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.Aqueça seu coração, não o planeta.
Seja vegetariano!
 
O aquecimento global é um fenômeno que tem alterado nas últimas décadas o equilíbrio das funções naturais do planeta Terra. Ele é considerado a maior ameaça à manutenção e sobrevivência da espécie humana e de muitos outros seres do planeta.
 
É consenso que as atividades humanas, desde o século XIX, são as maiores responsáveis pela alteração dessas funções, e uma das maiores, senão a maior, é a produção e consumo de animais.
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A alimentação humana mudou consideravelmente nas últimas gerações. Consumimos cada vez mais proteínas de origem animal, o volume da produção desses alimentos nunca foi tão grande e, a cada dia, mais e mais pessoas no mundo passam a ter em sua dieta mais e mais alimentos de origem animal.
 
Apesar do decréscimo, ou estagnação, em países europeus e norte-americanos, e inclusive no Brasil, o consumo de carne está associado à renda per capita. A partir do momento em que as populações mais pobres elevam sua renda, passam a adquirir hábitos alimentares e de consumo diferentes. Essa é a grande razão do aumento no consumo de animais.
Só no Brasil o número de cabeças de gado é superior à sua população, são quase 170 milhões de brasileiros contra quase 200 milhões só de bovinos (IBGE,2000).
Por isso, estudos recentes da ONU e FAO (Órgão das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) demonstram que a alimentação humana atual é uma das maiores formas de degradação e poluição ambiental existentes. Todo o processo de produção e consumo de carne, peixe, frangos, ovos, leite, porcos etc. destinados à alimentação humana são responsáveis por:
Como?
Todo animal produz excrementos e/ou gases que emitem substâncias que provocam o efeito estufa. O efeito estufa impede que o calor produzido tanto pelas atividades humanas quanto pela energia solar, atravesse as camadas mais altas da atmosfera e se disperse no espaço, permanecendo nas camadas mais baixas e aquecendo o planeta.
Segundo a FAO, a criação desses animais é responsável pela emissão de 18% dos gases do efeito estufa, número superior ao emitido pelo setor de transportes. São cerca de 37% das emissões globais de metano e 65% de óxido nitroso, gases com efeito dezenas de vezes superior que o gás carbônico. (saiba mais)
Aqui, 68% da pecuária é representada por bovinos (87% de corte e 13% de leite, aproximadamente, IBGE, 2000), sendo considerado o maior rebanho bovino do mundo para fins comerciais. Animais ruminantes, como bovinos e caprinos, emitem metano pela digestão e seus dejetos.

Fonte de Metano (CH4)

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Embrapa Meio Ambiente (fonte)
"Para o Brasil, foram estimadas emissões de cerca de 9,2 milhões de toneladas de metano provenientes da pecuária, considerando-se os efetivos de categorias de animais ruminantes e falsos-ruminantes e a produção de dejetos animais em 1995. (saiba mais)"
Lembre-se: Todo animal abatido e vegetal derrubado é uma cadeia de gás carbônico a ser dispersa na atmosfera.

Todos nós, seres vivos, somos compostos de uma estrutura de carbono em nossas células. O carbono dessa estrutura é lançado no meio ambiente quando morremos, e liberado na atmosfera quando não transformados em matéria orgânica presa ao solo ou quando o aramos.

"Os solos do mundo constituem um dos cinco principais reservatórios de carbono, juntamente com os oceanos, da camada geológica, da atmosfera e da biomassa terrestre. Portanto, os solos são essenciais para o seqüestro de carbono e representam aproximadamente 75% do acúmulo de carbono no ecossistema terrestre. (saiba mais)"

Outra fonte de emissão de gases do efeito estufa está no uso da energia até que os produtos animais cheguem às nossas mesas. Desde a produção de grãos para consumo animal, seu transporte, a criação, o abate, o resfriamento, a estocagem, o processamento, o transporte refrigerado (ou não), as gôndolas refrigeradas do supermercado e por fim as nossas geladeiras e congeladores domésticos, são todos parte do processo de consumo de energia e portanto emissores de gases do efeito estufa em potencial. Já que cerca de 80% da produção de energia mundial provém da queima de combustíveis fosseis, emissores de gás carbônico.

Para produzir animais destinados ao nosso consumo, precisamos alimentá-los. Cerca de metade da superfície agricultável da Terra tornou-se pasto, não contabilizando-se a área destinada à produção de grãos para ração.

Por alto, 24 bilhões de m2 da Floresta Amazônica são derrubados todo ano para criação de pasto ou plantio de soja.

E 96% das variedades vegetais comercializadas em 1903 estão agora extintas!

A produção de animais polui solo e rios com toneladas de excrementos diários e matéria orgânica oriunda do abate. Com o uso de antibióticos e outras substâncias como desruptores endócrinos, a contaminação torna-se mais perigosa, tais substâncias chegam à cadeia alimentar humana por vias indiretas como a ingestão de água e vegetais. E Isso sem contar com a poluição do ar!

Conteúdo de água virtual em alguns alimentos
Produto
Litros por kg
Arroz
Aveia
Aves/galinha
Azeite de oliva
Azeitona
Banana
Batata
Beterraba
Cana-de-açúcar
Carne de boi
Carne de porco
Laranja e outros citros
Leite
Manteiga
Milho
Óleo de soja
Ovos
Queijo
Soja
Tomate
Trigo
Uva
1.400 a 3.600
2.374
2.800 a 4.500
11.350
2.500
499
105 a 160
193
318
13.500 a 20.700
4.600 a 5.900
378
560 a 865 
18.000
450 a 1.600
5405
2.700 a 4.700
5.280
2.300 a 2.750
105
1.150 a 2.000
455
"Os valores medidos até agora têm, no entanto, variações em função do método de cultivo, do método de avaliação, etc. É importante notar a ordem de grandeza dos mesmos é, ela que dá relevância ao tema". (saiba mais)
Chamamos água virtual o mercado de água não contabilizado. É a quantidade de água utilizada para produzir um produto ou serviço: A China importa em torno de 18 milhões de toneladas de soja por ano, pelo preço de 3,5 milhões de dólares, carregando 45 milhões de m3 de água. Em 2003, o Brasil exportou 1,3 milhões de toneladas de carne bovina, por 1,5 milhões de dólares, e junto exportou 19,5 km3 de água.
Dados da UNESCO (World Water Council. Virtual Water Trade Conscious Choices. Synthesis conference on Virtual water trade and Geo-politics. Paul van Hofwegen. Dez/03.) dão conta que o comércio global movimenta um volume anual de água virtual da ordem de 1.000 a 1.340 km³, sendo:
No 3º Fórum Mundial da Água, realizado em 2003 no Japão, o Brasil foi citado como o 10º exportador de água virtual, atrás de Estados Unidos, Canadá, Tailândia, Argentina, Índia, Austrália, Vietnã, França e Guatemala.
Quanto uma pessoa consome de água virtual? Uma dieta onívera (vegetais, carne, leite e ovos) consome cerca de 4.000 litros de água virtual/dia. E a dieta vegetariana requer em torno de 1.500 litros.
Devido ao custo, soja e milho são as maiores fontes de alimento para animais no mundo, 70% a 80% da soja mundial é destinada à ração animal e 1/4 da produção mundial de grãos destinado à alimentação bovina. No Brasil, metade da soja produzida vira ração. Assim, devemos contabilizar a agricultura intensiva e extensiva, junto à produção de animais, como a maior forma de esgotamento e contaminação das fontes naturais de água e do solo. Uma contaminação por agrotóxicos, excrementos, matéria orgânica e substâncias como antibióticos, promotores de crescimento e desruptores endócrinos.
As queimadas e o desmatamento, responsáveis por 75% das emissões brasileiras de gases do efeito estufa, colocam o país como um dos maiores emissores mundiais de gases do efeito estufa. Sendo que a expansão do território agrícola para a produção de soja, o maior motivo real. E após o solo estar degradado pelo uso intensivo do plantio de soja, torna-se pasto. 
Nesse caso, a contabilização "Carbono Zero" dada à produção vegetal por causa da fotossíntese não pode ser feita, uma floresta contém muito mais carbono acumulado do que o cultivo de qualquer outro vegetal a ser inserido em seu local.
As queimadas produzem: metano, óxido nitroso (N2O), óxidos de nitrogênio (NOx), monóxido de carbono (CO) e dióxido de carbono (CO2). Todos gases do efeito estufa. E ainda, o fogo acentua a liberação de carbono do solo, sendo uma das práticas agrícolas mais comuns no país. E outra grande fonte de N20 na atmosfera é o aumento das adições de fertilizantes nitrogenados sintéticos nos solos de agricultura intensiva.

"Estima-se que as emissões antrópicas globais de N2O sejam de 3,7 a 7,7 Tg N/ano, com uma média provável estimada em 5,7 Tg N/ano. Utilizando dados da FAO, de 1989, e a metodologia do IPCC, as emissões diretas de N2O a partir de solos agrícolas são estimadas em 2,5 Tg N, as emissões diretas de animais de pastoreio em 1,6 Tg de N, e as emissões indiretas resultantes de nitrogênio de origem agrícola na atmosfera e sistemas aquáticos em 1,9 Tg N- N2O". (saiba mais)

A agricultura extensiva e intensiva tem sido responsável por significativas perdas de carbono do solo, devido às práticas agrícolas de baixa sustentabilidade ambiental. Tais práticas incluem: aração excessiva, gradeação e desmatamentos, exposição dos solos a processos de erosão e compactação, redução dos níveis de matéria orgânica no solo, fertilização inadequada e as queimadas (antes e pós-colheita). Por outro lado, as práticas agrícolas que restauram a capacidade dos solos como reservatório de carbono são: reflorestamento, cultivo de culturas extrativistas, uso adequado de fertilizantes químicos e adubos orgânicos, pastagens bem manejadas, agrofloresta e práticas de conservação do solo (Embrapa,1999).

2.500 vacas em confinamento para produção de leite geram em esgoto o mesmo que 411.000 pessoas numa cidade. Diferente de uma cidade, que em geral possui tratamentos, as caixas sanitárias para criação de animais são na maior parte a céu aberto e sem tratamento, representando um risco de contaminação por vírus, fungos e bactérias. (Risk Management Evaluation for Concentrated Animal Feeding Operations, US Environmental Protection Agency, A National Risk Management Laboratory, Maio de 2004, p. 7.)

E com a contaminação do solo e da água destinados ao cultivo de vegetais, produzimos alimentos pobres em nutrientes. Só o consumo atual de animais causa inúmeras doenças como relata a OMS, ONU e associações médicas internacionais; imagine então, as doenças causadas pela produção de animais. Seu consumo torna-se uma corrente geradora de doenças, desde a ingestão à poluição e degradação do ambiente, como também às doenças trazidas pelas mudanças climáticas. 

Uma cultura alimentar baseada no vegetarianismo*, ou mesmo a diminuição do consumo de carne, é uma grande e importante arma no combate ao aquecimento global. E conseqüentemente, uma grande alternativa à preservação de florestas, ao reflorestamento, à manutenção e limpeza de mananciais, do solo, como também ao nascimento de uma sociedade mais sadia, pacífica e em equilíbrio com seu planeta.

Outra conseqüência devastadora da produção e consumo de animais é a concentração de riquezas e uma seqüente geração de pobreza em sociedades com má distribuição de renda. Para produzir animais faz-se necessário mais investimentos que o cultivo de vegetais, o aumento da pobreza gera estresses socioeconômicos responsáveis pelo agravamento e surgimento de inúmeras doenças da sociedade atual.

E ainda, um acre de terra produtiva pode produzir 80 toneladas de batatas, 60 de cenouras, 100 de tomates e apenas 1/2 tonelada de carne bovina! (1Acre = 4mil m2)

190 das 7.600 variedades de matrizes animais listadas pela FAO foram extintas nos últimos anos. Outras 1.500 estão em risco de extinção e pelo menos 60 foram perdidas desde 2002, quer dizer que perde-se uma a cada mês. Isso devido à intensificação da produção de animais e à globalização do comércio e consumo. Apenas uma dezena de matrizes de galinha fornece 85% dos ovos no mundo e apenas as matrizes leiteiras altamente produtivas oferecem 75% do leite. Isso diminui a capacidade da humanidade em lidar com doenças e imprevistos climáticos.

É bem verdade que a produção de carne brasileira é feita basicamente em pasto, mas o mesmo não ocorre com a produção de vacas leiteiras, galinhas e porcos. E ainda, animais tratados em confinamento tem baixa quantidade de omega3 e quantidade de gorduras superior aos criados em pasto (Maiga, Harouna A., George D. Marx, Vince W. Crary, James G. Linn, "Alternative Feeds for Dairy Cattle in Northwest Minnesota: An Update." no 126 de 1997).

Em 1982 na Revista Avicultura Industrial, um fabricante brasileiro de equipamentos mencionava a possibilidade de produzir abatedouros com capacidade para 500 aves/hora, 2mil, 3,6 mil, 5 mil, 6 mil, 7,2 mil, 10 e 12 mil. 

A projeção da produção de carne é dobrar as 229 milhões de toneladas de 1999/2001 para 465 em 2050 e o leite de 580 milhões de toneladas para 1043 (FAO). 

Em recente reunião do Banco Mundial (maio de 2007), Dr. Steve Osofsky, coordenador da Wildlife Conservation Society para Animal Health for the Environment And Development, demonstrou que 70% das doenças humanas são transmitidas por animais e com o aumento do consumo de carne no mundo, as condições sanitárias das práticas agroindustriais são críticas à saúde pública e à vida selvagem. Segundo Osofsky, a administração da saúde de animais, do meio ambiente e das pessoas andam lado-a-lado.

As alternativas econômicas à produção animal são as práticas agroflorestais, o manejo sustentável da terra, a produção orgânica, e muitos outros modelos menos extensivos, intensivos e agressivos que aqueles utilizados pela prática atual.

Não sabemos os processos utilizados até que a alimentação chegue em nossas mesas. Quando questionamos hábitos tão corriqueiros quanto à alimentação, podemos questionar também os processos inconseqüentes que fazem parte das nossas vidas. Enquanto a sociedade consome animais, ela compromete sua saúde e bem-estar. Alimenta-se de derivados de leite e ovos, enquanto trata vacas e galinhas como fábricas. E veste-se de couro, peles de criaturas com capacidade de sentir dor e sofrer da mesma maneira que nossos animais de estimação podem. 

O veganismo**, como prática diária, pode influenciar tais posições desumanas e insensíveis que impomos aos demais seres. Nossa alimentação cria animais adoecidos por maus tratos, os leva para o abate e nós os consumimos. O veganismo simboliza o respeito à vida planetária e propõe uma nova relação de integração e harmonia do homem com a mãe natureza e todas as formas de vida.

Nós, gatos, cachorros, porcos, galinhas, bezerros e peixes, somos todos seres com sistema nervoso central, capazes de reconhecer sensações de dor e sofrimento. Nós somos os seres capazes de impor a dor e o sofrimento a outros seres para que continuemos a manter um estilo de vida imposto a nós mesmos. Nós somos os seres que sofremos as conseqüências de nossos atos com consciência e portanto somos os únicos seres que podemos transformar atos com consciência. Nós somos os seres que chegamos ao extremo de necessitar questionar nossos atos em conjunto e devido ao aquecimento global, necessitamos questionar as bases da nossa existência e permanência na Terra. 

Aqueça seu coração, não o planeta.
Seja vegetariano! Pratique o Veganismo!
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Apoio:
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Organização:

*Vegetarianismo: Dieta alimentar que exclui o consumo de carne animal. O vegetarianismo ético considera que os animais têm direito à vida e que seu sacrifício para fins alimentares é um ato de crueldade desnecessária.
**Veganismo: Prática de vida que respeita os seres vivos através da alimentação e demais hábitos de consumo consciente. Os veganos não consomem produtos de origem animal (leite, ovos, mel) e não utilizam produtos feitos com couro, lã, seda e cosméticos testados em animais.
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Para mais informações:
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