Tag: ‘Brasil’

01/08/2012

O Brasil e o comércio de armas

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Estimulada pelo governo, nossa indústria bélica vive dos seus subsídios, compras e benesses. É preciso vetar vendas a países envolvidos em atrocidades

ATILA ROQUE E MAURÍCIO SANTORO (*)

Notícia publicada na Folha em 22/07 revelou, por meio da Lei de Acesso à Informação, que as exportações de armas brasileiras eram bem maiores do que se imaginava.

Elas incluem vendas de armamentos controversos, como bombas de fragmentação, a clientes como o governo do Zimbábue. Fotografia também publicada por este jornal, no dia 23, mostrou que gás lacrimogêneo fabricado no Brasil está sendo usado pelo governo da Turquia para reprimir protestos em campos de refugiados da Síria.

As notícias chamam a atenção também por virem à tona no momento em que autoridades brasileiras anunciaram planos de incentivar empreiteiras e outras grandes empresas a investir na expansão da indústria de defesa, com o objetivo de aumentar as exportações bélicas.

O Brasil é um dos países que em julho negociaram na ONU um Tratado de Comércio de Armas, que tem como objetivo regular a compra, a venda e a transferência de armamento leve e de munição.

Embora existam acordos diplomáticos que controlam armas nucleares, químicas e biológicas, é a primeira tentativa desde a década de 1930 de regular de forma abrangente pistolas, revólveres, fuzis e munições de pequeno calibre -utilizados na maioria de violações de direitos humanos.

A Anistia Internacional está em campanha para que o tratado tenha uma “regra de ouro” que proíba a venda e transferência de armamentos a governos envolvidos em atrocidades, como as que ocorrem atualmente na Síria. Algo semelhante ao Protocolo Kimberley, que veda o comércio de diamantes extraídos em zonas de conflito armado.

Cerca de 75% das exportações globais de armas são realizadas pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, China, Rússia, Reino Unido, França) e pela Alemanha.

Os três países europeus são favoráveis à “regra de ouro”. Os governos chinês e russo se mostram contrários, embora a Rússia seja signatária de acordos com a União Europeia com cláusulas semelhantes.

Os EUA modificaram a sua tradicional objeção ao Tratado de Comércio de Armas, mas impediram que o texto fosse aprovado em julho. Ele foi encaminhado para a Assembleia Geral da ONU, o que adiará sua avaliação pelo menos até outubro -provavelmente até depois das eleições presidenciais do mês seguinte.

Nos últimos cinco anos, as importações de armas para a América do Sul aumentaram 77%. Venezuela e Chile passaram a figurar entre os 20 maiores importadores mundiais.

O Brasil é o 20º maior exportador, com uma indústria bélica dependente de compras oficiais, subsídios e outras benesses públicas, com frequência executadas em operações de pouca transparência, com escassa prestação de contas.

Prioridades econômicas questionáveis numa região que sofre de graves problemas sociais e onde o controle insuficiente cria o risco de que parte desse armamento seja desviado para usos ilegais. Mesmo antes das atuais denúncias sobre a Turquia, empresas brasileiras foram acusadas de fornecer gás lacrimogêneo para o governo do Bahrein, envolvido na repressão às manifestações pró-democracia.

O governo brasileiro tem apoiado as negociações e se manifestado favorável ao Tratado de Comércio de Armas e à “regra de ouro”, ainda que com ressalvas com relação aos riscos que se estabeleçam barreiras à transferência de tecnologia bélica.

A negociação do Tratado de Comércio de Armas dá ao país excelente oportunidade para sintonizar sua diplomacia com o compromisso humanitário que caracteriza as melhores aspirações da nossa sociedade.

Já as iniciativas em favor da expansão da “indústria de defesa”, com a inclusão de novos atores privados, em particular as grandes empreiteiras, motivados claramente pelas facilidades de obter lucros fabulosos no mercado global de armas, carece de maior discussão pública, transparência e participação cidadã.

As negociações do Tratado de Comércio de Armas em curso podem oferecer os parâmetros de respeito aos direitos humanos que devem orientar as políticas do Estado brasileiro nesse setor.

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ATILA ROQUE, 52, historiador, é diretor-executivo da Anistia Internacional no Brasil

MAURÍCIO SANTORO, 34, cientista política, é assessor de direitos humanos da Anistia Internacional no Brasil

Artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo de 01/08/2012.


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24/02/2012

País rico.

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07/12/2011

Organizações lançam relatório sobre os direitos humanos no Brasil

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Publicação anual traz um panorama amplo sobre a situação dos direitos humanos no país. Relatório será lançado amanhã, 8 de dezembro, em São Paulo.

A Rede Social de Justiça e Direitos Humanos lança na próxima quarta-feira (08) em São Paulo (SP) a 12ª edição do relatório Direitos Humanos no Brasil. Mais de 30 organizações sociais contribuíram para a elaboração do documento, que traz um panorama amplo sobre os direitos humanos no país no campos do trabalho, da educação e habitação, da política agrária, da segurança pública, dos indígenas, das mulheres, dos negros e quilombolas, entre outros.

Com fotos de João Ripper, o documento conta com artigos de representantes do Dieese, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, de quilombola do Movimento dos Atingidos pela Base Espacial de Alcântara (RJ), de pesquisadores do Instituto de Saúde Coletiva do Mato Grosso (UFMT) e do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), além de juízes da Associação Juízes para Democracia e da Federação de Associações de Juízes para a Democracia da América Latina, entre outros.

A publicação do relatório anual acontecerá a partir das 18h, no Teatro Anchieta do Sesc Consolação, que fica na Rua Doutor Vila Nova, nº 245. A divulgação do relatório conta com a participação do grupo de música clássica árabe Andaluza. Na mesma oportunidade será prestada homenagem a D. Maria Augusta Capistrano, lutadora contra a ditadura militar e esposa de Davi Capistrano, dirigente do Partido Comunista Brasileiro, preso político desaparecido, e a resistência indígena Guarani Kaiowá e seus mártires, na figura do Conselho da Aty Guasu.

Programação

18h30 – Credenciamento
19h00 – Concerto do Grupo Andaluza de música clássica árabe
20h00 – Apresentação do Relatório Direitos Humanos no Brasil 2011
20h30 – Homenagens:

  • Maria Augusta Capistrano – em memória aos mártires da luta contra a ditadura militar no Brasil.
  • Indígenas Guarani Kaiowá do Conselho da Aty Guasu – em solidariedade à luta dos povos indígenas por seu território.

21h00 – Coquetel

Serviço

Relatório Direitos Humanos no Brasil
Dia 8 de dezembro, das 18h30 às 22h
Teatro Anchieta – SESC Consolação, Rua Dr. Vila Nova, 245, São Paulo

Informações
Rede Social de Justiça e Direitos Humanos – (11) 3271-1237 / 3271-4878
rede@social.org.br – www.social.org.br


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01/06/2011

‘Tornava-se negro’

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“O insucesso da experiência holandesa no Brasil é, em verdade, mais uma justificativa para a opinião, hoje corrente entre alguns antropologistas, de que os europeus do Norte são incompatíveis com as regiões tropicais. O indivíduo isolado – observa uma autoridade no assunto – pode adaptar-se a tais regiões, mas a raça, essa decididamente não; à própria Europa do sul ela já não se adapta.

Ao contrário do que sucedeu com os holandeses, o português entrou em contato íntimo e frequente com a população de cor. Mais do que nenhum outro povo da Europa, cedia com docilidade ao prestígio comunicativo dos costumes, da linguagem e das seitas dos indígenas e negros. Americanizava-se ou africanizava-se, conforme fosse preciso. ‘Tornava-se negro’, segundo expressão consagrada da costa da África.”

Sérgio Buarque de Holanda, ‘Raízes do Brasil’, 1936, capítulo 2


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13/10/2010

Qual o problema de privatizar o país?

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Para quem está chegando agora, é importante ouvir o que Ciro Gomes está dizendo. Nada a favor dele, mas como diz: tente desmentir um número que Ciro deu.

Na TV, só dá para falar assim, rápido, porém ele foi preciso. No série “O Brasil Privatizado”, obra que pode ser baixada aqui, o jornalista Aloysio Biondi, já falecido, faz uma síntese precisa e completa do que ocorreu nesse período, esmiuçando o que Ciro disse.


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