Ministro da Agricultura admite existência de soja transgênica no Brasil
Roberto Samora, GloboNews.com

SÃO PAULO - O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, disse hoje em entrevista à Rádio CBN que um documento enviado pelo governo brasileiro à China admite que pode haver soja transgênica no Brasil. O comunicado teve o objetivo de atender uma nova legislação dos chineses, que acreditam na existência desse produto geneticamente modificado no país.

- Dissemos que o plantio de soja transgênica não é permitido no Brasil e que ainda depende de decisão judicial. No entanto, devido à proximidade fronteiriça com países que plantam soja transgênica (a Argentina, por exemplo), é possível que haja soja transgênica no Brasil. Dissemos também que, se houver, essa soja (Roundup Ready, da Monsanto) é considerada inofensiva à saúde pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) - declarou Rodrigues.

De acordo com o ministro, essa foi a forma encontrada pelo governo brasileiro para garantir que a soja brasileira possa ser exportada normalmente para a China, uma vez que estimativas extra-oficiais indicariam que até 30% das lavouras dessa oleaginosa sejam transgênicas no país.

- Não é possível saber quanto de soja transgênica está plantada no Brasil. Mas não acredito que seja tanto - ressaltou.

No ano passado, o Brasil exportou 3,86 milhões de toneladas de soja para a China, 22% a mais do que em 2001. Este ano, a expectativa é de se exportar para os chineses, segundo o ministro, 10% das vendas externas do produto.

- A China deve comprar 10% de todas as exportações de soja do Brasil, com um potencial de crescimento muito grande - afirmou.

De acordo com o ministro, com o documento enviado ao governo chinês, a China reconhece que há um "problema concreto" e montou uma "recepção" para a atual safra. Segundo ele, espera-se que até setembro a situação da soja transgênica esteja resolvida na Justiça brasileira. Rodrigues acrescentou ainda que não há uma posição no governo sobre os organismos geneticamente modificados.

- O governo espera uma decisão judicial e a partir daí vai começar a agir. Vemos a questão por algumas vertentes: a primeira é de caráter científico: queremos ter certeza de que o produto transgênico não afeta a saúde humana e o meio ambiente. A segunda é a questão de mercado, se vai pagar mais ou menos e se isso compensa ou não o plantio de transgênico - afirmou.

Segundo o ministro, o fato de não haver autorização judicial para o plantio de transgênico também causa um problema em relação ao milho.

- O problema não é só na soja. Este ano, por circunstância de mercado, o Brasil talvez tenha de importar milho no final do ano, quando os estoques terminam. Aí há uma necessidade de se fazer uma enorme prospecção de mercado para saber quem vende milho não transgênico - afirmou.

Fonte: GloboNews.com


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