7 de maio de 2003
Biodiesel tem "a cara" do governo Lula, diz deputada
Informes

Um combustível que polui 86% menos do que o diesel, produzido com vários tipos de oleaginosas, com sebo de boi e raspa de couro e que utiliza a capacidade ociosa da agricultura familiar. Assim é o biodiesel, tema de audiência pública realizada ontem na Comissão de Ciência e Tecnologia. A deputada Mariangela Duarte (PT-SP), que solicitou o debate, acredita que a produção do biodiesel é um projeto que tem a "cara" do governo Lula, pelo potencial de viabilizar economicamente pequenos núcleos familiares.

Ela salientou que a audiência, que reuniu técnicos governamentais, especialistas e produtores, mostrou com clareza que o biodiesel pode revolucionar a produção de combustível se sua implantação se der de forma diversificada, aproveitando as características específicas de cada região do país. Segundo um dos expositores, Artur Augusto Alves, que há sete anos produz o biodiesel em Cássia (MG), foram percorridos 150 mil quilômetros de estradas com veículos de injeção eletrônica, sob a supervisão dos fabricantes, sem que fosse detectada qualquer avaria nos motores.

Girassol, mamona, nabo forrageiro, pinhão manso e soja são algumas oleaginosas que podem produzir o combustível. "Acredito que ainda não houve interesse de explorar o biodiesel no Brasil porque há intenção de alguns setores de produzir com tecnologia importada por grandes empresas multinacionais, mas isso não é necessário", esclareceu o pesquisador.

Movimentação
Mariangela ressalvou que o próprio convite aos técnicos do Ministério de Ciência e Tecnologia "movimentou" a discussão sobre o biodiesel no governo federal, pois segundo ela, o ministro Roberto Amaral adiantou que discutirá o assunto com o presidente Lula.

A deputada do PT comemorou o anúncio do presidente da Casa, deputado João Paulo Cunha (PT-SP), de que a primeira pauta da Comissão de Altos Estudos Tecnológicos, que será oficializada no dia 28 deste mês, será a discussão sobre o biodiesel. Mariangela adiantou que vai se encontrar com o ministro da Reforma Agrária, Miguel Rossetto, para discutir estratégias de incluir a produção do combustível alternativo entre as políticas para os assentados.


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