte de civis, pois a bomba caiu em cima de um ônibus que tentava fugir da guerra. Sobre isso, no entanto, nada se falará no futuro. Daqui a pouco vão acertar - ops, foi sem querer - a Coréia do Norte. Além, é claro, das Ilhas Fiji, país que sabidamente planta urânio e cria filhotes de ogivas nucleares, com a intenção de invadir, dominar e povoar os Estados Unidos com seus 800 milhões de habitantes. Bar veta americanos e ingleses. A indignação com o ataque dos Estados Unidos ao Iraque levou o dono do bar Farândola, em Olinda, Rodolfo Vasconcellos, a tomar uma atitude radical. Ele decidiu impedir a entrada de norte-americanos e também de ingleses no bar, que tem como característica a promoção da música e dos ritmos regionais e brasileiros. Ontem à noite, Vasconcelos teve a primeira experiência concreta decorrente da iniciativa, implantada dois dias antes e que é explicada em um longo texto que ele colou no cardápio. Ele terminou cedendo e permitiu a permanência do músico norte-americano Andrew, um dos convidados do ator e animador cultural Sérgio Gusmão, que comemorou seu aniversário com uma festa no bar. Mas não pretende ceder de novo e por isso, será mais explícito. Nesta semana, pretende colocar uma faixa na porta dizendo "guerra é guerra, não atendemos nem norte-americanos nem ingleses". Natural de Chicago, 27 anos, Andrew (ele pediu para não publicar o sobrenome) se encontra no Recife há quase dois meses, estudando percussão. Mal com a situação, ele disse respeitar o dono do bar e lamentou que o presidente norte-americano - que não teve o seu voto - esteja criando mais ódio contra os Estados Unidos e contra seu povo. Emocionado, várias vezes ficou com lágrimas nos olhos ao comentar a situação, mas frisou que Vasconcellos não deveria esquecer que cada pessoa é irmão um do outro, independente de onde tenha nascido. "Falta diálogo com Bush, que não escuta ninguém, e falta diálogo com o dono do bar", observou. No final da tarde de ontem ele iria engrossar um protesto contra a guerra, com o grupo Corpos Percussivos, no bairro do Recife Antigo. [Agência Estado] O Ministério das Relações Exteriores da Suíça publicará na Internet uma lista com o nome de todas as vítimas civis do conflito armado deflagrado pelos Estados Unidos contra o Iraque, atualizando-a regularmente com o objetivo de mostrar o horror da guerra. A lista entra no ar amanhã, informou a ministra suíça de Relações Exteriores, Micheline Calmy-Rey, em entrevista publicada hoje pelo dominical SonntagsBlick. Os dados serão recolhidos por intermédio de diversas fontes. A lista com o número de vítimas estará disponível no endereço eletrônico http://www.dfae.admin.ch/eda/e/home.html. "Somente vendo a lista completa poderemos nos dar conta de quanto isto é terrível", explicou a chancelaria suíça. [Agência Estado] Terror sem pudor. O sargento norte-americano Bobby, 21 anos, integrante de um batalhão de tanques dos "marines" norte-americanos – uma das unidades de elite que abriu o caminho para Bagdá – contou à enviada especial do "Journal de Dimanche ", da França, como matou o seu primeiro iraquiano. Pequeno, seco e seguro de si, o jovem sargento Bobby colocou o fuzil de lado e admitiu ser fotografado e dar um depoimento a jornalista francesa Karen Lajon, contando sua visão pessoal dessa guerra. Sem revelar, por enquanto, qualquer remorso, disse que sua bíblia é o livro do tenente coronel Dave Grossman, "Killing", cujo prefácio trata do preço psicológico de apreender a matar em tempo de guerra. "Matei meu primeiro iraquiano no dia 20 de março. Não posso dizer que isso tenha mexido muito comigo. Era de noite, só tive que ajustar meu fuzil e, graças à lente de visão noturna integrada, localizei o inimigo sem problema. Para mim , não passava de um ponto de mira, uma sombra que desapareceu de uma só vez, após ter atirado. Esses tipos são idiotas. Não temos nenhum mérito de abatê-los na obscuridade. Podemos vê-los perfeitamente bem, enquanto eles não têm capacidade para captar nada". Perguntado sobre os remorsos, o sargento afirmou que não tem nenhum, “pelo menos por enquanto. Talvez mais tarde, mas não acredito. Desde o Vietnã e mesmo da Guerra do Golfo, o dado militar mudou completamente. Somos de tal forma superiores tecnologicamente que podemos nos permitir desenvolver um combate à distância. Não existe mais luta corpo a corpo. Resultado, temos a impressão de estar participando de um vasto vídeo game. Isso sem contar que carregamos sempre conosco o livro do tenente coronel Dave Grossman "Killing", com um prefácio sobre o preço psicológico de apreender a matar em tempos de guerra e se comportar na sociedade. Essa é a nossa bíblia. É o que nos permite evacuar nosso medo, se é que sentimos". [Agência Estado] Isso
é o fim da picada. Alguns soldados perderam completamente a
noção da diferença entre realidade e ficção.
Honestamente: fui atingido no peito com este depoimento. Bem fundo.
|