Suez: ‘ONU não consegue parar guerra’; Diretor da ONU no Brasil justifica remoção de tropas de paz

A ONU se defende: “Se os entendimentos foram falhos, foi por culpa dos próprios entendimentos, e não do secretário-geral U Thant”.

Correio da Manhã de 8 de junho de 1967

“O diretor do Centro de Informações da ONU no Brasil, Raul Trejos, afirmou ontem que não foi apressada ou intempestiva a decisão da Organização das Nações Unidas de retirar as tropas de emergência do Oriente Médio, mas conseqüência de ser proibida sua permanência em território egípcio.”

O registro é do Correio da Manhã de 8 de junho de 1967, que estampa em sua primeira página: “URSS ameaça romper com Israel; ONU não consegue parar guerra”1.

Desde que as tropas foram introduzidas no país, em 19562 – lembrou o diretor do UNIC Rio –, foi garantido aos representantes da República Árabe Unida (RAU), por meio de acordo entre o então secretário-geral Dag Hammarskjold e o presidente Nasser, que o pedido de retirada seria aceito pela ONU. “Portanto” – frisou o diretor do UNIC Rio – “U Thant apenas cumpriu um acôrdo”.

Cerca de 6 mil membros do Exército brasileiro participaram do chamado Batalhão Suez3, em revezamento, por meio de 20 contingentes. Esta foi a terceira força de paz na história das Nações Unidas, de um total de 69 até hoje4.

O diretor do UNIC Rio afirmou ao Correio da Manhã que o secretário-geral da ONU tinha “desde o início da crise atual receios quanto às consequências que adviriam da retirada da FENU [a sigla usada pelo jornal para as Força de Emergência das Nações Unidas]”.

Nos últimos relatórios anuais à Assembleia Geral, o secretário-geral afirmava que a existência da missão estava ameaçada “pela incerteza de fundos, cada vez mais minguados”.

Página 2 da mesma edição
Página 2 da mesma edição

A retirada da ONU causou críticas, a mais agressiva sendo a de que a crise foi provocada principalmente pela própria retirada das forças de paz – acusação classificada pelo diretor do UNIC Rio como “ignorância quanto aos fatos políticos que sempre existiram”.

Citando o pronunciamento do primeiro-ministro do Canadá, em maio de 1967, que dizia “não criticar o secretário-geral porque, após examinar os documentos, ninguém hesitaria em concluir de que o que êle [fez] foi acertado”, completa o diretor do UNIC Rio: “Se os entendimentos foram falhos, foi por culpa dos próprios entendimentos, e não do secretário-geral U Thant”.

O jornal informa que “inicia-se hoje a retirada das tropas brasileiras no Oriente, que serão transportadas até o pôrto de Gaza, onde embarcarão no Soares Dutra”, citando em seguida nominalmente todos os integrantes brasileiros da missão.

NOTAS

1 Disponível em http://memoria.bn.br/DocReader/Hotpage/HotpageBN.aspx?bib=089842_07&pagfis=82871&pesq=&url=http://memoria.bn.br/docreader#

2 Mais sobre a UNEF I, como é conhecida atualmente, em http://www.un.org/en/peacekeeping/missions/past/unefi.htm

3 Resumo razoável em http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalh%C3%A3o_Suez

4 A lista completa está disponível em http://www.un.org/en/peacekeeping/documents/operationslist.pdf

O ‘Opinião’ foi apurar: morreram dois na Coca-Cola, quem ainda por cima demite que se sindicaliza

Recorte do OpiniãoA notícia está no jornal da imprensa alternativa “Opinião” de 13 de fevereiro de 1976: dois trabalhadores da fábrica da Coca-Cola em Bonsucesso, no Rio de Janeiro, morreram asfixiados e depois foram triturados durante a limpeza de um dos tanques de fabricação de xarope concentrado do refrigerante.

Antes, circulava um boato de uma morte, creditado à Pepsi, por ser esta concorrente. O “Opinião” foi lá apurar e descobriu que, ainda por cima, dos 800 funcionários que trabalhavam na fábrica à época, apenas 110 eram sindicalizados. O motivo: a “direção da Coca-Cola demite imediatamente o funcionário que ingressa no sindicato”.

O registro está na página 2: http://bit.ly/1qdy1ZB

O sofrimento e matança animal desafiam nossa suposta superioridade

A experimentação (e a matança) animal é uma contradição lógica e que não tem sustentação, portanto, no que mais (supostamente) prezamos em nós mesmos: nossa razão.

“Pergunte para os vivisseccionistas por que eles experimentam em animais e eles responderão: Porque os animais são como nós. Pergunte aos vivisseccionistas por que é moralmente OK experimentar em animais e eles responderão: Porque animais não são como nós. A experimentação animal apóia-se em contradição de lógica.” (Charles R. Magel)

Muito educativa a leitura desta carta, caso ainda nos consideremos humanos.

E essa experiência em 2012, em Londres, de uma mulher que viveu um dia de cobaia e se submeteu aos mesmos testes que os animais sofrem nos laboratórios.

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A propósito, vale assistir:

Tenha Copa ou não, no Rio é assim (e outras notas)

Quinta-feira, dia 5 de junho, em Laranjeiras, às 16h da tarde. Esse é o Rio de Janeiro, tenha Copa ou não. Aqui, com manifestação é assim: a bomba, cassetete e bala de borracha — e ainda por cima perto de uma maternidade. Com Copa ou não.

E ainda tive que ouvir, outro dia, de um eminente “dono” de uma ONG que a polícia é boa porque em outros países ela atira para matar, como no Egito ou na Síria. Senhor dono da ONG, não compare utilizando como critério a barbárie — é patética. E tem mais: atira sim. Na favela, atira sim.

“(…) Quando os manifestantes estavam indo embora, a polícia militar começou a jogar bombas para “liberar o trânsito” que a própria polícia havia bloqueado. Defina baderna. Desnorteado, quase desmaiado pelo efeito da fumaça tóxica, com pele e olhos ardendo, quase cego, fui em casa, deixei meu cachorro e voltei para ver o que continuava acontecendo. O que se seguiu está no vídeo em anexo.”

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E mesmo assim…

Da série “Por que as coisas apenas pioram no Rio de Janeiro”: Governador do Rio cria medalha para Batalhão de Choque e afirma que unidade defende a cidadania.

O jornal Extra divulgou, aliás, um vídeo mostrando como policiais militares da UPP da Rocinha cometeram um crime ao levarem corpo da favela.

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Em São Paulo, o governo Alckmin respondeu com a truculência de sempre aos metroviários em justa e legítima greve. Neste vídeo é possível ver a Tropa de Choque partindo para cima dos trabalhadores em greve com tiros de bala de borracha à queima-roupa:

No Rio, eles poderão entrar em greve a partir desta terça (10). Metrô Rio ainda não apresentou proposta de aumento.

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Quando as leis são injustas

Acabo de descobrir que eu moro a menos de 2km do Estádio do Maracanã e que, portanto, estou agora sob a Lei da Copa — da FIFA, em outras palavras.

A lei é tão estúpida que aborda apenas genericamente o tal do perímetro. Na Copa das Confederações, eu filmei policiais impedido as pessoas de circularem. Qualquer pessoa, manifestante ou não. Chegou-se ao absurdo de a polícia impedir as pessoas de irem para suas casas, por não terem como comprovar que moram ali!

Se acontecer comigo, pode ir me buscar na delegacia. Eu sou antes de tudo CIDADÃO! Me nego a me submeter a uma legislação que não só é injusta e inconstitucional, como foi feita por e para uma entidade representante da máfia internacional.

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Gol de placa. O Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) entrou com ação civil pública pedindo que todos os selecionados para o programa de trabalho voluntário da Copa do Mundo sejam contratados com carteira de trabalho assinada.

O MPT também pede que o Comitê Organizador Local pague R$ 20 milhões de indenização por dano moral coletivo. A ação está na 59ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro.

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Gol contra. Tem gente que acha que Jesus Cristo vale 5 milhões de euros, que por sua vez pertencem à Arquidiocese do Rio de Janeiro…

Não. Não é brincadeira minha: http://glo.bo/1jasTkc

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Tudo em cima da hora. A seis dias da Copa, Beira-Rio é reprovado em vistoria e não ganha alvará.

Em caso de nova reprovação nesta segunda (9), o local não estará apto a receber jogos oficiais.

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Se alguns jogadores falassem a verdade…

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Coisas de oligarquia. O governo gastou cem milhões do seu, do meu, do nosso, mas durante a Copa só servirá para os VIPs.

O curioso é que o link original, d’O Globo, saiu do ar poucos dias depois de ser publicado.

Aliás, o que você faria com 109 milhões de reais? Veja quanta coisa dá pra fazer, via Coletivo Mariachi (clique aqui).

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Entulho da ditadura. Moradora do Complexo do Alemão é condenada em tribunal militar por “desacato”. O STF recusou habeas corpus e anulação do julgamento da civil, condenada a 6 meses de prisão em regime aberto.

Na decisão, o ministro relator do caso, Joaquim Barbosa, afirma que o pedido foi recusado pois se “justificou a competência da Justiça Militar para julgar a ação penal de origem, sobretudo porque o “crime foi praticado por civil contra militares no exercício da preservação da ordem pública (art. 9, inc. III, alínea ‘d’, do Código Penal Militar)”.”

Registra a Caros Amigos: “O artigo mencionado pelo ministro Barbosa pertence ao Código Penal Militar (CPM), criado pela ditadura através de decreto-lei de 1969, e prevê o julgamento de civis dentro do conceito de “crimes militares, em tempos de paz”, no qual se enquadraria desacato. No período no qual foi redigido o CPM quem governava o País era a Junta Militar composta pelos ministros da Aeronáutica, do Exército e da Marinha, que haviam tomado o poder e preparavam o terreno para o endurecimento do regime com a posse do general Emílio Garrastazu Médici. O código é considerado por muitos historiadores como parte do projeto da linha dura do Exército para limitar ainda mais as liberdades individuais e perseguir ativistas políticos.”

Continua a matéria: “A decisão, apesar de considerada legítima no Judiciário, traz à tona os problemas das “heranças” da ditadura até hoje presentes e atuantes, como é o caso do CPM. Segundo afirmou à Caros Amigos o procurador regional da República, Marlon Weichert, “do ponto de vista das obrigações internacionais do Brasil é anacrônico que um civil possa ser processado por uma corte militar, fique o entendimento do direito internacional é que os tribunais militares devem ter um uso estritamente militar, disciplinar e julgar apenas militares”.”

Joaquim Barbosa foi o mesmo que cometeu essas ilegalidades aqui. Nesse caso, quem põe juízo no juiz?

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Inaceitável. Racismo na Tijuca, zona norte do Rio: aposentado é preso em flagrante por injúria racial.

Tava demorando. Outro dia eu mesmo quase chamei a polícia. Mas uma correção: ele foi preso por injúria qualificada, e não racismo, e por isso foi solto mediante fiança. Outro absurdo, ao meu ver.

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Em Caxias, a SuperVia tem trens padrão Fifa

“Trem atrasa meia hora e o que chega é esse aí que chamam de “modernizado”. Para completar, não conseguiu frear totalmente, passou da estação e teve que voltar.” (leia aqui)

Registro de Arthur William.

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Alerta. Está circulando na Internet um boato de que “nós”, Brasil, vamos entregar 50% de nosso território aos “índios” por conta de acordos firmados no âmbito internacional.

Trata-se de mais uma mentira, promovida por gente interessada em retirar direitos dos povos indígenas e originários. Informe-se: http://bit.ly/1qdgsZs

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Lei Menino Bernardo – o que realmente diz a lei que proíbe castigos físicos em crianças e adolescentes:

É importante se informar antes de dar qualquer opinião, mais aqui.

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Pra entender nosso mundo: Google é hoje maior que toda a indústria de jornais e revistas nos EUA.

O Google está a caminho de fazer US$ 60 bilhões de receita este ano, quase tudo com publicidade. Sozinho, ultrapassou a indústria de jornais e revistas nos EUA.

Não vai demorar muito, por exemplo, até que o Google não só supere o recorde histórico das revistas, mas também se torne ainda maior do que elas já foram, mesmo quando não existia Internet (via Business Insider).

Julio Hungria, no BlueBus: “O movimento ocorre porque a mídia impressa tem sofrido um declínio veloz – ela se afasta cada vez mais do interesse dos seus potenciais leitores em benefício do interesse dos seus financiadores. E também porque nós mudamos, é claro.”

Pois é.

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Tragédia brasileira. O CNJ divulgou os novos dados sobre a população carcerária brasileira.

Dois destaques:

1. O Brasil passa a ter a terceira maior população carcerária do mundo — passamos a Rússia, u-hu!

2. Se todos os mandados em aberto fossem cumpridos, teríamos mais de 1 milhão de pessoas presas.

Nas Olimpíadas, isso dá uma medalha de bronze. Por aqui, dá violações de direitos humanos mesmo e sequelas que durarão para sempre na vida de muitas famílias.

O ponto positivo é que o trabalho do CNJ está ajudando a conhecer o problema real e, portanto, colaborando para que as políticas públicas melhorem.

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Cena rara. Um deputado efetivamente em ação:

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Trilha sonora nacional da semana

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E a internacional:

Se eu for preso, pelo menos vou com a consciência tranquila

Acabo de descobrir que eu moro a menos de 2km do Estádio do Maracanã e que, portanto, estou agora sob a Lei da Copa — da FIFA, em outras palavras.

A lei (disponível aqui) é tão estúpida que aborda apenas genericamente o tal do perímetro. Na Copa das Confederações, eu filmei policiais impedido as pessoas de circularem. Qualquer pessoa, manifestante ou não. Chegou-se ao absurdo de a polícia impedir as pessoas de irem para suas casas, por não terem como comprovar que moram ali!

Se acontecer comigo, pode ir me buscar na delegacia. Eu sou antes de tudo CIDADÃO! Me nego a me submeter a uma legislação que não só é injusta e inconstitucional, como foi feita por e para uma entidade representante da máfia internacional.