São Paulo terá ônibus a célula combustível
São Paulo – São Paulo deverá ter, até o final de 2002, o primeiro ônibus movido a célula combustível no país. O projeto, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e Ministério das Minas e Energia, está sendo desenvolvido pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU) e prevê a compra de oito ônibus movidos a hidrogênio, que deverão circular por quatro anos no corredor São Mateus-Jabaquara, percorrendo 1 milhão de quilômetros.

    O projeto experimental teve início em 1997, com um estudo de viabilidade do uso de ônibus a célula combustível no Brasil e preparação de um plano de uso, que foi aprovado no final de 2000 pelo Fundo Ambiental Global (GEF). Com um custo de implantação estimado em US$ 20 milhões, o projeto contará também com contrapartida brasileira, através do Ministério de Ciência e Tecnologia. "O recurso será investido na compra, através de concorrência internacional da Organização das Nações Unidas (ONU), dos ônibus e de uma central de produção e abastecimento de hidrogênio", explica Márcio Schettino, superintendente de Desenvolvimento da EMTU.
    Segundo Schettino, a finalidade do programa é desenvolver uma tecnologia limpa, para diminuir as emissões de gases do efeito estufa. "O Brasil foi pioneiro e está com o processo mais adiantado, por isso nosso projeto está sendo utilizado pelo GEF como base para experiências semelhantes no México, China, Egito e Índia". Além destes, há projetos para colocar 30 ônibus a célula combustível na Europa e um projeto em elaboração na Califórnia (EUA).
    O Brasil foi escolhido para iniciar o programa por ter a maior frota (120 mil) e ser o maior produtor de ônibus do mundo. Além disso, a Região Metropolitana de São Paulo tem sérios problemas com a poluição causada pelos cerca de 25 mil ônibus, que representam 77% dos transportes executados na região. "O ônibus é a base do transporte dos países em desenvolvimento, por isso a preocupação do GEF em investir para que as tecnologias limpas cheguem até eles junto com o primeiro mundo", disse o superintendente da EMTU.
    Os ônibus a célula combustível utilizarão hidrogênio gasoso, produzido a partir da eletrólise da água. O resultado é eletricidade e vapor d'água, sem emissões de gases do efeito estufa. "Esse é, atualmente, o processo mais desenvolvido e que produz o hidrogênio com a qualidade necessárias para utilização nas células. No entanto, na indústria automobilística, a solução estudada é produção de hidrogênio a partir da reforma de gás natural, metanol, etanol, gasolina ou biomassa", explica.
    Essa tecnologia está sendo testada em protótipos pelas principais montadoras de automóveis do mundo, já que não há como transportar hidrogênio para os postos de abastecimento. Por isso, os veículos devem ser abastecidos com combustíveis normais e fabricar seu próprio hidrogênio. Nesse caso, as emissões permanecem, porém reduzidas em até 80%. "No caso dos ônibus, não temos esse problema, pois o abastecimento é feito na garagem", diz Schettino.
    Na opinião do superintendente da EMTU, a tecnologia da célula combustível teve um grande salto nos últimos dois anos, devido à questão ambiental e à alta do petróleo, e deve tornar-se viável economicamente e ter um preço competitivo a partir de 2007. "As experiências devem começar pelos ônibus, através dos fundos perdidos para desenvolvimento, e diminuir seus custos através da produção em alta escala de automóveis", prevê.
    Responsável pelas linhas intermunicipais nas regiões metropolitanas de São Paulo e Baixada Santista, a EMTU implantará os primeiros ônibus à célula combustível nos 33 quilômetros de via segregada do corredor São Mateus-Jabaquara, que atravessa os municípios de São Paulo, Diadema, São Bernardo do Campo, Santo André e Mauá.

Maura Campanili

Fonte: O Estado de São Paulo


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