Uma
visão consciente da guerra
Análises do jornal Consciência.Net acerca do cenário internacional |
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Segunda, 24 de março de 2003
Brilhante. O Iraque está sendo atacado pelos Estados Unidos não porque tenha armas de destruição em massa, mas, exatamente, porque não as tem. A avaliação foi feita por Geraldo Cavagnari, pesquisador do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ler Uma empresa britânica negou hoje ter vendido explosivos ou qualquer tipo de armas ao Iraque, depois que as forças da coalizão encontraram em Basra, no sul iraquiano, caixas com detonadores de granadas que traziam o nome da companhia Wallop Defense Systems, cuja sede fica em Hampshire, no sul da Inglaterra. A empresa atribuiu o achado a um furto ocorrido no Kuwait há 13 anos. O material foi encontrado perto de outras caixas com mísseis, foguetes e vários tipos de munição. Indonésia. Gritando "enforquem George Bush" e "Bush é um vampiro", cerca de 200 ativistas tentaram invadir hoje a sede do Parlamento, em Jacarta. Foram dispersados pela polícia e alguns deles acabaram presos. Pouco depois, o Movimento da Juventude Islâmica lançou um ultimato aos americanos que vivem em território indonésio: "Vocês têm dois dias para sair da Indonésia, caso contrário serão expulsos pela força." A Indonésia é o país com maior população muçulmana do mundo. Mais protestos. O Bush é tão abjeto que conseguiu que Saddam, um sunita que nunca ligou para religião (apenas a usa oportunamente), fosse aclamado por milhões de muçulmanos que, em seu nome, convocaram uma jihad islâmica multinacional. Quem vai pra linha de frente do exército dos aliados? Americanos "da gema"? Você realmente acha que cidadãos que comem no méqui donaldis e bebem Coca-Cola têm força para lutar contra um país que está em guerra há 23 anos? Há oito anos, um adolescente guatemalteco de 14 anos atravessou o solo mexicano para chegar aos Estados Unidos em busca de uma vida melhor. Em seu novo país, conseguiu uma família adotiva, foi à escola secundária e se alistou na Marinha em gratidão à nação que o acolheu. Na sexta-feira passada, o cabo José Gutiérrez, de 22 anos, se converteu na primeira baixa da guerra no Iraque ao morrer em um enfrentamento na cidade portuária de Umm al Qasr. Jovens que tentaram escapar dos guetos negros americanos ou da pobreza latino-americana estão entre as primeiras vítimas das Forças Armadas americanas que combatem no deserto iraquiano. Entre os negros cujos filhos engrossam as fileiras da campanha bélica está Anecita Hudson, a mãe que ontem reconheceu seu filho Joseph entre os prisioneiros de guerra capturados pelas tropas iraquianas. Joseph entrou para o Exército para poder pagar os estudos. Patrick Miller, de 23 anos, residente em Park City, no Kansas, e que já tem dois filhos é outro dos prisioneiros de guerra em mãos dos iraquianos. Outro desses casos é o do sargento Kendall Watersbey, morto em combate aos 29 anos, que nasceu no gueto negro de Baltimore e se alistou entre os marines quando sua primeira mulher ficou grávida. "Ele queria um trabalho que desse um futuro para sua família, para seu filho", contou o pai de Kendall, Michael, que hoje reagiu indignado contra o presidente George W. Bush diante das câmeras de televisão. "Sem-vergonha. Com sua guerra, você levou meu filho", disse Michael, ao ser entrevistado pela TV. Os soldados negros ou das minorias étnicas constituem a grande maioria das forças americanas, pois alistar-se na Marinha é uma forma de fugir da pobreza. A jornalista Ana Paula Padrão anunciou, na quarta passada, os "melhores momentos da Guerra do Golfo", em 1991. A Agência Estado tem uma matéria de título "Caça ´invisível´ é destaque de ofensiva". No sábado, um repórter interessado em saber se haveria novos bombardeios em Bagdá, parecidos ao que atingiu 19 alvos na cidade, na sexta-feira, perguntou “quando será o próximo show". Qualquer semelhança com um espetáculo esportivo é mera coincidência. Este tipo de cobertura da imprensa deixa o meu QI (Quociente de Indignação) num nível perigosamente alto. Diante disso, sabe aquele palavrão que cita as senhoras que venderam o corpo no passado e que entraram em trabalho de parto? Nada contra elas, mas considere dito. O amigo e jornalista Paulo César - o PC - constata, de acordo com a cobertura da imprensa: Só soldados americanos e britânicos têm mãe. É nessas horas que eu queria estar fazendo estágio na Al Jazira. A sede da rede fica no Catar. Que ama os Estados Unidos. Que não ama os muçulmanos. Que ama a Al Jazira. Que não ama os Estados Unidos. Que não ama ninguém. A difusão pela TV Al-Jazira de imagens de soldados anglo-americanos mortos ou prisioneiros criou uma grande tensão entre os jornalistas da rede e os comandantes da coalizão. A sala reservada à Al-Jazira na base de As Sayliyah, dentro do comando das forças aliadas no Catar, se parece cada vez mais com uma trincheira sitiada em território inimigo. "Estou desgostoso pela imagens difundidas. Alguém deverá responder por isso", afirmou ontem, em referência à Al-Jazira, o general John Abizaid, braço direito do general Tommy Franks. Dentro do espaço reservado à emissora, no entanto, no dia seguinte à veiculação das imagens não parece haver muita preocupação. "Fazemos nosso trabalho, estamos em uma guerra", afirmam os jornalistas e técnicos da TV a cabo mais assistida no mundo árabe. Milhares de exilados iraquianos
retornaram da Jordânia para o Iraque, muitos deles dizendo que
querem defender seu país contra os invasores norte-americanos e
britânicos. Dados mostram que 5.284 iraquianos cruzaram a fronteira
no deserto para o Iraque desde 16 de março, afirmou o coronel Ahmad
al-Hazaymeh, diretor do posto fronteiriço jordaniano Al-Karama.
Esther Hamburger, antropóloga e professora da ECA (Escola de Comunicação e Artes), USP (trechos de texto publicado no jornal Folha de São Paulo): "Nunca se viu tamanho descolamento entre governos, mídia e a vontade popular como se verifica na atual cobertura da guerra no Iraque. As grandes manifestações pacifistas realizadas em Londres e em Nova York no último fim de semana mereceram pouca ou nenhuma atenção das emissoras internacionais de notícia. Presas da cobertura in loco, as redes BBC e CNN permaneceram 24h no ar com notícias, imagens e comentários sobre os movimentos bélicos no Iraque, ignorando o apelo dos milhares de cidadãos que foram às ruas de várias cidades para deixar claro ao mundo que não concordam com a iniciativa de seus governos. Uma fugaz reportagem da CNN sobre a imensa passeata convocada pelos parentes das vítimas dos atentados de 11 de setembro no World Trade Center, em Manhattan, deixou claro o desejo dos manifestantes. Perguntada sobre a razão de sua participação, uma americana explicitou: "Queremos que vocês coloquem no ar, para o mundo inteiro ver, que não concordamos com esta guerra". O pedido foi em vão. Um verdadeiro fosso vai se criando entre a cobertura tendenciosa dos acontecimentos pela mídia e a opinião pública. Somos brindados cominformações oficiais. Comandantes em seus uniformes de guerra fazem relatórios sobre os avanços das tropas dentro do território iraquiano. Jornalistas que acompanham batalhões de seus países não têm muito como produzir informações isentas. As imagens distanciadas,
de câmera parada e planos gerais da Bagdá em chamas, colunas
de fumaça que sobem, lembram as imagens dos atentados ao World Trade
Center. Lá, como cá, não vemos os "detalhes" dos estilhaços,
corpos, feridos. Como se a alta tecnologia fosse capaz de produzir guerras
sem ferimentos. A exceção fica por conta de imagens, também
raras na TV brasileira, produzidas pela Al Jazeera, canal árabe,
fonte de informação do lado de lá".
Bombas estudiosas em recuperação. Um míssil norte-americano atingiu na noite deste domingo um ônibus de sírios civis próximo da fronteira com o Iraque, matando cinco pessoas e ferindo outras dez, informou hoje uma agência de notícias síria. O ônibus, que transporta sírios entre os dois países, foi atingido em território iraquiano. A Síria é contra a guerra e reiterou recentemente sua posição de resolver o conflito de forma pacífica. O Comando Central dos aliados disse que as tropas norte-americanas não atacam civis e que seus objetivos militares são selecionados com muito cuidado e com mísseis de alta precisão. Bombas repetem de ano. Outros dois mísseis Tomahawk norte-americanos caíram no domingo na Turquia por causa de problemas técnicos, confirmou o Pentágono. Segundo o major James Gassella, os mísseis caíram em uma zona não habitada e ninguém ficou ferido. O primeiro míssel a 100 km da fronteira com a Síria. Três horas depois, o segundo míssil caiu a 200 km de distância do primeiro. Os americanos contrários à guerra contra ao Iraque que se manifestaram nas ruas de várias cidades americanas, durante o fim de semana, denunciaram duramente os meios de comunicação, e particularmente a televisão, pela cobertura do conflito. Em Los Angeles, participantes de uma marcha carregavam cartazes com a inscrição “CNN, Censorship New Network”, ou “rede de censura de notícia”. Em Nova York, onde cerca de 200 mil pessoas participaram de manifestações em favor da paz, muito criticaram a “glorificação” do conflito pelos repórteres que acompanham as tropas e pelos vários ex-generais e ex-oficiais americanos contratados para analisar o avanço das tropas. Os repórteres das redes de televisão, como David Blum, da NBC, mal disfarçaram sua excitação ao apresentar seu relato sobre o avanço da divisão de infantaria blindada em território iraquiano, do topo de um tanque Abrams, na primeira noite da invasão. “Como jornalista, procurou manter minha independência, mas como cidadão, posso dizer que os relacionamentos com os nossos soldados e o tratamento que eles nos tem dado é espetacular”, disse Blum. Veteranos, como Ted Koppel, da rede ABC, apresentaram reportagens claramenrte sentimentais sobre os soldados, imagens mostrando as fotografias de família e outros objetos de estimação que carregam consigo no campo de batalha. Show de horror. Alguns jornalistas que cobrem a guerra no Pentágono não escondem seu aparente entusiasmo com a guerra. No sábado, um repórter interessado em saber se haveria novos bombardeios em Bagdá, parecidos ao que atingiu 19 alvos na cidade, na sexta-feira, perguntou “quando será o próximo show”. Mais da metade dos sul-coreanos acredita que é alta a possibilidade de um conflito militar entre a Coréia do Norte e os Estados Unidos, de acordo com uma pesquisa publicada na segunda-feira. A opinião pública pesquisada pela empresa FN Research mostrou que 48,8 por cento dos entrevistados vê uma possibilidade "relativamente alta" de um confronto armado por causa das ambições nucleares da Coréia do Norte, enquanto 7,5 por cento afirmam que a hipótese de guerra é altamente provável. A margem de erro da pesquisa é de 2,1 por cento. Empresas americanas com ligações políticas com o governo do presidente George W. Bush encontram-se entre as candidatas à reconstrução do Iraque, informou hoje o jornal The New York Times. Apesar de a guerra ter começado poucos dias atrás, Washington já começou a elaborar seus planos de reconstrução por meio de licitações secretas de companhias americanas para fechar contratos. A decisão de convidar
apenas companhias americanas para a licitação, segundo
o jornal, aprofundou as divisões internacionais relacionadas com
a guerra no Iraque. Calcula-se que a reconstrução custará
entre US$ 25 bilhões e US$ 100 bilhões. Leia texto
do Verissimo sobre o assunto.
Mostrar prisioneiros de guerra na televisão, como fizeram americanos e iraquianos, pode significar uma violação da Convenção de Genebra, segundo o comitê internacional da Cruz Vermelha. No entanto, alguns especialistas observam que as filmagens de soldados iraquianos que se entragaram também podem não estar de acordo com a Convenção. Uma porta-voz da Cruz Vermelha, Nada Doumani, disse que prisioneiros de guerra não podem ser exibidos em público. As regras para tratamento de prisioneiros de guerra são rígidas, embora não haja consenso sobre quando elas devam ser aplicadas ou quando elas são violadas. A convenção que trata deste assunto data de 1864 e recebeu a última emenda em 1949. Ela foi assinada por 189 países e estabelece direitos humanos básicos para os prisioneiros. O comitê internacional da Cruz Vermelha é responsável por visitar prisioneiros e verificar se o país que os capturou está obedecendo às regras. Segundo Amanda Williams, da Cruz Vermelha em Londres, a prioridade para a sua organização é ter acesso a prisioneiros dos dois lados. O presidente do Iraque, Saddam Hussein, fez um chamado ao "bravo e heróico" povo iraquiano num pronunciamento aparentemente ao vivo na televisão de seus país. Saddam, vestido num uniforme militar verde oliva e lendo um roteiro, disse que a vitória sobre as forças americana e britânica está próxima, informou a BBC. Seu discurso - o segundo
desde o começo da guerra - foi feito no momento em que as tropas
iraquianas apresentam uma forte resistência ao avanço de americanos
e ingleses sobre Bagdá. Saddam disse que o Iraque é um país
corajoso e merece a ajuda de Deus.
Homenagem à Paz.
Em meio à guerra, o Consciência.Net
pede passagem e faz uma homenagem à paz. Para começar bem,
vamos transcrever 28 pensamentos de Mahatma Gandhi, um pacifista muito
citado e pouco lido. Alguns destes aforismos irão dar uma noção
exata do que Gandhi queria para o mundo - mas não chegaremos nem
perto de conseguir passar tudo o que este notável político
religioso pensava.Ler
US$ 80 bi. A Casa Branca calcula que, no momento, necessitará de cerca de US$ 80 bilhões para fazer frente aos custos da guerra - na primeira estimativa da administração do presidente George W. Bush. Do total, US$ 60 bilhões seriam para a cobrir os gastos com combates e os primeiros meses de reconstrução, informa a agência Estado. O restante se destina a outros países da região, como Israel, Egito e Jordânia, à ajuda humanitária e ao recém-criado Departamento de Segurança Interna, voltado para a luta antiterrorismo. Titanic. A apresentação do pedido ao Congresso ocorre num momento difícil para a economia norte-americana. O déficit federal alcançou em fevereiro o recorde mensal de US$ 93,6 bilhões e a Casa Branca prevê encerrar o ano fiscal, em 30 de setembro, com um déficit recorde de US$ 304 bilhões. Oscar. Entre os artistas que decidiram aparecer para as câmaras, muitos aproveitam para protestar contra a guerra. A atriz Susan Sarandon e o marido, o diretor e ator Tim Robbins, fizeram com os dedos o sinal "V" da paz. O astros de O Senhor dos Anéis, Andy Serkis, trouxe um cartaz com a inscrição "No War foi Oil" (algo como "Guerra por Petróleo, Não"). O diretor espanhol Pedro Almodóvar chegou exibindo um broche na lapela que reproduz a pomba da paz de Pablo Picasso. A única saída,
pelo que parece, seria os norte-americanos apoiarem a campanha já
iniciada de impeachment de Bush, que teoricamente acredita que deve
jogar bombas em um país para, subitamente, BUM!, obter-se
democracia instantânea. Mais prático que Miojo.
A entrega do Oscar, no domingo, teve algumas referências à guerra liderada pelos Estados Unidos contra o Iraque, nenhuma mais contundente que a do cineasta norte-americano Michael Moore, que chamou George W. Bush de presidente "fictício", ao receber o prêmio de melhor documentário por "Tiros em Columbine". Moore convidou colegas documentaristas para receber o prêmio com ele no palco porque "nós gostamos de realidade e nós vivemos em tempos fictícios". "Nós vivemos em um tempo onde nós temos resultados eleitorais fictícios que elegeram um presidente fictício", disse, referindo-se à confusão na apuração da eleição presidencial de 2000, entre Al Gore e George W. Bush. "Nós vivemos em uma época onde nós temos um presidente que nos manda para uma guerra por motivos fictícios, seja a ficção da fita adesiva ou a ficção de alertas laranjas. Nós somos contra esta guerra, senhor Bush, vergonha, senhor Bush, vergonha e a qualquer momento você", dizia, no momento em que teve seu microfone cortado para a entrada da música. As informações são da agência Reuters. Estou começando a achar que estas bombas norte-americanas são não só inteligentes, como têm também PhD em Harvard e pós-graduação na França. A Reuters comunica: Dois mísseis de cruzeiro Tomahawk erraram o alvo e caíram em uma área despovoada da Turquia no domingo, disse uma autoridade do Ministéio da Defesa dos Estados Unidos. "Dois mísseis Tomahawk falharam e caíram em uma área despovoada na República da Turquia. Não há indicações de feridos", disse a autoridade. O incidente ocorreu às 17h15, horário de Brasília. O Irã foi a última vítima dos erros norte-americanos e comenta-se que será também a próxima vítima, juntamente com a Síria, a Coréia do Norte e o que resta do Afeganistão. A cidade de Basra, no
sul do Iraque, pode enfrentar um desastre humanitário, de acordo
com alerta feito pela Cruz Vermelha. O fornecimento de água e eletricidade
da segunda maior cidade iraquiana – com dois milhões de habitantes
– teria sido cortado há mais de dois dias, informa a BBC. Os iraquianos
dizem que 77 pessoas morreram e mais de 300 ficaram feridas nos ataques
a Basra, mas fontes militares britânicas negam a informação.
Hipocrisia. O presidente George W. Bush ameaçou levar à Justiça por crimes de guerra todos os iraquianos que maltratarem prisioneiros americanos. O alerta foi a resposta do líder americano à exibição de interrogatórios com soldados americanos – quatro homens e uma mulher – sobre a sua participação na guerra, além da transmissão de imagens de corpos de soldados descritos como americanos mortos em batalha, informa a BBC. O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, também condenou a atitude dos iraquianos, classificando a exibição das imagens como "uma violação flagrante da Convenção de Genebra". Sem comentários. O ministros da Defesa do Iraque, Sultan Hashim Ahmed, se defende dizendo que os prisioneiros de guerra americanos não serão maltratados. Suspeitam. Aparentemente. Possivelmente. Acreditam ter econtrado. Alegam. Nada disso confirma nada. E foram as únicas palavras usadas pela imprensa para indicar que se encontrou uma fábrica de armas químicas - e não as armas em si, é importante dizer - no Iraque neste domingo. Vamos ver no que dá. "Os Estados Unidos informaram no domingo que houve relatos de algumas forças iraquianas com armas químicas próximas à cidade de Kut, cerca de 170 quilômetros ao sudeste de Bagdá". Começa assim uma notícia da Reuters. Lá pro meio, escondido, vem a continuação: "Não ficou claro de imediato de onde vinham os relatos". Uma autoridade militarnorte-americana disse hoje: "Não tenho dúvidas de que encontraremos armas de destruição em massa, mas vocês não devem pensar que isso vai acontecer amanhã". Quando interessa, eles costumam chamar urubu de meu loiro e tá tudo bem. O secretário de Destruição Étnica dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, criticou neste domingo a retransmissão das imagens geradas por satélite mostrando os prisioneiros norte-americanos na guerra do Iraque. Ele disse que as tevês não estão cobrindo de forma adequada os conflitos. Fomos olhar no dicionário. Cobrir significa tapar, ocultar, esconder, dissimular, disfarçar. Não é que ele está certo? Um funcionário da rede Al-Jazeera no Qatar defende a decisão de transmitir as imagens dos prisioneiros norte-americanos lembrando que os Estados Unidos não podem citar as convenções das Nações Unidas se estão promovendo uma guerra sem a aprovação das Nações Unidas. "Todos os países
do mundo deveriam obedecer as convenções das Nações
Unidas. Você não pode escolher qual convenção
seguir e qual convenção desobedecer", disse o funcionário
que pediu para não ser identificado. "Estamos fazendo noso trabalho
profissional: transmitir as novidades".
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