Mais um jovem executado por forças de segurança no Rio

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#ocupeestelita

Ataque covarde da polícia em Recife. Da BBC: “Fizeram meu bebê respirar gás lacrimogêneo”, diz grávida sobre reintegração da ocupação do Cais Estelita (#ocupeestelita), no Recife. Repressão policial foi condenada pela Anistia Internacional, pelo Ministério Público e pela UFPE: http://bbc.in/1oKzqKk

“Pensávamos que era um país mais de paz. Estamos muito assustados”, afirmou a costa-riquenha Astrid Bins: http://bit.ly/1lFKNQ0

Nota de repúdio: “O Ministério Público Federal (MPF) em Pernambuco, surpreendido com a notícia da reintegração de posse da área do Pátio Ferroviário das Cinco das Pontas, no Cais José Estelita, no início desta terça-feira (17/6), vem a público repudiar o ato executado pela Polícia Militar, pelas seguintes razões (…)” (acesse aqui)

Do Mídia Ninja: “Após 27 dias de uma ocupação histórica e propositiva do espaço Público em Recife o Movimento Ocupe Estelita é removido com violência pelo Batalhão de Choque da PM de Pernambuco. Apesar dos acordo firmados entre o movimento e Ministério Público e Secretarias Estaduais de Direitos Humanos e Defesa Social, a reintegração foi realizada sem qualquer aviso prévio ou negociação, violando direitos e desrespeitando as garantias legais dos ocupantes.”

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Relato de Pedro Mara, no Rio: “Hoje eu tava pedalando a tarde em Copacabana quando vi um garoto que foi acusado de furto. Um brutamontes dava um mata leão na criança, com a anuência da PM e guarda municipal. Tentei dizer que, independente de qualquer coisa, tinha uma ‘autoridade’ lá que é quem deveria segurar a criança. Em vão, quase apanhei do guarda municipal.”

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Matéria n’O Globo: “PM detém 15 e usa gás de pimenta em protesto com cerca de 50 manifestantes. Uma hora antes do horário marcado para o ato, havia apenas policiais na Candelária. Às 17h, eram 15 manifestantes”.

Rafucko: “Hoje a PM prendeu mais alguns inocentes, dentre os quais está um dos caras mais calmos e equilibrados que eu conheci no último ano nas ruas, o Cristiano (este da foto abaixo). Segundo relatos, estava defendendo uma menina que também era agredida pelos PMs.”

Atila Roque, da Anistia Internacional, comenta: “Tem horas que chego a pensar que a polícia recebe comissão pelo consumo do spray de pimenta, tal a liberalidade com a qual usam o produto nas pessoas. Sério, 30 manifestantes, 10 meninas com rosto pintado se preto e roupas coloridas, batucando em latas, ofereciam exatamente que tipo de risco para levarem spray de pimenta e serem presas??”

E sobrou até para a torcida.

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Ciclo de violações no Rio: prende-se sem justificativa. E quem reclamar vai preso. E quem reclamar também. Na imagem: “Tenente Bruno, já famoso nos protestos, prendeu e mandou algemar o rapaz que protestava contra a prisão de uma moça.” (leia aqui)

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Exportando violações. O Ministério Público do Trabalho denunciou o grupo empresarial Odebrecht por, segundo o órgão, manter 500 trabalhadores brasileiros em condições análogas à escravidão na construção de uma usina em Angola. E pior: com dinheiro nosso, da população. Dinheiro público: http://bbc.in/1qg0nTF

É a mesma que teve estreitos laços com a ditadura militar, a “campeã” desta Copa do Mundo em editais (viciados), a empresa multinacional que já está em 26 países, a da maior represa do mundo (na Amazônia) e a empresa que financia todo e qualquer governo “democrático” do Brasil: http://abr.ai/1qfZY3y

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Retrato brasileiro. Brazilian Portrait. (Porto Alegre, 2014)

(não sei o crédito da foto; se alguém souber, basta informar aqui)
(don’t know the photo credit; if anyone does, put it here)

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Enquanto isso, longe dos “olhos do mundo”…

Do jornal O Dia: “Após diversas denúncias, de bancadas usadas como macas, pacientes atendidos no chão, déficit de médicos e superlotação, a 7ª Vara de Fazenda Pública condenou, na última segunda-feira [16 de junho], o Município do Rio de Janeiro a adotar medidas para solucionar os problemas crônicos do Hospital Salgado Filho, no Méier, uma das principais unidades de emergência da cidade.

A decisão obriga a prefeitura a apresentar a listagem dos profissionais concursados lotados no hospital, a carga horária e as escalas dos plantões. Em nota, o Ministério Público afirmou que na punição ainda consta que a prefeitura deverá comprovar a abertura de um novo concurso público para suprir a defasagem de funcionários do hospital, enquanto o déficit de profissionais concursados não for sanado.

O secretário municipal de Saúde, Hans Dohmann, deverá apresentar soluções emergenciais para minimizar a carência de pessoal na unidade, com o aval técnico-jurídico da Procuradoria-Geral do Município. Os prazos para que a prefeitura cumpra a decisão — e se é cabível recurso — não foram divulgados pelo MP.

Segundo um levantamento feito por João de Oliveira, assessor do vereador Paulo Pinheiro (Psol), e divulgado em fevereiro deste ano, o hospital teria perdido aproximadamente R$ 12 milhões das verbas no orçamento de 2014. Na época, a prefeitura alegou que os recursos estavam retidos e seriam liberados conforme o cronograma para este ano.”

E da Agência Brasil, belíssima (e triste) matéria: “Moradores do terreno da Oi continuam sem teto e longe da Copa”

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Comissão Nacional da Verdade torna públicos relatórios das sindicâncias instauradas pelos comandos das Forças Armadas

A Comissão Nacional da Verdade recebeu na tarde do dia 17 de junho, ofício do ministro da Defesa, Celso Amorim, que encaminhou os expedientes recebidos dos Comandos da Marinha, Exército e Força Aérea, em resposta ao ofício 124/2014-CNV, de 18 de fevereiro de 2014, que solicitou a instauração, pelas Forças Armadas, de sindicâncias administrativas para apurar desvios de finalidade na utilização de instalações militares utilizadas como centros de tortura.

Leia mais e acesse os documentos na íntegra clicando aqui.

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A estupidez de nossa elite

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Copa com humor

(de 2010)

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Lamentável. Nos EUA, pastor que fazia ‘cura gay’ é preso por abuso sexual de dois homens. Reverendo Ryan J. Muehlhauser pode pegar até dez anos de prisão por cada crime (leia aqui).

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Médicos cubanos revolucionam atendimento em comunidades no Espírito Santo

Em um dos casos, profissionais de Cuba já conseguiram resolver o atraso nas consultas de pré-natal, desenvolveram um programa de atendimento para os casos de hipertensão e diabetes e sistematizaram as consultas domiciliares. Programa ‘Mais Médicos’ tem apoio da OPAS: http://bit.ly/T7hXNJ

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Um discurso que não deve ser esquecido

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Regras claras!

Mais um flagra de abuso de autoridade na Maré (RJ)

Mesmo filmado, o militar adota um procedimento inaceitável para uma “democracia”. Será que temos uma?

Já havia publicado um anterior, há pouco tempo, acesse aqui.

Professores do Rio querem direitos e governo responde com… a polícia!

Mais uma vez, nesta quarta-feira (28/5/2014), os professores da rede municipal esperavam para serem recebidos pela Prefeitura há mais de duas horas para conversar, e nada.

Os professores decidiram então se manifestar: queriam ser recebidos para dialogar. E como reagiu o governo? Com a polícia e uma truculência muito maior do que a que pode ser visto neste vídeo. Ao final, muitos feridos e até sangrando.

Este é o governo da cidade do Rio de Janeiro, cujo diálogo se dá prioritariamente por meio da violência, neste caso contra aquele que é o profissional mais importante de todos — o professor!

Todos os trabalhadores têm duas coisas em comum: são detentores dos direitos humanos e, antes de serem o que são, foram formados por PROFESSORES.

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Uma professora foi presa (clique aqui).

O momento da sua soltura:

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Imprensa livre?

O jornal O Dia estampa na capa do online: “GREVE ILEGAL — Docentes que não voltarem às salas de aula nesta quarta terão o ponto cortado”

Dentro, e só dentro, se vê que a decisão, da Justiça, vale apenas para o Estado (e não para os docentes da Prefeitura).

Pior: o tom de ameaça parece ter sido escrito por algum assessor da Prefeitura…

Lamentável essa modalidade de “imprensa livre”.

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Pelo Facebook esta semana

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Enquanto isso, no Rio…

“O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou as quadrilhas lideradas pelo traficante Marcelo Santos das Dores, o Menor P, no Complexo da Maré, e pelo Nem, na Rocinha. Entre os 29 denunciados estão cinco policiais da UPP da Rocinha que seriam informantes da quadrilha de Nem.” (Jornal Extra)

“Pelo menos 28, dos 52 PMs que tinham sido expulsos da corporação no ano passado, acusados de receberem propina do tráfico drogas em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, já conseguiram ser reintegrados à corporação por decisões judiciais. Presos durante a Operação Purificação, realizada em dezembro de 2012, os militares, a maioria à época lotada no 15º BPM (Duque de Caxias), já estão soltos desde julho do ano passado.” (Jornal Extra)

“Um adolescente foi agredido com tapas no rosto, depois de ser detido por militares da Brigada de Infantaria Paraquedista, no Complexo da Maré, no início de maio. A agressão durou pelo menos 57 segundos e foi registrada em um vídeo.” (Jornal Extra)

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São Paulo: Vídeo mostra cenário de guerra provocado pela PM para dispersar protesto na Brasilândia. Manifestantes foram alvo de bombas de gás lacrimogêneo. Comandante da operação é acusado de falta de comando, após quase ser alvejado. (SpressoSP)

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Cooperação internacional nos anos 70: o que uma democracia nos ensinou.

“(…) Documentos e depoimentos obtidos com exclusividade pela BBC revelam um lado pouco conhecido da ditadura militar brasileira – a de que autoridades da Grã-Bretanha colaboraram com generais brasileiros – inclusive ensinando técnicas “avançadas” de interrogação equivalentes a tortura.

(…) “Desta vez, a cela estava limpa e esterilizada, com um cheiro nauseante. O ar condicionado era muito frio. A luz estava permanentemente acesa, então eu não tinha ideia se era dia ou noite. Eles alternavam sons muito altos e depois muito baixos. Eu não conseguia dormir de jeito nenhum.”

Alvaro [Caldas] conta que a sensação avassaladora que sentia era medo. De tempos em tempos, alguns oficiais entravam na cela, o encapuzavam e levavam para interrogações. Ele sentia que o objetivo era desestabilizá-lo, fazendo-o confessar algum crime que não havia cometido.

Isso não era tortura física, mas sim uma pressão psicológica intensa. “Por sorte, só passei uma semana lá. Se tivesse ficado duas semanas ou um mês, teria enlouquecido.” Esta nova técnica de interrogação ficou conhecida como “sistema inglês”.

(…) “Os americanos também ensinam, mas os ingleses é que são os mestres em ensinar como arrancar confissões sob pressão, por tortura, de todas as formas. A Inglaterra é o modelo de democracia. Eles dão cursos aos seus amigos”.

O general Fiuza de Castro disse que os britânicos recomendam deixar os prisioneiros nus antes de interrogá-los, para deixá-los angustiados e deprimidos – um estado que favorece o interrogador.

As técnicas teriam sido criadas nos anos 1960 em territórios britânicos na Ásia e aperfeiçoadas contra militantes na Irlanda do Norte.

O método ficou consagrado em inglês como “Five Techniques”, ou “Cinco Técnicas”:

  • Manter a pessoa de pé contra uma parede por muitas horas
  • Encapuzar
  • Sujeitar a grandes barulhos
  • Impedir o sono
  • Pouca comida e água”

Leia a matéria da BBC clicando aqui.

Exército na Maré: o Brasil pré-Copa

Exército na Maré, complexo de favelas do Rio de Janeiro: esse incidente, pelo que chequei, aconteceu no local conhecido como Campo da Paty, na Nova Holanda.

O notável despreparo do Exército ocupando ruas na favela carioca vem acompanhado do total descaso em relação aos serviços sociais. Bem-vind@ ao país da Copa.

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A barbárie, declarada por um dos torturadores

“(…) Ex-agente do DOI contou que, ao chegar, o preso era levado à “sala do ponto”, um lugar tão terrível que “até o diabo, se entrasse ali, saía em pânico”.”

Mais um capítulo da estupidez promovida pelos militares durante a ditadura. Crimes imprescritíveis, crimes contra a humanidade.

Disse o ex-agente, Riscala Corbaje: “Não tem necessidade de fazer nenhum outro sofrimento, choque, nem nada. Os outros davam tapa, davam soco. Cada um trabalhava de um jeito lá. Tu já viu estudante? Você pega um estudante, você bota ele com o peso do corpo numa barra de ferro e deixa ele 15 minutos pendurado no pau de arara. Não precisa dar choque. O cara urra de dor. Sabe por quê? Atinge os nervos da perna. O cara quer descer de qualquer maneira”.

E, ao final, declarou: “Não tenho o menor peso na consciência”. (leia aqui a matéria)

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SP: Mais pessoas devolvem apartamento por não poder arcar com aumento do aluguel

Belíssimo legado da Copa — e da falta de políticas públicas que realmente trarão desenvolvimento, como as de moradia.

“Uma pesquisa divulgada neste mês pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP) mostra que, em um ano, dobrou a proporção de pessoas que devolveram as chaves de apartamentos por não conseguir arcar com o aluguel. O índice de entrega por problemas financeiros passou de 15% do total das devoluções, em fevereiro de 2013, para 30%, no mesmo mês deste ano. A pesquisa foi feita com 402 imobiliárias.”

Entendeu como os 25 bilhões da Copa voltam? Leia aqui a matéria.

Na Folha: “Eu costumava morar no centro de Itaquera, mas, de dois anos para cá, o meu aluguel passou de R$ 300 para R$ 700”, conta Luciana. “Aí não tive mais como ficar na minha casa.”

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Enquanto isso, na Polícia Militar do Rio mais um corrupto está impune…

Do jornal O Dia: “PM suspeito de ser um dos chefes de quadrilha está na ativa em outro batalhão. Rômulo Oliveira André trocou de unidade mesmo após O DIA revelar com exclusividade detalhes da ação do grupo.”

Taí o porquê do fracasso da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Este não é um caso isolado: a instituição não tem corregedoria.

Tudo pode, só tente não aparecer com o rosto no Fantástico ou fazer uma merda tão grande que vire alvo de campanha internacional. De resto, tudo pode.

A instituição funciona hoje de acordo com o vento: se o policial ou comandante é bom, tudo bem. Parabéns, toma sua estrelinha, com direito a aparecer no catálogo de “boas práticas” que será entregue à sociedade.

Se não é, aí ferrou. Corrupção, assassinatos, tudo poderá daí vir — sem consequências reais. Repito: é regra, não exceção.

Janio de Freitas, grande jornalista, em entrevista ao Fazendo Media: “Não adianta apenas substituir a farda por uma camisa esporte, vai continuar a mesma coisa”.

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Ótimo artigo sobre o direito de se manifestar, inclusive na Copa

Os direitos humanos são inegociáveis, diz Atila Roque, da Anistia Internacional Brasil, e a sociedade civil está de olho: http://glo.bo/1keIV0G

‘O Rio de Janeiro mostra seu lado mais agradável’

O desparecimento forçado do pedreiro Amarildo é uma síntese do Rio de Janeiro contemporâneo. Foto: Fernando Frazão/ABrEstá n’O Globo: “Criminosos atacam quatro UPPs e ferem chefe da base de Manguinhos (…) Em nota, Cabral disse que essa é mais uma tentativa da marginalidade de enfraquecer a política vitoriosa da pacificação, que retomou territórios historicamente ocupados por bandidos. Ele afirmou ainda que mantém o firme compromisso assumido com as populações das comunidades e de todo o estado de não sair, em hipótese alguma, desses locais ocupados e manter a política da pacificação.”

O que tem a ver o projeto da UPP — as autoproclamadas “Unidades de Polícia Pacificadora” — com o que está acontecendo hoje no Rio de Janeiro? Nada. Eis o porque:

01. Segundo dezenas de relatos nas comunidades, teve início há algum tempo uma ofensiva do Estado para promover uma “limpeza social” na cidade antes da Copa. Segundo alguns relatos populares, a milícia age onde pode agir, às vezes apoiando. As políticas repressoras são apoiadas pelas remoções em massa — com até 250 mil pessoas ameaçadas — e pela especulação imobiliária. Toda sorte de violações dos direitos humanos foi cometida.

02. Aos poucos, o tráfico reagiu. Com a ofensiva persistindo, as reações se tornaram mais violentas. Não se trata de um FlaxFlu: há milhares de vidas em jogo. As pessoas vivem entre estes interesses. E estão morrendo.

03. Acompanhe o relato: “A ‘limpeza social’ da cidade antes dos Jogos não se resume às remoções. Nas áreas centrais e outras frequentadas pelos turistas, tem se intensificado a perseguição a vendedores ambulantes (“camelôs”), moradores de rua (especialmente as crianças), guardadores de automóveis (“flanelinhas”), etc. A repressão e retirada das ruas dessa “população indesejável” é feita sob o rótulo de campanhas como ‘Operação Zona Sul Legal’ (…).”

Não é de 2014, e sim de 2007, pouco antes Jogos Pan-americanos que aconteceram no Rio de Janeiro.

04. Antes ainda havia no Governo do Estado um ensaio de projeto social das UPPs — a “UPP Social” — que hoje está praticamente inoperante. Perdeu poder político, de mobilização e recursos. Mais uma vez — e às vésperas do fim do segundo mandato — o Governo do Estado esquece os investimentos sociais para dar lugar a uma prioridade pré-megaeventos: a área de segurança. Uma reprise de 2007.

05. Ainda fazendo um paralelo com o Pan 2007: em 2006, o governo federal falava no “Legado Social do Pan” como sua principal preocupação, prometendo que 500 mil moradores de 50 comunidades populares que viviam no entorno das atividades do Pan seriam atendidas através de programas sociais, de cunho esportivo, educacional e cultural.

Posteriormente, foi anunciado o valor de R$ 562 milhões para a segurança do Pan. O então secretário nacional de segurança, Luiz Fernando Corrêa, e o secretário estadual, José Mariano Beltrame, afirmaram que os equipamentos adquiridos eram o legado do Pan para o Rio de Janeiro.

O mesmo acontece agora: o orçamento da Copa era inicialmente de R$ 23,5 bilhões e, atualmente, já passa de R$ 26 bilhões, e subindo. Mesmo assim, apenas 5 das 41 obras de mobilidade urbana foram concluídas. Algumas delas são de baixíssimo custo, como uma passarela entre uma estação de trem e o complexo do Maracanã.

06. Mas o pior legado — e o que explica em parte a revolta nacional — diz respeito ao tipo de investimento: em 2007, anunciou-se que a Copa seria 90% financiada com dinheiro privado. Atualmente, sabe-se que 98% do dinheiro da Copa é público, e sem qualquer contrapartida para a população em geral.

Há quem ganhe? Sim: o setor hoteleiro, os patrocinadores, o Pelé, outros grandes empresários e — numa escala infinitamente menor — alguns poucos comerciantes do entorno dos estádios. E, mesmo assim, só durante os jogos. Não se assuste se eles começarem a se multiplicar nas matérias “jornalísticas” sobre o “legado da Copa”.

Ganham ainda, e sobretudo, os especuladores imobiliários — como aconteceu no Pan com a Vila Pan-Americana.

07. Antes de ficar propondo ‘previsões’, eu resgato um alerta da Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência: “(…) O ‘legado do Pan’ deixará um equipamento de alto poder de fogo nas mãos de uma força policial internacionalmente conhecida como uma das mais letais e violentas do mundo. Isso não é apenas uma previsão sombria, os efeitos da mobilização de segurança pelo Pan já estamos sentindo há alguns meses.”

08. É nesse contexto que se encontram as atuais operações policiais. A partir do dia 2 de maio de 2007, sob o pretexto de ‘caçar’ os supostos assassinos de dois policiais mortos, forças das polícias militares e civil passaram a realizar incursões diárias no Complexo do Alemão, resultando em 16 mortos (2 policiais) e 53 feridos a bala, além de promover o terror na comunidade e o fechamento quase que diário do comércio e das escolas.

Um pesquisador da Anistia Internacional visitou a Vila Cruzeiro — a comunidade mais atingida pela operação — e relatou: “Além de intimidar e humilhar a população, atirar indiscriminadamente contra casas, lojas e igrejas dentro da comunidade, destruir pertences da população, a Anistia recebeu relatos de furtos cometidos por policiais, atos de violência e tortura dentro do caveirão [veículo blindado da Polícia Militar] e até relatos de possíveis execuções sumárias”.

09. Sobre as milícias, o jornal O Globo registra em sua edição de 10/12/2006:

“(…) Criticado durante a semana por ter classificado as milícias como Autodefesas Comunitárias, o prefeito Cesar Maia, em entrevista por e-mail ao GLOBO, afirma que o termo não é de sua autoria, mas argumenta que essas milícias são, no mínimo, um mal menor que o tráfico para a realização do Pan. Questionado se essas ocupações seriam um remédio amargo a administrar às vésperas dos jogos, em um momento em que recrudesceram os crimes, principalmente nas vias de acesso do aeroporto aos principais pontos do evento, o prefeito foi enfático:

— A curto prazo, portanto dentro do Pan, as ADCs (Autodefesas Comunitárias) são um problema menor, muito menor, que o tráfico.”

Sobre o mesmo tema, o atual prefeito do Rio, Eduardo Paes — que era, em 2007, secretário de Turismo, Esporte e Lazer do Governo Sergio Cabral, e já foi aliado a Cesar Maia — também havia “elogiado” a ação ‘pacificadora’ das milícias. Paes disse:

“Você tem áreas em que o estado perdeu a soberania por completo. A gente precisa recuperar essa soberania. Eu vou dar um exemplo, pois as pessoas sempre perguntam como recuperar essa soberania. Jacarepaguá é um bairro que a tal da polícia mineira, formada por policiais e bombeiros, trouxe tranqüilidade para a população. O Morro São José Operário era um dos mais violentos desse estado e agora é um dos mais tranquilos. O Morro do Sapê, ali em Curicica. Ou seja, com ação, com inteligência, você tem como fazer com que o estado retome a soberania nessas áreas.”

No vale-tudo da política, durante as eleições de 2008, César Maia “acusou” Paes de apoiar as milícias.

Não é à toa que dois chefes de milícia presos em 2008 — o ex-vereador Jerominho e o deputado estadual Natalino –, integrantes de uma das milícias mais violentas do Rio de Janeiro, são respectivamente do PDMB e do PFL (atual DEM). Os partidos do então governador (Sergio Cabral) e do prefeito (Cesar Maia). Antes de serem um “mal menor”, são braços do poder.

10. Já em 2007, a Rede contra a Violência alertara — e isso bem antes das manifestações de junho de 2013: “Toda essa intensificação da ilegalidade e da violação de direitos na segurança pública do Rio às vésperas do Pan, é sustentada por um discurso militarista, confrontador e estereotipado, que ganha cada vez mais espaço entre os governantes e em boa parte da imprensa.”

É triste ver que este documento da Rede — disponível aqui — quase não sofreu alterações. Mudam-se alguns nomes, alguns dados, e a situação permanece a mesma.

11. Durante a “ECO92”, a Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, uma reportagem perguntou a um gari o que ele estava achando do evento. Ele respondeu:

“Eu acho que está bom até agora. Há muitas pessoas e turistas. Muitos estão preocupados com a ecologia e a natureza, mas estão esquecendo o mais importante: as famílias pobres espalhadas pelo mundo, a fome, as favelas do Rio de Janeiro, as pessoas pobres que o governo não cuida.”

A reportagem acrescenta: “Nas favelas, áreas cercadas, e por toda cidade a segurança está afiada para a chegada dos chefes de Estados e de governos.”

No momento em que o repórter entrevista adolescentes na rua, ouve-se um tiro. Um jovem diz: “A lá. Dando tiro no menor”. O câmera se volta para um policial correndo com uma arma na mão.

A matéria conclui: “As ruas foram varridas e limpas. As crianças desabrigadas são levadas para campos. O Rio de Janeiro mostra seu lado mais agradável.”

12. A política do enfrentamento reaparece, por fim, com força total. Não que tivesse sumido algum dia, contudo a cada novo megaevento, o Governo do Estado e o Governo Federal abandonam a publicidade e partem para as guerras de sempre: contra as drogas, contra os pobres, contra o tráfico e quem mais estiver no caminho.

A ameaça do imediatismo

Um policial militar do século 19
Um policial militar do século 19

O comandante do 9º BPM (Rocha Miranda), tenente coronel Wagner Moretzsohn, tem versões tão contraditórias quanto ao caso do assassinato de Claudia da Silva Ferreira que chegam a doer o estômago.

Não explica porque os policiais militares estava de madrugada na área, nem quantos homens estava na operação. Continua, além disso, defendendo a “troca de tiros” que, segundo todos os moradores, não existiu.

Recentemente, no dia 11 de fevereiro, o mesmo Batalhão fez uma operação que matou Gleberson Nascimento Alves e Alan de Souza Pereira, ambos sem antecedentes criminais. O motivo da morte: os policiais “desconfiaram” de um grupo que “ocupava duas motos”. Sob o comando de Wagner Moretzsohn.

Nessa região de responsabilidade do 9º BPM, só em 2013 foram 18 “autos de resistência”, ou seja, 18 pessoas mortas pela polícia — mais de uma pessoa por mês. Os roubos aumentaram de 6,9 mil para 8.146. O homicídio saiu de 143 para 173. Milícia, tráfico e o Estado estão em constante confronto. No meio disso tudo, refém, a população.

Charge: Henfil
Charge: Henfil

E, para piorar, os três policiais militares presos após o assassinato de Claudia da Silva Ferreira “constam como envolvidos em 62 autos de resistência (mortes de suspeitos em confrontos com a polícia)” e “pelo menos 69 pessoas morreram em supostos tiroteios com os [mesmos] PMs desde 2000”.

Dane-se a polícia de proximidade: o próprio coronel Frederico Caldas — comandante das UPPs — é quem dá o recado, comentando a reocupação de favelas no Complexo do Alemão e na Penha: “A resposta será extremamente dura”.

Mas o comandante Wagner Moretzsohn — que já teve diversos cargos de confiança — dá aula de “boa conduta” no Governo do Estado:

“(…) O tenente-coronel Wagner Moretzsohn detalhou como funciona e os objetivos do Sistema de Metas e Acompanhamento de Resultados. O objetivo, segundo ele, é atingir redução significativa dos índices de criminalidade, com premiação em dinheiro, para os indicadores estratégicos de Letalidade Violenta, Roubos de Veículos e Roubos de Rua.

(…) Um dos propósitos é a definição de metas conjuntas para a Polícia Militar e a Polícia Civil possibilitando ainda maior integração entre estas polícias e a Secretaria de Estado de Segurança. “Agora, o foco é no cidadão de bem e não no bandido. O foco é na prevenção. A repressão, atualmente, é qualificada, com planejamento específico e bem aplicada”, comentou o tenente-coronel Wagner.”

A boa “aplicação” da falida política do Governo do Estado está exposta, clara e transparente. Em um ato de desespero, as autoridades se reuniram com o viúvo de Claudia e com seus filhos.

Alexandre, o viúvo em luto, foi lúcido, apesar de sua dor: “Há um senso comum de que todo morador de comunidade é bandido. Sabemos que há tráfico, mas não somos criminosos. A grande maioria é trabalhadora. A polícia não pode entrar na comunidade atirando. Foi o que aconteceu no domingo. Não tivesse aquele cara na hora (filmando com um celular), ali atrás daquela D-20 (carro da PM), se minha mulher não tivesse caído, não tivesse sido arrastada, só seria mais um caso”.

Pergunto-me: Sergio Cabral Filho ajudará todas as vítimas do Estado a processar o Estado ou com programas assistenciais? Qual será o critério para a ajuda? Aparecer no jornal Extra?

Temos de esquecer o imediatismo, incluindo o das eleições. O próximo passo depende de uma reforma dessa estrutura apodrecida — é preciso aprovar a PEC 51, idealizada por Luiz Eduardo Soares e outros autores: www.luizeduardosoares.com/?p=1185

Temos que dar um fim à Polícia Militar de 1809.

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O poder das palavras
Em 18 de março

Executaram uma mulher, uma mãe. Na imprensa, os policiais a “socorreram”, após “bala perdida”.

É um crime. Na versão propagada no primeiro dia, houve “irregularidades”.

O nome dela é Cláudia da Silva Ferreira, 4 filhos . A imprensa a chama da “arrastada”.

A Polícia Militar solta, inicialmente, uma versão absurda. Em parte da imprensa, a PM “esclarece”, “explica”.

Mais de 48 horas depois e diante de todas as testemunhas — todas — terem confirmado a execução (não havia tiroteio), uma manchete afirma que a “Ação da PM na Congonha arrastada deixa dúvídas”. Deixa, repitamos, “dúvidas”.

Sergio Cabral, que é o chefe do Executivo, diz “esperar” a expulsão de presos. Ele “espera”.

A presidente da República “presta solidariedade”. Alguma medida, lembrança sobre alguma política pública, ação emergencial? Não, “solidariedade”.

Cláudia tinha 4 filhos e cuidava de outros 4 sobrinhos. Ela se junta aos que “(…) entre 2002 e 2010, segundo os registros do Sistema de Informações de Mortalidade, morreram assassinados no país 272.422 cidadãos negros, com uma média de 30.269 assassinatos ao ano. Só em 2010 foram 34.983.” (A Cor dos Homicídios. Mapa da Violência, 2013)

A resposta do Estado? “Espera” e “solidariedade”.

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Sabe quando você lê “O secretário informou que foi aberto um inquérito para investigar as circunstâncias da morte”? Então: http://glo.bo/1gyQN6m

Inquéritos policiais militares não valem quase nada. Na média, menos de 4% dos inquéritos não são arquivados, o que não é diferente da média nacional geral.

E a responsabilidade não é só da Polícia Militar. A impunidade tem co-responsáveis: Poder Judiciário, Ministério Público e Polícia Civil (a polícia judiciária).

Então tudo está perdido e nos mandamos daqui? Claro que não. Mas enxergar a cadeia do crime é essencial. Sem deixar de olhar para as fotos das vítimas, para a realidade diária que nos rodeia, mesmo que isso signifique não dormir direito, por inquietação e desejo de mudança.

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O marido de Claudia: “(…) Todo mundo viu que não houve tiroteio. Tanto que a comunidade desceu na mesma hora para protestar. Se tivesse troca de tiros, ela teria sido alvejada na frente e atrás.”

E o secretário de Segurança? “Repudia” a conduta, “abriu inquérito”. Não é elogiável executar alguém, né? E não abrir inquérito era uma opção?

Mas a tese de que era uma “conduta” (de “salvamento”) e não um assassinato floresceu ontem por muitos meios da “imprensa livre”. Didi Mocó tinha mais destaque do que Cláudia.

Hoje, a filha: “Foi só virar a esquina e ela deu de frente com eles. Eles [os policiais] deram dois tiros nela, um no peito, que atravessou, e o outro, não sei se foi na cabeça ou no pescoço, que falaram. E caiu no chão. Aí falaram [os policiais] que se assustaram com o copo de café que estava na mão dela. Eles estavam achando que ela era bandida, que ela estava dando café para os bandidos.”

Estava claro, óbvio, o que aconteceu. Execução sumária. Mas o jornalismo contemporâneo ouve primeiro a autoridade. Depois o povo, se der. Na maior parte dos casos, como leio diariamente, a voz do favelado é isolada.

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Na imagem, Claudia – mais uma Silva assassinada. E creio que a imagem dela é importante sim: uma mãe forte, negra, favelada e que teve sua vida interrompida diretamente pela ação do poder público. Infelizmente, ela é a síntese de um Brasil esquecido pelos governantes. Devemos todos nos lembrar dela, sempre, para manter vivas as esperanças e não desistir.“O mínimo que se espera dos três policiais presos é que sejam expulsos da corporação”, diz o governador. Cena de Cláudia sendo arrastada por um carro da PM é “chocante”, diz o comandante-geral da Polícia Militar.

Esse é o Estado mínimo: só reage quando pressionado por uma câmera de celular e, mesmo assim, para fazer o mínimo, muito aquém do que pede a legislação.

Reforça, assim, o sistema repressivo que mantém essa lógica: política burra de repressão às drogas e manutenção de uma estrutura arcaica de força policial militar, que não sofre reformas significativas desde que surgiu, no Império (os mesmos relatos tenho acompanhado em jornais nos últimos 200 anos).

As “providências” nos dão a certeza de que mais Claudias e Amarildos estão por vir.

Houve 22.533 vítimas de desaparecimentos entre 2007 e 2011 no Rio de Janeiro, enquanto só em 2012 há 5.900 casos de desaparecimentos no Estado. Em grande parte dos casos observados atualmente no Rio de Janeiro, o modus operandi permanece o mesmo: é pobre, favelado, pode matar e dar um sumiço.

Neste e em outros vídeos, é possível observar a certeza da impunidade dos policiais que, ao mesmo tempo, são eles próprios atacados por traficantes e outras forças criminosas, em meio à política repressiva totalmente sem fundamento.

E as mortes que não possuem vídeos? Só com espetáculo se consegue um pouco mais de respeito aos direitos humanos?

Útil relembrar o relatório internacional sobre execuções sumárias no Brasil de 2010, ainda atual: http://bit.ly/1gKGEEb

Na imagem, Claudia – mais uma Silva assassinada. E creio que a imagem dela é importante sim: uma mãe forte, negra, favelada e que teve sua vida interrompida diretamente pela ação do poder público. Infelizmente, ela é a síntese de um Brasil esquecido pelos governantes. Devemos todos nos lembrar dela, sempre, para manter vivas as esperanças e não desistir.

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Uma sequência de “jornalismo” brasileiro
17 de março

Portal G1, 17 de março de 2014
Portal G1, 17 de março de 2014
01. Dois elementos para os assassinatos do Estado hoje no Rio: (A) Claudia da Silva Ferreira foi colocada no porta-malas, e não no banco de trás (que seria o normal); (B) além disso, os policiais não permitiram que nenhum parente acompanhasse o “salvamento”, incluindo um relato de uma briga entre parentes e os policiais para que isso acontecesse.

Sempre no limite do possível, há uma imprensa que tenta a todo custo limpar a barra dos assassinos ao não fazer perguntas básicas, como as que fiz acima.

02. No jornalismo, não faltam pingos nos “is”. Ou você usa “A PM alega” ou “A PM esclarece”. Um apenas dá o outro lado, tentando se distanciar dele o máximo possível; o outro usa o mesmo adjetivo usado por fascistas quando fazem juízo de si mesmos: “esclarecidos”.

03. Um tenente-coronel, ao ver as imagens, disse que “viu irregularidades”. Como um carro com o vidro do retrovisor quebrado, por exemplo, uma “irregularidade”.

04. “(…) As avarias na viatura possivelmente foram causadas pelos moradores do Morro da Congonha, que bateram no carro tentando impedir que os policiais levassem o corpo da vítima sem que a filha acompanhasse”.

A matéria ouve a filha? PRA QUÊ, NÉ MESMO?

05. “Irmã de Cláudia, Juçara da Silva Ferreira, de 39 anos, disse que os policiais colocaram armas ao lado do corpo de um homem que também foi baleado na comunidade”.

06. Na maior parte das formulações, a mulher foi “arrastada por um carro”. O carro — esse assassino!

07. Entrem no portal G1, agora (reprodução na imagem), e tentem achar a notícia. Ela está na página de trânsito, porque os moradores fecharam uma via e PREJUDICARAM O TRÂNSITO. No destaque: “Cadela ajuda polícia a achar drogas e explosivos em favela de Ribeirão. Veja galeria com mais imagens do dia”.

Não tenho estômago, por hoje, para continuar. As observações acima foram feitas com apenas 10 minutos de leitura crítica. Como respeitar o jornalismo contemporâneo?

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Imagem: reproduçãoVídeo mostra viatura da PMERJ arrastando mulher por rua da Zona Norte do Rio: http://glo.bo/1iwSqq2

Os policiais disseram que retiraram ela com vida da comunidade. A secretaria de Saúde afirma que ela chegou morta ao hospital. Cláudia era mãe de quatro filhos, tinha 38 anos e trabalhava como auxiliar de limpeza.