O trabalho é escravo quando interessa

Veja como é fácil entender a “lógica” da circulação de informações em nossa sociedade brasileira ultraliberal.

O caso dos médicos cubanos ficou sendo discutido por infinitos meses, com a acusação de que eles estariam sendo “escravizados”. O que havia, de fato, eram questões trabalhistas — pontuais, porém pertinentes. Virou “TRABALHO ESCRAVO” e ficou sendo bombardeado na TV e nos principais meios eletrônicos e impressos dias a fio, sem qualquer razão para tal designação estúpida.

Por outro lado, desde o início do ano dois grupos de imigrantes já sofreram EFETIVAMENTE com o TRABALHO ESCRAVO. Esse sim, comprovado, denunciado, com amplas informações disponíveis, fontes etc.

Citando apenas três flagrantes, 134 estrangeiros foram resgatados em alojamentos que mais pareciam senzalas ou chiqueiros (um era efetivamente um chiqueiro).

Alguém aqui — que não trabalhe diretamente com o assunto, aí não vale — sabe onde ocorreram e quais são as nacionalidades? Alguém? O senhor aí atrás? A senhora?

Google também não vale. Alguém?

Pois é.

E nós, em plena “Era da Internet”, nos julgamos bem informados.

Trabalhadores resgatados em Goiás dormiam com ratos e morcegos

Da Agência Repórter Brasil, 15/03/2012

Trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão no final de fevereiro em lavouras de soja, café e milho, nos municípios de Montividiu e Rio Verde, em Goiás, dormiam com ratos e morcegos, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

De acordo com o auditor fiscal Roberto Mendes, as jornadas de trabalho prolongadas, que chegavam a 16 horas, e as condições degradantes a que 24 pessoas eram submetidas sistemáticamente em fazendas do grupo Ypagel, caracterizam escravidão contemporânea, conforme previsto no artigo 149 do Código Penal.

A ação de fiscalização contou com a participação do auditor Juliano Baiocchi e da procuradora Carolina Marzola Hirata, do Ministério Público do Trabalho (MPT), além de apoio da Polícia Federal. Saiba mais: http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=2013

MPT processa Pernambucanas e pede R$ 5 milhões por exploração de escravos

Texto e fotos de Bianca Pyl, Repórter Brasil, 09/03/2012

O Ministério Público do Trabalho (MPT) decidiu processar a Pernambucanas por conta dos dois flagrantes de trabalho escravo em oficinas que costuravam peças para a rede. A cadeia produtiva do grupo foi investigada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) de agosto de 2010 a março de 2011, quando auditores fiscais autuaram a empresa após a constatação de irregularidades graves.

Ao todo, 16 trabalhadores foram libertados de condições análogas à escravidão em oficinas que fabricavam roupas de marcas do grupo. Com base na fiscalização, Valdirene Silva Assis, da Procuradoria Regional do Trabalho da 2ª Região (PRT-2), entrou com uma ação civil pública cobrando na Justiça o pagamento de R$ 5 milhões da Arthur Lundgren Tecidos S/A, nome de registro da Pernambucanas, a título de danos morais coletivos. Leia mais em http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=2017

Fazenda Buriti é condenada por trabalho escravo (Goiás)

Rede Brasil Atual, 02/03/2012

A ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Trabalho para condenar os donos da Fazenda Buriti, em Ipameri (GO), ao pagamento de indenização por danos morais e coletivos foi considerada parcialmente procedente pelo juiz Édison Vaccari, titular da Vara do Trabalhador de Catalão (GO). A fazenda, de propriedade do escritório Berquó Brom Advogados Associados, mantinha oito trabalhadores em condições idênticas à de escravo na atividade de extração de madeira.

O Ministério Público decidiu propor a ação, depois de o empregador se recusar a resolver a situação de trabalhadores que foram resgatados em condições degradantes pelo Grupo Móvel de Fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Goiás (SRTE-GO). A auditoria fiscal informou ao juiz que os empregados da fazenda trabalhavam sem condições de higiene, alojamento, alimentação, água potável e sem o uso de equipamentos de proteção pessoal. As instalações e as camas eram feitas de pau a pique e a cobertura dos alojamentos eram de lona ou plástico preto. Leia na íntegra emhttp://bit.ly/AgAjPw

Ministério Público pede R$ 100 mi da América Latina Logística (ALL) por trabalho escravo

Leonardo Sakamoto, 02/03/2012

A empresa de transportes América Latina Logística (ALL) está respondendo por uma ação civil públlica que cobra na Justiça o pagamento de uma indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 100 milhões conta do resgate de 51 trabalhadores mantidos em condições análogas às de escravos na manutenção da Ferrovia Santos-Mairique, concedida à empresa, no trecho que cruza a região da Serra do Mar – próximo a Embu-Guaçu (SP). O processo corre na 1ª Vara do Trabalho de Itapecerica da Serra (SP). Ainda não houve sentença judicial relativa ao caso.

Apenas como curiosidade: na semana passada, a Cosan (da marca de açúcar União e dos postos Esso), empresa flagrada com o mesmo problema e que chegou a figurar na “lista suja” do trabalho escravo do governo federal, declarou que firmou uma proposta para compra de ações da ALL, devendo se torna a maior acionista individual do bloco de controle da empresa. Leia em http://bit.ly/A8adKV