“Fiquei surpreso e decepcionado com o veto, principalmente pela fragilidade dos argumentos usados pelo Presidente. Não é verdade que faltam professores, e a inclusão das disciplinas não aumenta os custos do Estado, pois é uma questão de remanejamento disciplinar. A maioria das escolas particulares tem filosofia e sociologia, e é errado negar isso aos alunos da rede pública.” - Dep. Padre Roque Zimmerman (PT-PR), autor do projeto.
“A presença da filosofia e da sociologia no ensino médio é muito importante, mas os fundamentos dessas duas disciplinas podem ser trabalhados em outras matérias como história, geografia e português. Aliás, se um professor de história não discute questões filosóficas e sociológicas em sua aula, ele não é um bom professor. Creio que um currículo sobrecarregado de disciplinas é até prejudicial para que ocorra um aprendizado realmente efetivo e satisfatório.” - Eny Marisa Maia, coordenadora da elaboração dos PCN – Ensino Médio.
“O que o governo gasta com projetos de grande porte, muitas vezes apenas para aumentar o número de diplomados (e não a qualidade deles – vide os vários projetos de formação de professores de modo aligeirado, após o fim da "Habilitação Magistério") contrasta com o pequeno valor que seria gasto com a volta do ensino de filosofia e sociologia (além do mais, o Ensino Médio e da competência dos Estados!).” - Paulo Ghiraldelli, professor de filosofia da UNESP.
“Esse projeto tem que ser repensado. Precisa ser discutido em nível nacional, e não na base do lobby. Nós temos que nos dedicar, antes de qualquer coisa, à formação de professores. Não é possível pensar em formar alunos antes de formar os docentes. Precisam ser criadas condições reais para a inclusão dessas disciplinas, não dá para simplesmente baixar um decreto e encerrar a questão.” - Olavo de Carvalho, professor de filosofia da Faculdade da Cidade (Rio de Janeiro) e colunista do grupo Globo.
“Temos pesquisas mostrando que filosofia e sociologia são as aulas mais populares dentro das escolas. Então como a obrigatoriedade dessas matérias pode ser contra o interesse público?” - Lejeune Mato Grosso de Carvalho, presidente da Federação Nacional dos Sociólogos – Brasil.
“O presidente tinha mesmo
que vetar, pois decisão de currículo escolar não é
matéria para o congresso decidir. Além do mais, indicar essas
duas disciplinas como obrigatórias fere as nossas Leis de Diretrizes
e Bases da educação.” - Guiomar Namo de Mello, Diretora
Executiva da Fundação Victor Civita.
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