2. O paraterrorismo dos americanistas. Defender Laden é defender o terrorismo, única arma, porém, diga-se logo, de um povo massacrado e humilhado há dezenas de anos. Agora, defender Bush é defender não o antiterrorismo – isso seria um ledo, inocente, deslumbrado, interesseiro ou maquiavélico engano, escolham. Defender Bush é defender um paraterrorismo duplo, tão horroroso quanto o terrorismo de Laden – paraterrorismo in nomine pater, o poder militar, paraterrorismo in nomine mater, a democraciamericana. Paraterrorismo que se torna ainda pior na forma de americanice dogmática e com conteúdo inteligente. E por que? Porque como a estátua da Liberdade americana nada vê, nem quer ver e tem raiva de quem vê. O paraterrorismo americanista é uma espécie de psicose-ideológica, vazada num complexo de superioridade cronificado – tudo que é bom é americano, forever and ever. E, isso forma não só opinião, mas um estado arrivista de consciência superior que estimula e organiza movimentos beligerantes. E, lembremos, é um paraterrorismo saido de um país militarmente mais forte e que se apresenta como democrático. País que, no contexto político-econômico-financeiro dos últimos cinquenta anos tem sido perversor, massacrador, humilhador de povos, países, culturas, fabricando guerras, apoiando ditaduras ou as destituindo, segundo seus interêsses monetários, financeiros, produtivos – e, hipostasiando toda essa zorra paraterrorista in nomine mater: a democracia. Argumentar, com estatística, que 10 entre 8 americanos querem ajudar os países do terceiro mundo – simplesmente não é argumento nenhum. A estatística deles é a nossa verdade e nosso convencimento? – por que razão? Há verdades que são mais mentirosas do que a própria mentira. Esse tipo de argumentos cansa o intelecto e o espírito. Isso é mais uma imposição opinativa de paraterrorismo autoflagelador, in nomine pater, in nomine mater, na ordem da humilhação: aceitar, defender e se deixar ser humilhado. Sentimento que desliza e se recalca no inconsciente como sendo o ‘american dream’. E tome de coca-cola. (Que, aliás, eu gosto também, como gosto da música, de Whitman, de Henri Miller, de Bukowski, de Woody Allen – grande povo, péssimo país!).
3. E, a juventude?
Como fica a juventude, essa força humana mediadora e continuadora
entre o que foi e o que está por vir? Como reage a um contexto con-fuso
desses – em que se mata again and again and again, ao som de Cole Porter,
em nome da democraciamericana: seja de bandinha como a CIA, ou descaradamente
como agora e em Kosovo, por ‘motivos humanitários’? Que dizer do
que nos diz Neruda dessa democracia invasora em Nome do Pai:
“Cuando sonó la
trompeta, estuvo/ todo preparado en la tierra/ y Jehová repartió
el mundo/ a Coca-Cola Inc., Anaconda,/ Ford Motors, y otras entidades:/
la Compañia Frutera Inc./ se reservó lo más jugoso,/
la costa central de mi tierra,/ la dulce cintura de América./ Bautizó
de nuevo sus tierras/ como “Repúblicas Bananas”/...estableció
la ópera bufa:/ la dictadura de las moscas Trujillos, moscas Tachos,/
moscas Carias, moscas Martinez/... moscas de circo, sabias moscas/ entendidas
en tiranía.”
A juventude, em geral,
sempre ansia pelo novo. Nós fomos jovens - lembram? Reagiamos na
ânsia do novo. A França de 68, o movimento hippie, diante
da insipidez do consumismo. Che Guevara. Lembram? E quem é o novo,
agora? Paradoxalmente, o novo não é o novo continente, a
América. A juventude, em geral, vê os EEUU-de-Bush como o
Paizão ranzinza, dominador, opressor. Esse negócio de cowboy-cão-de-guerra-super-homem-and-big-boss
– já era! O novo é o passado passadíssimo ressurgindo
como um suicídio às avessas! O novo é o orientalismo
mítico futurizado nos inconcebíveis pókemons e dígimons.
O novo é o orientalismo envelhecido, místico e sensual
da dança do ventre e de mulheres de olhos misteriosos, num romantismo
movido a tabla, sitar e alcorão - que afirma que a morte é
vida (imagine Heidegger pensando sobre isso!).
Não me julguem
defender tal posição, mas me considerem um intelectual que,
curiosamente, está pagando pra ver como nosso século ocidental
e nossa juventude vai assimilar essa profunda inversão de valores
- que confronta de cabeça erguida e suicida o establishment hegemônico
americano.
A juventude, em geral,
ansia matar o Pai, como Édipo. O Nome-do-pai, aqui, é Tio
Sam, Bush, o FMI, a CIA, Super-Homem, etc, significantes que encarnam para
a juventude (não domesticada pelas seitas subvencionadas pelo congresso
americano, para isso mesmo) todas as imagens malditas e psicóticas
do father-big-boss. Nietzsche, no tempo dele, matou o Deus de seu
tempo, que para ele era essa mistura de transcendentalismo, hipocrisia
e fraqueza cristãs. Para nós, os atuais, o Deus que o dólar,
a mídia e os acólitos americanistas nos impõem é
um sonho: o american way of life – esse maravilhoso way of life de alta
tecnologia, armas pesadas e juros altos, numa democracia capitalista invasiva,
cujo resultado prático é uma pequena inversão draconiana
do sonho para o pesadelo de todos - a way of life to american only.
Nós professores
e filósofos de carteirinha, temos que perguntar, sim, pra onde vai
a juventude nessa grande aula de antidemocracia em nome da democracia.
Eu, pessoalmente, sempre achei que democracia fosse um presente de grego.
Agora penso que democracia é um vírus americano de longa
duração. Já pensaram se toda a nossa juventude, toda,
quase-toda, embarca nessa canoa dos ideólogos americanistas? Daqui
há dez anos – cadê o Brasil? Aliás, Brazil. Certamente
estaremos gozando as estranhas delícias de ser um país sem
cara, i.é, descarado, sem identidade, aculturado, desflorestado,
desaguado, desenergizado, etc. Sim, porque mesmo hoje já nos sentimos
num país alugado, vendido e financiado - desde a ditadura militar,
aliás, estimulada por eles, até essa nova democracia de medidas
provisórias: a democraciaserviçal, onde pagamos em
dia todos os serviços da dívida fazendo o dever de
casa do FMI.
Assim, com nosso peito
varonil deitado eternamente em berço esplêndido, nos apresentamos
para o mundo e para nós “com todos os adornos exteriores da soberania
internacional. Na realidade, o sistema econômico e portanto o sistema
político é dirigido do exterior”, como já dizia N’Krumah,
há mais de 30 anos atrás.
Aí está
nosso belo sonho se realizando no contraponto de má infinitude da
democraciamericana, por isso mesmo, nunca alcançando seu conceito,
como diria Hegel. É um processo de difícil ruptura porque
cria uma consciência per-vertida e corrupta, como cachorro criado
em coleira. Os que mandam e formam opinião desejam a coleira de
juros e dívidas, claro, sob contrôle, a fim de que no balanço
anual recebam suas vantagens ou gorgetas. Desta forma, os americanistas
podem continuar votando no Lula e viajando pra Miami. Tanto faz.
4. Os maus Senhores-do-mundo.
Mas que cabeça é essa do Bush, e dos que o apoiam, que não
percebem a inutilidade de liquidar Bin Laden e comparsas. O terrorismo
não acaba com eles. Será preciso uma guerra muito prolongada
ou então exterminar de vez todos os muçulmanos do planeta.
Pois bem, mesmo os muçulmanos moderados diante de tanta carnificina
acabariam se tornando extremados também. E a coisa se tornaria um
moto-contínuo incontrolável.
A política externa
americana, seja com republicanos, seja com democratas - com diferentes
graduações, tem sido uma antipática política
de Senhores-do-Mundo. Esses americanos-institucionais têm tratado
o resto do mundo como simples coadjuvantes cativos de sua megaprodução
de vida. Que democracia é essa? Certamente não é a
que nosso doceselvagem Whitman sonhou ao poemaconjuntar eu-democracia-massa.
Essa empáfia tirânica gera antiamericanismos mais rapidamente
que o macartismo neurótico.
Os americanos e os americanófilos
de boa cuca precisam compreender esse contexto em toda a sua complexidade
e, nas suas competências, lutar para demover a américa-institucional
a mudar essa política externa egoísta e de megasuperioridade
anglosaxônica. E parar essa guerra de vingança estapafúrdia.
Outro dia, trocando idéias
com o Prof. Ghiraldelli sobre essa psicótica truculência americana,
disse-me ele, com certa razão, sobre os exageros e desconhecimentos
dos críticos e assinalou que “Minhas posições teóricas
não diferem em nada das de americanos como Debbs, já no começo
do século, ou então as de Rorty ou Putnam, agora. A visão
terceiro mundista que temos da América nos impede de ver que o nosso
Establisment é pior do que o deles: vendemos armas para o Irã
e para o Iraque na guerra entre ambos, mas temos ou vergonha ou desconhecimento
de causa para falar isso para nossos alunos.”. Concordo: a crítica
desinformada é inaceitável para um debate saudável.
Como também o é a informação maquiada. Pois
bem, eu penso que deviamos ter vergonha é de não ensinarmos
para nossos alunos, seja de que área sejamos, já no segundo
grau, e continuando nas Universidades, a cada semestre, o ‘espírito
americanista’ da Doutrina Monroe, para melhor conhecer essa ‘indemocrática’
democraciamericana e suas decorrências históricas unilaterais,
invasivas e guerreiras.
5. A filosofia do
Senhor-do-mundo é neopragmática? O
prof. Ghiraldelli, todos sabem, é uma pessoa de forte inteligência
e muita capacidade de trabalho e de dar trabalho aos outros. Algo, certamente,
a filosofia brasileira lhe deve como importador das práticas idéias
anglo-saxônicas e americanas para nós. Como também,
esse Grande Portal de Filosofia, idéia brilhante, que expande nosso
conhecimento – e no qual vemos não um monopólio neopragmático
ou ghiraldellico, nada disso, mas uma atuação diuturna, incansável
mesmo, em prontamente rebater tudo que seja crítica anti-americana.
Aqui, instala-se uma eficiente e inteligente ‘base de pensamentos’ pronta
para a invasão neopragmática e para defender Tio Sam in nomine
pater et mater, por isso a específica postura democrática
do bateu-levou.
Fico pensando como nossas
pobres cabeças terceiromundistas não percebem logo que não
há nenhuma nesga de razão no que argumentamos, seriamente,
contra os americanos. Nada de nada. Tudo é arrazado e não
fica pedra sobre pedra, mesmo que seja virtualmente e sem conteúdos
consistentes, como a estatística acima mencionada dos americanos
que querem nos ajudar.
Fico pensando, do mesmo
modo, nas excelentes cabeças filosóficas que temos entre
nós, como a do próprio prof. Ghiraldelli, que poderiam é
estar ensinando algo realmente novo a esses pensadores importados contemporâneos.
Esses ‘gringos’ que sustentados por uma estrutura financeira e editorial
fortíssima, podem se fazer ouvir em todo o mundo, tenham ou não
méritos. E, mesmo quando não têm méritos, nós
da democraciaserviçal tratamos de ‘fabricar’ seus méritos.
Afinal, nosso povo quer mesmo é algo importado, nem que seja de
1,99.
Seria injusto dizer que
a filosofia neo-pragmatista americana, tão objetiva, tão
pronta para a ação mental invasiva, como um fuzileiro naval,
não possue nenhum conteúdo espiritual ou de sensibilidade
conscientiva. Há, sim, paradoxalmente, um espírito de transcendência,
pleno de mistérios românticos e ironias liberais na neo-neo-metafísica
neopragmática (a neometafísica já existe, a de Hegel).
Com efeito, os colegas anti-americanistas precisam prestar mais atenção
às quase-redescrições impalpáveis, indefiníveis,
evanescentes e utópicas mesmo, desse neopragmatismo denegador da
metafísica e, por isso mesmo, dela dependente:
“A filosofia neopragmática
mostra-se como uma fábrica de redescrições. Assim,
uma filosofia da educação neopragmática é uma
fábrica de redescrições voltadas para questões
direta ou indiretamente ligadas ao ensino, à educação.
Mas a direção dessas redescrições é
não tornar homens e mulheres “sujeitos”, “cidadãos” ou “críticos”,
como poderia querer uma redescrição com objetivos iluministas
ou românticos. A filosofia neopragmática e, portanto, a filosofia
da educação neopragmática visam uma utopia onde residam
os “liberais ironistas”. Pois bem, quem seriam essas pessoas? Nada que
podemos concretamente saber, mas certamente pessoas que tenham muitos traços
nossos, como “liberais”, ou melhor, como “liberais ironistas”.”(Ghiraldelli,
O Que é filosofia da educação – uma discussão
metafilosófica).
Bem, o espanto, creio
que ainda é filosoficamente livre.
Mas, o que seria mesmo
redescrever ‘sujeitos’, ‘cidadãos’ e ‘críticos’? Seria reconfigurar
suas cabeças? Mudar-lhes a consciência de sujeito-cidadão-crítico?
Consciência? Bom, mantenho e repito a pergunta, em alto e bom som,
mesmo sabendo que o neopragmatista parece sintomatizar e denegar a palavra
‘consciência’ - só que o termo ‘percepção’,
dito mais objetivo, não cobre a hiância, nem do significado,
e muito menos do significante, disso que chamamos consciência. Mas,
para que remasteurizar e arrancar de viventes criaturas suas identidades
de sujeitos, cidadãos e de críticos? Será que é
para não fazê-los pensar, para os melhor explorar? Não-sujeito,
não-cidadão, não-crítico – é isso o
que seria um não-iluminismo ou um não-romantismo - é
isto o neopragmatismo? Como seria, essa criatura neopragmática?
Fico pensando se não é muita neo-ironia liberal, para nossa
cabeça terceiromundista.
6. Debs, o renegado socialista americano. "ele é mau. Pela sua própria natureza ele é fundamentalmente injusto, desumano, imbecil e não pode durar" - essa a opinião de Debs, socialista americano do início do século sobre o capitalismo contra quem militou toda a vida – e, uma das referências do prof. Ghiraldelli. Opinião essa, bem na linha do que hoje poderia ser carimbada como a de um verdadeiro espírito antiamericanista (ou neobobo como cunhou nosso gênio ironista FHC, com todos aqueles equivocados reducionimos ideológicos com que a direita taxa o esquerdismo desteorizado, colocando no mesmo saco a esquerda teórico-fundamentada). Voltando ao Debs: pena ele não ter tido força dentro do PS americano de se impor a uma maioria racista, anti-imigração, discriminatória - que se dizia socialista. Berger, da ala majoritária, considerava negros, mulatos e amarelos raças inferiores. Certamente, ansiavam por um modo prático de ‘redescrever’ essas raças como não-sujeitos, não-cidadãos, não-críticos. No meio disso realmente Debs é um herói. Do pouco que pude recolher de seu pensamento e atitudes, através do Droz, me parece que se afinam muito mais com uma autocrítica severa conta esse capitalismo-democrático-racista-explorador-e-dono-do-mundo que se desenvolveu no correr do século. Inclusive, contra suas mazelas decorrentes, como essa guerra insensata do Bin Bush. Debs era antiamericanista de boa cepa.
7. Terceiro-Mundo
– o que é isso? Os americanistas dizem que nós,
anti-americanistas temos uma visão tão só terceiromundista.
O que quer dizer mesmo terceiromundo? Se, pensar que o Brasil e outros
países explorados e expoliados estão destinados somente a
ser um contraponto de assimetria política e econômica dos
americanos e outros países ricos – é ser terceiromundista
– então, sim, temos a visão terceiromundista, sim - ora!
Que diabo de visão queriam que tivessemos? Americanista? Segundomundista?
Primeiromundista? Por que? Que papo é esse? Por que ter a visão
terceiromundista é algo tabu para certos intelectuais?
Nossos erros (ou erros
dos nossos governos, vender armas, vender nossas riquezas, entregar a Base
do Maranhão na moita aos americanos - vocês souberam disso?,
etc) não devem servir de argumento para justificar uma visão
não-terceiromundista. Mesmo essa classificação inadequada
sob certos pontos de vista sociológicos, - o carimbo de terceiromundo
- não deve ser argumento consistente para se passar a ser americanista
fanático. Também, o esquerdismo desteorizado não deve
servir de argumento para abandonarmos sem mais nosso ponto captor-emissor
de pensar e agir sobre o mundo: Brasil, América do Sul, uma região
sócio-econômica tida e havida como pertencendo ao terceiromundo.
Samaranch, pensador espanhol vivo, assim se expressou sobre Aristóteles:
"Así es la Política de Aristóteles; estimulante y
viva, porque se escribió tomando partido.". E até prova em
contrário nosso Grande e Pequeno Partido, i.é nossa dimensão
política e identidade cultural, ainda é nosso Brasil, antes
de tudo. Aqui nascemos, aqui vivemos, aqui lutamos por aqui. É uma
questão mesmo de identidade. Isso não quer dizer que não
autocritiquemos nossos erros. E o mais grave desses erros é recusarmos
a nós mesmos.
Os EEUU quando praticam
unilateralmente taxações ou retaliações financeiras
e econômicas - estão sendo o que? Primeiromundistas? Americanistas?
Pois, muito bem, eles estão, de certo modo, certos. Resta saber
até quando podem manter uma política policialesca e protecionista
dessas sem criar ressentimentos ou fazer explodir o ponto-de-basta – que
, aliás já explodiu com Bin Laden. E, resta, também,
saber porque des-razão temos nós que como vacadepresépioaprovarmos,
sua política contra nós.
O que há com os
brasileiros americanistas? Pensam mesmo que os americanos querem nos ajudar
para ficarmos igual a eles, no mesmo nível deles? Ou não
pensam nada disso e nesse caso pensam o quê? Que somos super estóicos?
Que somos sadomasoquistas? Por que é que: pensar que eles querem
mesmo é nos manter sob a coleira da dívida externa para melhor
controlar nossas riquezas é um nonsense fantasioso da esquerda neoboba?
– e não a realidade histórica que está acontecendo?
Que wonderful neorecalque é esse que foge de sua realidade e prefere
sonhar com o sonho deles.
Mas, como é mesmo
o sonho americano?
Pois bem, o caipira texano,
em pleno desvario de grandeza, ataca: "Aquele que não estiver ao
nosso lado estará contra nós, e será considerado inimigo".
Não foi isso que disse Bin Bush, lembrando os melhores dias do nazismo,
com ar de mau comediante da Broadway? Ora, isso não é sonho
– é delírio e ameaça! A demo-cracia do porrete,
ein, velho cowboy? Nem é preciso ser neobobo, nem dominar a teoria,
nem mesmo ser ativista porra louca, basta ter bom senso e uma boa bússola
cultural ao olhar a história e localizar quem segura e usa o porrete
contra todos os mundos - mesmo quando os ajuda a sonhar. Seja lá
como for, uma coisa salta em close: o sonho dos americanos não
é o mesmo sonho dos brasileiros americanistas. Mas como consciência
é coisa do passado não-pragmático – certamente nossos
amigos-inimigos americanistas não têm consciência clara
de sonhos equívocos.
O meu anti-americanismo
tem razões semelhantes ao de Terezinha Fernandes de Oliveira Caldas:
“Sou anti-americana, como diz minha filha, anti-estadunidense em todos
os sentidos por detestar a prepotência,a exploração
e o desrespeito para com os demais povos destes que se intitulam a polícia
do mundo.”.
Ou, como o de Ricardo
Eugênio Lima: “sou anti-americano (mas gosto do cinema americano,
da Coca-cola, etc) não por inveja, mas porque não concordo
com a exploração e intervencionismo liderados pelos Estados
Unidos sobre o Brasil e outros países do Terceiro Mundo. Mesmo sendo
anti-americano não posso concordar com nenhum ato terrorista feito
por bandidos que merecem e precisam ser severamente punidos, tomam
ideais de liberdade para mascarar seus atos de covardia.”.
É possível
que as pessoas que pensam assim estejam brincando de pensar? É possível
que encarar a história corrente do ponto de vista brasileiro, de
nossos interêsses autênticos e não impingidos de fora
– seja um sacrilégio e não tenha uma grama de razão?
O meu antiamericanismo
terceiromundista, claro, não é contra nenhum indivíduo
em particular - é contra o sujeito americano institucional se desenvolvendo
historicamente numa truculenta complexidade materialjurídicofinanceirapolicial
que ajuda tirando, atirando e matando pessoas e culturas. Sujeito-institucional
americano que não tem nada a ver com meus amigos americanos de carne,
osso e espírito. Sou anti-americano como Chomski, americano, o é.
Amén.
* RUBEN
G NUNES, prof. de Filosofia Política, Cultura e Ética,
da UFRN.
Natal, RN 12/12/01
Consciência.Net