violência policial

No futuro, qualquer pessoa que discordar das autoridades vai ser presa por desacato à autoridade

Gustavo Barreto | 6 de julho de 2013 | Área(s): diario | Comentários (0)


E a culpa vai ser, indiretamente, de todos aqueles que acham isso normal e não se levantam contra as injustiças e o autoritarismo.

Assista no vídeo abaixo como a mídia tem participação na criação da realidade:

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Conceitos da nova polícia do Rio percebidos em um vídeo da OAB-RJ

Gustavo Barreto | 4 de julho de 2013 | Área(s): diario | Comentários (0)


  • Ladrão agora leva fotógrafo para registrar a sua ação criminosa;
  • “Mobilização social” e “luta por direitos” recebe agora o novo nome de “formação de quadrilha” e pode, portanto, ser enquadrado na legislação penal;
  • Manifestantes são inimigos em potencial que precisam ser interceptados e alvejados. Assim, difusamente;
  • Isso inclui advogados tentando resguardar o direito à reunião e manifestação pacífica;
  • Isso inclui pessoas dentro de suas casas, que deveriam deixar a polícia entrar sem mandado;
  • É um padrão consolidado, visto que ocorreu em 90% das vezes em que as pessoas tentaram exigir nas ruas direitos;
  • Esse conceito não pode ser observado na TV, apenas no YouTube;
  • Algumas pessoas — como sempre ocorreu, historicamente, em qualquer ditadura militar, acham isso normal.

O relato de membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ: “A PM montou uma emboscada. Iniciou o conflito atirando bombas, e depois encurralou as pessoas em fuga. Mesmo sem oferecer resistência manifestantes receberam tiros e bombas. Nós também. (…) Não somos manifestantes ou partidários desta ou daquela opinião. Mas defendemos de forma intransigente o direito de liberdade de expressão. Quando defendemos a paz, não pedimos que abandonem a luta, muito pelo contrário, acreditamos que a resistência pacífica e a tolerância são as verdadeiras armas. E, é claro, estaremos lá para filmar tudo. Nenhuma voz será calada neste País. Nenhuma propaganda irá encobrir a verdade.”

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‘As balas aqui não são de borracha. Aqui é fuzil’

Gustavo Barreto | 26 de junho de 2013 | Área(s): diario | Comentários (0)


Da excelente jornalista Heloisa Aruth Sturm para o ‘O Estado de S.Paulo’:

A ação policial no Complexo da Maré, na zona norte do Rio, foi realizada durante toda a madrugada de ontem [25] e deixou moradores em meio ao fogo cruzado. Pelas redes sociais, eles narravam os conflitos.

“As balas aqui não são de borracha, aqui é fuzil. Para gente que não tem nome nem sobrenome nem mora em lugar nenhum, o tratamento é esse”, escreveu a moradora Gizele Martins. Um grupo de fotógrafos que participavam de uma oficina na ONG Observatório de Favelas tentou registrar o confronto, sem sucesso.

Naquele momento, cerca de 30 pessoas estavam na sede da ONG. “Quando as pessoas tentaram sair para ver o que estava acontecendo e fotografar, os policiais jogaram uma bomba de efeito moral bem na frente do Observatório de Favelas. Tentaram filmar uma parte do que estava acontecendo, mas não conseguiram”, disse o coordenador da ONG, Jaílson de Souza e Silva. “A gente não considera que foi coincidência”, afirmou.

Ele disse também que os policiais acertaram um transformador para interromper o fornecimento de energia elétrica. A ONG e seu entorno permaneciam sem luz, internet e telefone. Silva também disse que um jovem teria sido executado por policiais dentro de casa. O menor teria ligação com o tráfico.

O diretor da ONG comentou a truculência policial verificada nas recentes manifestações no Rio e ironizou a atuação da polícia. “Dessa vez até estão democratizando. O ‘caveirão’ (veículo blindado do Bope) está passando lá na zona sul e começando a bater, e a classe média está vendo o que é a ação da polícia. A diferença é que aqui há o uso de arma mais ostensiva”, disse Souza e Silva.

PROTEÇÃO. Para ele, os policiais envolvidos na ação deveriam ter protegido os motoristas que trafegavam pela Avenida Brasil em vez de iniciar a perseguição dentro da favela.

Segundo o diretor da ONG, o arrastão na avenida foi praticado por jovens usuários de crack.

“Por que a polícia teve de entrar na favela correndo atrás dos meninos? A falta de equilíbrio das forças policiais é extraordinária. Sem nenhum papel de mediar o conflito, de tentar resolver. Não. Ela é parte protagonista do conflito, então vira o caos. Colocam as pessoas em risco por causa de uma ação inconsequente”, afirmou Souza e Silva.

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Movimentos sociais divulgam nota contra a violência policial; após protestos, polícia realiza chacina na Maré, no Rio

Gustavo Barreto | 25 de junho de 2013 | Área(s): diario | Comentários (0)


‘(…) É importante observar que, quando o argumento de combate a um arrastão foi usado contra manifestantes na Barra da Tijuca, não houve a utilização de homens do Bope, nem assassinatos, mostrando claramente que há um tratamento diferenciado na favela e no “asfalto”.’

Leia a nota na íntegra:

“As favelas da Maré foram ocupadas por diferentes unidades da Polícia Militar do Estado do Rio (PMERJ), incluindo o Batalhão de Operações Especiais (Bope), com seu equipamento de guerra – caveirão, helicóptero e fuzis – ontem, dia 24 de junho. Tal ocupação militar aconteceu após manifestação realizada em Bonsucesso pela redução do valor da passagem de ônibus, como as inúmeras que vêm sendo realizadas por todo o país desde o dia 6 de junho.

As ações da polícia levaram à morte de um morador na noite de segunda-feira. Um sargento do Bope também morreu na operação e a violência policial se intensificou, com mais nove pessoas assassinadas, numa clara demonstração de revide por parte do Estado.

Diversas manifestações estão ocorrendo em todo o país e intensamente na cidade do Rio de Janeiro. Nas última semanas a truculência policial se tornou regra e vivemos momentos de bairros sitiados e uma multidão massacrada na cidade.

No ato do último dia 20, com cerca de 1 milhão de pessoas nas ruas, o poder público mobilizou a Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ), contando com o Choque, Ações com Cães (BAC), Cavalaria, além da Força Nacional. A ação foi de intensa violência contra a população, causando um clima de terror em diversos bairros da cidade.

Não admitimos que expressões legítimas da indignação popular sejam transformadas em argumento para incursões violentas e ocupações militares, seja sobre a massa que se manifesta pelas ruas da cidade, seja nos territórios de favelas e periferias!

Tal ocupação das favelas da Maré evidencia o lado mais perverso deste novo argumento utilizado pelos órgãos governamentais para darem continuidade às suas práticas históricas de gestão das favelas, de suas populações e da resistência popular. Sob a justificativa de repressão a um arrastão, a polícia mais uma vez usou força desmedida contra os moradores da Maré, uma prática rotineira para quem vive na favela.

É importante observar que, quando o argumento de combate a um arrastão foi usado contra manifestantes na Barra da Tijuca, não houve a utilização de homens do Bope, nem assassinatos, mostrando claramente que há um tratamento diferenciado na favela e no “asfalto”.

Repudiamos a criminalização de todas as manifestações. Repudiamos a criminalização dos moradores de favelas e de seu território. Repudiamos a segregação histórica das populações de favela – negras/os e pobres – na cidade do Rio de Janeiro.

Não admitimos que execuções sumárias sejam noticiadas como resultado de confrontos armados entre policiais e traficantes. Não se trata de excessos, nem de uso desmedido da força enquanto exceção: as práticas policiais nesses territórios violam os direitos mais fundamentais e a violação do direito à vida também está incluída nessa forma de oprimir.

Foi reconhecendo a gravidade destas práticas nos diferentes estados da federação que o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) produziu, em dezembro de 2012, a resolução nº8, recomendando o fim da utilização de designações genéricas como “auto de resistência” e “resistência seguida de morte” e defendendo o registro de “morte decorrente de intervenção policial” ou, quando for o caso, “lesão corporal decorrente de intervenção policial”.

O governo federal também contribui com o que ocorre nas favelas cariocas, não apenas pela omissão na criação de políticas públicas, mas também por manter as tropas da Força Nacional de Segurança dentro da cidade, reproduzindo o mesmo modelo aplicado pelo governo estadual.

As/Os moradoras/es de favelas e toda a população têm o direito de se manifestar publicamente – mas pra isso precisam estar vivas/os. E o direito à vida continua sendo violado sistematicamente nos territórios de favelas e periferias do Rio de Janeiro e de outras cidades do país.

Exigimos a imediata desocupação das favelas da Maré pelas forças policiais que estão matando suas/seus moradoras/es com a justificativa das manifestações. Exigimos que seja garantido o direito à livre manifestação, à organização política e à ocupação dos espaços públicos. Exigimos a desmilitarização das polícias.”

A nota está aberta para adesões de movimentos sociais e organizações através do e-mail contato@enpop.net

Assinam a nota:

  • Arteiras Alimentação do Borel
  • Bloco Planta na Mente
  • Casa da Mulher Trabalhadora (CAMTRA)
  • Central de Movimentos Populares (CMP)
  • Centro de Promoção da Saúde (CEDAPS)
  • Cidadania e Imagem-UERJ
  • Círculo Palmarino
  • Coletivo Antimanicomial Antiproibicionista Cultura Verde
  • Coletivo de Estudos sobre Violência e sociabilidade – CEVIS-UERJ
  • Coletivo das Lutas
  • Coletivo Tem Morador
  • Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas
  • Conselho Regional de Psicologia (CRP/RJ)
  • Conselho Regional de Serviço Social (CRESS/RJ)
  • DCE-UFRJ
  • Deputado Federal Chico Alencar (PSOL/RJ)
  • DPQ
  • FASE
  • Fórum de Juventudes RJ
  • Fórum Social de Manguinhos
  • Frente de Resistência Popular da Zona Oeste
  • Grupo Conexão G
  • Grupo Eco Santa Marta
  • Grupo ÉFETA Complexo Alemão
  • Instituto Brasileiro De Análises Sociais E Econômicas (IBASE)
  • Instituto Búzios
  • Instituto de Formação Humana e Educação Popular (IFHEP)
  • Instituto de Defensores dos Direitos Humanos (DDH)
  • Instituto de Estudos da Religião (ISER)
  • Justiça Global
  • Levante Popular da Juventude
  • Luta Pela Paz
  • Mandato do Deputado Estadual Marcelo Freixo (PSOL/RJ)
  • Mandato do Deputado Federal Chico Alencar (PSOL/RJ)
  • Mandato do Vereador Renato Cinco (PSOL/RJ)
  • Mandato do Vereador Henrique Vieira (PSOL/Niterói)
  • Mariana Criola
  • Movimento pela Legalização da Maconha
  • Movimento DCE Vivo (UFF)
  • Nós Não Vamos Pagar Nada
  • Núcleo Piratininga de Comunicação
  • Núcleo de Direitos Humanos da PUC
  • Núcleo Socialista de Campo Grande
  • Ocupa Alemão
  • Ocupa Borel
  • PACS
  • Partido Comunista Brasileiro (PCB)
  • Pré-Vestibular Comunitário de Nova Brasília Complexo Alemão
  • Raízes em Movimento do Complexo do Alemão
  • Rede FALE RJ
  • Rede de Instituições do Borel
  • Redes e Movimentos da Maré
  • União da Juventude Comunista (UJC)
  • Universidade Nômade
  • Revista Vírus Planetário

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Police brutality in São Paulo, June 13th / Brutalidad policial en São Paulo, 13 de junio

Gustavo Barreto | | Área(s): diario | Comentários (0)


[English and Spanish subtitles]

Reporter tells how the Police brutality marked a protest in São Paulo, in June 13th 2013.

Periodista explica cómo la brutalidad policial marcó una protesta en São Paulo, el 13 de junio de 2013.

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ONG relata noite de terror na Maré

Gustavo Barreto | | Área(s): diario | Comentários (0)


O relato é da organização “Redes de Desenvolvimento da Maré”:

Foto: Redes

Nada justifica a ação da Polícia Militar e do Bope na noite de ontem [24 de junho] e hoje [25 de junho] na Maré. O saldo de oito mortos (número confirmado até agora, mas que pode aumentar), entre eles um sargento da Polícia Militar, escolas com aulas suspensas, comércios fechados, moradores sitiados em suas casas, vários feridos, ruas sem luz. Situação que poderia ter sido evitada caso o Estado não tivesse uma atuação dentro da favela e outra fora.

As balas disparadas ontem [24] não foram de borracha, como em outros pontos da cidade — violência também não justificada contra manifestantes, mas que denota claramente a diferença de conduta da Polícia dentro das favelas.

“O Observatório de Favelas está sem energia e sem telefone: o Bope acertou o transformador e cortou os cabos de telefone. Qual o sentido disso? Por que entrar na favela se o problema estava na Avenida Brasil? Qual o sentido dessas mortes, que poderiam ser todas evitadas? O Estado tem que ter equilíbrio; senão, quem terá?”, questiona o coordenador do Observatório de Favelas Jailson Silva.

A organização, que é parceira da Redes e tem sede na rua Teixeira Ribeiro, na Nova Holanda, foi alvejada ontem [24] por uma bomba de gás lacrimogêneo jogada pela Polícia. Alunos ficaram presos na sede da organização, sem poder sair. Denúncias de moradores se espalham pela comunidade, inclusive de que casas foram invadidas e pessoas agredidas durante a noite.

A desastrosa incursão do dia 24 à noite continua hoje por policiais militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Batalhão de Ações com Cães (BAC) e Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque). A desculpa oficial, como sempre, fica por conta do combate ao tráfico e prisão de criminosos. Mas nada justifica o impacto e desrespeito aos moradores que vivem na Maré.

Foto: Redes

Leia relato de uma moradora que viveu os horrores de ontem e prefere não se identificar:

“Na noite do dia 24, após arrastão na avenida Brasil, moradores das comunidades Nova Holanda e Parque União ficaram reféns do confronto entre policiais e traficantes. O que começou como repressão a manifestantes em Bonsucesso, virou um noite de muitos tiros e tensão para moradores. Há relatos de troca de tiros até às 5 horas da manhã.

Quem estava dentro não conseguia sair e quem estava fora não podia entrar. Policiais atiraram em postes e deixaram a rua Teixeira Ribeiro às escuras. Uma bomba de gás lacrimogêneo rolou para dentro do Observatório de Favelas: funcionários e alunos ficaram sufocados com o gás e tiveram que permanecer no local até às 22h30.

Era notório, pela manhã, o cansaço da noite mal dormida. Moradores que não conseguiram entrar em suas casas antes da 1 hora da madrugada, estavam saindo novamente para o trabalho às 7 horas, abatidos e com fortes olheiras.

A tensão ainda é grande já que a polícia permanece na comunidade invadindo casas e revistando moradores. Quem não é da imprensa formal é olhado de cima para baixo com ar de repressão.

Mas o morador de favela já aprendeu a usar as redes sociais, e nos comunicamos por aqui. A imprensa quase não fala sobre os acontecimentos e os moradores também se tornam reféns da falta de informação”.

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