O gigante acordou atrasadaço pro trampo

Há 514 anos os portugueses chegaram às costas do Brasil atrás do nosso pau-brasil. Os colonizadores foram obrigados a descer o cacete no povo como último recurso para dispersar uma minoria de vândalos que não queria entregar nossa maior riqueza, a mulata brasileira. Um grupo isolado de cara-pintada-blocs bem que tentou, mas acabou cedendo ao encanto lusitano.

Os conquistadores venceram com uma ajudinha do interventor imperial – afinal, roubado é mais gostoso – e passaram a explorar outras partes mais remotas da anatomia do brasileiro, como o litoral e as costas. Mas isso já faz muito tempo… para vocês terem uma ideia, naquela época Portugal era o país mais avançado do mundo! Pedro Álvares Cabral era uma espécie de astronauta alentejano. Até hoje os historiadores não chegaram a uma conclusão sobre se o Brasil foi descoberto por acaso, por engano ou por incompetência mesmo.

Os índios não tinham preconceito e passaram a comer os portugueses também, fechando assim a cadeia alimentar, que é a base do equilíbrio ecológico da Natureza. Aqui, em se plantando todos dão. Conforme explicou Gilberto Freyre, a abundância, a fartura e o calor dos trópicos evocam o paraíso perdido – eternizando até hoje o traço cultural tipicamente brasileiro do “ô, lá em casa”.

Mais tarde, na maior seca de pau-brasil, e com os recursos do Bolsa-Colonizador minguando, os portugueses mandaram vir da África volumosos trabalhadores para pegar no cabo da enxada, porque eu é que não vou ficar no meio dessa palha assada. Mais tarde chegaram os italianos, os japoneses, as dançarinas do Faustão, os funkeiros e os répers da pêrifa, formando assim a primeira grande teoria da mistura gastronômica de raças – conhecida mundialmente como “Olivier”.

Todos estão satisfeitos com os 514 anos deste país, com exceção dos índios, dos negros, dos sem-terra, dos gays, das lésbicas, das crianças, dos sem-teto, dos sem-copa, dos reservas da seleção brasileira, dos vagabundos profissionais, dos professores, dos enfermeiros, dos governistas, dos baderneiros e do empresariado paulista.

Mas no meu governo isso tudo vai mudar, depois que finalizarmos a única e verdadeira reforma que dará um jeito nesse país: a transferência definitiva dessa burguesia linda e cheirosa para a Ilha de Caras.

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