Uma
visão consciente da guerra
Análises do jornal Consciência.Net acerca do cenário internacional |
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Domingo, 23 de março de 2003
Um míssil Patriot derrubou um avião britânico perto da fronteira entre o Iraque e o Kuwait neste domingo, confirmaram autoridades militares britânicas. Não há informação sobre a tripulação britânica nem quantos eram, disse o capitão AL Lockwood, porta-voz das forças britânicas no Golfo Pérsico. Faz muito sentido. Vejam que pérola achei em um noticiário na Internet: "O nome do acusado não foi divulgado e ele ainda não foi formalmente acusado". Afinal, ele é ou não é acusado?! Suicídio norte-americano. Os líderes do mundo árabe e muçulmano enfrentam neste domingo as iradas manifestações de seus cidadãos em protesto contra a guerra liderada pelos Estados Unidos contra o regime iraquiano. Neste domingo, o jornal ad-Dustour, de Amã, a capital jordaniana, publicou em sua primeira página uma foto do canal de televisão árabe Al-Jazira de um menino iraquiano com a cabeça ferida. Os muçulmanos extremistas exigem uma guerra santa (jihad) contra o Ocidente e novas ações terroristas, além da ruptura das relações diplomáticas com os EUA e o boicote contra os pordutos americanos e britânicos. Milhares de pessoas que gritavam "Morte aos EUA!" encheram as ruas de várias cidades do mundo islâmico, incentivados pelos sernões de seus imãs e outros líderes religiosos. Carochinhas norte-americanas. Os Estados Unidos acreditam que técnicos russos estão ajudando o Iraque a bloquear sinais por satélite, necessários para guiar bombas e aviões norte-americanos e britânicos, afirmou neste domingo um funcionário do governo dos EUA. Segundo ele, Washington teria provas de que funcionários de uma companhia russa estão no Iraque tentando estabelecer um sistema que interfere na tecnologia de posicionamento global norte-americano. "O sistema é complexo e há provas que eles (os técnicos russos) estão tentando desenvolver o sistema e ensinar os iraquianos a operá-lo", disse o funcionário anonimamente. Ele afirmou que não há indicações de que o governo russo esteja envolvido nos esforços, mas declarou que Moscou não está colaborando o suficiente com os EUA. O Departamento de Estado
protestou hoje contra a Rússia por não ter bloqueado
as vendas de armas e material militar ao Iraque. Essas vendas, divulgadas
hoje pelo jornal The Washington Post, foram objeto de reclamações
dos EUA em várias ocasiões. Segundo o jornal, os EUA pediram
a Moscou que controle as operações de venda das empresas
fabricantes de armas, que nos últimos anos venderam ao Iraque mísseis
antitanque e sistemas individuais de visão noturna. Uma porta-voz
do Departamento de Estado, Brenda Greenberg, disse que o governo está
preocupado por essas vendas de armas e material militar, especialmente
de elementos de alta tecnologia que podem "representar uma ameaça
autêntica" às forças norte-americanas que combatem
no Iraque. [Agestado]
Você tem estômago forte? Não somos a favor, que fique claro, deste tipo de violência midiática, mas há fotos que precisam ser mostradas para quem ainda não caiu na real sobre o que é de fato uma guerra. O que representa toda a sua crueldade. Então advertimos, sinceramente, que apenas pessoas que precisem de uma noção exata do que acontece com civis atingidos pelo conflito cliquem aqui. As redes de tevê dos Estados Unidos aceitaram neste domingo promover uma autocensura e não divulgar imagens de soldados norte-americanos mortos ou capturados pelas forças iraquianas como havia pedido o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld. As imagens foram mostradas hoje pela tevê iraquiana e retransmitidas pela rede por satélite árabe Al Jazira. As redes norte-americanas se submeteram ao pedido de Rumsfeld, e apenas a CBS chegou a transmitir poucos segundos de um interrogatório de um soldado dos EUA enquanto entrevistava o chefe do Pentágono no estúdio. Diante dos sinais de forte resistência iraquiana em vários pontos do país e das primeiras más notícias da invasão, Bush e membros do gabinete e do comando militar procuraram preparar os norte-americanos para um conflito mais longo e mais difícil do que sugeriam as primeiras imagens do campo de batalha e a expectativa de um rápido colapso do regime iraquiano, criada por pronunciamentos da administração, pelos relatos dos jornalistas que cobrem o conflito e pelos ex-generais e outros oficiais reformados que atuam como analistas da guerra nos vários canais de televisão norte-americana. [Agestado] Protestos não
cessam.
O jornalista australiano Phillip Knightley publicou um livro em 1975, A Primeira Vítima. Com atualizações que hoje incluem a guerra do Golfo de 1991 e a guerra da Bósnia, tornou-se um clássico da história das coberturas de guerra. A seguir, parte da entrevista dada à BBC de Londres: "Para mim há dois planos distintos para a cobertura desta guerra. O primeiro é que esta vai ser a guerra com a mais ampla cobertura já vista. Quase mil correspondentes de guerra foram enviados para o Golfo. Só a CNN tem um orçamento de US$ 125 milhões para gastar na cobertura da guerra. E eles querem mostrar tudo ao vivo, em tempo real. O segundo plano é que a mídia vai ser monitorada de perto, alimentada com muito material e pouca informação. Não vai haver cenas de violência ou de sangue, de soldados americanos ou britânicos sendo mortos ao vivo na televisão, ou de civis iraquianos mortos nas ruas de Bagdá, ou homens incinerados em tanques queimados, porque desse jeito é difícil de manter o entusiasmo por uma guerra. O primeiro plano é obviamente o da mídia. O segundo, o dos militares, não importa o lado. E eles são irreconciliáveis". E continua: "Tudo funciona de uma forma muito simples: os militares têm este plano que se chama monitorar a mídia em tempo de guerra e o que eles fazem é negar acesso aos repórteres às histórias que eles querem escrever. Um excelente exemplo foi a guerra das Malvinas (Falklands). A guerra aconteceu há 19 mil quilômetros da Grã-Bretanha. Os jornalistas não podiam chegar lá, a não ser que os militares os levassem. E seis semanas depois, quando você finalmente chegava lá, estava identificado com as pessoas com quem estava viajando e vivendo durante aquele tempo todo e havia muito menos possibilidade que você fosse relatar o comportamento deles de forma crítica. A bordo de navios militares e usando o sistema de comunicação militar, era muito difícil escrever algo crítico". Knightley afirma que
os militares dos Estados Unidos têm, entre suas funções,
uma operação chamada Psyops - composta de manipulação
de informação militar e operações psicológicas.
Na prática, o que acontece é que os militares encarregados
de Relações Públicas, cuja função tradicional
era falar com a mídia e divulgar com alguma veracidade aquilo que
eles eram capazes de revelar sobre o que estava acontecendo no campo de
batalha, agora trabalham juntamente com as equipes de "operações
psicológicas", cuja função é ajudar nas operações
de combate usando desinformação.
Um avião da Royal Air Force desapareceu na madrugada deste domingo, depois de completar uma missão operacional no Golfo Pérsico. A informação foi dada por um porta-voz do Ministério da Defesa da Grã-Bretanha, que não esclareceu, entretanto, nem o tipo da aeronave nem o local exato onde ela teria desaparecido. Informações não confirmadas atestam que um míssil Patriot norte-americano pode ter causado a queda. O desaparecimento do avião ocorre um dia após a colisão entre dois helicópteros Sea King da Marinha Real sobre o Golfo Pérsico que matou sete militares, sendo seis britânicos e um americano. Quatorze soldados britânicos já morreram desde o início das ações militares contra o Iraque. [Agestado] Militares norte-americanos no Consciência.Net? Nosso contador oficial mostra de que países nossos visitantes vieram. Se a terminação é .pt, por exemplo, veio de Portugal; .jp, Japão. Além disso, há terminações específicas, como .edu (universidades dos Estados Unidos). Os militares norte-americanos também têm terminação própria. E nós recebemos uma visita deles: .mil (USA Military). Até agora, nenhum bombardeio por aqui. Padrão Globo de
jornalismo. Na quarta-feira, um dia antes do início oficial
da guerra, a conceituadíssima jornalista Ana Paula Padrão
apresenta no Jornal da Globo: "Vamos ver agora os melhores momentos da
guerra do Golfo". Brilhante. Nem a Tiazinha faz melhor.
O partido governista do Iraque, Baath, elogiou as manifestações mundiais contra a guerra conduzida pelos Estados Unidos, classificando-a como um "suicídio histórico." A informação foi dada no domingo pelo canal de TV estatal do Iraque. A emissora transmitiu o que disse ser um comunicado do partido Baath, chamando os manifestantes de verdadeiros representantes da democracia. Forças norte-americanas no Iraque ainda não encontraram provas sobre as supostas armas químicas e biológicas que deram motivo à invasão, segundo declarou um general dos Estados Unidos no sábado. O general Stanley McChrystal, vice-diretor de operações da Estado Maior dos Estados Unidos, também disse em uma entrevista que nenhum dos mísseis usados pelo Iraque até agora na guerra havia sido um Scud. "Que eu saiba, não encontramos nenhum (míssil Scud) até agora", disse McChrystal. "Scuds ainda não foram lançados, o que é muito positivo. Até agora, não encontramos esconderijos de armas de destruição em massa", completou. O Iraque diz que destruiu todos os seus estoques de armas químicas e biológicas. E se for verdade? Bush dirá: "Oops..." É bom lembrar. O presidente norte-americano, George W. Bush, e seu aliado, o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, acusam o Iraque de ter violado as resoluções e dizem que o presidente Saddam Hussein poderia fornecer armas de destruição em massa para grupos terroristas como a rede Al-Qaeda, de Osama bin Laden. Estupidez. A afirmação
de que Saddam teria ligações com Bin Laden é de uma
estupidez sem tamanho. Só um ignorante completo acredita nisso.
Para deixar claro: no Iraque existem basicamente três povos: xiitas
(sul), sunitas (no poder) e curdos (norte). Os sunitas, grupo do Saddam,
são cerca de 14% da população iraquiana. Odeiam tanto
xiitas quanto curdos, e também não gostam de religião.
Já dizimaram algumas aldeias que representavam uma ameaça
a Saddam. O alinhamento de Saddam, sunita, com Bin Laden, fundamentalista
islâmico, é uma piada sem boas intenções. Um
desafio à inteligência do povo norte-americano e de alhures.
Farsa? Enquanto o exército americano afirmava ter conseguido importantes vitórias em solo iraquiano, o canal de TV libanês Al Manar dizia, neste sábado, que as forças dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha estavam retrocedendo no sul país, "humilhadas pela forte resistência do povo iraquiano". "É uma verdadeira guerra de informação, mas tendo a acreditar nos canais árabes, que têm contatos nessas cidades e podem confirmar as informações. A imprensa estrangeira acredita em tudo o que o governo americano diz", afirmou à BBC Brasil o engenheiro aposentado Fouad Abdel Rahman, de 60 anos. "Prefiro a TV árabe porque ela reflete bem o sentimento do povo da região. Os canais estrangeiros querem ser imparciais, mas, no fundo, não são", disse Fouad, enquanto via pela TV Al Jazeera um grupo de iraquianos - crianças, adultos e idosos - cantando que lutariam até a morte para defender o presidente iraquiano, Saddam Hussein. "Você não vê isso nos canais americanos ou nos canais do Kuwait, por exemplo. Os canais americanos botam sempre os correspondentes e quase nunca pessoas normais (na tela)", acrescentou a esposa de Fouad, Soheir Mohammed, de 49 anos. [BBC] A maioria dos canais árabes, diz a BBC, dedica boa parte da cobertura ao drama humano das vítimas da guerra do lado iraquiano. O problema é que a maioria dos canais norte-americanos nunca faz isso. Penso que o ideal seria um meio termo entre estas coberturas. E não estou só. "A imprensa árabe dá mais destaque às conseqüências humanas da guerra, enquanto a mídia estrangeira dá muito destaque aos números e à parte logística", disse o jornalista da Somália Yussuf Mohammed, que está acompanhando o conflito do Cairo. Há outras diferenças. Enquanto canais não-árabes chamam as forças americanas e britânicas de "coalizão" ou "aliados", canais como o Al Manar falam em "tropas invasoras" ou "exército inimigo". Não se pode negar que quem está invadindo são os aliados, que tentam "eliminar" (expressão usada por Donald Rumsfeld) o exército inimigo O ministro da Informação do Iraque, Mohammed Saeed al-Sahaf, disse no domingo que os ataques aéreos da coalizão liderada pelos EUA em Bagdá atingiram áreas civis, destruindo várias casas. "Estas pessoas (militares dos Estados Unidos e Grâ-Bretanha) são criminosos de guerra. Estas pessoas atingiram áreas civis", disse Sahaf, apontando os destroços. "Dia após dia a natureza dos seus crimes são mais evidentes". Para não esquecer.
Um
correspondente da BBC na área norte do Iraque diz que combatentes
da União Patriótica do Curdistão devem atacar o Ansar
Al-Islam, que é acusado de "ligações" com a rede Al-Qaeda,
possivelmente com apoio americano.
Considerações
Gerais sobre a Guerra
Desculpem. Hoje não estou para ironias, gracejos, piadinhas ou jogos mentais com perspectivas intrigantes. Ao contrário dos que se impressionam com a tecnologia que será usada nos mísseis da guerra que se inicia hoje - segundo um repórter "80% dos mísseis são teleguiados e carregam um microchip de computador" - eu creio que eles vão dilacerar, esmagar e incinerar vidas humanas. Não há graça nisso, nem curiosidade tecnológica ou assombros de fascínio da sociedade ocidental com seu avanço. Hoje não vou escrever sobre um documento que Saddam enviou aos representantes políticos dos países árabes datado da década de 70 e que previa, com um grau incrível de acerto, a insânia que viria a ser efetuada por esse acéfalo macaquinho mimado das indústrias norte-americanas. Hoje não vou digerir alguma interpretação óbvia de que o presidente BU(ll)SH(it) está cercando o Irã com esses ataques consecutivos aos países vizinhos. Nem vou explicar a importância estratégica, petrolífera, ideológica e bélica do Irã. Ou mesmo provar que logo o nome do Presidente/ "ditador" do Irã (Mohammad Khatami) estará nas bocas do povo e o de Saddam será relegado a segundo plano, como foi o de Bin Laden. Hoje não quero explicar as essências do Medo, da Imortalidade ou qualquer outra perspectiva nova de vida, que faça o consciente.net relativizar sua existência e molda-la para resistir às pressões psíquicas do mundo. Porque hoje celebramos o anti-carnaval, onde festejamos o fim da carne, por petróleo. Quis crer que procurar o conceito de "Guerra" nos dicionários fosse me ajudar em alguma coisa, mas acho que serviria mais com um paralelo para "idiotia" ou "neurose". Esse último está num dicionário de psicologia como um "fracasso no cumprimento das tarefas fundamentais da vida" - ora, o que seria uma tarefa fundamental na vida de um indivíduo nascido numa família da alta roda das indústrias petrolíferas e cujo pai, imbuído do poder máximo do país mais rico e militarmente preparado do mundo, falhou miseravelmente em assassinar o ditador de um país mínimo no meio do nada? Autores na terapia do comportamento colocam as neuroses como falhas adquiridas na orientação. Não há dúvidas de que o beócio sequer sabe qual o lado de cima de um livro. Hoje não vejo mais necessidade de avaliar a negação de Bush, sua recusa em reconhecer a desagradável realidade de que sequer conseguiu uma diplomática desculpa esfarrapada para mimetizar os interesses de seus chefes, seu sentimento de inferioridade por reconhecer-se um completo inepto frente a outros chefes de Estado ou ao jogo político internacional. Hoje, como li um dia em lugar que agora não lembro, sou mais uma das "crianças loucas num mundo onde os normais constroem bombas atômicas". E nisso não há qualquer ironia, porque não há requinte, há uma completa necessidade de humilhar, destruir, mutilar, matar, o completo desapego à vida, porque entre os sinônimos de guerra, também consta "extermínio". Hoje quero imaginar o sangue jorrando pelo membro destroçado, um braço expondo veias, músculos e as brancas sombras do osso, um rasgo num estômago com todas as cores, desde o vermelho conhecido (e perdido em todo seu sentido, em sua profundidade) até o quase negro do intestino grosso, o aspecto granulado do pâncreas, a semelhança com carne de peixe que possui o fígado, um pulmão aberto por uma costela, a tentativa frustrante da respiração - em tosse rubra - por brônquios encharcados de sangue, um furo à bala que trespasse o rim, uma traquéia aberta com dedos sem força para estancar a iminência, uma íris perfurada por baioneta até o cérebro, um quadríceps mutilado até o escroto por estilhaços, bexigas e pênis sobre uma calçada qualquer com fiozinhos amarelados por ornamento, a contração dos músculos da face frente ao horror da iminência da morte, o rigor mortis, o suco gástrico ainda fresco invadindo o ambiente com um fedor insuportável, dentes e maxilares entre restos de fios de alta-tensão, encéfalo, nervos e medula como um escorpião sobre a areia, um tímpano estourado por um disparo próximo, nervos e membranas internas do aparelho auditivo estourados pela dor, geléia multicolor e fétida de pele e órgãos humanos sobre algum caco de parede, estilhaço de metal atravessando o pulso - que ainda pulsa? - cacos de granada rasgando a fina cobertura da testa, fazendo unhas, línguas e dedos dançarem pelo ar, vazias de corpo, o calor do napalm fazendo de todos os pêlos do corpo uma fumaça irrespirável de carbono queimado, uma "bomba de efeito moral" fazendo o alvo se esvair em merda e rir histericamente - teria também chorado? - enquanto a bala, a faca, a bomba, o míssil, estilhaço ou tanque passam por cima, passam por dentro, quero imaginar as falanges, tarsos, metatarsos, fíbula, tíbia, patela, fêmur, ísquio, púbis, sacro, carpo, metacarpo, ílio, ulna, rádio, coluna vertebral, úmero, costela, esterno, omoplata, clavícula e crânio iraquianos quebrados, rachados, imóveis, pulverizados, carbonizados. Hoje seria bom identificar o que é uma guerra e tirar da cabeça os vídeos de guerra que se assiste na janta como se fossem lançamentos de um novo CD do Playstation. Seria bom percebermos na figura do "presidente" norte-americano, eleito de forma anti-democrática num país que se julga o defensor da democracia, um anticristo mais demoníaco do que Hitler, Mussolini, Stálin, Gengis Khan, Vlad Tepes, Átila, ou mesmo do que o próprio anticristo de Nietszche, porque Paulo com todos os seus defeitos nunca foi tão inumano. Hoje acaba a
ONU. A Alemanha, a França e outros países votam um conselho
de defesa para a União Européia, mandando a OTAN para o espaço.
Hoje testemunhamos o fim da diplomacia e verificamos a encarnação
das palavras de Einstein: "Não sei como será a Terceira Guerra
Mundial, mas a quarta será travada com paus e pedras". Hoje não
tenho mais argumentos e me espanto desejando que, ao fim dessa insanidade
algo pare esse búfalo desgovernado, qualquer coisa. É impossível
argumentar com a racionalidade de uma samambaia, é impossível
argumentar com a família Bush, com Sharon ou Berlusconi. Estamos
diante de Hobbes e, contra esse medo, ainda não se rabisca no horizonte
um avatar da esperança. Hoje não sei da validade de se viver
frente a um Leviatã, qualquer que seja, ainda mais frente a um cowboy
brincando de fazer guerras nas quais ele não luta, frente a um covarde
determinado a suplantar sua vida de ostracismo e seu forte desejo de não
se identificar com o que é - uma marionete de interesses que ele
obviamente mal compreende - um líder de potência mundial que
mesmo depois de alçar ao cargo mais poderoso do mundo não
consegue se livrar das mesmas humilhações que muito provavelmente
sofria na infância com relação à sua debilidade
mental, não me vejo diante de uma guerra travada por um homem que
pretende destroçar, aniquilar e exterminar todo o mundo onde haja
interesses econômicos com os quais seus patrões se identifiquem
apenas porque, muito provavelmente, não gosta do que vê em
si mesmo.
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