Uma
visão consciente da guerra
Análises do jornal Consciência.Net acerca do cenário internacional |
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Sexta, 28 de março de 2003
Para o principal responsável pelas operações terrestres do Exército americano no Iraque, a parte mais difícil da Operação Liberdade Iraquiana tem sido esperar pela Batalha de Bagdá. O general William S. Wallace, que lutou como soldado no Vietnã, irritou a Casa Branca ao dizer aos jornais Washington Post e New York Times que o inimigo que estamos enfrentando é diferente do que enfrentamos nas simulações, dando a entender que os estrategistas do Pentágono calcularam mal a combatividade das forças iraquianas. Como se põe medo nas pessoas e incitar o xenofobismo utilizando-se bêbados. Da Agência Estado: "O esquadrão antibomba do Departamento de Política de Nova York está checando a ponte de Williamsburgh, que liga Manhattan ao Brooklyn. Três homens deixaram pacotes suspeitos na ponte e foram detidos. As autoridades investigam a possibilidade de que eles estivessem bêbados. Dois deles são de Massachusetts e o terceiro de Rhode Island. A ponte, que liga o Brooklyn a Manhattan, foi fechada, assim como o serviço de três linhas de metrô que passam abaixo dela. Uma filial da TV Fox havia dito que os homens eram descendentes de pessoas nascidas no Oriente Médio". A imprensa nos Estados Unidos é tão tendenciosa que não vai demorar muito para o papa João Paulo II levantar a mão para as tropas norte-americanas em repúdio à guerra e os jornais publicarem: "Papa abençoa militares". Representante chileno na ONU desobedece país em nomes dos direitos humanos. O embaixador chileno perante as Nações Unidas em Genebra foi chamado ao Chile depois de se abster, em vez de rejeitar, uma resolução sobre o debate da situação dos direitos humanos na guerra, apresentada ontem pelos países árabes e Rússia; ao não seguir as instruções de seu governo, o embaixador abriu novo impasse entre seu país e os EUA, disseram fontes da Chancelaria em Santiago. O vice-chanceler Cristián Barros confirmou que o embaixador Juan Enrique Vega foi chamado para informar sobre sua atitude rebelde. O matutino La Tercera havia informado nesta sexta-feira que Vega havia desobedecido a ordens da Chancelaria chilena, de votar contra uma resolução dos países árabes que propunha um debate sobre a situação no Iraque na Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas. Vega, no entanto, se absteve, contrariando um compromisso assumido por Santiago com os EUA, de votar contra. [Associated Press] Pelo jeito, o governo do Chile pensa que o compromisso com os Estados Unidos é maior do que o compromisso com os direitos humanos. Vega, que é socialista como o presidente Ricardo Lagos, foi um estreito colaborador do governante durante a campanha que o levou ao poder. Foi designado por Lagos como embaixador em Genebra. Após o retorno da democracia ao país, em 1990, o diplomata foi embaixador em Cuba. O secretário de Destruição Étnica, Donald Rumsfeld, acusou a Síria de enviar equipamentos militares para as forças iraquianas, o que seria "um ato hostil" contra os EUA. "Consideramos tal tráfico um ato hostil e responsabilizamos o governo sírio por tais carregamentos", afirmou Rumsfeld, numa entrevista no Pentágono. "Não existe dúvida de que suprimentos ou equipamentos militares ou pessoas estão cruzando a fronteira entre o Iraque e a Síria, complicando imensamente nossa situação", disse o secretário. Perguntado se os Estados Unidos estavam ameaçando lançar uma ação militar contra a Síria, Rumsfeld respondeu: "Estou dizendo exatamente o que estou dizendo". A Síria é o único país árabe atualmente fazendo parte do Conselho de Segurança da ONU. Neurônios de menos. Quando perguntado se os carregamentos da Síria eram "patrocinados pelo Estado", Rumsfeld recusou-se a responder, porque "este é um assunto de inteligência". Aliados cada vez mais importantes. A Casa Branca anunciou que a ilha de Tonga, uma pequena monarquia constitucional do sul do Pacífico, se incorporou ao grupo de nações que apóiam a guerra dos EUA e da Grã-Bretanha contra o Iraque. Com a inclusão de Tonga, são agora 49 as nações que integram a coalizão - muitas das quais, como esta última, carecem totalmente de peso no âmbito militar. Washington está publicando a lista de países que o apóiam numa tentativa de enfrentar a oposição internacional à guerra e minimizar a derrota diplomática que sofreu no Conselho de Segurança da ONU em seu pedido de apoio à intervenção no Iraque. Tonga, que faz parte da Comunidade Britânica - formada pelas ex-colônias do Império britânico - não possui forças armadas e só em 1970 obteve independência da Grã-Bretanha. A pequena ilha de aproximadamente 800 km2, localizada a nordeste da Nova Zelândia, tem pouco mais de 100.000 habitantes, de origem polinésia. A nação foi notícia quando o rei Tupou IV foi vítima de um golpe financeiro perpetrado pelo norte-americano Jesse Bogdonoff, que resultou na perda de cerca de € 21 milhões para a empobrecida economia do reino. Plantando terroristas. Soldados norte-americanos e milicianos da União Patriótica do Curdistão (PUK) - grupo aliado dos Estados Unidos e que tem controle sobre parte do norte do Iraque - perderam para o grupo fundamentalista Ansar al-Islam o controle sobre alguns povoados da região entre Halebja e a fronteira com o Irã. A agência de notícias Anadolu informou que a coalizão perdeu o controle da faixa de território iraquiano ocupada pelo Ansar al-Islam, um grupo acusado pelos Estados Unidos de manter vínculos com a organização extremista Al-Qaeda. Fome e guerra. Centenas de pessoas, famintas e com sede, praticamente assaltaram um caminhão com alimentos em uma zona próxima a Safwan, a um quilômetro da fronteira com o Kuwait. Hoje, assim como na quarta-feira, houve graves problemas de organização para distribuição de alimentos. A multidão atacou os quatro caminhões que fazem parte do segundo comboio de ajuda humanitária que chega ao Iraque desde o início da guerra. As caixas com água, alimentos, sucos, frutas e leite acabaram rapidamente. Soldados do Exército britânico acompanhavam o comboio mas não intervieram. O chefe dos inspetores do desarmamento do Iraque, Hans Blix, voltou a confessar-se "desiludido" pela interrupção prematura da sua missão, reconhecendo, porém, que pouco podia fazer-se, porque "no final de janeiro, os norte-americanos perderam a paciência". Numa entrevista ao diário britânico "The Guardian", Blix reiterou a sua convicção de que os esforços para desarmar o regime iraquiano foram interrompidos muito cedo e deveria se ter tido mais paciência. "Embora, nos meus relatórios, falasse de progressos e destacasse aspectos positivos, penso que, desde o final de janeiro ou início de fevereiro, (os norte-americanos) foram se inclinando para outra conclusão", disse. "Triste" e decepcionado, lamenta que as inspeções, fosse por que razão fosse, não tivessem resultado, mas insiste em que o tempo para agir e terminá-las com sucesso foi escasso. "(Os norte-americanos) - disse concluindo - queriam uma garantia absoluta de que os iraquianos tinham armas de destruição maciça", algo que era difícil de conseguir. O site da rede de TV árabe Al-Jazeera, baseada no Catar, foi invadido por hackers. Alguns internautas que visitavam o site foram desviados para um site pornográfico, enquanto outros encontraram uma página com a bandeira americana e a mensagem "Let Freedom Ring" (Deixe a Liberdade Soar). O site da Al-Jazeera, em inglês e árabe, tem sofrido interrupções desde que a TV mostrou imagens de soldados americanos e britânicos mortos e prisioneiros de guerra no Iraque. A direção da emissora classificou o ataque eletrônico como um "atentado cruel à liberdade de imprensa". A Al-Jazeera é considerada a organização jornalística mais influente do mundo árabe. O secretário de Estado americano, Colin Powell, chegou a acusar a Al-Jazeera de retratar a invasão ao Iraque de forma negativa e de exagerar as conquistas militares iraquianas. Os alfinetes com a pomba da paz usados por alguns artistas no Oscar 2003 foi uma criação do joalheiro Henry Dunay, com custo de $1.100 dólares cada o equivalente a R$ 3.732,00 , feitos sob encomenda pela recém-criada ONG Global Vision for Peace e distribuídos para 150 indicados e apresentadores. Até ontem, eu achava que os artistas de Hollywood poderiam tomar três poscionamentos: (I) Ser a favor da guerra; (II) Ser contra a guerra; (III) Não se pronunciar sobre a questão ou simplesmente alienar-se completamente do mundo. No time dos defensores da política criminosa de Bush, estão, entre outros, Arnold Schwarzenegger, Tom Cruise e Steven Spielberg. Devem estar ganhando bem para isso. Já no time dos humanistas, uma lista quase infinita de celebridades. Destaque para o cineasta norte-americano Michael Moore e a atriz Susan Sarandon e seu marido Tim Robbins. O que eu não esperava
- tâo ingênuo - é um quarto tipo de posicionamento,
tipicamente hollywoodiano. Ana Maria Bahiana, em seu mais recente artigo
publicado na BBC
Brasil, me passa a impressão de que alguns artistas
estão analisando qual será o melhor posicionamento em termos
de imagem. Sim, porque pouco importa quantas vidas estão sendo perdidas,
ou se uma jihad islâmica mundial está sendo convocada
por Bush. O importante é ficar bem para o público.
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