Tag: ‘violência’

26/04/2012

Se eu fosse um morador de rua, tinha dançado

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(Foto: selusava/flickr)

São 01h30 da manhã de quinta-feira, foi agora há pouco. O bairro é de classe média, zona norte do Rio de Janeiro. A situação faz parte da minha semana: por vezes, pegar a bicicleta nesse horário para cumprir a rota de apenas 10 minutos entre a minha casa e a casa da minha família, da Tijuca a Vila Isabel.

No caminho, nesse horário, sempre a mesma companhia. Alguns mendigos, moradores de rua, catadores de papel, às vezes trabalhadores da prefeitura. Um cenário de tranquilidade.

Mas hoje, 26 de abril, foi um pouco diferente. Logo no início, paro no sinal ao avistar um carro, um gol prata. O carro, em vez de seguir, desacelera. Um homem, mais ou menos a minha idade (30 anos), começa a olhar pra mim. Um short e camisa velhas, usava eu. O rapaz parece alterado. Subitamente, se dirige a mim:

- Olha pra rua, seu otário. Porra! Otário! [entre outros xingamentos]

O primeiro momento é de susto. Mas o segundo é uma reação natural, minha, impensada: mereço respeito. Em vez de baixar a cabeça, continuo olhando pra ele e, sem falar nada, o encaro. Foi impensado, é certo. Deveria ter baixado a cabeça – estava sozinho, de madrugada, de bicicleta, enquanto ele parecia acompanhado de um amigo, parecia drogado, de carro. O objetivo evidente dele era, pensei, arranjar confusão.

Quando ele percebeu que eu não me humilhei após os insultos, ele parece ter ficado furioso. Eu sai em disparada. Ele parecia ter acelerado também, para dar a volta – que era, no entanto, maior do que ele gostaria que fosse.

Fiz o que todo ciclista com experiência de 20 anos naquela região faria: corri por ruas pequenas, sempre na contramão, sempre que possível próximo a condomínios fechados para o caso de ele aparecer. Foram alguns dos 10 minutos mais tensos dos últimos anos. Tive certeza, pelo olhar dele, de que seria capaz de me perseguir.

Trabalhando com direitos humanos há pouco mais de 10 anos, conheço muito bem o cenário. E sei exatamente o porquê da expressão de medo e terror que levam em seus rostos os mendigos, catadores, moradores de rua. Pela primeira vez, no entanto, eu mesmo era uma vítima em potencial.

E ainda há quem acredite que a violência está diretamente relacionada à pobreza, ao pobre. Não está: a violência é de classe. É de cima pra baixo. É a regra do jogo, com suas exceções.

Tive sorte nessa. Se eu fosse um morador de rua, tinha dançado. Não seria o primeiro nem o último.

(Foto: selusava/flickr)


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25/10/2011

Um dos sentimentos mais bonitos de nossa atual sociedade: a hipocrisia

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23/05/2011

Liberdade de expressão, cadê você?

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O primeiro episódio grotesco, desenvergonhado, por parte do Facebook, na Espanha:

Marcelo Vieira é lateral-esquerdo do Real Madrid (time conhecido por sua torcida fascista e por ter sido time do coração de Francisco Franco) e, até ontem, era dado como certo para disputar a Copa América e para os amistosos contra a Romênia e Holanda no começo do próximo mês. O corte na seleção seria algo normal se o jogador não tivesse se envolvido em uma polêmica recentemente por apoiar a causa palestina.

No dia 15 de maio, dia da Nakba, ou Grande Catástrofe, a criação oficial do Estado Nazi-Sionista de Israel, Marcelo postou em seu Facebook uma foto de um lutador palestino com a frase “My heart with Palestinian now as they fighting with Israel” ["Meu coração está com os palestinos em sua luta contra Israel", em tradução literal]. Foi o suficiente para que o Facebook DELETASSE o perfil de Marcelo Vieira depois de pressão de Sionistas.” (leia clicando aqui, dê seu apoio ao jogador clicando aqui)

O segundo:

“Minutos depois de liberar uma passeata em defesa da liberdade de expressão na avenida Paulista, a Polícia Militar atacou os manifestantes com bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha.” (leia clicando aqui e assista ao vídeo abaixo)

Se não houver uma vigilância e uma ação de baixo para cima, a liberdade de expressão será como as demais leis: uma conveniência para que está no poder.

* * *
MAPA DA VIOLÊNCIA 2011. Já está disponível clicando aqui.


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21/10/2010

Vídeo comprova como uma bolinha de papel pode ser perigosa #SerraRojas #boladepapelfacts

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Os petistas, malditos, argumentam que uma bolinha de papel não pode causar maiores danos. Para denunciar mais esta mentira contra a campanha tucana, com fins puramente eleitoreiros, divulgamos abaixo a prova definitivo de que uma bolinha de papel pode gerar, sim, muita violência.


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12/07/2010

Bruno e Macarrão, nossos bodes expiatórios de estimação

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Bruno, goleiro do Flamengo. Foto: www.atarde.com.brO caso do goleiro Bruno mostra algo de mais profundo, mais perverso, do que a simples trajetória de um garoto pobre que se perdeu.

Mostra que no sistema, com dinheiro, você tem muitos amigos, muitos “parceiros” e muito poder, exercido diariamente. Sem dinheiro, todos o abandonam e a “solidariedade” some, assim, de repente.

Algo está provavelmente errado com um sistema que possui o racismo, o machismo e o menosprezo por um ser humano – e não a solidariedade – como um valor maior. De “herói”, ele virou para a mídia um mero “produto social” – sociologizado, explicado e, finalmente, descartado.

Nada sobre quem lucra com Elizas e Brunos, impunes e elevados – na própria mídia – a meros mediadores desse sistema desumano. Nada sobre a responsabilidade dos dirigentes do Flamengo, do Estado que não fiscaliza todo o tipo de violência no futebol, dos atravessadores que estão, cada vez, mais ricos.

A culpa é, toda, do Bruno e do Macarrão. Danem-se, dizem em uníssono. E tapam os olhos, tentando esquecer o problema e seus co-responsáveis.

Como estratégia para essa argumentação, nada melhor do que a boa e velha demonização e individualização dos nossos problemas sociais.


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22/02/2010

O “monstro” da hipocrisia está à solta

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Violência e juventude: uma questão social. Foto retirada de reinoverde.blogspot.comO que eu, você, João Hélio e Ezequiel Toledo Lima temos em comum? Uma reflexão sobre a criminalização da infância e adolescência. Clique na imagem ao lado.


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