violência policial

Exército na Maré: o Brasil pré-Copa

Gustavo Barreto | 26 de maio de 2014 | Combate à corrupção,diario,Moradia & habitação,Segurança pública,Violência policial | Comentários (1)


Exército na Maré, complexo de favelas do Rio de Janeiro: esse incidente, pelo que chequei, aconteceu no local conhecido como Campo da Paty, na Nova Holanda.

O notável despreparo do Exército ocupando ruas na favela carioca vem acompanhado do total descaso em relação aos serviços sociais. Bem-vind@ ao país da Copa.

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A barbárie, declarada por um dos torturadores

“(…) Ex-agente do DOI contou que, ao chegar, o preso era levado à “sala do ponto”, um lugar tão terrível que “até o diabo, se entrasse ali, saía em pânico”.”

Mais um capítulo da estupidez promovida pelos militares durante a ditadura. Crimes imprescritíveis, crimes contra a humanidade.

Disse o ex-agente, Riscala Corbaje: “Não tem necessidade de fazer nenhum outro sofrimento, choque, nem nada. Os outros davam tapa, davam soco. Cada um trabalhava de um jeito lá. Tu já viu estudante? Você pega um estudante, você bota ele com o peso do corpo numa barra de ferro e deixa ele 15 minutos pendurado no pau de arara. Não precisa dar choque. O cara urra de dor. Sabe por quê? Atinge os nervos da perna. O cara quer descer de qualquer maneira”.

E, ao final, declarou: “Não tenho o menor peso na consciência”. (leia aqui a matéria)

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SP: Mais pessoas devolvem apartamento por não poder arcar com aumento do aluguel

Belíssimo legado da Copa — e da falta de políticas públicas que realmente trarão desenvolvimento, como as de moradia.

“Uma pesquisa divulgada neste mês pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP) mostra que, em um ano, dobrou a proporção de pessoas que devolveram as chaves de apartamentos por não conseguir arcar com o aluguel. O índice de entrega por problemas financeiros passou de 15% do total das devoluções, em fevereiro de 2013, para 30%, no mesmo mês deste ano. A pesquisa foi feita com 402 imobiliárias.”

Entendeu como os 25 bilhões da Copa voltam? Leia aqui a matéria.

Na Folha: “Eu costumava morar no centro de Itaquera, mas, de dois anos para cá, o meu aluguel passou de R$ 300 para R$ 700″, conta Luciana. “Aí não tive mais como ficar na minha casa.”

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Enquanto isso, na Polícia Militar do Rio mais um corrupto está impune…

Do jornal O Dia: “PM suspeito de ser um dos chefes de quadrilha está na ativa em outro batalhão. Rômulo Oliveira André trocou de unidade mesmo após O DIA revelar com exclusividade detalhes da ação do grupo.”

Taí o porquê do fracasso da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Este não é um caso isolado: a instituição não tem corregedoria.

Tudo pode, só tente não aparecer com o rosto no Fantástico ou fazer uma merda tão grande que vire alvo de campanha internacional. De resto, tudo pode.

A instituição funciona hoje de acordo com o vento: se o policial ou comandante é bom, tudo bem. Parabéns, toma sua estrelinha, com direito a aparecer no catálogo de “boas práticas” que será entregue à sociedade.

Se não é, aí ferrou. Corrupção, assassinatos, tudo poderá daí vir — sem consequências reais. Repito: é regra, não exceção.

Janio de Freitas, grande jornalista, em entrevista ao Fazendo Media: “Não adianta apenas substituir a farda por uma camisa esporte, vai continuar a mesma coisa”.

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Ótimo artigo sobre o direito de se manifestar, inclusive na Copa

Os direitos humanos são inegociáveis, diz Atila Roque, da Anistia Internacional Brasil, e a sociedade civil está de olho: http://glo.bo/1keIV0G

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No futuro, qualquer pessoa que discordar das autoridades vai ser presa por desacato à autoridade

Gustavo Barreto | 6 de julho de 2013 | diario | Comentários (0)


E a culpa vai ser, indiretamente, de todos aqueles que acham isso normal e não se levantam contra as injustiças e o autoritarismo.

Assista no vídeo abaixo como a mídia tem participação na criação da realidade:

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Conceitos da nova polícia do Rio percebidos em um vídeo da OAB-RJ

Gustavo Barreto | 4 de julho de 2013 | diario | Comentários (0)


  • Ladrão agora leva fotógrafo para registrar a sua ação criminosa;
  • “Mobilização social” e “luta por direitos” recebe agora o novo nome de “formação de quadrilha” e pode, portanto, ser enquadrado na legislação penal;
  • Manifestantes são inimigos em potencial que precisam ser interceptados e alvejados. Assim, difusamente;
  • Isso inclui advogados tentando resguardar o direito à reunião e manifestação pacífica;
  • Isso inclui pessoas dentro de suas casas, que deveriam deixar a polícia entrar sem mandado;
  • É um padrão consolidado, visto que ocorreu em 90% das vezes em que as pessoas tentaram exigir nas ruas direitos;
  • Esse conceito não pode ser observado na TV, apenas no YouTube;
  • Algumas pessoas — como sempre ocorreu, historicamente, em qualquer ditadura militar, acham isso normal.

O relato de membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ: “A PM montou uma emboscada. Iniciou o conflito atirando bombas, e depois encurralou as pessoas em fuga. Mesmo sem oferecer resistência manifestantes receberam tiros e bombas. Nós também. (…) Não somos manifestantes ou partidários desta ou daquela opinião. Mas defendemos de forma intransigente o direito de liberdade de expressão. Quando defendemos a paz, não pedimos que abandonem a luta, muito pelo contrário, acreditamos que a resistência pacífica e a tolerância são as verdadeiras armas. E, é claro, estaremos lá para filmar tudo. Nenhuma voz será calada neste País. Nenhuma propaganda irá encobrir a verdade.”

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‘As balas aqui não são de borracha. Aqui é fuzil’

Gustavo Barreto | 26 de junho de 2013 | diario | Comentários (0)


Da excelente jornalista Heloisa Aruth Sturm para o ‘O Estado de S.Paulo’:

A ação policial no Complexo da Maré, na zona norte do Rio, foi realizada durante toda a madrugada de ontem [25] e deixou moradores em meio ao fogo cruzado. Pelas redes sociais, eles narravam os conflitos.

“As balas aqui não são de borracha, aqui é fuzil. Para gente que não tem nome nem sobrenome nem mora em lugar nenhum, o tratamento é esse”, escreveu a moradora Gizele Martins. Um grupo de fotógrafos que participavam de uma oficina na ONG Observatório de Favelas tentou registrar o confronto, sem sucesso.

Naquele momento, cerca de 30 pessoas estavam na sede da ONG. “Quando as pessoas tentaram sair para ver o que estava acontecendo e fotografar, os policiais jogaram uma bomba de efeito moral bem na frente do Observatório de Favelas. Tentaram filmar uma parte do que estava acontecendo, mas não conseguiram”, disse o coordenador da ONG, Jaílson de Souza e Silva. “A gente não considera que foi coincidência”, afirmou.

Ele disse também que os policiais acertaram um transformador para interromper o fornecimento de energia elétrica. A ONG e seu entorno permaneciam sem luz, internet e telefone. Silva também disse que um jovem teria sido executado por policiais dentro de casa. O menor teria ligação com o tráfico.

O diretor da ONG comentou a truculência policial verificada nas recentes manifestações no Rio e ironizou a atuação da polícia. “Dessa vez até estão democratizando. O ‘caveirão’ (veículo blindado do Bope) está passando lá na zona sul e começando a bater, e a classe média está vendo o que é a ação da polícia. A diferença é que aqui há o uso de arma mais ostensiva”, disse Souza e Silva.

PROTEÇÃO. Para ele, os policiais envolvidos na ação deveriam ter protegido os motoristas que trafegavam pela Avenida Brasil em vez de iniciar a perseguição dentro da favela.

Segundo o diretor da ONG, o arrastão na avenida foi praticado por jovens usuários de crack.

“Por que a polícia teve de entrar na favela correndo atrás dos meninos? A falta de equilíbrio das forças policiais é extraordinária. Sem nenhum papel de mediar o conflito, de tentar resolver. Não. Ela é parte protagonista do conflito, então vira o caos. Colocam as pessoas em risco por causa de uma ação inconsequente”, afirmou Souza e Silva.

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Movimentos sociais divulgam nota contra a violência policial; após protestos, polícia realiza chacina na Maré, no Rio

Gustavo Barreto | 25 de junho de 2013 | diario | Comentários (0)


‘(…) É importante observar que, quando o argumento de combate a um arrastão foi usado contra manifestantes na Barra da Tijuca, não houve a utilização de homens do Bope, nem assassinatos, mostrando claramente que há um tratamento diferenciado na favela e no “asfalto”.’

Leia a nota na íntegra:

“As favelas da Maré foram ocupadas por diferentes unidades da Polícia Militar do Estado do Rio (PMERJ), incluindo o Batalhão de Operações Especiais (Bope), com seu equipamento de guerra – caveirão, helicóptero e fuzis – ontem, dia 24 de junho. Tal ocupação militar aconteceu após manifestação realizada em Bonsucesso pela redução do valor da passagem de ônibus, como as inúmeras que vêm sendo realizadas por todo o país desde o dia 6 de junho.

As ações da polícia levaram à morte de um morador na noite de segunda-feira. Um sargento do Bope também morreu na operação e a violência policial se intensificou, com mais nove pessoas assassinadas, numa clara demonstração de revide por parte do Estado.

Diversas manifestações estão ocorrendo em todo o país e intensamente na cidade do Rio de Janeiro. Nas última semanas a truculência policial se tornou regra e vivemos momentos de bairros sitiados e uma multidão massacrada na cidade.

No ato do último dia 20, com cerca de 1 milhão de pessoas nas ruas, o poder público mobilizou a Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ), contando com o Choque, Ações com Cães (BAC), Cavalaria, além da Força Nacional. A ação foi de intensa violência contra a população, causando um clima de terror em diversos bairros da cidade.

Não admitimos que expressões legítimas da indignação popular sejam transformadas em argumento para incursões violentas e ocupações militares, seja sobre a massa que se manifesta pelas ruas da cidade, seja nos territórios de favelas e periferias!

Tal ocupação das favelas da Maré evidencia o lado mais perverso deste novo argumento utilizado pelos órgãos governamentais para darem continuidade às suas práticas históricas de gestão das favelas, de suas populações e da resistência popular. Sob a justificativa de repressão a um arrastão, a polícia mais uma vez usou força desmedida contra os moradores da Maré, uma prática rotineira para quem vive na favela.

É importante observar que, quando o argumento de combate a um arrastão foi usado contra manifestantes na Barra da Tijuca, não houve a utilização de homens do Bope, nem assassinatos, mostrando claramente que há um tratamento diferenciado na favela e no “asfalto”.

Repudiamos a criminalização de todas as manifestações. Repudiamos a criminalização dos moradores de favelas e de seu território. Repudiamos a segregação histórica das populações de favela – negras/os e pobres – na cidade do Rio de Janeiro.

Não admitimos que execuções sumárias sejam noticiadas como resultado de confrontos armados entre policiais e traficantes. Não se trata de excessos, nem de uso desmedido da força enquanto exceção: as práticas policiais nesses territórios violam os direitos mais fundamentais e a violação do direito à vida também está incluída nessa forma de oprimir.

Foi reconhecendo a gravidade destas práticas nos diferentes estados da federação que o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) produziu, em dezembro de 2012, a resolução nº8, recomendando o fim da utilização de designações genéricas como “auto de resistência” e “resistência seguida de morte” e defendendo o registro de “morte decorrente de intervenção policial” ou, quando for o caso, “lesão corporal decorrente de intervenção policial”.

O governo federal também contribui com o que ocorre nas favelas cariocas, não apenas pela omissão na criação de políticas públicas, mas também por manter as tropas da Força Nacional de Segurança dentro da cidade, reproduzindo o mesmo modelo aplicado pelo governo estadual.

As/Os moradoras/es de favelas e toda a população têm o direito de se manifestar publicamente – mas pra isso precisam estar vivas/os. E o direito à vida continua sendo violado sistematicamente nos territórios de favelas e periferias do Rio de Janeiro e de outras cidades do país.

Exigimos a imediata desocupação das favelas da Maré pelas forças policiais que estão matando suas/seus moradoras/es com a justificativa das manifestações. Exigimos que seja garantido o direito à livre manifestação, à organização política e à ocupação dos espaços públicos. Exigimos a desmilitarização das polícias.”

A nota está aberta para adesões de movimentos sociais e organizações através do e-mail contato@enpop.net

Assinam a nota:

  • Arteiras Alimentação do Borel
  • Bloco Planta na Mente
  • Casa da Mulher Trabalhadora (CAMTRA)
  • Central de Movimentos Populares (CMP)
  • Centro de Promoção da Saúde (CEDAPS)
  • Cidadania e Imagem-UERJ
  • Círculo Palmarino
  • Coletivo Antimanicomial Antiproibicionista Cultura Verde
  • Coletivo de Estudos sobre Violência e sociabilidade – CEVIS-UERJ
  • Coletivo das Lutas
  • Coletivo Tem Morador
  • Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas
  • Conselho Regional de Psicologia (CRP/RJ)
  • Conselho Regional de Serviço Social (CRESS/RJ)
  • DCE-UFRJ
  • Deputado Federal Chico Alencar (PSOL/RJ)
  • DPQ
  • FASE
  • Fórum de Juventudes RJ
  • Fórum Social de Manguinhos
  • Frente de Resistência Popular da Zona Oeste
  • Grupo Conexão G
  • Grupo Eco Santa Marta
  • Grupo ÉFETA Complexo Alemão
  • Instituto Brasileiro De Análises Sociais E Econômicas (IBASE)
  • Instituto Búzios
  • Instituto de Formação Humana e Educação Popular (IFHEP)
  • Instituto de Defensores dos Direitos Humanos (DDH)
  • Instituto de Estudos da Religião (ISER)
  • Justiça Global
  • Levante Popular da Juventude
  • Luta Pela Paz
  • Mandato do Deputado Estadual Marcelo Freixo (PSOL/RJ)
  • Mandato do Deputado Federal Chico Alencar (PSOL/RJ)
  • Mandato do Vereador Renato Cinco (PSOL/RJ)
  • Mandato do Vereador Henrique Vieira (PSOL/Niterói)
  • Mariana Criola
  • Movimento pela Legalização da Maconha
  • Movimento DCE Vivo (UFF)
  • Nós Não Vamos Pagar Nada
  • Núcleo Piratininga de Comunicação
  • Núcleo de Direitos Humanos da PUC
  • Núcleo Socialista de Campo Grande
  • Ocupa Alemão
  • Ocupa Borel
  • PACS
  • Partido Comunista Brasileiro (PCB)
  • Pré-Vestibular Comunitário de Nova Brasília Complexo Alemão
  • Raízes em Movimento do Complexo do Alemão
  • Rede FALE RJ
  • Rede de Instituições do Borel
  • Redes e Movimentos da Maré
  • União da Juventude Comunista (UJC)
  • Universidade Nômade
  • Revista Vírus Planetário

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Police brutality in São Paulo, June 13th / Brutalidad policial en São Paulo, 13 de junio

Gustavo Barreto | | diario | Comentários (0)


[English and Spanish subtitles]

Reporter tells how the Police brutality marked a protest in São Paulo, in June 13th 2013.

Periodista explica cómo la brutalidad policial marcó una protesta en São Paulo, el 13 de junio de 2013.

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