Rio com ou sem Copa

Uma criança de 3 anos foi baleada em Costa Barros enquanto dormia; morte gerou protesto.

Legado “social”: Novos caveirões das polícias Civil e Militar chegam ao Rio.

Luisa Santiago registra: “Na semana passada morreu Lucas, de 13 anos, na Cidade de Deus. Há dois dias morreram Lucas, de 15, e Gabriel, de 17 anos, no Alemão. Hoje morreu Luiz Felipe, de 3 anos, em Costa Barros. Ele levou um tiro na cabeça enquanto dormia. É a terceira vez que escrevo isso aqui hoje porque todas as outras sumiram da minha página. Eu sei que é foda de ler. Dá um nó na gente quase impossível de desfazer. Mas a única opção que nós não temos é o silêncio. Toda voz para o povo favelado gritar a sua dor. Toda força pra seguir na luta.”

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São Paulo: mais um flagrante forjado

No fim do 11º ato Não Vai Ter Copa, dois manifestantes foram presos. Um deles é Fábio Hideki, estudante da USP que foi detido pela PM na Marcha da Maconha São Paulo de 2010 por portar um cartaz com os dizeres “Não fumo, não planto, não vendo e não condeno. Legalize Já!”. Quatro anos, miles de manifestações, um tal de “Junho” e uma Copa depois, Fábio mais uma vez tem a liberdade subtraída pelo Estado policial. Se na Marcha da Maconha foi acusado de “apologia ao crime”, o absurdo da vez é “associação criminosa” e “porte de explosivo”.

Saiba mais clicando aqui.

Do El País: A versão oficial, no entanto, é desmentida por pessoas que acompanharam a prisão. Ao contrário do que foi registrado como prova no boletim de ocorrência, não havia, segundo dizem, nenhum artefato explosivo com o manifestante. O padre Júlio Lancelloti, um ativista dos direitos humanos que viu o jovem ser revistado, afirma que “os policiais viraram e reviram os pertences dele e não acharam nada.” “A única coisa suspeita foi que dois policiais que estavam acompanhando ele falavam o tempo todo ao telefone como se estivessem recebendo recados de superiores”, comenta.

Que mundo. Brasil e Venezuela, dois países de (suposta) orientação trabalhista e socialista, possuem presos políticos.

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O que tem que ter

Creio que devemos e podemos fazer, em nosso ativismo contínuo, retificações, renovações de práticas, pensamentos melhorados. E faço aqui uma.

Qual a responsabilidade da Fifa, pergunto eu, por termos uma das polícias que mais mata no mundo, e que esta semana vitimou, com sua política irresponsável do confronto ou a simples execução sumária, um menino de 3 anos que estava dormindo?

Qual a responsabilidade da Fifa por termos um judiciário que só sabe prender ladrão de galinha (e que prende por qualquer coisa) enquanto é ineficiente em relação aos atacadistas da corrupção ou à melhoria do sistema penitenciário?

Qual a responsabilidade da Fifa em relação às seguidas reeleições de gente sem escrúpulo para os cargos de prefeito, governador, senador, deputado, vereador?

Qual a responsabilidade da Fifa em relação à omissão de grande parte da população em espaços democráticos, como assembleias, audiências públicas, conselhos etc?

Qual a responsabilidade da Fifa em relação à falta de atenção básica na saúde e ao contínuo desrespeito às leis e diretrizes orçamentárias da educação (fundamentalmente de responsabilidade local)?

Qual a responsabilidade da Fifa em relação ao descaso na área de mobilidade urbana, entregue aqui no Rio por exemplo a amigos incompetentes e corruptos e em SP a uma máfia no caso do metrô?

A culpa é dos jogadores, então? É o Neymar que vai mudar a nossa educação com um drible desconcertante? Será que o Messi vai fazer um golaço que acabará definitivamente com a corrupção?

A Fifa – esta organização privada corrupta e interessada apenas nos seus lucros exorbitantes e na perpetuação de seu poder sobre uma das maiores paixões do mundo – não tem qualquer respeito de alguém minimamente sério, grande novidade. Mas ela não inventou a corrupção: apenas a identifica e tira proveito. E conseguiu mais uma vez, com o fomento de empresas inescrupulosas e governos vendidos.

Teve a Copa, junto com tudo o que sempre tem por aqui. A gente tem que garantir que vai continuar tendo militância por mais direitos humanos, porque essa sempre será a mais necessária.

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Tatu-bola padrão Fifa. Aumenta risco de extinção do tatu-bola, animal-símbolo da Copa. A Fifa querer proteger o meio ambiente é o equivalente ao Mick Jagger torcer pra algum time. Leia aqui.

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Uma Copa para os refugiados

Leia também: A Copa do Mundo sem o padrão Fifa

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Combate ao racismo: saiba o que fazer

O racismo é um dos maiores desafios a serem enfrentados em nossa sociedade contemporânea. É por isso que a ONU criou um guia para auxiliar denúncias contra esse tipo de crime.

Organizado em cinco capítulos, o “Guia de Orientação da ONU Brasil para Denúncias de Discriminação Étnico-racial” apresenta o conjunto de instrumentos nacionais e internacionais que garantem a igualdade étnico-racial, informações sobre o marco legal brasileiro e internacional e endereços dos órgãos de atendimento à população nos estados e capitais.

Acesse agora mesmo em http://bit.ly/NAOaoRACISMO

(Foto e informação: ONU)

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Imagem da semana: os rostos das vítimas da guerra

Leia sobre a foto aqui.

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Registro do consumidor

A empresa de telefonia NET, que tem um serviço muito ruim (pelo menos aqui em casa), insistia em me entregar muito menos do que o contratado na internet, entre outras falhas.

Aí me prometem resolver o problema e reduzir em 40 reais a taxa mensal. No mês seguinte, nada. E pior: nada sabem sobre a promessa, nada consta no sistema.

No mesmo dia, a GVT já veio e instalou o serviço, com 100% da banda de internet entregue (pelo menos até agora, primeiro dia).

— E qual o motivo do cancelamento, senhor?

— Vocês mentiram pra mim, e minha mãe me ensinou que a mentira é uma coisa errada.

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Um acontecimento histórico a lembrar

A ESPN Brasil passou um documentário excepcional que mostra como a Colômbia dos anos 1990 era um país contaminado pela guerra civil — e como a guerra, a corrupção e o poder paralelo são algumas das mais completas formas de estupidez humana.

Quando Andrés Escobar fez o gol contra em 1994, seu filho, de 9 anos, disse: “Vão matá-lo”.

Mais um jovem executado por forças de segurança no Rio

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#ocupeestelita

Ataque covarde da polícia em Recife. Da BBC: “Fizeram meu bebê respirar gás lacrimogêneo”, diz grávida sobre reintegração da ocupação do Cais Estelita (#ocupeestelita), no Recife. Repressão policial foi condenada pela Anistia Internacional, pelo Ministério Público e pela UFPE: http://bbc.in/1oKzqKk

“Pensávamos que era um país mais de paz. Estamos muito assustados”, afirmou a costa-riquenha Astrid Bins: http://bit.ly/1lFKNQ0

Nota de repúdio: “O Ministério Público Federal (MPF) em Pernambuco, surpreendido com a notícia da reintegração de posse da área do Pátio Ferroviário das Cinco das Pontas, no Cais José Estelita, no início desta terça-feira (17/6), vem a público repudiar o ato executado pela Polícia Militar, pelas seguintes razões (…)” (acesse aqui)

Do Mídia Ninja: “Após 27 dias de uma ocupação histórica e propositiva do espaço Público em Recife o Movimento Ocupe Estelita é removido com violência pelo Batalhão de Choque da PM de Pernambuco. Apesar dos acordo firmados entre o movimento e Ministério Público e Secretarias Estaduais de Direitos Humanos e Defesa Social, a reintegração foi realizada sem qualquer aviso prévio ou negociação, violando direitos e desrespeitando as garantias legais dos ocupantes.”

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Relato de Pedro Mara, no Rio: “Hoje eu tava pedalando a tarde em Copacabana quando vi um garoto que foi acusado de furto. Um brutamontes dava um mata leão na criança, com a anuência da PM e guarda municipal. Tentei dizer que, independente de qualquer coisa, tinha uma ‘autoridade’ lá que é quem deveria segurar a criança. Em vão, quase apanhei do guarda municipal.”

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Matéria n’O Globo: “PM detém 15 e usa gás de pimenta em protesto com cerca de 50 manifestantes. Uma hora antes do horário marcado para o ato, havia apenas policiais na Candelária. Às 17h, eram 15 manifestantes”.

Rafucko: “Hoje a PM prendeu mais alguns inocentes, dentre os quais está um dos caras mais calmos e equilibrados que eu conheci no último ano nas ruas, o Cristiano (este da foto abaixo). Segundo relatos, estava defendendo uma menina que também era agredida pelos PMs.”

Atila Roque, da Anistia Internacional, comenta: “Tem horas que chego a pensar que a polícia recebe comissão pelo consumo do spray de pimenta, tal a liberalidade com a qual usam o produto nas pessoas. Sério, 30 manifestantes, 10 meninas com rosto pintado se preto e roupas coloridas, batucando em latas, ofereciam exatamente que tipo de risco para levarem spray de pimenta e serem presas??”

E sobrou até para a torcida.

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Ciclo de violações no Rio: prende-se sem justificativa. E quem reclamar vai preso. E quem reclamar também. Na imagem: “Tenente Bruno, já famoso nos protestos, prendeu e mandou algemar o rapaz que protestava contra a prisão de uma moça.” (leia aqui)

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Exportando violações. O Ministério Público do Trabalho denunciou o grupo empresarial Odebrecht por, segundo o órgão, manter 500 trabalhadores brasileiros em condições análogas à escravidão na construção de uma usina em Angola. E pior: com dinheiro nosso, da população. Dinheiro público: http://bbc.in/1qg0nTF

É a mesma que teve estreitos laços com a ditadura militar, a “campeã” desta Copa do Mundo em editais (viciados), a empresa multinacional que já está em 26 países, a da maior represa do mundo (na Amazônia) e a empresa que financia todo e qualquer governo “democrático” do Brasil: http://abr.ai/1qfZY3y

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Retrato brasileiro. Brazilian Portrait. (Porto Alegre, 2014)

(não sei o crédito da foto; se alguém souber, basta informar aqui)
(don’t know the photo credit; if anyone does, put it here)

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Enquanto isso, longe dos “olhos do mundo”…

Do jornal O Dia: “Após diversas denúncias, de bancadas usadas como macas, pacientes atendidos no chão, déficit de médicos e superlotação, a 7ª Vara de Fazenda Pública condenou, na última segunda-feira [16 de junho], o Município do Rio de Janeiro a adotar medidas para solucionar os problemas crônicos do Hospital Salgado Filho, no Méier, uma das principais unidades de emergência da cidade.

A decisão obriga a prefeitura a apresentar a listagem dos profissionais concursados lotados no hospital, a carga horária e as escalas dos plantões. Em nota, o Ministério Público afirmou que na punição ainda consta que a prefeitura deverá comprovar a abertura de um novo concurso público para suprir a defasagem de funcionários do hospital, enquanto o déficit de profissionais concursados não for sanado.

O secretário municipal de Saúde, Hans Dohmann, deverá apresentar soluções emergenciais para minimizar a carência de pessoal na unidade, com o aval técnico-jurídico da Procuradoria-Geral do Município. Os prazos para que a prefeitura cumpra a decisão — e se é cabível recurso — não foram divulgados pelo MP.

Segundo um levantamento feito por João de Oliveira, assessor do vereador Paulo Pinheiro (Psol), e divulgado em fevereiro deste ano, o hospital teria perdido aproximadamente R$ 12 milhões das verbas no orçamento de 2014. Na época, a prefeitura alegou que os recursos estavam retidos e seriam liberados conforme o cronograma para este ano.”

E da Agência Brasil, belíssima (e triste) matéria: “Moradores do terreno da Oi continuam sem teto e longe da Copa”

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Comissão Nacional da Verdade torna públicos relatórios das sindicâncias instauradas pelos comandos das Forças Armadas

A Comissão Nacional da Verdade recebeu na tarde do dia 17 de junho, ofício do ministro da Defesa, Celso Amorim, que encaminhou os expedientes recebidos dos Comandos da Marinha, Exército e Força Aérea, em resposta ao ofício 124/2014-CNV, de 18 de fevereiro de 2014, que solicitou a instauração, pelas Forças Armadas, de sindicâncias administrativas para apurar desvios de finalidade na utilização de instalações militares utilizadas como centros de tortura.

Leia mais e acesse os documentos na íntegra clicando aqui.

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A estupidez de nossa elite

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Copa com humor

(de 2010)

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Lamentável. Nos EUA, pastor que fazia ‘cura gay’ é preso por abuso sexual de dois homens. Reverendo Ryan J. Muehlhauser pode pegar até dez anos de prisão por cada crime (leia aqui).

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Médicos cubanos revolucionam atendimento em comunidades no Espírito Santo

Em um dos casos, profissionais de Cuba já conseguiram resolver o atraso nas consultas de pré-natal, desenvolveram um programa de atendimento para os casos de hipertensão e diabetes e sistematizaram as consultas domiciliares. Programa ‘Mais Médicos’ tem apoio da OPAS: http://bit.ly/T7hXNJ

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Um discurso que não deve ser esquecido

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Regras claras!

Uma coisa é a nação, outra é a gente


(Imagem: Agência Brasil)

É lamentável que mais de 90% dos meios de comunicação brasileiros sugiram insistentemente que um determinado grupo de pessoas é o mesmo que seus nacionais.

Os “espanhóis” teriam dito frases racistas contra os brasileiros, os “chilenos” invadiram o Maracanã, os “argentinos” isso, os “ingleses” aquilo. Os estereótipos são reforçados tão intensamente que muitos sequer se lembrem que, antes de qualquer coisa, são todos humanos – e não “raças” ou etnias.

Em termos culturais, o corte nós é que escolhemos – e esta é uma opção que pode ser tão livre quanto absurda.

Existem dois problemas principais quanto ao uso da nacionalidade como elemento central: a generalização (“os” chilenos, “os” argentinos, como se um grupo coeso fosse) e a eliminação de qualquer outro corte social que possa existir (o que se conforma à usual preguiça de buscar entender o personagem por trás da ação).

Na Copa do Mundo, fica um pouco mais fácil separar: tem um time só de chilenos, outro só de argentinos, outro só de brasileiros etc, todos representando a “Nação” – sem esquecer que metade do time da França, por exemplo, é composta de imigrantes, apenas para citar um dos casos mais evidentes.

Na vida real, cidadãos de um país não podem ser categorizados de forma tão simples: entre os nacionais, há uma variedade tão grande de pessoas que seria impossível, quando não ridículo, categorizá-los com apenas um dos cortes.

Seria mais ou menos como tentar entender o índice global de homicídios a partir do corte nacional. Matou porque era brasileiro. Como se o crime, nesse exemplo, não fosse algo presente em todo e qualquer país, toda e qualquer classe social, bem como em todos os demais critérios sociais, como ideologia, etnia, geração etc. Ignora-se, sobretudo, o contexto que levou ao crime. Obviamente que ninguém aceitaria seriamente tal metodologia. Mas na cobertura desta Copa – e no jornalismo esportivo em geral – aceitam, diariamente.

Há centenas de motivos para que eu me identifique mais com um chileno ou com um marfinense do que com um brasileiro, ao passo que há o mesmo número de motivos, potencialmente, que nos distancia.

O corte nacional, a princípio, é um dos mais pobres que eu conheço. Dizer que alguém é brasileiro ou argentino ou camaronês não me diz nada – exceto o idioma que, talvez, esta pessoa fala –, até porque ter nascido num país representa muito pouco em relação ao que essa pessoa se tornou ao longo dos anos.

Por que um grupo de chilenos invadiu o Maracanã? Não sei. Duvido, no entanto, que o termo “chileno” guarde qualquer relação com o ocorrido. Há tantas variantes gritando para serem incluídas no mínimo como hipótese – preço salgado dos ingressos, falta de controle do acesso, desorganização evidente, oportunidade devido ao contexto etc. [http://bit.ly/1jBYxaj] – que a inclusão do fator nacional me parece mais um indício da falta da qualidade do jornalismo brasileiro e, pior, da ausência quase que plena de auto-reflexão da imprensa “nacional”.

O gigante acordou atrasadaço pro trampo

Há 514 anos os portugueses chegaram às costas do Brasil atrás do nosso pau-brasil. Os colonizadores foram obrigados a descer o cacete no povo como último recurso para dispersar uma minoria de vândalos que não queria entregar nossa maior riqueza, a mulata brasileira. Um grupo isolado de cara-pintada-blocs bem que tentou, mas acabou cedendo ao encanto lusitano.

Os conquistadores venceram com uma ajudinha do interventor imperial – afinal, roubado é mais gostoso – e passaram a explorar outras partes mais remotas da anatomia do brasileiro, como o litoral e as costas. Mas isso já faz muito tempo… para vocês terem uma ideia, naquela época Portugal era o país mais avançado do mundo! Pedro Álvares Cabral era uma espécie de astronauta alentejano. Até hoje os historiadores não chegaram a uma conclusão sobre se o Brasil foi descoberto por acaso, por engano ou por incompetência mesmo.

Os índios não tinham preconceito e passaram a comer os portugueses também, fechando assim a cadeia alimentar, que é a base do equilíbrio ecológico da Natureza. Aqui, em se plantando todos dão. Conforme explicou Gilberto Freyre, a abundância, a fartura e o calor dos trópicos evocam o paraíso perdido – eternizando até hoje o traço cultural tipicamente brasileiro do “ô, lá em casa”.

Mais tarde, na maior seca de pau-brasil, e com os recursos do Bolsa-Colonizador minguando, os portugueses mandaram vir da África volumosos trabalhadores para pegar no cabo da enxada, porque eu é que não vou ficar no meio dessa palha assada. Mais tarde chegaram os italianos, os japoneses, as dançarinas do Faustão, os funkeiros e os répers da pêrifa, formando assim a primeira grande teoria da mistura gastronômica de raças – conhecida mundialmente como “Olivier”.

Todos estão satisfeitos com os 514 anos deste país, com exceção dos índios, dos negros, dos sem-terra, dos gays, das lésbicas, das crianças, dos sem-teto, dos sem-copa, dos reservas da seleção brasileira, dos vagabundos profissionais, dos professores, dos enfermeiros, dos governistas, dos baderneiros e do empresariado paulista.

Mas no meu governo isso tudo vai mudar, depois que finalizarmos a única e verdadeira reforma que dará um jeito nesse país: a transferência definitiva dessa burguesia linda e cheirosa para a Ilha de Caras.

Polícia usou munição real contra manifestantes no jogo da Argentina no Maracanã

Neste domingo (15), no Rio, no dia do jogo entre Argentina e Bósnia, a Polícia Militar fez uso de munição real contra manifestantes nos arredores do Maracanã. Na Avenida 28 de Setembro, um policial da Tropa de Choque em uma motocicleta se aproximou de um grupo de manifestantes, sacou sua arma e disparou no sentido deles, sem nenhum pudor por estar sendo gravado.

Momentos depois, um manifestante abordou nossa equipe dizendo que havia sido atingido no tornozelo pelos estilhaços do disparo.

Logo em seguida, um policial à paisana sacou a sua arma e ameaçou um grupo de manifestantes. Em seguida ele saiu em um carro conduzido por outro homem, atirando o veículo contra a multidão e disparando tiros de pistola.

ATUALIZAÇÃO: Policiais são afastados após usarem armas em ato no Rio — uma medida obviamente paliativa, pois afastar não é punir. Atirar a esmo deveria ser, numa democracia, um crime dos mais graves.

Um homem, supostamente um policial à paisana, sai do carro armado, ameaça a imprensa e manifestantes e atira para o alto. Foto (acima): Ana Carolina Fernandes

Rio na RuaRelato do Rio na Rua:

“Cápsula de .40 com a inscrição CBC. Manifestante pegou o artefato na avenida 28 de Setembro e relata que os tiros foram disparados por um policial a paisana.”

E o registro do Coletivo Carranca, via jornal A Nova Democracia (saiba mais aqui):

O registro do “Diário de um manifestante”:

Relato de Fabiane Simão: “Consegui chegar em casa. Um pequeno panorama do que vi: 28 de Setembro tomada pela polícia do exército, fechada p passagem de carros e com manifestações em algumas ruas transversais. Muita gente filmando e fotografando. O gás lacrimogênio pairava na atmosfera de toda a 28 de Setembro (uma via extensa), clima muito tenso. Teodoro da Silva super policiada, mas apesar disso um astra passou em um ponto de ônibus na esquina da Pereira Nunes e baleou 4 pessoas. E vc ainda acha que a Copa é tudo de bom?!? A Copa é boa para a FIFA, que diferente de mim e vc está isenta de impostos e com os cofres cheios de dinheiro!!”


(via jornal Extra)

E por Paula Kossatz:

E Rio na Rua:

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Jornalista do jornal O Globo é presa por fazer seu trabalho de impresa

A justificativa para a arbitrariedade é a mesma: “desacato à autoridade”, leia aqui.

Foda-se a Constituição, diz em letras garrafais a Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Seria um “desvio de conduta” se não acontecesse todos os dias. Como é da grande imprensa, e traz portanto grande repercussão, a resposta foi imediata: nota da Secretaria, prisão administrativa (um paliativo, diga-se de passagem). No caso da imprensa nanica e dos jornalistas-cidadãos, até agora ninguém foi punido, desde o início das grandes manifestações, ano passado.

Desvio é uma coisa. Orientação informal é outra. Não confundir.

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“A Copa do Mundo no Brasil é um sucesso”

Fotos: Edmar Soares, do jornal O Povo, e Portal G1
Fotos: Edmar Soares, do jornal O Povo, e Portal G1

Estou relendo repetidamente algumas pessoas “comemorarem” isso. Os jogos estão acontecendo, gols e futebol bonito, os gringos tudo aí pagando direitinho os preços exorbitantes. Parabéns, FIFA, com dinheiro público jorrando é possível fazer uma festa bem bacana.

Só fico na dúvida em relação a qual parte eu considero o maior sucesso desta Copa.

Será na moradia, em que cerca de 170 mil famílias estão ameaçadas de remoção no país por obras relacionadas aos megaeventos?

Ou será na falta quase que total de legado para o país em termos de mobilidade urbana? Ou será ainda no legado ambiental?

Será que o sucesso maior foi na brutal repressão da polícia, com aparato e planejamento do Estado, a pedido da FIFA? Ou ainda na falta absoluta de participação popular, com ingressos caros e restrições às festas e ao comércio?

Não sei. Ao ler o relatório sobre as violações dos direitos humanos nos megaventos, me bateu essa dúvida: http://bit.ly/DossieCopa

A única coisa que eu sei ao certo é que eu tomo como critério para o “sucesso” o respeito aos direitos humanos e ao meio ambiente.

É que muitos adotam critérios fundamentados no ser humano e na saúde do planeta. Mas daí vai de cada um, né? É um direito fundamental também, hoje em dia, a liberdade de ignorar a opressão e o sofrimento alheio.

Torcemos, como fãs do futebol que somos, mas sem tirar os olhos da realidade. Não faz bem pra democracia.

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Sobre a abertura da Copa. “(…) dei uma risada alta e com gosto quando, no início do jogo, falou-se em “um aperto de mão pela paz”, e quando três pombas foram soltas em nome da “tolerância e respeito aos direitos humanos”.

(…) Temi pelo destino e pela integridade física daquelas três pombas, porque todos nós sabemos o tratamento dado a quem se desvia da rota ou não está nos planos oficiais. Felizmente, desta vez a artilharia antiterrorista não precisou ser acionada.” (leia aqui)

Copa ostentação, com povo de fora. Look ‘patinadora’ de Claudia Leitte para a abertura da Copa custou R$ 2,7 milhões (leia aqui).

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O Brasil tem maioria de negros, pardos e outros pele-escura-passado-africano. Mas o país da bola é o país da desigualdade. Dos branquelo-é-tudo-nosso.

Leandro Uchoas: “Querida Dilma, assim como você, fiquei envergonhado e triste ao ver a elite branca brasileira te dirigindo palavras desrespeitosas, como presidente e como mulher. Você não imagina como eu gostaria de ver um estádio lotado de pessoas do povo, negros e pobres, gritando o seu nome, felizes por assistir a uma Copa do Mundo em seu país. Você não sabe como eu gostaria de ver tudo ao inverso de como foi. Mas essas pessoas não estavam lá, presidente. Infelizmente, você entregou uma Copa do Mundo para aqueles que te odeiam.”

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“Não somos racistas”, já disse um executivo da mídia brasileira: Marcelo sofre racismo após gol contra: “tinha que ser preto”

E quando você acha que estamos entrando, finalmente, no século 21, deparamos com 1933: Extrema-direita vence na França e ganha terreno em toda a UE

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Foto: Analise da Silva, mais aqui

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Foto: Ana Carolina Fernandes, mais aqui

Relato das agressões e tortura sofrida por uma repórter da Mídia Ninja em Belo Horizonte: “Vocês são o câncer do mundo”

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Enquanto isso, “longe” da Copa…

Menino de 13 anos morre após tiroteio em comunidade pacificada no Rio: http://t.co/K87euCEgJR

Natal decreta calamidade pública no dia em que EUA e Gana se enfrentam: http://glo.bo/1lDVvXx

Com verba de turismo, Prefeitura de Manaus gasta R$ 139 mil para vereadores assistirem Inglaterra e Itália: http://goo.gl/3XXJnl

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Imagens impressionantes, na imprensa internacional (aqui).

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Bósnia 20 anos depois. Porque estou torcendo para que a Bósnia faça uma belíssima apresentação — leia aqui.

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Agressões verbais. A seleção colombiana enviou queixa à Fifa por tratamento da polícia em São Paulo. “(…) A delegação falou que sofreu agressões verbais e um tratamento desrespeitoso por parte de alguns membros da polícia em sua chegada no aeroporto de Congonha, de onde foi para o CT do São Paulo, em Cotia.” (leia aqui)

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No país das próximas Olimpíadas, estádio de atletismo virou estacionamento

Do mandato do deputado Marcelo Freixo: “O Celio de Barros é o único local de treinamento adequado no Rio de Janeiro para todas as modalidades de atletismo das Olimpíadas. O espaço foi fechado foi asfaltada em janeiro de 2013 sem aviso prévio aos atletas, professores, treinadores e alunos dos projetos sociais. Desde então, todos estão treinando agora na rua, de forma improvisada, a 2 anos dos Jogos Olímpicos.

No dia 29 de abril de 2014, a Comissão de Direitos Humanos da Alerj realizou audiência pública para debater o futuro do estádio. Queremos que a secretaria da Casa Civil receba os atletas e professores para apresentar à sociedade civil interessada um projeto de reforma do espaço para que volte a ter seu uso público.

Para todos que conhecem o espaço e sua importância, é muito triste ver essa imagem.”

Foto: Daniel Vasconcellos

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Os bons exemplos. Taxista encontra 40 ingressos da Copa no carro e devolve a mexicanos. “(…) Mas Adilson não fez isso de graça. “Como recompensa, pedi que torcessem para o Brasil.” (leia aqui)

E os japoneses deram exemplo: Saco de lixo para torcer e para limpar estádio.

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Copa sem imigrantes: como seria?

Como seriam as seleções sem os imigrantes? Leia neste artigo.

A França, por exemplo, teria pelo menos 12 jogadores a menos.

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Dancinha da Costa do Marfim

Gostou da “dancinha do traseiro” da torcida da Costa do Marfim? Eis a origem:

E o contexto: http://bbc.in/1nFsE56

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Achei plágio

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Um grande clássico