Sábado,
29 de março de 2003
|
06h00 em Brasília
e 12h00 em Bagdá
|
"O
bombardeio humanitário já conseguiu salvar dezenas de
crianças das garras do Saddam Hussein, matando-as". [Luis Fernado
Verissimo]
E
o que o grande Verissimo pensa sobre o boicote?
"Sei
não. Acho bom pensar melhor no assunto. Eu posso muito bem viver
sem a Coca Diet — mas, e a Sandra Bullock? Não é nem uma
questão de procurar substitutos nacionais, ou de estrangeiros aceitáveis.
Como saber? Estamos tão dependentes e globalizados que, antes de
tomar um guaraná, seremos obrigados a perguntar ao garçom
se ele, por acaso, conhece a composição acionária
do fabricante. E também é preciso lembrar sempre que o Vasco
da Gama não é o Eurico Miranda, é a sua história
e as suas glórias, incluindo o Aldir Blanc. Para cada lamentável
Wolfowitz, os americanos têm um admirável Michael Moore, que,
explicando por que preferia os documentários à ficção,
ao receber seu Oscar, resumiu numa frase toda a insanidade do momento:
um presidente fictício, fruto de uma eleição fictícia,
levando um país para a guerra por razões fictícias.
Moore foi vaiado e aplaudido, mas nenhum convidado ou responsável
pela festa se preocupou em fazer uma defesa da ação americana
equivalente à veemência da sua manifestação.
Pelo menos naquele auditório, a maioria parecia querer, literalmente,
paz. O tipo de birra irreverente e criativa de gente como Moore é
um antídoto para o atual desvario americano que pode custar para
agir, mas do qual não se deve desesperar. E, ainda por cima, eles
têm a Sandra Bullock". [LFV]
Um
dos melhores sites que promovem o boicote
aos produtos norte-americanos que eu já vi é o Consumers
Against War. Feito por jovens europeus, possui maiores explicações
sobre os objetivos do boicote e a lista dos produtos a serem boicotados.
E o mais impressionante: você pode ler em seis línguas.
Além do alemão, é também acessível em
português, inglês, espanhol, francês e japonês.
Não deixe de conhecer: http://www.consumers-against-war.de/
Para
onde aponta o nariz de Bush? Clique
aqui
O
Fórum
Estadão é um ótimo lugar
para discutir diversos assuntos. O Fórum mais interessante do momento
é o criado especialmente para a invasão ao Iraque. Entre
confusões mentais e bons comentários, a diversão é
garantida. O último comentário é a coisa mais engraçada
que li em anos (deixemos o futebol e as praias já!!!). Confira algumas:
Ao
final desta agressão, Bush dirá ao único sobrevivente
iraquiano:"Libertamos você do Sadam!". [Alex Herren | Caldas
Novas, GO]
Prezado
senhor Luis Carlos Trela, quem nasce nos Estados Unidos da América
é americano assim como quem nasce na República Federativa
do Brasil é Brasileiro. Ninguém acha que devemos nos chamar
de republicafederativanos, então não há porque chamar
os americanos de estadunidenses. Agora, se termos como "latino-americano"
lhe ofendem, e que um americano se chamar de americano lhe diminui em alguma
forma, sugiro tratar de sua própria auto-estima antes de criticar
alguém. [Pedro | São Paulo | 26 de março]
Se
os EUA estivessem realmente preocupados com a humanidade eles dariam
um jeito na África. De boa vontade o "Céu" está cheio...
[Alberto Macedo | São Paulo | 28 de março]
Para
mim o Bush é a reecarnação de Hethler (sic). [Cris
S. R. | Rio De Janeiro | 27 de março]
Por
favor, alguém me esclareça uma dúvida cruel: uma
bomba atômica não é uma arma química de destruição
em massa??? [Silvio A Hoffmann Jacques | Porto Alegre | 27 de março]
Curiosidade
sobre o terrorismo. De acordo com os documentos oficiais dos EUA (U.S.
Code e manuais do exército), terrorismo é: "O uso calculado
da violência ou da ameaça de violência para atingir
objetivos políticos, religiosos ou ideológicos, em sua essência,
sendo isso feito por meio de intimidação, coerção
ou instilação do medo". Não é irônico?
[Sergio | Rio De Janeiro | 27 de março]
O
mais lamentável nesta guerra é o sacrifício de
inocentes. Bush e Saddam se equivalem em megalomania. Infelizmente este
conflito já está trazendo graves conseqüências
para o mundo todo, principalmente à área econômica.
Já que é questão pessoal, como todos sabem, seria
mais viável e econômico colocar Saddam e Bush em um ringue
e transmitir para todo o planeta. Garanto que ninguém seria contra.
[Walter Quintella | Lins, SP]
Bush
é um louco. Tony Blair outro. A Rainha também gosta de
dominar o mundo. É só ver a história. Estamos no limiar
de novo conflito mundial. Agora é só esperar novos atentados
terroristas comandados por Bin Laden. Os americanos ainda vão sofrer
muito na sua própria carne. O Capitólio, A Casa Branca e
a Estátua da Liberdade provavelmente estão na mira de Bin
Laden. Outros países também sofrerão. Na França
temos a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo. Até o Papa não
estará livre de um atentado. É preciso refletir muito sobre
isso. Nós aqui no Brasil também temos alvos para Bin Laden:
O Pão de Açucar, o Corcovado e a ponte Rio Niterói.
Deixemos de lado o Carnaval, o futebol, as praias e pensemos em nós,
antes que seja tarde demais. [Arismar Carvalho Leite | Rio de Janeiro
| 26 de março]
O
outro lado. Acho oportuno colocar a opinião dos que defendem
a intervenção dos Estados Unidos no Iraque, a fim de tornar
o debate mais democrático, ou até mesmo saber defender melhor
a paz. É sempre importante lembrar que Saddam é tão
criminoso quanto Bush e sua equipe. A opinião que escolhi foi retirada
do Fórum
Estadão e é do leitor Ademar Silva Jr., de Goiânia
(GO):
Uma
palavra para defender os Americanos
Sim,
eu sei o que vocês estão pensando. Que eu sou um daqueles
colaboracionistas prontos para puxar o saco do presidente George W. Bush
em sua sandice de atacar o Iraque. Duas semanas atrás eu concordaria
com vocês. Eu era mais um que apoiava Sr. Saddam Hussein, que apesar
de ser um ditador sanguinário, estava defendendo seu país
de Bush, o Grande Imperialista Americano, e de Blair, o Pequeno Poodle
do Império. Ambos obcecados em conseguir vantagens econômicas
e militares, e não se importavam em arrasar Bagdá e a população
civil para botar as mãos no petróleo Iraquiano.
Porém,
em uma ocasião, eu percebi que estava deixando minhas suspeitas
pelos norte-americanos prejudicar meu julgamento. Então busquei
na internet por informações mais transparentes, uma forma
mais imparcial de compreender o atual conflito no Iraque. Não achei.
Portanto, fiz o que eu sempre faço. Procuro um precedente histórico.
Encontrei o que procurava na Alemanha Nazista. Hitler subiu ao poder em
1933. Suas intenções eram bem conhecidas, mas toda a Europa
não interviu na Alemanha. Era uma convicção justa.
Afinal, se na I Guerra Mundial morreram cerca de 15 milhões de pessoas,
quantas iriam morrer numa segunda? Quando Hitler violou repetidamente o
Tratado de Versalhes, a Europa nada fez para impedi-lo. Quando Hitler começou
a colocar os judeus em campos de concentração, retirar os
seus bens, a força-los ao trabalho escravo, a Europa não
protestou. Quando Hitler anexou a Áustria, a Inglaterra apenas manda
o primeiro Ministro Chamberlain para tentar acalmar Hitler em Munique.
Mesmo quando Hitler começou a se armar para uma grande guerra, a
Europa continuava a querer a paz. Hitler usou sabiamente o desejo de paz
da Europa para se armar e conquista-la.
Até
que um dia Hitler acabou de se armar e atacou, conduzindo o mundo à
II Guerra Mundial. Ele fez isso porque o desejo natural desse tipo de ditador
louco é ter mais poder, dominar mais áreas. Foi assim com
Hitler que tentou dominar a Europa. Foi assim com Stalin que dominou a
Europa Oriental. Foi assim com Saddam, que tentou dominar o Irã
e dominou o Kuwait. É claro que não pode se comparar Saddam
com Hitler. Saddam não está tão bem armado e nem tem
apoio popular do Iraque. Porém, até os maiores defensores
da paz reconhecem que estamos tratando com um dos piores ditadores da humanidade.
Um homem que matou 21 opositores quando tomou o poder em 1979. Um homem
que matou seu ministro da saúde e mandou o corpo para sua mulher.
Um homem que em 1988 assassinou cinco mil pessoas com gás mostarda
na região curda do Iraque. Um homem que arrasou quatro mil aldeias
curdas em 1993. Esse é o homem pelo qual nos dispomos a enfrentar
embargos econômicos americanos para defender.
Não
que os americanos sejam santos. Em 1945, eles lançaram três
bombas atômicas em alvos civis matando cerca de quinhentos mil inocentes,
mais os que morreram meses depois por exposição à
radiação. Usaram as tão temidas armas químicas
nas guerras da Coréia e do Vietnã. Apoiaram os piores ditadores
da década de 60 e 70 (incluindo o próprio Saddam Hussein)
a dominarem seus países numa tentativa de impedir o avanço
comunista. Nós brasileiros, particularmente, temos motivos de sobra
para esse suspeitar dos EUA. Afinal, eles financiaram aqui o Golpe Militar
de 1964, ainda hoje fazem um comércio sujo conosco através
de subsídios, nos mantendo no subdesenvolvimento.
Minha
intenção com este texto não é apoiar os EUA.
Embora reconheça que Saddam não vai sair do poder apenas
com ataques diplomáticos e que o Iraque possui armas químicas
sim (Gás Mostarda e o Agente Laranja são usados desde a I
Guerra Mundial sendo, portanto, razoavelmente fáceis de se produzir
em massa, mesmo para um Iraque arrasado), eu ainda acredito numa solução
que envolva menos perdas civis neste conflito. Minha intenção
é demonstrar que a situação é muito mais complexa
do que um país tentando dominar outro a fim de roubar sua riqueza
mineral.
Ademar
Silva Jr. | Goiania, GO
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