Rio com ou sem Copa

Uma criança de 3 anos foi baleada em Costa Barros enquanto dormia; morte gerou protesto.

Legado “social”: Novos caveirões das polícias Civil e Militar chegam ao Rio.

Luisa Santiago registra: “Na semana passada morreu Lucas, de 13 anos, na Cidade de Deus. Há dois dias morreram Lucas, de 15, e Gabriel, de 17 anos, no Alemão. Hoje morreu Luiz Felipe, de 3 anos, em Costa Barros. Ele levou um tiro na cabeça enquanto dormia. É a terceira vez que escrevo isso aqui hoje porque todas as outras sumiram da minha página. Eu sei que é foda de ler. Dá um nó na gente quase impossível de desfazer. Mas a única opção que nós não temos é o silêncio. Toda voz para o povo favelado gritar a sua dor. Toda força pra seguir na luta.”

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São Paulo: mais um flagrante forjado

No fim do 11º ato Não Vai Ter Copa, dois manifestantes foram presos. Um deles é Fábio Hideki, estudante da USP que foi detido pela PM na Marcha da Maconha São Paulo de 2010 por portar um cartaz com os dizeres “Não fumo, não planto, não vendo e não condeno. Legalize Já!”. Quatro anos, miles de manifestações, um tal de “Junho” e uma Copa depois, Fábio mais uma vez tem a liberdade subtraída pelo Estado policial. Se na Marcha da Maconha foi acusado de “apologia ao crime”, o absurdo da vez é “associação criminosa” e “porte de explosivo”.

Saiba mais clicando aqui.

Do El País: A versão oficial, no entanto, é desmentida por pessoas que acompanharam a prisão. Ao contrário do que foi registrado como prova no boletim de ocorrência, não havia, segundo dizem, nenhum artefato explosivo com o manifestante. O padre Júlio Lancelloti, um ativista dos direitos humanos que viu o jovem ser revistado, afirma que “os policiais viraram e reviram os pertences dele e não acharam nada.” “A única coisa suspeita foi que dois policiais que estavam acompanhando ele falavam o tempo todo ao telefone como se estivessem recebendo recados de superiores”, comenta.

Que mundo. Brasil e Venezuela, dois países de (suposta) orientação trabalhista e socialista, possuem presos políticos.

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O que tem que ter

Creio que devemos e podemos fazer, em nosso ativismo contínuo, retificações, renovações de práticas, pensamentos melhorados. E faço aqui uma.

Qual a responsabilidade da Fifa, pergunto eu, por termos uma das polícias que mais mata no mundo, e que esta semana vitimou, com sua política irresponsável do confronto ou a simples execução sumária, um menino de 3 anos que estava dormindo?

Qual a responsabilidade da Fifa por termos um judiciário que só sabe prender ladrão de galinha (e que prende por qualquer coisa) enquanto é ineficiente em relação aos atacadistas da corrupção ou à melhoria do sistema penitenciário?

Qual a responsabilidade da Fifa em relação às seguidas reeleições de gente sem escrúpulo para os cargos de prefeito, governador, senador, deputado, vereador?

Qual a responsabilidade da Fifa em relação à omissão de grande parte da população em espaços democráticos, como assembleias, audiências públicas, conselhos etc?

Qual a responsabilidade da Fifa em relação à falta de atenção básica na saúde e ao contínuo desrespeito às leis e diretrizes orçamentárias da educação (fundamentalmente de responsabilidade local)?

Qual a responsabilidade da Fifa em relação ao descaso na área de mobilidade urbana, entregue aqui no Rio por exemplo a amigos incompetentes e corruptos e em SP a uma máfia no caso do metrô?

A culpa é dos jogadores, então? É o Neymar que vai mudar a nossa educação com um drible desconcertante? Será que o Messi vai fazer um golaço que acabará definitivamente com a corrupção?

A Fifa – esta organização privada corrupta e interessada apenas nos seus lucros exorbitantes e na perpetuação de seu poder sobre uma das maiores paixões do mundo – não tem qualquer respeito de alguém minimamente sério, grande novidade. Mas ela não inventou a corrupção: apenas a identifica e tira proveito. E conseguiu mais uma vez, com o fomento de empresas inescrupulosas e governos vendidos.

Teve a Copa, junto com tudo o que sempre tem por aqui. A gente tem que garantir que vai continuar tendo militância por mais direitos humanos, porque essa sempre será a mais necessária.

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Tatu-bola padrão Fifa. Aumenta risco de extinção do tatu-bola, animal-símbolo da Copa. A Fifa querer proteger o meio ambiente é o equivalente ao Mick Jagger torcer pra algum time. Leia aqui.

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Uma Copa para os refugiados

Leia também: A Copa do Mundo sem o padrão Fifa

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Combate ao racismo: saiba o que fazer

O racismo é um dos maiores desafios a serem enfrentados em nossa sociedade contemporânea. É por isso que a ONU criou um guia para auxiliar denúncias contra esse tipo de crime.

Organizado em cinco capítulos, o “Guia de Orientação da ONU Brasil para Denúncias de Discriminação Étnico-racial” apresenta o conjunto de instrumentos nacionais e internacionais que garantem a igualdade étnico-racial, informações sobre o marco legal brasileiro e internacional e endereços dos órgãos de atendimento à população nos estados e capitais.

Acesse agora mesmo em http://bit.ly/NAOaoRACISMO

(Foto e informação: ONU)

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Imagem da semana: os rostos das vítimas da guerra

Leia sobre a foto aqui.

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Registro do consumidor

A empresa de telefonia NET, que tem um serviço muito ruim (pelo menos aqui em casa), insistia em me entregar muito menos do que o contratado na internet, entre outras falhas.

Aí me prometem resolver o problema e reduzir em 40 reais a taxa mensal. No mês seguinte, nada. E pior: nada sabem sobre a promessa, nada consta no sistema.

No mesmo dia, a GVT já veio e instalou o serviço, com 100% da banda de internet entregue (pelo menos até agora, primeiro dia).

— E qual o motivo do cancelamento, senhor?

— Vocês mentiram pra mim, e minha mãe me ensinou que a mentira é uma coisa errada.

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Um acontecimento histórico a lembrar

A ESPN Brasil passou um documentário excepcional que mostra como a Colômbia dos anos 1990 era um país contaminado pela guerra civil — e como a guerra, a corrupção e o poder paralelo são algumas das mais completas formas de estupidez humana.

Quando Andrés Escobar fez o gol contra em 1994, seu filho, de 9 anos, disse: “Vão matá-lo”.

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