07/05/2012

O tecnicismo vai muito bem, obrigado

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Tempos modernos

O determinismo tecnológico já fez, sabemos, muitas e muitas vítimas durante suas décadas e décadas de existência. Impressiona, no entanto, que continue tão presente, mesmo depois de anos e anos de experimentação coletiva das novas ferramentas à disposição.

Uma das fábulas mais contadas por aí sobre a tecnologia é de que esta resolverá problemas que antes, por conta da ausência destas maravilhas performáticas, nunca poderíamos resolver.

A existência humana está repleta de falsas promessas e, desconfio, a maior e mais recente delas é a de que as pessoas ficarão mais próximas umas das outras, a partir dos aparatos tecnológicos.

Pois bem. Cá estamos, 20 anos após as primeiras transmissões públicas de informações via Internet. Pouco mudou. Intolerância, falta de cooperação internacional, guerras civis e racismo são apenas algumas das evidências do que é óbvio: sem valores primordiais como justiça social ou educação emancipadora, não há ferramenta que consiga dar conta de problemas que não são técnicos, mas sociais. Mas os tecnicistas nunca se darão por vencidos: dirão que alguns dos muitos progressos que obtivemos são – glória Web! – por conta da Santa Divindade, a Internet (ou o Celular, ou o Computador etc.)

Reconhecer que avanços sociais são sobretudo sociais, com apoio das ferramentas que a humanidade cria (e que sempre criou, aliás) – é uma das heresias que não se pode dizer por aí. Sobretudo dentro das igrejas pós-modernas. O bilhão de pessoas conectadas em redes sociais continua, em grande parte, a desconhecer o cotidiano do bilhão de pessoas que passa fome diariamente.

O sonho da aldeia global continua sendo alimentado. E, com ele, os falsos profetas e os oportunistas de plantão. Todos muito bem, obrigado.


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02/05/2012

“Maior inovação nos transportes públicos da História do Rio de Janeiro”

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O futuro corredor Transoeste, “maior inovação nos transportes públicos da História do Rio de Janeiro”. Esta é a estação anfíbia/aquática Recanto das Garças, no Recreio dos Bandeirantes.

Dica de Rodrigo Sampaio.


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27/04/2012

Hierarquias

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Hierarquias.


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26/04/2012

Se eu fosse um morador de rua, tinha dançado

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(Foto: selusava/flickr)

São 01h30 da manhã de quinta-feira, foi agora há pouco. O bairro é de classe média, zona norte do Rio de Janeiro. A situação faz parte da minha semana: por vezes, pegar a bicicleta nesse horário para cumprir a rota de apenas 10 minutos entre a minha casa e a casa da minha família, da Tijuca a Vila Isabel.

No caminho, nesse horário, sempre a mesma companhia. Alguns mendigos, moradores de rua, catadores de papel, às vezes trabalhadores da prefeitura. Um cenário de tranquilidade.

Mas hoje, 26 de abril, foi um pouco diferente. Logo no início, paro no sinal ao avistar um carro, um gol prata. O carro, em vez de seguir, desacelera. Um homem, mais ou menos a minha idade (30 anos), começa a olhar pra mim. Um short e camisa velhas, usava eu. O rapaz parece alterado. Subitamente, se dirige a mim:

- Olha pra rua, seu otário. Porra! Otário! [entre outros xingamentos]

O primeiro momento é de susto. Mas o segundo é uma reação natural, minha, impensada: mereço respeito. Em vez de baixar a cabeça, continuo olhando pra ele e, sem falar nada, o encaro. Foi impensado, é certo. Deveria ter baixado a cabeça – estava sozinho, de madrugada, de bicicleta, enquanto ele parecia acompanhado de um amigo, parecia drogado, de carro. O objetivo evidente dele era, pensei, arranjar confusão.

Quando ele percebeu que eu não me humilhei após os insultos, ele parece ter ficado furioso. Eu sai em disparada. Ele parecia ter acelerado também, para dar a volta – que era, no entanto, maior do que ele gostaria que fosse.

Fiz o que todo ciclista com experiência de 20 anos naquela região faria: corri por ruas pequenas, sempre na contramão, sempre que possível próximo a condomínios fechados para o caso de ele aparecer. Foram alguns dos 10 minutos mais tensos dos últimos anos. Tive certeza, pelo olhar dele, de que seria capaz de me perseguir.

Trabalhando com direitos humanos há pouco mais de 10 anos, conheço muito bem o cenário. E sei exatamente o porquê da expressão de medo e terror que levam em seus rostos os mendigos, catadores, moradores de rua. Pela primeira vez, no entanto, eu mesmo era uma vítima em potencial.

E ainda há quem acredite que a violência está diretamente relacionada à pobreza, ao pobre. Não está: a violência é de classe. É de cima pra baixo. É a regra do jogo, com suas exceções.

Tive sorte nessa. Se eu fosse um morador de rua, tinha dançado. Não seria o primeiro nem o último.

(Foto: selusava/flickr)


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25/04/2012

Prova de vida após a morte

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Jornalistas - por André Dahmer

(por André Dahmer)


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20/04/2012

Auxílio-reclusão: combata a ignorância e divulgue informações corretas

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Prezados amigos e leitores, creio que, apesar de o salário do povo ser baixo, não cabe dizer que os “bandidos” se beneficiam mais do dinheiro público que os “trabalhadores”. Quem quiser manter essa ignorância, matenha. Mas é ignorância, vamos aos dados:

O auxílio-reclusão é um direito, um benefício devido aos dependentes do segurado recolhido à prisão, durante o período em que estiver preso sob regime fechado ou semi-aberto. Não cabe concessão de auxílio-reclusão aos dependentes do segurado que estiver em livramento condicional ou cumprindo pena em regime aberto.

Não é fácil conseguir a concessão do benefício, é preciso ser segurado pela Previdência (a maior parte está fora do sistema, pois é informal no momento da prisão ou não conhece seus direitos), comprovar a efetiva dependência.

O segurado preso não recebe qualquer benefício. Ele é pago a seus dependentes legais. O objetivo é garantir a sobrevivência do núcleo familiar, diante da ausência temporária do provedor.

O auxílio-reclusão NÃO é proporcional à quantidade de dependentes. Não aumenta de acordo com a quantidade de filhos que o preso tenha. O que importa é o valor da contribuição que o segurado fez. Pagou, levou.

Tem que cumprir ainda os seguintes requisitos:

1. o segurado que tiver sido preso não poderá estar recebendo salário da empresa na qual trabalhava, nem estar em gozo de auxílio-doença, aposentadoria ou abono de permanência em serviço;
2. a reclusão deverá ter ocorrido no prazo de manutenção da qualidade de segurado;
3. o último salário-de-contribuição do segurado (vigente na data do recolhimento à prisão ou na data do afastamento do trabalho ou cessação das contribuições), tomado em seu valor mensal, deverá ser igual ou inferior a R$ 915,05 (a partir de 2012), independentemente da quantidade de contratos e de atividades exercidas.

Equipara-se à condição de recolhido à prisão a situação do segurado com idade entre 16 e 18 anos que tenha sido internado em estabelecimento educacional ou congênere, sob custódia do Juizado de Infância e da Juventude.

Após a concessão do benefício, os dependentes devem apresentar à Previdência Social, de três em três meses, atestado de que o trabalhador continua preso, emitido por autoridade competente, sob pena de suspensão do benefício. Esse documento será o atestado de recolhimento do segurado à prisão.

O auxílio reclusão, além disso, deixa de ser pago pelos seguintes motivos:

1. com a morte do segurado e, nesse caso, o auxílio-reclusão será convertido em pensão por morte;
2. em caso de fuga, liberdade condicional, transferência para prisão albergue ou cumprimento da pena em regime aberto;
3. se o segurado passar a receber aposentadoria ou auxílio-doença (os dependentes e o segurado poderão optar pelo benefício mais vantajoso, mediante declaração escrita de ambas as partes);
4. ao dependente que perder a qualidade (ex: filho ou irmão que se emancipar ou completar 21 anos de idade, salvo se inválido; cessação da invalidez, no caso de dependente inválido, etc);
5. com o fim da invalidez ou morte do dependente.

Caso o segurado recluso exerça atividade remunerada como contribuinte individual ou facultativo, tal fato não impedirá o recebimento de auxílio-reclusão por seus dependentes.

Antes de tudo, o “bandido” tem que ser trabalhador e o auxílio é uma devolução de sua contribuição. É direito, não regalia.

Combata a ignorância. Informe-se antes de compartilhar qualquer besteira que você lê na Internet.

[Mais informações no site da Previdência: http://bit.ly/HXj5rg e http://bit.ly/HXiZzZ]


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