Pérolas
Para Justificar o Veto de FHC, por Alberto Tosi Rodrigues
Além das pérolas
destacadas pelo Paulo [texto anterior], gostaria de salientar outras. Mais
uma, da lavra de Guiomar Namo de Mello. Dizer que currículo escolar
não é matéria para o Congresso Nacional não
apenas é uma postura arrogante e ignorante, é um atentado
às instituições políticas democráticas.
Na cabeça da Guiomar, a formação do currículo
só pode ser obra de burocratas cretinizados pela longa permanência
em cargos de confiança de sucessivos governos. Não há
nada, literalmente nada, numa democracia (será que vivemos mesmo
numa, de um ponto de vista que vá um tantinho além das formalidades?),
que diga respeito ao interesse público, que não possa ser
discutido e decidido pelo Congresso Nacional. Essa ignorância se
junta à opinião desse tal Olavo de Carvalho, que acredita
que um Projeto de Lei aprovado pelo Congresso Nacional equivale a decidir
uma matéria "por decreto". Como esse cidadão é adepto
do fascismo, na cabeça dele lei votada e decreto são a mesma
coisa. Para a informação dele, o equivalente do decreto é
a medida provisória, peça governativa preferencial de Fernando
Henrique Cardoso.
Agora, o supra-sumo,
realmente, é a justificativa do Fernando Henrique para o veto: não
há profesores suficientes! Se formos aplicar o mesmo princípio
(se é que este dado é verdadeiro, pois não há
números que comprovem a alegação) a todos os campos
da administração federal, a próxima declaração
pública de Pedro Malan será: "Caros cidadãos, não
temos dinheiro suficiente e, portanto, não vamos mais socorrer banqueiros
falidos nem pagar a dívida externa".
Governar, sempre,
é uma questão de prioridades. Fernando Henrique já
deixou claro quais são as suas.
Alberto Tosi Rodrigues
Consciência.Net