Reciclagem
Papel de Escritório
  • O mercado para reciclagem
    No Brasil, a disponibilidade de aparas de papel é grande. Mesmo assim, as indústrias precisam periodicamente fazer importações de aparas para abastecer o mercado. Com a escassez da celulose e o conseqüente aumento dos preços do reciclado, as indústrias recorrem à importação de aparas em busca de melhores preços. No entanto, quando há maior oferta de celulose no mercado, a demanda por aparas diminui, abalando fortemente a estrutura de coleta, que só volta a normalizar vagarosamente. No Brasil, há pouco incentivo para a reciclagem de papel porque o País é um grande produtor de celulose virgem.
    Nos Estados Unidos, mais da metade do papel de escritório coletado pelas campanhas de reciclagem é exportada. É crescente o número de indústrias americanas que reutilizam papel de escritório como matéria-prima, barateando o custo da produção. Em muitos casos, porém, o custo da fabricação de papel pode ser maior do que a produção a partir da celulose virgem. O maior mercado é o de embalagens.
  • Quanto é reciclado?
    36% do papel e papelão que circularam no País em 1997 retornou à produção através da reciclagem, totalizando 1,6 milhão de toneladas. Para este cálculo, considerou-se a produção total somada à importação, subtraindo o volume exportado.
    No entanto, 75% do total de papéis circulantes no mercado são recicláveis.
    A maior parte do papel destinado à reciclagem, cerca de 86%, é gerado por atividades comerciais e industriais.
    No Brasil, existem 22 categorias de aparas – o nome genérico dado aos resíduos de papel, industriais ou domésticos – classificados pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo e pela Associação Nacional dos Fabricantes de Papel e Celulose.
    As aparas mais nobres são as “brancas de primeira”, que não têm impressão ou qualquer tipo de revestimento. Em 1997, foram recicladas cerca de 58 mil toneladas deste tipo de papel. Quanto à apara mista, que é formada pela mistura de vários tipos de papéis, a indústria brasileira reciclou 72 mil toneladas em 1997.
    Nos Estados Unidos, o índice de reciclagem do papel de escritório é de 37%.
  • Conhecendo o material
    Papel de escritório é o nome genérico dado a uma variedade de produtos usados em escritórios, incluindo papéis de carta, blocos de anotações, copiadora, impressora, revistas e folhetos. A qualidade é medida pelas características de suas fibras. Papéis de carta e copiadoras são normalmente brancos, mas podem ter várias cores. A maioria dos papéis de escritório é fabricada a partir de processos químicos que tratam a polpa da celulose, retirada das árvores. Entretanto, papel jornal é feito com menos celulose e mais fibra de madeira, obtidas na primeira etapa da fabricação do papel, e por isso são de menor qualidade. No Brasil, o consumo de papel gira em torno de 6 milhões de toneladas por ano.
  • Qual o seu peso no lixo?
    No Rio de Janeiro, o papel e papelão corresponderam a 24% do peso do lixo urbano em 1997. Em 1981, representavam 42%. A queda é resultado das campanhas de coleta seletiva e do trabalho dos catadores. Nos Estados Unidos, o papel de escritório constitui 3,3% do lixo.
  • Sua história
    A reciclagem de papel é antiga. Ao longo dos anos, o material mostrou ser fonte acessível de matéria-prima limpa. Com a conscientização ambiental, para a redução da quantidade de lixo despejado em aterros e lixões a céu aberto, os sistemas de reciclagem evoluíram. As campanhas de coleta seletiva se multiplicaram e aumentou a ação dos catadores nas ruas, que têm no papel usado uma fonte de sustento.
  • E as limitações?
Diversidade de classes de papel
O lixo derivado do papel de escritório é formado por diferentes tipos de papéis, forçando os programas de reciclagem a priorizar a coleta de algumas categorias mais valiosas, como o papel branco de computador. Embora tenham menor valor, os papéis mesclados, contendo diferentes fibras e cores, são também coletados para reciclagem. Os papéis para fins sanitários (toalhas e higiênicos) não são encaminhados para reciclagem. O mesmo ocorre com papéis vegetais, parafinados, carbono, plastificados e metalizados.

Rígidas especificações da matéria-prima
O produto com maior valor no mercado é aquele que segue rígida especificação de matéria-prima. Eles excluem ou limitam a presença de fibra de madeira ou papel colorido. Não podem conter metais, vidros, cordas, pedras, areia, clips, elástico e outros materiais que dificultam o reprocessamento do papel usado. Mas as tecnologias de limpeza do papel para reciclagem estão minimizando o impacto dessas impurezas. A umidade do papel não pode ser muito alta.

  • É importanto saber...
Redução da fonte de geração
É difícil reduzir a quantidade gerada como resíduo. Os papéis destinados à impressão teoricamente podem perder peso. As iniciativas para reduzir a geração do papel priorizam a cópia em ambos os lados, além de diminuir o tamanho das folhas. A automação dos escritórios e a desburocratização favorecem a redução da quantidade de papéis.

Compostagem
É relativamente fácil de ser decomposto, caso seja picotado de forma adequada, e, misturado a outros resíduos, torna-se fonte de nitrogênio aos microorganismos.

Incineração
É facilmente inflamável, gerando 7.200 BTUs por quilo, comparado aos 4.500 BTUs obtidos por quilo de lixo urbano como um todo. Papéis confidenciais, cédulas retiradas do mercado e arquivo morto ainda são incinerados, mas poderiam ser picotados para a reciclagem ou compostagem.

Aterro
O papel se degrada lentamente em aterros quando não há contato suficiente com ar e água. Nos Estados Unidos, foram encontrados em aterros jornais da década de 50, ainda em condições de serem lidos.

  • O ciclo da reciclagem: voltando às origens
    O papel é separado do lixo e vendido para sucateiros que enviam o material para depósitos. Ali, o papel é enfardado em prensas e depois encaminhado aos aparistas, que classificam as aparas e revendem para as fábricas de papel como matéria-prima. Ao chegar à fábrica, o papel entra em uma espécie de grande liqüidificador, chamado “Hidrapulper”, que tem a forma de um tanque cilíndrico e um rotor giratório ao fundo. O equipamento desagrega o papel, misturado com água, formando uma pasta de celulose. Uma peneira abaixo do rotor deixa passar impurezas, como fibras, pedaços de papel não desagregado, arames e plástico. Em seguida, são aplicados compostos químicos – água e soda cáustica – para retirar tintas. Uma depuração mais fina, feita pelo equipamento “Centre-cleaners”, separa as areias existentes na pasta. Discos refinadores abrem um pouco mais as fibras de celulose, melhorando a ligação entre elas. Finalmente, a pasta é branqueada com compostos de cloro ou peróxido, seguindo para as máquinas de fabricar papel.

Fonte: Associação Nacional de Fabricantes de Papel e Celulose; Revista Waste Age; EPA; arquivos CEMPRE (www.cempre.org.br); Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo. 1999.
 
 


meio ambiente
A farra dos sacos plásticos

(...) A plasticomania vem tomando conta do planeta desde que o inglês Alexander Parkes inventou o primeiro plástico em 1862. O novo material sintético reduziu os custos dos comerciantes e incrementou a sanha consumista da civilização moderna. Mas os estragos causados pelo derrame indiscriminado de plásticos na natureza tornou o consumidor um colaborador passivo de um desastre ambiental de grandes proporções. Feitos de resinas sintéticas originadas do petróleo, esses sacos não são biodegradáveis e levam séculos para se decompor na natureza. Usando a linguagem dos cientistas, esses saquinhos são feitos de cadeias moleculares inquebráveis, e é impossível definir com precisão quanto tempo levam para desaparecer no meio natural. Artigo de André Trigueiro no EcoPop (via CiaEcoBrasil), março de 2006.


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