Mensalão: Orquestrado por pessoas que sabem promover o circo da política

Pedem algo para, resumidamente, explicar o ocorrido. Como ninguém vai ler milhares de páginas de juridiquês, claro, antes de uma conversa assista a este vídeo:

É da Retrato do Brasil, uma revista independente fundada em 1997 e que acompanha minuciosamente o julgamento, passo a passo.

Aos fatos:

  1. Existiu, sim, o financiamento ilegal eleitoral, o caixa 2, por parte do PT-PL.
  2. Não existiu, no entanto, o “mensalão”. Por que então julgar um e não o outro?

Entenda no vídeo e descubra, com surpresa, o que as Organizações Globo sabem e escondem de você.

Vamos deixar claro, então: sentimos muito por você que comemora o espetáculo, o julgamento do mensalão é uma fraude feita por gente claramente mal intencionada e orquestrada midiaticamente por pessoas que sabem disso.

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O professor Gilson Caroni Filho escreve:

“Em poucos momentos da história, a justiça foi tão achincalhada como ontem. Negação do contraditório, fatiamento do transitado em julgado e ordens de prisão para satisfazer a sanha de uma classe média reacionária e patrimonialista. Tudo, desde o início, não passou de um espetáculo jurídico-midiático visando ao entretenimento do que há de mais retrógrado no país. Mesmo os que, no campo da esquerda se opõem ao PT, não aprovaram o linchamento de lideranças que lutaram contra a ditadura. Passado tudo isso, veremos que a farsa se voltará contra quem a perpetrou: o STF ,cada vez mais partidarizado, se desmoralizou como instância responsável pelo cumprimento da constituição. A credibilidade da imprensa, como mostra pesquisa da FGV, está no subsolo.

Joaquim Barbosa, longe de ser um magistrado, tornou-se uma figura folclórica da mídia. Em sua toga há um colarinho em arco, uma rosa que esguicha água, faltando providenciar o nariz vermelho. Talvez, como os jogadores que marcam três gols em uma partida, tenha até direito a pedir música no Fantástico e, quem sabe, um convite para participar de um reality show. Mas numa Corte que já teve Nunes Leal, ele sabe que é um ponto fora da curva.

Lamento, mas se você é um dos que festejam, saiba que ontem teve uma vitória de Pirro.Um partido que tem história e militância comete erros, mas não é destruído por circos macabros. E outra coisa: você não tem qualquer preocupação com o aperfeiçoamento das instituições. Seu ódio é contra programas de transferência de renda que lhe retiraram a empregada barata, o caseiro faminto e ainda puseram no aeroporto, que você julgava espaço privativo de pessoas como você, cidadãos que antes só pisavam lá para carregar sua bagagem de bijuterias baratas. Mas, daqui a pouco, você estará triste novamente. E é do seu ressentimento que você recolhe forças para reproduzir os mantras que publicações como a revista Veja lhe proporcionam semanalmente.

Só uma coisinha mais. Não deixe seu comentário aqui. Se o fizer eu o deletarei. Não queira em uma rede social o que você não tolerou até agora: o direito ao contraditório. Tenha um bom fim de semana. O sol está lindo e a praia convidativa. Leve a sua revista predileta e aproveite. Dizem que o tempo vai mudar amanhã e, acredite, o seu humor também.”

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Chega a ser patética a “análise” de “colunistas” (lê-se consultores corporativos) da “imprensa” (lê-se assessorias de imprensa de lobbies políticos) que afirmam que o Brasil deu um grande exemplo ao levar pra cadeia Dirceu, Genoíno etc.

Se é que ainda há espaço pra pensar, vamos aos questionamentos:

  1. A forma como se vota no Congresso e o modo como se financiam as campanhas políticas mudaram após o julgamento do “mensalão”?
  2. A prisão é a melhor e única forma de evitar fraudes de quaisquer tipos no jogo político?
  3. As dezenas de escândalos do PSDB e partidos-de-programa da vida desde FHC já geraram alguma prisão? Vão gerar alguma?
  4. Você sabe quem é Luís Flávio Zampronha, Verônica Serra, Mauro Ricardo Costa, Eduardo Azeredo?

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A última notícia sobre o Mensalão Tucano (Ação Penal 536) no site do Supremo Tribunal Federal foi publicada em 21 de novembro de 2012. Confira: http://migre.me/gE3UQ

Faz tempo, mas a sociedade brasileira não esqueceu e agora exige tratamento igual para a ação, que a imprensa não mostrou tanto quanto o “mensalão” do PT, mas que tem desdobramentos igualmente graves.

Por enquanto, não admitimos “Feliz 2014”. Vamos trabalhar, STF? Mais clicando aqui.

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A imensa felicidade de quem acha que “prender mensaleiros” é colocar o país nos trilhos da boa administração é a prova de que as ameaças da privatização e da corrupção — principalmente por parte de seus mais antigos especialistas — ainda nos assombra, sem espaço para comemorações sobre o crescimento dos movimentos populares em 2013.

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Marta Machado, coordenadora do núcleo de estudos sobre o crime e a pena da Direito GV, escreve n’O Estado de S.Paulo:

“O STF decidiu executar as penas de acusados da AP470. Isso foi comemorado por boa parte da opinião pública. Mas comemoramos o quê?

Há outras manifestações do sistema jurídico que poderiam responsabilizar e comunicar a gravidade dos atos ilícitos. Mas por revanchismo, automatismo ou desejo de que alguém pague a conta das nossas insatisfações, qualquer resultado diferente da prisão seria visto como impunidade.

Não é novidade que a prisão não cumpre as funções que se atribui. Ainda assim, o Brasil é o quarto país que mais encarcera no mundo, submetendo a tratamento degradante mais de meio milhão de pessoas.

Mas os réus de agora não são a clientela típica do sistema prisional. O problema aqui é o efeito “cortina de fumaça”. A prisão dos réus obscurece um debate sério sobre reformas institucionais, transparência no financiamento de campanhas políticas, fortalecimento dos mecanismos de controle.

A imagem dos réus aprisionados pode colocar a perder uma janela de oportunidade importante: discutir a sério uma reforma das nossas instituições e o aperfeiçoamento da democracia. Isso valeria comemoração.”

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Sérgio Tavares escreve:

“Agora que o mensalão acabou a tarefa é:

1. Pesquisar a história de Genoíno, pra começar.
2. Compará-la com a de Demóstenes Torres ou ACM Neto, também pra começar.
3. Entender o que é a teoria do domínio de fato.
4. Comparar datas de caixa 2 e votações no congresso, e avaliar se houve mesmo compra de votos.
5. Entender o mensalão mineiro do PSDB, o caso Alstom-Siemens e sua relação com o PSDB, e o caso dos 500 milhões da prefeitura de SP.
6. Comparar a atenção dada a estes casos pela imprensa. Por exemplo: qual o apelido dado a estes casos?
7. Responda rápido: qual a profissão e de quê vive José Serra?
8. Google: “Verônica Serra” + “Ilhas Virgens Britânicas”
9. Exercício prático de jornalismo: contar quantos colunistas atacam e quantos apoiam o governo, sobre qualquer assunto, na CBN e na revista Veja, para começar. Há algum desequilíbrio?
10. Encontre o erro no Jornal Nacional: “Taxa de desemprego sobe, este é o pior mês do ano”.
11. Por que precisamos de financiamento público de campanha? Dica: Construtora Delta.

Recomendo alguns dos exercícios diariamente.”

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Nenhuma simpatia pelo político Zé Dirceu, não resta dúvida minha quanto a isso — mas inegavelmente é um retrocesso para este país prender alguém sem provas. E nada vai mudar: como prisão política que é, não resultará no fim da impunidade nem na moralização do Congresso. É apenas isso: uma prisão política.

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Recompartilhando, para quem não lembra, a entrevista de um homem inequivocamente da direita, o jurista Ives Gandraclique aqui.

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Impressionante o efeito que tem a grande imprensa ao escolher um lado. De que adianta o Facebook, nestas horas?

Perguntei a muitas pessoas comuns aqui onde estou, no interior do Rio, o que é o mensalão e o que achavam das prisões.

Ninguém sabia direito o que era, mas tinham certeza que os “safados” estavam indo pra cadeia e que infelizmente iam se “safar” em seguida.

Uma pessoa chegou a relacionar o mensalão ao “escândalo em São Paulo da prefeitura petista”. Muitos acreditam ainda que foi o maior caso de corrupção da história do Brasil.

Infelizmente, a falta de pulso firme para regulamentar a mídia no Brasil, tal como exige a Constituição e pedem os movimentos sociais, gerou o famoso “tiro no próprio pé”. Nada de direito ao contraditório. Um circo montado com apoio da inoperância do governo federal dos últimos 10 anos.

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